sábado, 29 de dezembro de 2012

Li até a página 100 e... #2


E a leitura de hoje é:

Memória de minhas putas tristes                
Gabriel Garcia Márquez
Editora Record
127 páginas

Primeira frase da página 100:

"...ergueram-se como colegiais e nos observaram de viés enquanto o gerente explicava suas contribuições para a arte imemorial de pregar botões."

Do que se trata o livro?

Um senhor que acaba de completar 90 anos resolve se dar e presente uma noite de amor com uma virgem, aliciada pela cafetina mais famosa da cidade. Enquanto se prepara para esse "desafio", ele começa relembrar alguns fatos marcantes de sua vida.

O que está achando até agora?

Estou gostando das observações do autor acerca do envelhecimento e da passagem do tempo, e de como não nos damos conta de como envelhecemos a cada dia.

Melhor quote até aqui:

"Nunca pensei na idade como se pensa numa goteira no teto que indica a quantidade de vida que vai nos restando." (página 12)

Algum personagem merece destaque?

O livro todo tem poucos personagens, porém, todos eles têm participação importante, por isso, não farei nenhum destaque.

Vai continuar lendo?

Sim

Última frase dessa página:

"Não acreditei, é claro, mas cumprimentei-a pela sua sorte e deixei que se estendesse em sua mentira antes de fazer a ela a pergunta que borbulhava em meu coração:"

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sexta de música #9

Doodle do Google hoje, em homenagem ao fim do mundo segundo o calendário Maia

Feliz Mundo Novo para vocês leitores!

E não é que a profecia Maia não se cumpriu, e o nosso mundo continua inteiro como sempre?

Para comemorar vamos de música temática: Adriana Calcanhoto com "E o mundo não se acabou", que reflete bem o sentimento que nos toma quando imaginamos o que seríamos capazes de fazer se o mundo realmente estivesse por acabar, e depois, inspirada pelo tema tocado pelo Ultraje a Rigor no programa "Agora é tarde" de ontem, R.E.M com "It´s the end of the world as we know it".

Mas antes de ouvirmos as músicas, queria indicar aqui o livro que o historiador Marcelo Lambert mostrou ontem no mesmo programa, intitulado "Civilização Maia - história e pensamento", que trás explicações coerentes confirmando o calendário Maia nunca afirmou que o mundo não vai acabar hoje. Para quem se interessar em conhecer melhor o trabalho do professor, é interessante adquirir o livro, e, se vocês não puderem, assistam ao vídeo da entrevista, está bem interessante e tem também um outro convidado (louco, rs) que afirma que o fim dos tempos está realmente agendado para hoje, clicando aqui.

Então vamos ao que realmente interessa, as músicas: 

"E o mundo não se acabou" está no primeiro CD ao vivo d Adriana Calcanhoto, lançado em 2000. Talvez a cantora seja mais conhecida por suas músicas em trilhas sonoras de novelas da TV Globo, como "Mentiras" em "Renascer" (1993) e "Vambora" que fez parte de "Torre de Babel" em 1998. Ela também fez uma performance muito interessante na Livraria Argumento, no Rio de Janeiro, onde musicou vários poemas do poeta português Mário de Sá Carneiro (1890-1916), tendo, inclusive, gravado uma dessas músicas - "O outro" - no álbum "Público", que é nosso objeto de estudo aqui. Esse CD trás regravações de alguns sucessos de Adriana, e dentre eles está a música que poderia embalar a ressaca de quem realmente acreditou que o mundo acabaria hoje. Acompanhem a letra: 

"Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
por causa disso, minha gente lá de casa começou a rezar
e até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
por causa disso essa noite lá no morro não se fez batucada.

Acreditei nessa conversa mole
pensei que o mundo ia se acabar
e fui tratando de me despedir
e sem demora fui tratando de aproveitar
beijei a boca de quem não devia
peguei na mão de quem não conhecia
dancei um samba em traje de maiout
e o tal do mundo não se acabou..." 


A segunda música de hoje é do R.E.M., banda norte-americana pela qual não morro de amores, mas acho essa canção interessante. Ela está no álbum "Document" lançado em 1987, e tentava analisar como seria o mundo dentro de alguns anos, totalmente diferente daquele que eles estavam vivendo no momento. Na verdade, muita coisa mudou desde então, mas ainda temos os mesmo velhos problemas desde aquela época, e a perspectiva de mudanças não é mais tão utópica como era nos anos 80. Mas ainda assim, a letra se encaixa na proposta do post, vamos a ela (em português, ok?):

"Isso é ótimo,
começa um terremoto
pássaros e cobras
um avião
..............
Olhe para aquele avião voando baixo!
bem, então
população abundante, comida comum mas isso bastará.
Salve-se, sirva-se
o mundo serve suas próprias necessidades,
escute a batida do seu coração.
...............
É o fim do mundo como a gente conhece
É o fim do mundo como a gente conhece e eu me sinto bem..."


Encerro desejando à vocês sábios leitores que aproveitem esse mundo que temos da melhor maneira possível, já que a qualquer momento ele pode acabar (ou não, rs). 

Um ótimo Natal a todos, volto semana que vem!





domingo, 16 de dezembro de 2012

Série a sério #4

Mais um domingo para falarmos de série, e hoje é a vez de "White Collar".


Por que comecei a ver essa série? Para conhecer o tão comentado Matt Bomer, cotado (pelas leitoras) para viver Christian Grey, de "Cinquenta tons de cinza" em sua adaptação para o cinema. E eu gostei muito! *.*

Só assisti partir da 3a. temporada (a série atualmente está na 4a.), mas deu pra entender a essência do programa: Neal Caffrey é um ladrão de luxo, daqueles que conhecem tudo sobre história, arte, armas, literatura, jogos, roupas, joias, falsificação de documentos, comida, e vinho, e que acaba sendo pego pelo FBI, que decide mantê-lo como um consultor para casos especiais, principalmente que envolvam roubos de colarinho branco.

Neal é o tipo de bandido que nos faz torcer para ele o tempo todo. Além de ajudar os agentes Burke, Diana e Jones em muitos momentos, ele continua atuando em pequenos golpes com seu amigo e cúmplice Mozzie. Cafrrey é monitorado 24 horas por dia com uma daquelas tornozeleiras que os presos em liberdade condicional usam, mas em alguns momentos consegue enganar os policiais e cometer pequenas transgressões.



