quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dia da saudade

Como hoje em dia tem uma dia para tudo, arrumaram um "Dia da saudade" também. Aproveitando esse tema, a postagem de hoje vai falar sobre o sentimento tão mal quisto por algumas pessoas, e ao mesmo tempo tão inspirador para outras, como os poetas. E só os melhores poetas para nos presentear com belas palavras sobre a saudade, sem tristeza ou dor. Espero que gostem:


"A um ausente" (Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo e sem consulta de provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.



"Tomara" (Vinícuis de Moraes)

Que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá paz
e o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
que não se desfaz

E a coisa mais divina
que há no mundo
é viver cada segundo
como nunca mais...



"Soneto da saudade" (Guimarães Rosa)

Quando sentires a saudade retroar
fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
uma voz macia a recitar muitos poemas...
e a te expressar que este amor em nós ungido
suportará toda distância sem problemas...

Quiça teus lábios sentirão um beijo leve
como uma pluma a flutuar sobre a neve,
como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
sempre que juntos, a emoção que partilhamos...
Nem a distância apaga a chama da paixão.

Para quem gostar, mais poemas desses brilhantes escritores podem ser lidos aqui, aqui e aqui.

Também gostaria de indicar um poema meu, postado no blog Milonga, que pode ser acessado clicando aqui.  

"Ode à saudade" (Joana Masen)

Sinto tanto a tua falta, baby
mas te peço que ainda assim
não te apaixones por mim
nem te fies de meus olhos
que são como as fases da lua.
Dói-me tanto tua ausência, baby
que me faz criar castelos de cartas
para poder viver junto contigo
esses sonhos que te recito
que são como as areias do deserto.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Orgulho e Preconceito - 200 anos

Olá queridos leitores!


Hoje a obra mais aclamada de Jane Austen está completando 200 anos de lançamento, e muitos blogs e sites fizeram suas homenagens ao livro. Eu não poderia ficar de fora, mas vou fazer um post um pouco diferente.

Como já tinha feito no post sobre "Crepúsculo", vou postar alguns trabalhos feitos por fãs da obra, postados no site Deviantart, de onde sempre seleciono algumas lindas imagens para o meu blog Milonga.






Também li uma matéria super interessante sobre Mr. Darcy no Livros só mudam pessoas,  e vou transcrever um pequeno trecho aqui. Quem quiser ler na íntegra o post de Andreia Martins, clique no link ai em cima:

"Mr. Darcy: após dois séculos, o cavalheiro romântico ainda arrebata corações.

No bicentenário do livro 'Orgulho e Preconceito', de Jane Austen, relembramos um dos homens mais apaixonantes da literatura mundia.

Apenas bons casamento salvariam as irmãs Bennet da pobreza e indiferença da sociedade aristocrática do início do século 19. Porém, uma delas, Elizabeth, não quer apenas um marido, e sim um grande amor. Neste contexto entra em cena um dos homens mais apaixonantes da literatura: Mr. Darcy. Figura central do romance 'Orgulho e Preconceito', o personagem comemora 200 anos nesta segunda-feira (28). Foi em 1813 que a escritora inglesa Jane Austen traduziu em palavras o ideal masculino que, mesmo após dois séculos, ainda faz estremecer.

... quando ele diz a sua tão famosa frase 'you must allow me to tell you how ardently I admire and love you' (em português, algo como: você tem de me permitir dizer com quanto ardor eu admiro e amo você), o faz dando uma ordem, logo após ter explicitado todos os motivos pelos quais esses sentimentos contrariam sua razão e até seus valores...

... se em 'Orgulho e Preconceito' Austen criou um modelo perfeito do homem romântico, na vida real estima-se que ela não teve tanta sorte no amor. Contudo, segundo o historiador inglês Andrew Norman, a autora teria se inspirado em um amor real para compor o personagem Mr. Darcy..."

Gostaram? Então corram para o site e leiam o artigo na íntegra.

