domingo, 4 de novembro de 2012

Série a sério #1

Mais uma estreia aqui no blog: séries. Gosto muito de séries, e queria ter mais tempo para assistir a todas que tenho vontade, mas... enfim, os domingos aqui no blog serão, ora de séries, ora de filmes, e assim espero conseguir comentar sobre tudo de interessante que anda acontecendo (ou já aconteceu) por ai.

Eu era a única pessoa na face da terra que ainda não assistia "The Walking Dead", mas já consertei isso, e agora estou viciada na série. 



Resumindo rapidamente: A série conta a história de um grupo de pessoas sobreviventes de um apocalipse zumbi, e que tenta chegar a um lugar seguros para que possam viver tranquilamente. Esse grupo segue liderado por Rick Grimes, que era xerife de uma pequena cidade na Georgia.  Rick foi baleado durante uma ronda e ficou internado num hospital, desacordado, quando os zumbis tomaram conta da cidade. Seu amigo e policial Shane Walsh, antes de fugir dos mortos-vivos, foi até o hospital a fim de resgatar o xerife, mas o local estava tomado por agentes do exército que estavam retirando as pessoas dali e executando aquelas suspeitas de terem sido mordidas pelos zumbis. Claro que Shane não consegue tirar Rick de lá, e foge, não sem antes trancar muito bem a porta do quarto para proteger seu companheiro dos monstros. Muito tempo depois, Rick acorda, sem saber de nada, e sai a procura de sua família, enfrentando alguns zumbis até chegar em sua casa e ver que já não havia mais ninguém ali. Alguns contratempos depois, ele encontra um grupo de pessoas que está tentando sobreviver num lugar afastado da cidade, e, ao se juntar ao grupo, descobre que sua esposa e seu filho fazem parte dele, juntamente com Shane. Ele só não sabe que a mulher e o amigo acabaram se envolvendo, acreditando que ele não havia sobrevivido. A partir daí, a trama principal está montada, e o grupo sai em busca de um lugar seguro, para que possam viver longe da horda de zumbis que vem tomando conta dos Estados Unidos.

Ao longo dos episódios muitos outros personagens vão morrendo, sumindo, sendo mordidos e outros aparecem, aumentando as intrigas entre eles ou trazendo novas informações que mudam o rumo da história.

A série já está em sua terceira temporada, com grande sucesso de público, e colecionando prêmios desde a sua estreia em 2010.

Enquanto assistia à série, não pude deixar de pensar que o princípio básico da trama é a sobrevivência em situações extremas, o que me fez lembrar um pouco do começo de "Lost", outra série de TV que também expunha seus personagens aos mais diversos cenários absurdos, e um tanto quanto inexplicáveis. 

Enquanto em "The Walking Dead", vemos sobreviventes de um apocalipse, tentando se proteger de criaturas horríveis, em "Lost" temos passageiros de um avião que cai numa ilha misteriosa e lutam diariamente contra o desconhecido para se manterem vivos à espera de um resgate que nunca chega. Ambas as séries exploram os limites do ser humano, a agonia perante o desconhecido, o futuro incerto, e uma espera interminável, mostrando como podemos nos superar durante o caos. Ou não.


Seguindo essa mesma linha de raciocínio, ainda é possível fazer um paralelo com o livro "Blecaute" (1986, Ed. Brasiliense), de Marcelo Rubens Paiva, que, como nas duas séries, explora o lado psicológico dos personagens durante uma situação apocalíptica: três amigos (Martina, Mário e Rindu) fazem uma expedição a uma caverna quando uma tempestade inunda o lugar e os impede de sair dali durante dias. Ao sair de lá, eles descobrem que as pessoas estão paralisadas, como bonecos de cera e sem respiração, e que eles são as únicas pessoas "vivas" na cidade. A partir dali eles têm que sobreviver sozinhos num mundo de pessoas "plastificadas", e se proteger de animais selvagens que vão aparecendo pelas ruas abandonadas. Adolescentes que têm a cidade de São Paulo inteira só para eles, no início sentem que podem fazer o que quiserem, e que a vida seria muito boa assim, mas depois de algum tempo vivendo sozinhos, a pressão fica muito grande, e eles acabam se desentendendo, e Mário, o mais desequilibrado dos amigos, vai embora e os abandona.

Nos três casos, é só acompanhando o dia a dia das pessoas que vemos o melhor e o pior de cada uma delas, enquanto lutam pela própria vida, passando pelas maiores provações pessoais, tendo que, muitas vezes, deixar de lado seus interesses para agir pelo grupo. Isso nem sempre é fácil, e, tanto nas séries quanto no livro, a sanidade dos personagens é testada a todo momento, e, sendo pessoas diferentes, com reações e tolerância variadas, é claro que em algum momento vão entrar em conflito, lutando por seus ideais, ou mesmo, tentando manter vivo um pouco de seus valores e sua dignidade.
O autor de "Blecaute" se inspirou na série americana de ficção científica "Além da imaginação", que teve sua primeira exibição em 1959, mas também poderia muito bem tem se inspirado no livro "Ensaio Sobre a Cegueira" (1995, Ed. Cia. das Letras), escrito por José Saramago, e que também nos apresenta o lado mais vil do ser humano, ao ter que sobreviver do modo mais animalesco possível, colocando à prova seus instintos e sua tolerância às dificuldades diante do caos.

Há em "The Walking Dead" muito do contexto filosófico apresentado por Saramago, e muito do sofrimento vivido em "Lost" e em "Blecaute"; a sensação de impotência das pessoas diante dos desafios, a necessidade de se defender ao mesmo tempo que têm que sobreviver, tentando recolocar a vida nos eixos. 

Situações apocalípticas rendem muito assunto, e, certamente, essa série não será a última abordar o tema. Assim como seus predecessores fizeram brilhantemente, "The Walking Dead" carrega no suspense e prende os telespectadores com o drama vivido por seus personagens, episódio após episódio. Que  continue por muitas temporadas! :)

Um comentário:

  1. Eu sou afccionado por séries e por incrível que pareça ainda não vi as citadas no post.Ainda não me motivei o suficiente.
    Abraço!

    Bruno
    http://oexploradorcultural.blogspot.com

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