"White Collar" é produzida pelo canal de TV "USA Network" desde 2009, e transmitida aqui no Brasil pelo canal pago Fox, mas também já foi exibida pela Rede Globo, após o Programa do Jô (naquele horário em que a maioria da população já está dormindo) com o título de "Colarinho Branco".

A série trouxe de volta à TV a bela Tiffani Thiessen, que viveu a malvada Valerie em "Beverly Hills 90210", ou "Barrados no Baile" na versão em português.

Em 2011 "White Collar" foi indicada para o prêmio "People's Choice Awards", na categoria "Favorite TV Obsession".

Para quem quiser ver todos os episódios (dublados) da série, acesso o site da Fox . Lá também tem várias informações e fotos do seriado.

Algumas leitoras torcem para que Bommer seja Grey no cinema, mas há quem diga que ele não seria indicado para o papel por ser homossexual assumido, e que talvez não consiga fazer as cenas mais quentes de "Cinquenta tons...". Sendo ou não escolhido para isso, o certo é que ele é um ótimo ator e desempenha com perfeição o papel de ladrão-que virou-mocinho em "White Collar", sempre em ternos bem alinhados, com chapéu super charmoso e os olhos azuis (quase cinzas, rs).




Cheiro de livro novo #1

Cheirinho de livro novo é tudo de bom! E essa semana em especial minha estante deu uma boa engordada, e ficou ainda mais linda. Quero compartilhar com vocês minhas novas aquisições e os presentes que ganhei:


No amigo secreto feito com as meninas da faculdade, ganhei da Mayra um livro que eu já vinha desejando há muito tempo: "Os insones", do Tony Bellotto. Não vejo a hora de começar a ler =D


Como meu presente de natal antecipado, comprei "Memórias de minhas putas tristes", de Gabriel Garcia Marques, "Bala na agulha", de Marcelo Rubens Paiva e "Serena", de Ian McEwan.


 Já para o Heitor, comprei mais dois volumes da trilogia "A herança": "Eldest" e "Brisingr", de Christopher Paolini.

Ainda quero muito comprar "A culpa é das estrelas" para fechar esse ano cheio de livros novos e leituras emocionantes.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Sexta de música #8

Ainda no embalo de "Amanhecer - parte 2", vou falar hoje sobre uma das músicas que está em sua trilha sonora, e que é de uma das minhas bandas preferidas, o Green Day. 



A música se chama "The forgotten", e foi composta pela banda especialmente para a trilha do filme, e também faz parte do recém-lançado álbum "Tré!", último volume de uma trilogia gravada por eles.


O álbum "Uno!" tem realmente a cara do Green Day, com uma pegada punk que deixou o trabalho com a cara de outros discos da banda; é rápido e pesado. Destaque para a música "Let yourself go". Já o segundo volume tem um pouco dessas mesmas características, mas não ficou tão envolvente. A melhor música é "Lady Cobra", pela guitarra e bateria marcantes, típicas do Green Day. E em "Tré!" só consegui gostar de "Drama Queen", que é quase o oposto das músicas anteriores, com apenas voz de Billie Joel e seu violão, ela é tranquila e parece apaziguar toda a correria dos outros álbuns.

"The Forgotten" embala o final épico da saga "Crepúsculo" e a escolha não poderia ter sido mais acertada; ela é melancólica, como a personalidade de Bella, e meio sombria e triste, lembrando um pouco o clima de Forks, cidade onde se passa a trama. Sua letra remete ao sentimento dos vampiros da história: os imortais que vagam sob a terra por milênios sem fim, vivenciando os mais variados acontecimentos entre os mortais, sem que eles percebam sua existência:

"So we're in the worlds of forgotten
Like sodiers from a long lost war
We share the scars from our abandon
And what we remember becomes folklore"

(Então, estamos no mundo dos esquecidos
Como soldados de uma longa guerra há muito perdida
Nós compartilhamos as cicatrizes do nosso abandono
E o que lembramos se torna folclore.)

O responsável pela trilha sonora do filme é Carter Burwell, que além de ter composto as 21 faixas do CD instrumental de "Twilight", também já trabalhou nas trilhas de "Buffy - a Caça Vampiros", "Três Reis", "Adaptação" e "Onde os Fracos Não Têm Vez".

Para quem ainda não conhece, segue o vídeo de "The Forgotten"


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Lonely Hearts Club


"Penny Lane Blomm cansou de ser magoada e decidiu: homens são o inimigo. exceto, claro, os únicos quatro caras que nunca decepcionaram uma garota - John, Paul, George e Ringo. E foi justamente nos Beatles que ela encontrou uma resposta à altura de sua indignação: Penny é fundadora e única afiliada do LONELY HEARTS CLUB - o lugar certo para uma mulher que não precisa de namorados idiotas para ser feliz. O clube, é claro, vira o centro das atenções na escola McKinley. Penny, ao que tudo indica, não é a única aluna farta de ver as amigas mudarem completamente (quase sempre para pior) só para agradar aos namorados, e de constatar que eles, na verdade, não estão nem aí para elas. Agora Penny é idolatrada por dezenas de meninas que não querem enxergar um namorado nem a quilômetros de distância. Jamais. Seja quem for. Mas será, realmente, que nenhum carinha vale a pena?"

Penny Lane foi assim batizada por que seus pais são muito fãs dos Beatles, e queriam que suas filhas tivessem nomes de músicas da banda. Talvez isso fosse motivo para que ela não gostasse de Beatles, mas ela adora! Conheça toda a história da banda, sabe a letra de todas as músicas e tem uma especial para cada momento de sua vida.

Quando ela é traída dentro de sua própria casa, pelo menino de quem gosta desde a infância, ela se revolta contra a forma com que os garotos tratam todas as garotas de sua idade, e pelo fato de que as meninas, assim que começam a namorar, mudam completamente e abandonam suas amigas para ficarem com os namorados. Com esse pensamento, ela decide que não vai  mais se envolver com nenhum menino, pelo menos até terminar o colegial, pois acha que todos os garotos da sua escola são uns idiotas e não merecem seu sofrimento. É nesse momento que ela olha para a parede de seu quarto e vê um pôster dos Beatles onde está escrito o nome de um dos seus álbuns, o "Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band", e esse nome parece combinar perfeitamente com o que ela sente agora.  Tomada pela epifania, ela decide fundar seu próprio clube dos corações solitários. Inicialmente, Penny era a única participante, e nem tinha a intenção de formar um grupo maior, mas isso acaba sendo inevitável a partir do momento que ela revela a criação do clube para sua melhor amiga, que sem querer comenta perto de outra amiga, que fala para outra amiga e assim por diante. O número de "sócias" do clube cresce rapidamente, e isso acaba incomodando um pouco os meninos da escola (inclusive o diretor), que acabam ficando com poucas opções de garotas para namorar, já que a maioria não quer mais se envolver eles, e prefere ficar apenas com outras meninas, num sinal de lealdade à amizade. 