Como de costume, fica o trailer do filme baseado no livro de Austen, para aqueles que ainda não viram e para quem quer relembrar um pouco esse clássico que nunca envelhece:


domingo, 27 de janeiro de 2013

Filmando #4 - Django Livre


Em 1858, dois anos antes do início da Guerra Civil, escravos são negociados como a mais vil mercadoria pelos fazendeiros, quando um ambicioso caçador de recompensas encontra um mercador de escravos numa estrada à procura de um em especial: o ex-escravo dos irmãos Brittle, procurados por assassinato, e só esse escravo seria capaz de reconhece-los agora. Esse homem é Django, e Dr. Schultz o compra a fim de ir atrás de mais essa recompensa. Após matarem os irmãos procurados, o dentista liberta Django, mas eles acabam decidindo seguir juntos nessa caça em busca de recompensas. 


Django se mostra muito apto a matar criminosos, mas tem um objetivo maior: encontrar sua esposa que fora vendida para um grande fazendeiro e resgatá-la. Broomhilde se destaca das outras escravas por saber falar fluentemente o alemão. Eles descobrem que ela está na fazenda "Candyland", de propriedade de Calvin Candie, um grande admirador das lutas entre escravos. Assim, Schultz e Django decidem se infiltrar na fazenda como apreciadores das lutas e possíveis compradores de um dos melhores  lutadores da fazenda.

Quando começam a negociação, Dr. Schultz tenta negociar também a compra de Broomhilde, mas o escravo de confiança de Candie, o velho Stephen, desconfia das atitudes dos dois com relação a escrava e acaba com a farsa. A partir daqui começa a matança. Muitos tiros, muito sangue e muita violência, como já é típico dos filmes do diretor, mas que não o torna pesado demais.


A mão de Tarantino fica visível em cada cena do filme, desde o início, quando a câmera mostra apenas os pés dos escravos acorrentados, com uma música marcante, já mostrando que a trilha sonora também será muito importante na trama.

Num de seus melhores filmes, o diretor passa do drama sanguinário para o humor escrachado num piscar de olhos, assim como já havia feito em "Bastardos Inglórios". Em Django, a presença forte do humor fica por conta da cena em que alguns homens entram em conflito por causa dos "sacos" que estão usando para cobrir seus rostos, ou quando Django aparece vestindo uma roupa azul risível, a fim de representar o lacaio do Dr. Schultz enquanto procuram pelos irmãos Brittle.

Há pequenos detalhes que nos lembram a todo momento de quem está na direção, como nas mudanças de tomadas pelas câmeras, que em alguns momentos é totalmente contemplativa, mostrando apenas paisagens ou o pôr-do-sol, para outras situações de close minimalista, com zooms forçados onde vemos apenas os pés ou as mãos de determinado personagem, dando, assim, a intensidade necessária a cada cena.

Um bom exemplo disso é a cena em que Django mata um de seus ex-algozes: sua imagem refletida num espelho imundo, a página da Bíblia pregada na camisa do homem assassinado, exatamente onde o tiro acerta seu peito, as flores brancas tingidas por gotículas vermelhas do sangue de um homem morto. 


Os atores também ficaram perfeitos em seus papéis: Samuel L. Jackson está quase irreconhecível como escravo de Leonardo Di Caprio, que, representando Calvin Candie está impecável, sendo mau quando tem que ser, e amável quando lhe convém. Outro que está bem diferente é Jamie Foxx, o escravo que dá nome ao filme e que conseguiu transmitir, muitas vezes apenas pelo olhar, já que seu personagem não tem muitas falas, toda a amargura e o rancor que sentia por ter sido maltratado e açoitado por seus antigos donos. Já Christoph Waltz (Dr. Schultz) mais uma vez arrasou sob a direção de Tarantino, como já havia feito em "Bastardos Inglórios", sendo um dos destaques do longa; sua atuação é envolvente e convincente, e ela sabe explorar suas falas e a expressão facial a ponto de nos fazer torcer para que seus golpes deem sempre certo. Um elenco digno de grandes premiações, com atuações magistrais que, ao usarem com tamanha segurança seus recursos verbais e corporais conseguiram concluir de forma brilhante a recriação daquele mundo e do complexo gênero faroeste, marcando, assim, seu lugar na história do cinema.


