sábado, 6 de outubro de 2012

Cinquenta tons de cinza




Anastasia é uma moça simples, ingênua e apaixonada Literatura Inglesa. Ela quer terminar sua faculdade para trabalhar em alguma editora e manter seu contato com a literatura, mas, quando sua colega de quarto fica doente no dia em que tem uma entrevista com o benemérito da faculdade e convence Ana a ir em seu lugar, suas perspectivas mudam totalmente. O entrevistado é  o multimilionário Christian Grey, a quem Ana não conhece e não faz a menor ideia de quem seja. Durante a entrevista, Anastasia sente algo estranho vindo de Christian, mas, apesar dos olhares incisivos que ele lhe dá, ela termina o trabalho e vai embora. A partir daí, ela não consegue tirá-lo da cabeça, e ele, cada vez mais, vai se aproximando de Ana, que acaba cedendo aos seus encantos. Ele é lindo, gentil, e tem belos olhos cinzentos, que a conquistam imediatamente. Apesar de seus sentimentos puros, ela não imagina qual a verdadeira intenção de Grey, e mesmo com seus avisos para ficar longe dele, ela acaba entrando de cabeça em seu mundo diferente e viciante. Suas práticas sexuais, suas exigências absurdas, suas mudanças repentinas de humor e sua mania por controle deixam Anastasia confusa, com medo, mas tão apaixonada por esse homem misterioso que ela está disposta a correr todos os riscos e mudar toda sua vida para não perdê-lo.


Demorei muito para escrever essa resenha, e explico o motivo: quando terminei de ler “Cinquenta Tons de Cinza” eu estava totalmente envolvida com a história e afetada por Christian Grey, por ele ser tão intenso (assim como seus olhos cinzentos) e controlador, mas também por ele ter um lado carinhoso e romântico, que aflora de repente, transformando o monstro dominador em príncipe encantado. Eu, que adoro romances, tive que reler o livro imediatamente após terminar a última página, e assim ficar mais perto conhecer melhor cada detalhe dos personagens: Christian é lindo, maravilhoso, rico, misterioso, e com um coração grande o suficiente para tentar acabar com a fome no mundo. Já Anastasia, para mim, não passa de um placebo. Isso mesmo, um placebo, aquele remédio sem princípio ativo que distribuem nos grupos de pesquisas de novos medicamentos, e que as pessoas tomam, mas não serve pra nada: ela é sem graça, confusa e insegura. Mesmo depois de Grey ter dado todos os sinais de que estava totalmente apaixonado, ela ainda coloca em dúvida esse sentimento, por causa de seus costumes sexuais “diferentes” e sua busca do prazer através da dor. Apesar disso, e de toda a inexperiência de Anastasia em relacionamentos, ela decide se jogar de cabeça nessa relação e tentar conhecer o mundo novo que Christian lhe apresenta, totalmente avesso a tudo o que já tinha vivido (que era quase nada).

Depois de começar minha leitura, soube que a autora era fã da série “Crepúsculo” e que se inspirou um pouco nela para criar sua trilogia. Na verdade, ela nem precisava afirmar isso, já que fica visível nos primeiros capítulos de “Cinquenta tons...” que seus personagens são bem parecidos com Bella e Edward. Muita coisa aqui remete a alguma coisa do outro, não consegui começar a lê-lo sem fazer algumas comparações com a saga de Meyer. Ainda bem que, com o passar da história, fui deixando essas comparações de lado e mantendo o foco na narrativa de James, que conseguiu “libertar”, por assim dizer, a Anastasia das piores características de Bella Swan, que são, na minha opinião, a apatia e sua mania de pensar que tudo no mundo gira em torno de suas vontades. Anastasia é esperta, inteligente e tem opinião própria, além de um senso de humor contagiante, tanto que ela consegue reverter algumas situações complicadas apenas com suas frases de efeito, e não cede imediatamente a todos os desejos de Christian, mesmo estando caidinha por ele.