Mas é claro que o plano de ficar afastada de todos os garotos da escola não dá assim tão certo, já que Penny é muito amiga de Ryan, seu vizinho de armário que ela encontra todos os dias antes das aulas, e um dos meninos mais legais que ela conhece. Ele, além de ser lindo, é divertido, inteligente, e ex-namorado de sua amiga Diane. Ryan é o único amigo (do sexo masculino) que Penny tem, e eles conversam sobre tudo de uma forma leve e descontraída. Um dia, ele a convida para ir a show de uma banda cover dos Beatles, o que deixa Penny totalmente confusa; será que ele queria sair com ela como apenas amigo ou era algo mais? Eles passam por vários momentos legais, se divertem, mas ela está sempre com essa dúvida em mente, e acaba por desperdiçar o melhor da companhia do amigo, por medo de se envolver demais com ele e quebrar a primeira regra do clube: não namorar.

Entre indas e vindas, vai ficando claro que Penny e Ryan estão apaixonados e que formam um belo casal, tendo, inclusive, a aprovação das membros do clube e da ex dele, que dá a maior força para os dois se acertarem.

As meninas acabam percebendo que é impossível para uma adolescente ficar totalmente longe de meninos, e algumas acabam cedendo aos hormônios e se rendem a paixão pelos carinhas mais bacanas do colégio. No final, tudo dá certo e todas ficam felizes com a escolha que fizeram. Namorar? pode ser, mas nunca abandonar as amizades verdadeiras por causa dos meninos.

O livro é muito legal, com uma linguagem comum aos adolescentes e que deixa a história bem próxima da realidade. Os personagens são bem construídos e as meninas lembram aquelas que todas nós conhecemos um dia na escola; tem a fofoqueira, a patricinha, a sem personalidade, a namoradeira, a tímida, e por ai vai.

Apesar do final ser um pouco previsível, é difícil ler e não se identificar com o turbilhão de sentimentos vividos por Penny Lane e suas amigas, e torcer para que ela caia na realidade e descubra que amar faz parte da vida, e sofrer também.

O teor da história é adolescente, mas não é uma obra voltada apenas para essa faixa etária. Pessoas de qualquer idade podem ler, e tenho certeza que vão curtir, assim como eu, as aventuras do Lonely Hearts Club em busca da felicidade e do autoconhecimento.

Quando vi a capa, achei que a história seria mais baseada nos Beatles do que ela realmente é, já que foi a lembrança da banda logo na capa que me despertou interesse. Alguns capítulos iniciam com trechos de músicas da banda, e ao longo da narrativa Penny faz algumas referências a outros versos, mas, mesmo não tendo tantas citações musicais como eu esperava, o livro é bom. Gostei muito dessa leitura, me diverti com as meninas do clube e, principalmente, com os meninos, que ficam sem saber como reagir quando elas mostram que têm atitude e não são tão manipuláveis como eles pensavam.

Lonely Hears Club
Elizabeth Eulberg
Editora Intrínseca
238 páginas

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Cinquenta tons de liberdade


"Quando a ingênua Anastasia Steele conheceu o jovem empresário Christian Grey, teve início um sensual caso de amor que mudou a vida dos dois irrevogavelmente. Chocada, intrigada e, por fim, repelida pelas estranhas exigências sexuais de Christian, Ana exige um comprometimento mais profundo. Determinado a não perdê-la, ele concorda. Agora, Ana e Christian têm tudo: amor, paixão, intimidade, riqueza e um mundo de possibilidades a sua frente. Mas Ana sabe que o relacionamento não será fácil, e a vida a dois reserva desafios que nenhum deles seria capaz de imaginar. Ana precisa se ajustar ao mundo de opulência de Grey sem sacrificar sua identidade. E ele precisa aprender a dominar seu impulso controlador e se livrar do que o atormentava no passado. Quando parece que a força dessa união vai vencer qualquer obstáculo, a malícia, o infortúnio e o destino conspiram para transformar os piores medos de Ana em realidade."

Quando terminei de ler a trilogia "Cinquenta Tons", o vazio me dominou... a exemplo de que aconteceu com outras pessoas que conheço. Gostei de tudo; os três livros são interessantes, não pelo apelo sexual, mas pelo romance, que está presente principalmente nesse terceiro volume, que mostra o que realmente duas pessoas precisam fazer para manterem uma boa união: cada um tem compartilhar e abrir mão de algumas de suas vontades para que a relação dure.

Foi exatamente isso que Anastasia começou a perceber logo na sua lua de mel; que ela deveria mudar alguns de seus hábitos em prol do casamento, mas que também teria que mostrar a Christian que ele precisaria fazer o mesmo. Ele que é acostumado a sempre ter o controle de tudo, vai percebendo que é impossível garantir que uma pessoa faça só o que ele acha que deve ser feito, o tempo todo. Essas diferenças aos poucos vão sendo amenizadas, e com a recém-adquirida maturidade da personagem, fica claro que o casamento dará certo, mesmo com alguns conflitos.

Quando comecei a ler pensei que não teria muita coisa para contar nessa última parte, imaginei que alguns acontecimentos seriam narrados em todos os seus detalhes, mas não: fui surpreendida por um início diferente, com o casal fora do ambiente dos livros anteriores, e com pequenos flashbacks do que aconteceu antes.

Eles continuam fazendo muito sexo em todos os lugares imagináveis, e isso é legal, por que não altera o principal tema da história, mas também têm muitos momentos de diálogo, e é durante essas conversas que Christian começa a se abrir e exorcizar seus demônios.

Anastasia enfim assume uma posição de respeito na editora, e começa a mostrar que tem seus talentos, não só no trabalho, mas também para lidar com as mudanças radicais do marido, absorvendo, muitas vezes, a tensão de suas discussões, como a  maioria das mulheres faz na vida real.