O destaque da trilha sonora fica pela música que embala a cena em que Django pensa em sua esposa e ela está amarrada a um tronco, sendo atacada por seu dono com um chicote: a música dá o tom exato de dramaticidade, acompanhando cada chicotada recebida por Broomhilde e cada um de seus gritos de dor. Outro momento em que a música é parte integrante, quase como um ator em cena, é quando Dr. Schultz consegue convencer o xerife de uma pequena cidade que seu ataque ao comissário de polícia foi totalmente justificado, pois ele era procurado por crimes cometidos anos antes, e ainda consegue fazer com que o xerife lhe pague a recompensa pelo trabalho prestado. Essa é a primeira vez que Django vê o dentista em ação, e ainda não está acostumado com seu dom para a oratória, e, no final da cena, eles estão a cavalo e o doutor está com uma cara de "dever cumprindo", como quem olha para o escravo e diz: "eu te disse que tinha tudo sob controle".


Como não poderia deixar de ser, Quentin faz uma rápida aparição no filme, relevante para a história, mas também com um desfecho engraçado.


A obra de Tarantino já era aclamada por público e crítica, mas nesse filme ele conseguiu provar mais uma vez que é extremamente competente naquilo que se propõe a fazer, que é entreter o espectador e passar para a telona seus maiores devaneios, transformados em grandes filmes. Apesar de manter sempre o mesmo estilo, ele ainda consegue surpreender, criando um clássico do western e nos fazendo perguntar: qual será sua próxima criação? 

Duas curiosidades sobre o filme que descobri enquanto escrevia esse post: Jamie Foxx usou seu próprio cavalo durante as filmagens, Cheetah; e que o persongem Django foi criado pensando em Will Smith, mas o ator não aceitou participar do filme. Outra coisa que eu já sabia antes de ir ao cinema, é que Tarantino se inspirou no filme "Django" de 1966, para fazer esse longa, e o ator do filme original, Franco Nero, faz uma pequena participação nessa versão.

Ainda não viu o filme? Corra, vale muito a pena. Como aquecimento, acesse o site oficial e já comece a ficar por dentro da trama, clicando aqui.  

E, como de costume, fica o trailler do filme para aguçar a curiosidade de vocês: 

sábado, 26 de janeiro de 2013

Li até a página 100 e... #6

* essa coluna foi originalmente criada pelo blog Eu leio eu conto.



Perfeitos
Scott Westerfeld
Editora Galera
384 páginas
Primeira frase da página 100 (obs: como estou lendo em PDF, por isso, pode haver alguma diferença entre a minha página 100 e a original):

"- Nada. Estão completamente sumidos."

Do que se trata o livro?

É uma continuação de "Feios", e aqui Tally já está perfeita, mas não se sente tão a vontade nesse mundo quanto imaginava que se sentiria quando fizesse a operação. Aqui ela está tentando se encontrar e dar sentido à sua vida e seus sentimentos.

O que está achando até agora?

Estava um pouco lento, mas com o aparecimento repentino de Croy (personagem importante no primeiro livro) parece que as coisas vão ficar mais agitadas.

Melhor quote até aqui:

"Pelo menos fomos idiotas juntos - disse ela, tentando sorrir. Curvando-se um pouco, Tally segurou Zane pela nuca e o beijou. David não tinha aparecido para salvá-la. Ou estava morto ou não se importava tanto com seu destino. Além disso, ele era feio, enquanto Zane era bonito e borbulhante. E estava ao seu lado. - Precisamos um do outro agora."

Algum personagem merece destaque?

Zane. Quem é ele? O que ele quer realmente?

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"Os sustentadores que mantinham o rinque no ar eram bem visíveis, separados por poucos metros, num padrão grade, que irradiava uma série de estruturas de refrigeração."

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Sexta de música #11

Olá leitores!

Estou lendo a biografia do cantor Lobão, e conhecendo sua conturbada trajetória até se tornar o cara que conhecemos hoje. A leitura está muito interessante, e toda vez que pego o livro, duas músicas automaticamente me vêm à cabeça, e queria compartilhá-las com vocês:



O título do livro já remete a um grande sucesso do cantor, e não tem como começar a ler sem lembrar dessa música:. Para quem conhece o trabalho do Lobão já vai sacar logo de que música estou falando: "... é melhor viver 10 anos a mil do que mil anos a 10...". É "Decadence Avec Elegance", de 1985, um grande sucesso da década e que  seria um dos primeiros singles de destaque da carreira de Lobão. Abaixo, um trecho da letra da música e o vídeo:

"... ela dis pra mim: seja um bom rapaz
pratique algum esporte, tenha bons ideais
afinal de contas o fim do mundo não é nenhum fim de mundo
e se for... descanse em paz

e no final da madrugada perambulando pelos bordéis
Decadence - é melhor viver
dez anos a mil
do que mil anos a dez

Decadence Avec Elegance..."