Agora entendo por que essa série foi batizada de "pornô para mamães": por causa do alarde feito em torno do tema BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), e que o livro tem cenas de sexo tórridas que nos deixam envergonhadas até se estivermos lendo sozinhas. Na verdade, ele não é tudo isso; os detalhes de cada relação sexual “normal” dos personagens são explícitos, sim, mas qualquer pessoa no mundo sabe como isso acontece, uns de um jeito, outros de outro, mas não é segredo para ninguém que já tenha praticado. Eu, que cresci na época em que Madonna escandalizou a sociedade com suas atitudes revolucionárias e com o livro Sex, cheio de fotos provocantes e audaciosas, inclusive com práticas de lesbianismo e BDSM, esperava muito mais escândalo nesse livro. Na verdade, a propaganda feita é um tanto quanto exagerada, pois o sadomasoquismo aqui é mais um pano de fundo para uma história de amor do que o assunto principal do enredo, e a maioria das cenas de sexo acaba sendo "baunilha", como bem define o próprio Christian. Claro, eles transam em todos os lugares possíveis e imagináveis, mas não é nada demais. Não quero dizer aqui o que dizem da história é mentira, muito pelo contrário, a autora realmente descreve os instrumentos, alguns procedimentos e regras usados pelos adeptos da prática dominação-submissão, mas fica longe de deixar os leitores de cabelo em pé (pelo menos os meus não ficaram). Até quando os personagens estão no chamado “quarto vermelho da dor”, onde Christian é o dominador, existe um pequeno traço de romance, salvo algumas exceções em que ele exerce certa violência, necessária para o desenvolvimento da trama, e as práticas não são tão abusivas, nem tão escandalosas como pintam, ou, como eu imagino, sejam na realidade. E. L. James foi muito esperta ao desenvolver uma história de amor impossível, entre um homem poderoso e uma garota confusa e inocente, utilizando como chamariz o BDSM, logo após o furor causado por outra série que também tinha um romance impossível, entre vampiro e humana, mas de uma castidade imaculada.

Quando Christian e Anastasia fazem amor, e essas cenas são narradas em detalhes, criam nas leitoras a curiosidade, a vontade de conhecer melhor a arte do dom/sub, e buscar novas experiências sexuais, haja vista o aumento das vendas nas Sex shop pelo mundo afora. Mas para mim, acima de tudo, o que valeu a pena na leitura foi o romance, que me lembrou aqueles de banca de jornal que eu lia quando era criança/adolescente, com um up grade de recursos modernos, como a troca de e-mail entre o casal, que rende momentos engraçados, e que me fez pensar se hoje é realmente assim que acontece a paquera...

A narrativa é bem simples, o que proporciona rapidez à leitura, com uma linguagem atual, a diagramação é boa, e o melhor é que a impressão é em papel pólen, um costume da Editora Intrínseca, deixando tudo mais agradável aos olhos. Apesar de ter me apegado aos personagens e estar muito curiosa com o desfecho dessa história, tenho minhas críticas a fazer: achei que a autora repete muitas vezes as mesmas coisas, cansando um pouco às vezes, além de criar a tal da deusa interior que aparece do nada e tem personalidade própria. Também acho que ela vai precisar encontrar uma boa razão para a fobia ao toque que Christian tem, ou isso não vai fazer sentido no final de tudo.


Cinquenta tons de cinza
E. L. James
455 páginas
Editora Intrínseca

3 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Oi Joana, aqui é a Annie do http://www.praticamenteinofensivo.com.br
    Obrigada por comentar lá na minha resenha! =)
    Acabei de ler sua resenha, e realmente acho que concordamos sobre a personalidade da Anastasia! HAHA Ainda mais depois que eu soube que tudo foi baseado em Twilight (antes de começar a ler) eu só conseguia enxergar a Kristen ali. E o Edward no Grey, no sentido dele ser "o principezinho" que todo mundo quer e blá blá blá. E eu juro que não consegui ver graça no Christian! HAHAH Sei lá, não me convenceu.
    Acho que, se a intenção da autora era pesar mais para o lado do romance, ela não devia ter "prometido" tanto BDSM e no fim não colocar direito..isso me decepcionou bastante, eu estava esperando bem mais.
    Mas também gostei do que você escreveu na sua resenha, tem uns pontos que eu não tinha pensado. Bom, vamos ler o próximo e ver se continuamos com as mesmas opiniões, né! HAHA
    Beijos! =)

    PS.: Apaguei o outro comentário que tinha feito porque tinha esquecido de me identificar! HAHA

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  3. Pois então!
    Perfeita a tua resenha! Concordo totalmente. Acho muito engraçado as pessoas se assutarem dizendo que é um livro terrível, sexo explícito... é exatamente o que tu falou, como se as pessoas não soubessem como se faz sexo e o que acontece entre quatro paredes. Que absurdo! Na verdade tenho uma opinião, acho que as pessoas tem vergonha de dizer que gostaram de alguma coisa que está na "modinha" ou que seja muito criticada. Eu esperava mais do livro, confesso, mas não deixei de ficar intrigada e ler ansiosamente até o final. Pelo que li agora no inicio do segundo livro é um pouco melhor, acredito que vá ter mais romance.

    Torço para que seja mesmo o Bommer, apesar de ter descoberto que ele é gay e isso afetou de certa forma o possível jeito másculo que deve ser no filme. :( Ainda assim, torço por ele.

    Beijoss!!

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