Essa quase bipolaridade de Christian e a capacidade de Anastasia de aceitar e ajudar seu marido a tentar resolver seus problemas psicológicos, torna esse livro muito dinâmico, e aproxima um pouco os personagens da realidade.

A autora ainda conseguiu desenvolver mais uma trama misteriosa ao longo desse volume, que enriqueceu a narrativa e pôs novamente à prova o amor dos personagens, que precisam ficar juntos para enfrentar as pessoas que querem derrubar Grey. E, se ele tem seus traumas de infância, acaba por descobrir que não é só ele que carrega as marcas do passado. É interessante ver como James insere novos personagens sem perder o rumo da história e consegue trabalhar com eles de forma que se tornem importantes para o desfecho da narrativa.

Aqui Christian está ainda mais apaixonado e faz todas as vontades de Ana, talvez por medo de perdê-la a qualquer momento devido às suas mudanças constantes de humor e insegurança, ou por sentir a necessidade de  dar a ela aquilo que ele nunca teve. O motivo realmente não importa; ele faz suspirar qualquer mulher que leia esse livro, e não há como não idealizar um príncipe encantado como ele.

Não vou dar muitos detalhes sobre a história, mas preciso dizer que adorei o final do livro, e fui pega de surpresa pela última parte; ainda faltavam muitas páginas para terminar, e de repente, era o fim! Só no dia seguinte consegui ler o epílogo, que me trouxe lágrimas aos olhos: a autora aproveita esse parte para nos apresentar os 50 tons de Grey e deixar aquele gostinho de saudade no ar. Retornamos ao início da trilogia, quando eles Ana e Grey se conheceram, mas de uma forma diferente, que ficou muito bacana. Foi uma despedida inusitada, porém difícil, rs.

Espero que todas as leitoras tenham gostado tanto quanto eu gostei dessa saga romântica, e que estejam também ansiosas pelo filme.

Quando terminei a leitura, fiquei muito emocionada e compartilhei esse sentimento com minhas amigas que estão comigo desde o início dessa aventura, aguentando meus comentários exagerados e me ajudando a idealizar o Grey perfeito, rs: Sandra, Marina e Juliana (olha minha irmã aqui de novo!), mais uma vez, obrigada meninas, pela companhia, pelas risadas e pela paciência.

Cinquenta Tons de Liberdade
E.L.James
544 páginas
Editora Intrínseca


domingo, 9 de dezembro de 2012

Filmando #2

Minha opinião sobre "Amanhecer - parte 2" (se você ainda não viu o filme e não quiser descobrir nada a respeito, não leia, há spoilers ao longo da resenha):


Antes de começar a falar desse filme preciso deixar uma coisa bem clara aqui: sou fã da saga "Crepúsculo", em livros. Acho os filmes horríveis, todos eles, desde o primeiro.

Para ver última parte da quadrilogia me preparei psicologicamente, esperei a maioria das fãs adolescentes que gritam quando Jacob tira a camisa irem aos cinemas, e, quando quase todo mundo já tinha visto o filme, lá fui eu terminar a aventura que comecei a viver no final de 2008, quando assisti "Crepúsculo".

As fãs que me perdoem, mas essa segunda parte de "Amanhecer" continuou tão sem graça quanto a primeira. O filme tem sim alguns bons momentos, mas a maioria é monótona e parada. Ok, Bella agora é uma vampira, a cena em que ela descobre que seus sentidos estão extremamente mais aguçados ficou visualmente bonita, mas ela continua sem nenhuma expressão facial, e fazendo o tipo "me deixa que eu sou capaz de fazer tudo sozinha". A personagem do livro também é muito convencida e acha que o mundo gira em torno dos seus desejos, e isso Kristen conseguiu representar perfeitamente (que por sinal estava magérrima nesse filme, parecia até doente!). 


Uma cena que ficou bacana também foi a do braço de ferro entre Bella e Emmet (apesar da maquiagem feita em Kellan Lutz deixá-lo parecido com o Coringa de "Batman - o Cavaleiro das Trevas").


A maquiagem, aliás, é um dos pontos negativos da produção dos filmes, desde o primeiro. Os atores sempre ficam com cara de palhaço, e não de vampiro.

Não me matem ainda! Eu adoro o Edward dos livros; ele é o perfeito cavalheiro que toda mulher sonha em encontrar, mas nos filmes parece que ele está sempre com alguma dor aguda em alguma parte do corpo, o que dá margem às mais esdrúxulas piadas e paródias.

Já o Jacob no papel é um menino chato e um tanto quanto mimado, que, após descobrir que pode se transformar em lobo, fica ainda mais convencido e inconveniente, sempre atrapalhando o relacionamento de Edward e Bella. Mas nos filmes... ele é um fofo! Parece outro personagem: além do Taylor ser muuuuuiiito mais bonito que o Robert, ele dá vida ao Jacob de uma forma tão natural que nos faz gostar demais dele. Aqui ele protege Bella, mesmo estando apaixonado por ela e sabendo que não será correspondido da forma que deseja, ele fica ao lado dela e não passa o tempo todo desafiando Edward e tentando separar o casal.

E o imprinting foi uma sacada de mestre de Stephenie Meyer para manter o trio unido no final da saga, não deixando ninguém sozinho ou com o coração partido.


Agora preciso falar sobre Renesmee. Quando o bebê apareceu pela primeira vez na tela do cinema, não pude conter meu riso; que coisa mais mal feita! Tanto dinheiro para a produção do filme e tanta tecnologia à disposição, eles me saem com aquela coisa meio disforme? Poderiam ter caprichado mais. (O Smeagol de "O Hobbit" é infinitamente mais bem feito que a filha de Bella).



Os vampiros que vêm ser as testemunhas dos Cullens contra o clã Volturi ficaram bem fiéis aos do livro, e é uma pena não terem tempo o suficiente para mostrar cada um deles com maiores detalhes.

Quando Bella sai para caçar pela primeira vez já foi pouco interessante no livro, e no filme também. Como vocês já devem ter percebido, eu não vou com a cara dela, rs. E depois que ela descobre que agora tem um dom, fica ainda mais convencida, apesar de continuar apática. Gostei da hora que ela mostra a Edward que agora ele pode ler a mente dela, mas confesso que já estava achando que tinham excluído isso do roteiro, por que demorou demais e parecia que o filme já tinha acabado quando aconteceu.