A segunda música que fica passeando pela minha cabeça durante a leitura é "Vida louca vida", lançada em 1987, e que ficou famosa pela interpretação de Cazuza. Essa música não está em nenhum trecho do livro até agora, mas pelo contexto geral da biografia, e conhecendo boa parte do trabalho do cantor, imagino que a vida era vívida loucamente na década de 80, com todos os artistas revolucionários aproveitando as situações ao máximo. Para quem não conhece, segue um trechinho da letra e o vídeo logo a seguir, de uma apresentação de Lobão no "Cassino do Chacrinha", programa muito famoso da Rede Globo, que era exibido aos sábados à tarde e que funcionava como uma vitrine para os cantores da época, onde eles podiam se apresentar e fazer as mais inusitadas "performances":

"... se ninguém olha quando você passa
você logo acha:
'tô carente'
eu sou manchete popular
já me cansei
de toda essa tolice
babaquice
dessa eterna falta
do que falar.

Vida louca vida!
vida breve!
já que eu  não posso te levar
quero que você me leve
vida louca vida!
vida imensa!
ninguém vai nos perdoar
nosso crime não compensa..."


Espero que vocês tenham curtido os sons dessa sexta e também tenham se interessado em conhecer mais sobre a música da década de 80. Aguardem a resenha da biografia.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ele é o cara #6


João Ubaldo Ribeiro, o aniversariante de hoje, é um escritor brasileiro, membro da Academia Brasileira de Letras, formado em direito e que também exerce as atividades de jornalista, roteirista e professor. Esses já seriam motivos suficientes para ele ser o cara dessa semana, mas para acima de tudo, não há como resistir a essa sua cara de avô bonzinho, rs.

Alguns de seus trabalhos mais famosos são os romances "Sargento Getúlio" (1971), "O sorriso do lagarto" (1989), "A casa dos budas ditosos" (1999) e "Viva o povo brasileiro" (1984), que foi  base para o samba-enredo no carnaval carioca em 1987, da escola Império da Tijuca.

Ubaldo também escreveu contos e crônicas, com destaque para "A gente se acostuma a tudo", de 2006, além de seus trabalhos com literatura infantil: "Vida e paixão de Pandonar, o cruel" (1983), "A vingança de Charles Tiburone" (1990) e "Dez bons conselhos de meu pai" (2011). 

Ele também teve alguns trabalhos adaptados para a TV e o cinema: o filme "Sargento Getúlio" foi protagonizado por Lima Duarte, em 1983; "Viva o povo brasileiro" teve seus direitos comprados em 1998 por André Luiz de Oliveira e "Já podeis da pátria filhos" foi adquirido por Cacá Diegues em 1987, mas ambos ainda não foram filmados. Em 1999, ele ajudou a escrever o roteiro de "Deus é brasileiro", juntamente com Cacá Diegues, baseado em seu conto "O santo que não acreditava em Deus", e o filme foi um grande sucesso do cinema nacional. Já para a televisão forneceu "O sorriso do lagarto", que foi exibido como minissérie pela Globo, com Tony Ramos e Maitê Proença como protagonistas.

Com seu estilo literário marcado pela ironia e pelo contexto social brasileiro, ele marca seu lugar na literatura construindo suas estórias com um toque certeiro de humor, e assim agrada desde os leitores eventuais aos críticos literários mais exigentes.

João Ubaldo passou a ocupar a cadeira 34 na Academia Brasileira de Letras em 7 de outubro de 1993, sucedendo o jornalista Carlos Castelo Branco. Também é detentor da cátedra de Poetik Dozentur, ou Docente em Poesia, pela Universidade de Tübigen, na Alemanha. No mesmo país, participou da Feira do Livro de Frankfurt em 1994, e recebeu o prêmio Anna Seghers, que é concedido apenas a alemães e latino-americanos. Ele foi o 8o. brasileiro a receber o Prêmio Camões, pelo alto nível de sua obra literária. 

Hoje, aos 71 anos, o escritor colabora com os editais dos jornais "O Globo", "Jornal da Bahia", "O Estado de São Paulo", "A tarde", no Brasil, e "Frankfurter Rundschau" e "Die Zeit" na Alemanha, além do "O Jornal" e do "Jornal de Letras", ambos em Portugal, e o "The Times Literary Supplement" da Inglaterra.

Para fechar, deixo aqui uma entrevista muito interessante que João Ubaldo deu ao programa "Roda Viva" da TV Cultura, em julho de 2012, onde podemos ver o seu senso de humor tão presente em suas obras, além de sua inteligência e simplicidade.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Feios


"Tally está prestes a completar 16 anos, e ela mal pode esperar. Não por sua carteira de motorista, mas para se tornar bonita. No mundo de Tally, o aniversário de 16 anos lhe dá o direito de fazer uma operação que a transforma de uma pessoa feia e sem graça em uma pessoa maravilhosamente linda e perfeita, e ainda a leva para um paraíso de alta tecnologia onde seu único trabalho é se divertir muito. Em apenas algumas semanas Tally estará lá. Mas a sua nova amiga, Shay, não tem certeza se quer se tornar uma perfeita e prefere arriscar sua vida do lado de fora de seu mundo. Quando ela foge, Tally descobre um lado totalmente novo do seu mundo dos sonhos, que não é tão bonito quanto ela imaginava. As autoridades oferecem a Tally apenas uma escolha: encontrar sua amiga e entregar a localização da "Fumaça", ou nunca fará a operação para se tornar bonita. Isso fará sua vida mudar para sempre."

Esse livro me surpreendeu. Eu li várias resenhas e opiniões sobre ele, que me deixaram curiosa, além de achar a capa interessante e o título um tanto quanto sugestivo. Comecei a ler bem devagar, cumulando a leitura com "O morro dos ventos uivantes", mas a uma certa altura, tive que me concentrar apenas nesse, pois ele era diferente de tudo que eu já tinha lido.

Uma história totalmente utópica, mas que acaba sendo um espelho da sociedade atual. O autor faz em "Feios" uma crítica inteligente à imposição de que a beleza é tudo. Todos nós somos vaidosos e nos preocupamos com nossa aparência, mas seguimos uma espécie de ditadura que nos obriga a sermos sempre perfeitos, um sinônimo de beleza.

Aqui, Scott Westerfeld leva essa imposição ao extremo, separando quem é feio de quem é bonito, e os feios são menosprezados pelo restante das pessoas que já passaram pela cirurgia transformadora. Como é a regra da sociedade deles, todos aceitam essa atitude sem maiores problemas, e os feios só vivem em função de completar os 16 anos para ficarem perfeitos.

A partir da operação, os jovens bonitos passam a viver num lugar em que não precisam fazer nada: trabalhar, estudar ou dar satisfações para os pais. Ali eles vivem um mundo de festas e muita bebida alcoólica, sem ter que se preocupar com seu futuro. Isso também é uma visão extremada do autor das ações de alguns adolescentes hoje em dia.

O drama vivido por Tally nessa primeira parte da quadrilogia é escolher entre realizar seu sonho de se tornar perfeita ou ir atrás da amiga Shay, que fugiu para a Fumaça (um lugar selvagem onde as pessoas vivem da natureza e são feios), e trair sua confiança entregando a localização do grupo, que vem sendo procurado há anos pelas autoridades locais, os "Circunstâncias Especiais".

Sem muita opção, Tally parte ao encontro de Shay, e, ao chegar na Fumaça, depois de muitos percalços, ela descobre um mundo inimaginável, e percebe que não é tão ruim assim viver como feio para sempre e aderir aos hábitos daquelas pessoas que a receberam tão bem.

Claro que, estando ali como espiã, Tally fica inicialmente tentada a acionar o localizador e voltar para casa para realizar a cirurgia, podendo assim viver como sempre desejou. Mas ela vai percebendo aos poucos que o que conta realmente não é a aparência das pessoas, mas o que elas têm dentro do coração. 

Para apimentar a trama, rola um romance entre Tally e o enfumaçado David, que nasceu e cresceu ali e só conhece aquela vida de trabalho árduo para sobreviver. Ele não entende por que Tally quer fazer a cirurgia, pois a considera muito bonita, e é a partir dessa relação que a percepção da moça começa a mudar para algumas coisas.

O livro é muito interessante, fácil de ler, e apresenta um mundo irreal, onde todos são controlados por um tipo de "grande irmão", separados por "castas" e vivendo de modo totalmente organizado, sem ousar e sem precisar pensar em nada, já que a vida de todos já está planejada até a sua morte.