A única parte realmente boa e que merece destaque é a da batalha: ficou tudo perfeito, as lutas, as mortes, Jacob fugindo com Renesmee, Bella finalmente fazendo alguma coisa útil e Jane saindo correndo com medo. É irônico que a melhor cena do filme não exista no original, não é mesmo? Claro que quem já tinha lido a série de livros sabia que nada daquilo tinha acontecido. O interessante foi como eles montaram a cena e deixaram tudo parecendo real, ficando a surpresa para o final, quando revelam ser tudo uma visão de Alice. Essa era a grande mudança no final da história, que foi tão alardeada antes do lançamento do filme.

fonte GIF:Tumblr  

Depois de tantas críticas negativas, preciso fazer alguns elogios: Billy Burke representou muito bem o pai de Bella, desde o início, e convenceu nesse filme quando concorda com Jacob que ele deve saber apenas o necessário sobre a condição de sua filha; Ashley Greene é linda e deixa Nikki Reed no chinelo (principalmente com aquela maquiagem pesada e a peruca horrível!), invertendo o que acontece na trama de Meyer, onde Rosalie é descrita como uma mulher deslumbrante, enquanto Alice é miúda, e parece uma ninfa saltitante; Carlisle nesse filme estava com uma maquiagem mais leve e ficou bem melhor assim; Christopher Heyerdahl esteve ótimo como Marcus Volturi nessa última parte da saga, e eu adorei quando ele finalmente se rendeu à morte na visão de Alice, mostrando que a eternidade pode ser realmente monótona.

Gostei muito do finalzinho, onde fizeram uma homenagem a todos os atores que participaram dos filmes, foi singelo e significativo, além de inusitado.

O mais bonito em toda essa jornada, para mim pessoalmente, foi, quando tudo acabou, minha irmã, Juliana, que assistiu comigo todos os filmes da série, se virou pra mim, me abraçou carinhosamente e disse: "Agora nossa alegria acabou de verdade!". Sim, a alegria de ver "Crepúsculo" nos cinemas acabou, ficamos tristes e emocionadas com o final, mas vamos continuar criticando a fraca produção dos cinco filmes, e a falta de expressão facial de Kristen Stewart. - Ainda bem que Mr. Grey vem por aí ;)


Pronto, já podem me condenar agora, rs.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Li até a página 100 e... #1



Vi esse post no blog Eu leio eu conto e achei muito bacana, então resolvi adotar esse meme aqui no blog também! A intenção é falar sobre o livro que estamos lendo quando chegarmos à página 100, e responder algumas perguntas sobre ele, e inclusive, vou inserir uma nova pergunta na lista. Essa coluna sairá sempre aos sábados e tentarei sempre comentar sobre todos os livros que estiver lendo. 

Hoje vai ser sobre:

Lonely Hearts Club
Elizabeth Eulberg
Editora Intrínseca
238 páginas








Primeira frase da página 100:

"É claro que eu sabia que Tracy iria direto ao ponto."

Do que se trata o livro?

Uma adolescente que adora os Beatles, tem seu coração partido por um garoto e decide não se envolver com mais nenhum menino enquanto não terminar o colégio. Assim ela forma um clube, que vai aumentando o número de integrantes aos poucos, e de repente, o Lonely Hearts Club está mais popular do que sua fundadora jamais imaginou.

O que está achando até agora?

Mesmo sendo um livro com personagens adolescentes, eles não são cansativos nem repetitivos, e o livro não foi escrito somente para o público nessa faixa etária. O dinamismo com que a autora conduz a história a torna muito interessante. Estou gostando.

Melhor quote até aqui:

"- Você precisa me deixar entrar para o clube. Eu sei que preciso reconquistar sua confiança, e vou conseguir. Mas, por enquanto, você pode pelo menos cogitar em me perdoar?
Ela estendeu a mão na minha direção. Eu nem hesitei.
Agora éramos duas."

Algum personagem merece destaque?

Sim, Diane, que parecia ser uma patricinha desmiolada e mostrou que tem personalidade.

Vai continuar lendo?

Vou.

Última frase dessa página:

"- Pode apostar - Diane disse com tanto entusiasmo, que era provável que ela fosse a mais animada de todas nós."

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Sexta de música #7

Mais uma sexta! E mais música!

Inspirada pelos posts super legais da Sandy Quitans no blog Backbeat , resolvi falar sobre uma música que fez parte da trilha sonora do filme "O Espetacular Homem Aranha" (2012, Sony Pictures): "Til Kingdom Come", do Coldplay.



Essa música está no terceiro álbum da banda, "X&Y", lançado em 2005, e com certreza é uma das minhas preferidas nesse trabalho. Apesar desse CD estar cheio de hits, como "Fix You" e "Speed of Sound", "Til Kingdom Come" surge no final do álbum, como uma faixa escondida, e tem melodia doce, que trás  imediatamente uma sensação de paz e completude. A voz de Chris Martins está refinada e nos carrega numa viagem sentimental a cada verso cantado, quase num suspiro, que parece sair de dentro do coração.



A letra da música fala sobre uma pessoa que, perdidamente apaixonada, promete a seu amor que vai esperá-lo até o fim chegar. É intensa e carregada de sentimentos, e poderia muito bem ser trilha de um filme mais romântico, mas caiu como uma luva na cena em que foi usada:

"... for you I'd wait... 'til kingdom come
until my day... my day is done
and say you'll come... and set me free
just say you'll wait... you'll wait for me..."

Depois de Peter Parker, (aliás, tão brilhantemente interpretado por Andrew Garfield que nos fez esquecer de Tobey Maguire), descobrir que tem novos poderes, ele se sente mais seguro para convidar a bela do colégio, Gwen Stacy, para sair e fazer "sei lá... qualquer coisa". Quando ela aceita, ele fica tão contente que pega seu skate e vai para um lugar tranquilo fazer algumas manobras, e, acredito, colocar as ideias em ordem. É então que a música toca, com uma sincronia perfeita; quando Peter percebe que a loira aceitou seu convite e sai da sala ainda sob o encanto da moça, ouvimos o seguinte trecho da música: "... let me in, unlock the door, I never felt this way before..." (deixe-me entrar, destranque a porta, eu nunca me senti desse jeito antes...). O som embala a cena com o skate, que tem uma bela fotografia, e imagens em câmera lenta mostrando um lado bem adolescente desse novo Peter que surgiu nessa versão da história.



A trilha sonora do filme foi composta por James Horner, que também foi responsável pelas trilhas de  simplesmente "Coração Valente" (1995),  "Uma Mente Brilhante" (2001) e "Titanic" (1997), esse último lhe rendendo um de seus dois prêmios Oscar (o outro foi por seu trabalho em "Avatar", em 2010).

É uma combinação perfeita: um bom produtor de trilhas sonoras para grandes filmes, uma cena que precisa soar meiga e romântica, e uma música não tão popular de uma das maiores bandas atuais. É impossível não curtir a música durante o filme; parece até que podemos sentir o que o protagonista está sentindo naquele momento. E se isso não é prova de um bom trabalho, então não sei o que é. 

Se você já assistiu o filme, deve se lembrar dessa cena, mas, se você ainda não viu, assista o vídeo abaixo e entenda mais como essa música foi a moldura perfeita para a cena em que foi colocada:


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ela é o cara #4


Dentro dessa semana especial Madonna, falamos sobre várias de suas facetas, que vão além de ser apenas uma cantora: ela é dançarina, atriz, escritora, produtora, diretora, empresária, mãe e Rainha do Pop. Quer mais?

E como toda quarta-feira alguém é "o cara" aqui no blog, fechamos a série sobre a cantora falando sobre alguns de seus recordes e feitos que chamaram mais a atenção nesses quase 30 anos de carreira.

-seus álbuns já venderam mais de 300 milhões de discos no mundo todo;

- foi reconhecida pelo Guinness Book como a artista musical feminina mais bem sucedida de todos os tempos;

- é a segunda artista feminina que mais vende nos EUA, perdendo apenas para Barbra Streisand (como?), segundo a Record Industry Association of America, com 64,5 milhões de cópias certificadas;

- na lista dos Hot 100 da Billboard, ela é a segunda colocada, ficando apenas atrás dos Beatles, o que a torna a artista solo mais bem sucedida da história do ranking;

- faz parte do Rock and Roll Hall of Fame desde 2008;

- a revista Time a considera uma das 25 mais poderosas mulheres do século passado, por sua influência na música contemporânea;

- fez, juntamente com Michael Jackson, a MTV americana se tornar conhecida e respeitada, graças a seus vídeos criativos e bem produzidos (considerando os padrões da época);

- é constantemente citada como inspiração para novas artistas, que, a todo momento, tentam copiá-la (sem sucesso). Todas já tentaram ser um pouco Madonna, ou puderam mostrar seu trabalho artístico com liberdade pois a Rainha do Pop vem abrindo esse caminho desde o início dos anos 80, para que Britneys e Gagas tenham seu espaço;

- seus shows vêm quebrando todos os recordes de público e cada uma de suas turnês aumenta a arrecadação e o número de exibições;

- veio ao Brasil com 3 turnês diferentes: The Girlie Show, em 1993; Sticky and Sweet, em 2008 e hoje está se apresentando em São Paulo com seu mais recente espetáculo: MDNA Tour;

- adotou duas crianças do Malauí, que eram de famílias muito carentes e que, com certeza, não tinham uma vida muito promissora em seu país de origem.

No site Madonna Mad World há um gráfico bem legal que compara as visitas da cantora ao nosso país, com dados de cada turnê, fazendo um comparativo do preço dos ingressos em cada ano, mostra quais eram os hits em cada apresentação e, inclusive, quem era (ou é) o grande amor de Madonna à época de cada show.

Outro site muito bom para quem quer obter informações atualizadas sobre a rainha e tudo o que pode se referir a ela é o Madonna On Line, onde sempre tem notícias atualizadas sobre a vida profissional e pessoal, para quem é fã da cantora.

Eu não fui aos shows em SP esse ano, por que, particularmente, não gostei muito do último álbum que ela lançou, o MDNA. Mas fui em 2008 e foi uma aventura inesquecível, valeu cada Real gasto e cada minuto que passamos ao sol na fila do Morumbi. O palco era muito lindo e as coreografias eram incríveis. Madonna tem um fôlego que deixa muita menininha ai no chinelo; ela canta, dança, corre, pula, grita, toca guitarra e ainda interage com a plateia como se tivesse acabado de levantar do sofá, sem demonstrar nenhum sinal de cansaço.

foto: acervo pessoal

Na turnê de 2008 uma das músicas que ficaram mais interessantes durante a apresentação foi "She's not me" (que está sendo tocada nessa nova turnê também, como uma alfinetada à Lady Gaga). Isso por que, além da coreografia feita com dezenas de mulheres vestidas como Madonna, o vídeo que rolava ao fundo mostrava diversas fotos, com vários look diferentes da cantora, e ficou muito bacana. Mostra a versatilidade da rainha e sua capacidade de se adequar às novas tendências musicais, sem perde sua identidade. Dá pra escolher a que você mais gosta: loira, morena, ruiva, cabelos lisos, encaracolados, carinha de inocente, lasciva, anos 80, moderna... enfim, tem Madonna para todos os gostos, veja o vídeo:



Espero que todos tenham curtido essa semana especial por aqui, e, para quem não conhecia muito bem o trabalho de Madonna, acho que deu pra ficar um pouco mais a par de tudo o que ela faz e porque ela é considerada a Rainha do Pop.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

As rosas inglesas


"As Rosas Inglesas' fala sobre Nicole, Amy, Charlotte e Grace, quatro a amigas inseparáveis que tratavam muito mal a pobre Binah, uma garota muito bonita, mas que estava sempre sozinha. Só depois de voarem junto com uma fada madrinha para a casa de Binha é que descobrem o quão triste era sua vida."

Quem diria, Madonna escritora! E de histórias infantis! É isso mesmo; "As Rosas Inglesas" é o primeiro livro da cantora que, talvez tomada pelos sentimentos maternos, ou querendo espalhar os ensinamentos da Cabala, resolveu escrever uma pequena história para crianças, cheia de mensagens e de bons exemplos.

As meninas Nicole, Amy, Charlotte e Grace são muito amigas, fazem tudo juntas e não fazem a mínima questão de se relacionar com uma menina que mora nas vizinhanças, mas que é tão bonita, que sempre chama a atenção de todos por onde passa. Quando as quatro amigas inseparáveis conhecidas como "As rosas inglesas" revelam para a mãe de uma delas por que não querem fazer amizade com Binah por que têm um pouco de inveja da beleza dela, e acham que, por ser tão bonita, ela já tem tudo e não precisa de amizades, a mãe lhes pede para pensar no assunto e serem mais tolerantes, já que a menina está sempre sozinha e parece não ter nenhum amigo.

"... o nome dela era Binah, e eis algumas coisas
que você precisa saber a respeito dela: 
Era muito, muito bonita,
Tinha longos cabelos sedosos,
e a pele parecia feita de leite e mel.
Era ótima aluna e muito boa em esportes.
Era sempre gentil com as pessoas.
Era especial.
Mas era triste. Porque apesar de ser a garota
mais bonita que já se viu, eta também muito solitária.
Não tinha amigos e, por onde ia, estava sempre sozinha."

"... o nome dela era Binah, e eis algumas coisas
que você precisa saber a respeito dela: 
Era muito, muito bonita,
Tinha longos cabelos sedosos,
e a pele parecia feita de leite e mel.
Era ótima aluna e muito boa em esportes.
Era sempre gentil com as pessoas.
Era especial.

Mas era triste. Porque apesar de ser a garota
mais bonita que já se viu, eta também muito solitária.
Não tinha amigos e, por onde ia, estava sempre sozinha."


Nessa mesma noite, todas elas têm um sonho exatamente igual: uma fada madrinha aparece e as leva para conhecer a casa de Binah. Lá chegando, elas veem a menina esfregando o chão, fazendo o jantar para o pai e cuidando e todos os afazeres da casa, o que a deixa com um aspecto horrível, como se não penteasse os cabelos há dias. Também descobrem que a mãe da menina morreu quando ela ainda era pequena, e que ela mora só com o pai, que tem que trabalhar duro para manter o sustento da família, por isso ela vive sozinha.

Então, a fada madrinha propõe às meninas que troquem de vida com Binah, pois que acreditam que ela já tem tudo e não precisa de amigas. Prontamente, as Rosas Inglesas pedem para voltar para suas casas, onde têm comida feita pela mãe, as camas quentinhas e nenhum trabalho a fazer, e prometem não mais desprezar a pobre Binah.

A partir daí, elas se tornam uma turma de cinco meninas, sempre juntas onde quer que vão.

É impressionante ver como Madonna escreve bem. O livro é cheio de moralismo, o que é inesperado de alguém que já escandalizou o mundo com suas loucuras e parecia não ter limites ou respeito por sua própria imagem. 

Obviamente, existem outras tantas histórias infantis com esse mesmo teor, que tentam ensinar às crianças a respeitar o próximo, não julgar uma pessoa pela aparência e viver em harmonia com seus amigos, sem distinção. Mas o que chama a atenção no livro de Madonna é que ela usa uma linguagem bem simples, e a narrativa intimista aproxima as crianças das personagens - parece realmente que alguém está lendo em voz alta para uma criança. O texto é leve e divertido, e percebe-se que a autora estava bem à vontade com sua escrita e que sabia exatamente qual a mensagem que queria passar com essa história.

Talvez por que Madonna tenha perdido a mãe muito cedo, e seu pai austero não lia muitas histórias infantis para ela e seus irmãos, ela agora se sinta na obrigação de deixar esse legado para os pais, estimulando-os a lerem para suas crianças e ensinarem, através de pequenas histórias, alguns valores que eles carregarão por toda a vida.

O livro também trás lindas ilustrações, é todo colorido, com letras grandes e perfeito para o manuseio das crianças. 


O intuito de Madonna com esse livro foi mostrar às crianças que a natureza humana é frágil, mas que apesar disso não devemos ceder ao prejulgamento ou a inveja, e fazê-las refletir sobre como agir com as outras pessoas.

Esse é o primeiro livro de uma série de seis escritos pela cantora: "As Rosas Inglesas - bom demais pra ser verdade", "As maçãs do Sr. Peabody", "As aventuras de Abdi", "Enrico de prata" e "Yakov e os sete ladrões", todos eles cheios de ensinamentos e reflexões para a criançada.

As Rosas Inglesas
Madonna
Editora Rocco
48 páginas

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Madonna 50 anos - a biografia do maior ídolo da música pop


 "Uma garota que sai de Detroit para conquistar o mundo. Uma artista que inovou os grandes show e transgrediu todas as normas sociais. Uma mulher que está em permanente transformação e que, depois de mais de vinte anos de carreira e completando cinquenta de vida, ainda surpreende com suas opiniões, posturas e atitudes. E com sua música, é claro. É assim que Madonna, o maior ídolo da música pop, deixa sua marca. É assim que Madonna atrai sua legião de fãs, de todas as idades, tipos e gêneros."

A biografia "Madonna 50 anos" foi escrita por Lucy O'Brien, que é fã da cantora desde 1985, e vem acompanhando seu trabalho por todos esses anos, o que lhe dá certa bagagem e conhecimento para falar sobre o maior ícone da música pop de todos os tempos.

O livro conta a trajetória de Madonna, desde sua infância, quando perdeu a mãe ainda muito jovem, e teve que ajudar o pai a cuidar dos outros irmãos menores, ao mesmo tempo em que aprendia a cuidar de si mesma. Talvez tenha sido nessa primeira dificuldade que Madonna ganhou tanta força de vontade e coragem para buscar seus objetivos.

Lucy ainda narra toda a trajetória de Madonna ao ir para New York em busca da fama, sem dinheiro, trabalho ou amigos. Ela gravou uma fita demo que carregava consigo para todos os lugares, até que um DJ de um clube noturno topou ouvir suas músicas. Na noite seguinte ele tocou uma canção de Madonna, que foi imediatamente bem recebida pelo público que frequentava o lugar. Ai começa a carreira de sucesso da cantora.

Sua história como artista é de domínio público, mas o que o livro realmente mostra é o lado humano de Madonna, suas batalhas, sua dedicação total ao trabalho e suas confusões amorosas. Lucy conta em detalhes como começaram e como terminaram alguns dos relacionamentos da cantora, e como isso afetava suas criações.

Além disso, a autora descreve como ocorreram as gravações dos álbuns de Madonna, desde a criação de algumas canções pela própria cantora, até o trabalho em estúdio, com alguns parceiros famosos e outros nem tanto, mas que certamente contribuíram para seu sucesso.

É muito interessante ler depoimentos de alguns amigos e colegas de trabalho de Madonna, em sua maioria, elogiando a cantora e sua determinação e garra para realizar seus sonhos. Claro, sempre existe alguém que não gosta, ou que não fica satisfeito com o sucesso alheio, mas isso também foi registrado aqui.

Biografias podem se tornar uma leitura pesada e maçante, mas não nesse caso; O'Brien soube usar a seu favor os maiores absurdos cometidos por Madonna, como o lançamento do polêmico livro "Sex" e seu tumultuado casamento com o ator Sean Penn, falando abertamente sobre tudo, sem medo de desagradar os leitores.

Aqui a autora nos mostra que Madonna, apesar de ser a artista polêmica e bem sucedida, também é uma pessoa com sentimentos e crenças, e que teve seus méritos ao superar diversos obstáculos ao longo de sua carreira, quebrar tabus e se estabelecer como uma das maiores artistas de todos os tempos. O livro deixa claro que Madonna tem defeitos e qualidades, como qualquer ser humano, mas que está a frente de seu tempo quando se fala de música; ela busca sempre inovar e aprender coisas novas, a fim de manter alto o nível de seu trabalho e acompanhar as mudanças naturais do mercado musical, para que nunca fique obsoleta ou caia no esquecimento.

O livro é recheado de fotos, desde o início da carreira de Madonna até os dias atuais, algumas bem interessantes como a que mostra a cantora fazendo exercícios ao lado do ex-namorado famoso, John F. Kennedy Jr., e outra, da certidão de casamento com o cineasta Guy Ritchie.

Não há relatos nesse livro de seu namoro com o modelo brasileiro Jesus Luz, já que a narrativa só vai até o ano de 2007, quando ela ainda estava preparando o álbum "Candy Shop", e ainda nem sonhava em conhecer o rapaz. A biografia termina na adoção do menino David Band, no Malauí, e todo o alvoroço que se formou em torno dessa sua atitude, que foi rotulada de oportunista e condenada por algumas pessoas.

Toda a obra de Madonna é carregada de sinceridade e vontade de fazer sempre o melhor para seus fãs, e Lucy O'Brien seguiu essa mesma linha ao escrever sua biografia: tudo é muito claro e se você não é fã da cantora, após ler esse livro, vai passar a entendê-la e respeitar seu trabalho pelo que ele é. Já para quem, como eu, é fã assumido, a leitura será prazerosa e aproximará ainda mais você da diva do pop. 

Madonna - 50 anos
Lucy O'Brien
Editora Nova Fronteira
508 páginas

domingo, 2 de dezembro de 2012

Filmando

Olá leitores! Como eu expliquei na estreia da coluna "Série a sério", alguns domingos seriam dedicados aos filmes, e, como estamos na Semana Madonna, vamos falar dos seus trabalhos na telona.



Madonna já atuou em 19 filmes, fez a voz da personagem Princesa Selénia em "Arthur e os minimoys", e dirigiu outros 2 longas recentemente, explorando mais um de seus muitos talentos.



A lista é bem extensa, então, se vocês quiserem ver todos os filmes que ela já fez, clique aqui e acesse o Wikipedia.

Entre seus trabalhos mais conhecidos estão "Procura-se Susan Desesperadamente" (1985), "Surpresa em Shangai" (1986), "Who´s that girl" (1987), "Dick Tracy" (1990), "Corpo em Evidência" (1993), "Evita" (1996) e "007 - Um Novo Dia Para Morrer" (2002).

Ainda entre esses destaques podemos ressaltar que "Evita" é sem dúvida o mais aclamado filme protagonizado pela cantora, por sua boa atuação, que foi acolhida pelos argentinos e reconhecida com vários prêmios, como o Globo de Ouro de melhor atuação de atriz de cinema em 1997.


Em 2002 ela não só apareceu num filme do 007, como também participou da trilha sonora, com a canção "Die another day":


Essa música chegou ao 8o. lugar nas paradas dos Estados Unidos e ao 3o. no Reino Unido, se tornado a canção de maior sucesso dos filmes de James Bond.


Sobre os filmes que eu assisti, posso dizer que Madonna atuou bem. Não vi "Evita" (ainda, rs), mas vi "Procura-se Susan...", onde a cantora ainda era quase desconhecida, e fez o papel de uma jovem aventureira, bem maluca e sem residência fixa, que 'foge' do namorado Jim. Ele publica diariamente recados nos anúncios dos jornais a fim de encontrar a garota, mas quem acaba se interessando pela história dos dois é Roberta (Rosanna Arquette), que passa a procurar Susan também, para saber se a tática de Jim daria certo. Em algumas entrevistas de colegas que trabalharam com Madonna nesse filme, vemos todos dizendo que ela já era então muito dedicada e que tentava dar sempre o seu melhor naquilo que fazia.

Há algum tempo atrás pude assistir o filme/documentário "Na Cama com Madonna", que nada mais é que um relato de toda a sua turnê "Blond Ambition" e de seu dia a dia entre um show e outro. Há grande apelo sexual em alguns momentos, o que já era de se esperar pela fase em que Madonna estava, provocante e propensa a alguns escândalos. O filme foi bem aceito pelo público e pela crítica e obteve a sétima maior bilheteria da história entre documentários.



Já em "Corpo em Evidência", pode-se dizer que Madonna meio que representou a si mesma, fazendo o papel de uma mulher provocante e dominadora, que é acusada de matar o amante velho e rico, durante o ato sexual, e agora seduz o advogado que a defende nesse julgamento. Ela está impecável como Rebecca Carlson, e mostra que até para representar um papel que lembra tanto seu próprio comportamento é preciso ter competência: ela vai envolvendo seu defensor em jogos de sedução e ele acaba ficando em dúvida se ela é realmente inocente ou se está usando sua sensualidade para confundi-lo e fazê-lo acreditar em sua inocência. O filme é um thriller de suspense erótico, classificado pela Entertainment Tonight Radio como corajoso, chocante e excitante, e envolve elementos dos clássicos "Instinto Selvagem" e "A História de O".


Como diretora, Madonna é a responsável por "Imundície e Sabedoria" (2009) e "W.E" (2011).


Madonna está envolvida em trabalhos cinematográficos desde o início de sua carreira; muitos de seus filmes geraram polêmica, foram sucessos de bilheteria ou fracassos total, mas ela nunca desistiu, e mostrou que trabalho e persistência são essenciais para se alcançar o objetivo almejado. Não fosse assim, ela jamais teria conseguido o papel em "Evita", que foi marcante em sua carreira e ajudou a construir sua imagem como a boa atriz que é.