O final é emocionante e faz com que o leitor queira começar o segundo volume na mesma hora, para saber o que vai ser da vida de Tally depois da decisão radical que ela toma a fim de proteger aqueles que ama.

Feios 
Scott Westerfeld
Editora Galera Record
415 páginas

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cabra-cega (resenha)



Ganhei esse livro na "Promoção Incentivo á Literatura Nacional" feita pelos blogs Enquanto escrevo um livro, Foolish Happy, Stealing Books, Livros de Cabeceira, Lendo de Tudo e Stories and Advice.  

A narrativa conta as intempéries vividas por Clara em seu casamento conturbado com Gustavo. Ele é extremamente possessivo e violento, e quer a esposa exclusivamente para si, sem deixar ao menos que ela trabalhe ou estude. O marido que, no início do namoro, era muito carinhoso e amável, depois de casado acabou se revelando muito agressivo, chegando ao ponto de bater em Clara, por diversas vezes, tendo, inclusive, estuprado a esposa numa ocasião em que ela não queria ter relações sexuais por estar se recuperando de um aborto, provocado pelo próprio marido, que, não queria ser pai para não ter que dividir sua mulher com mais ninguém. Ele também a afastou da família, mudando para outro estado e não permitindo que Clara entrasse em contato com os pais, e para impedi-la de falar com eles, não instalou telefone em casa. Ela também era bastante submissa e satisfazia todos os desejos e caprichos de Gustavo, até que foi se cansando de tanta violência e tentou fugir. Claro que não seria tão fácil para ela se separar de um marido mentalmente perturbado, e eles passaram muito tempo nessa loucura: ela tentando sair de um casamento que só lhe fazia mal, e ele desconfiando que ela iria sumir de sua vida e ficando cada dia mais violento por isso. O final da história só poderia acabar em tragédia.

Gostei do tema principal do livro, que é a violência contra a mulher, mas acho que a autora pecou um pouco na construção das frases. Talvez por ela estar muito habituada com a linguagem jornalística, sua narrativa ficou, na minha opinião, muito corrida e um pouco confusa. Ela mistura um pouco os acontecimentos na casa de Clara com o que se passa na casa dos pais, intercalando um parágrafo com outro, e isso torna a compreensão da história um pouco difícil.

Talvez eu esteja sendo crítica demais, peço que me perdoem, mas acho que falta um pouco de experiência à autora, e sua escrita ainda precisa ser aperfeiçoada. Em alguns momentos tive a sensação de que faltou também um processo maior de revisão, talvez por uma profissional, para tornar o texto mais leve para o leitor, sem tantas circularidades, e um pequeno arranjo nas disposições dos parágrafos, o que resolveria  a aparente confusão na hora da leitura.

Outro ponto que a autora precisa trabalhar melhor é o uso da vírgula, essa pequena traiçoeira... Sei como é confuso o emprego desse sinal, e por isso gostaria de dar esse toque a Sheila, para que ela tomasse mais cuidado com a vírgula.

O livro tem suas qualidades, e é bastante corajoso ao levantar a questão da violência doméstica, problema que atinge muitas mulheres ainda hoje, e que não têm coragem para reagir e tentar sair dessa situação. Por ser bem curtinho, é fácil de ler e tem uma trama que vai nos deixando ansiosos pelo final, para que a protagonista consiga se livrar do marido que a trata tão mal.

Cabra-cega
Sheila Ribeiro Mendonça
Clube do Autor
94 páginas

domingo, 20 de janeiro de 2013

Filmando #3

O Hobbit


Com essa singela seleção dos posteres do filme que mais me chamaram a atenção, começo a passar para vocês as minhas impressões sobre essa adaptação de mais uma obra de J.R.R.Tolkien para os cinemas: "O Hobbit".

O livro foi publicado originalmente em setembro de 1937, e vem se mantendo popular até hoje, sendo considerado um clássico da literatura infantil.

Peter Jackson, um diretor maluco que já tinha sido responsável pela adaptação dos 3 volumes de "O senhor dos anéis", também responde pela direção desse filme, e, brilhantemente, conseguiu levar às telonas o melhor  da história.

Dividido em outras 3 partes, nessa primeira vemos o início da aventura de Bilbo Bolseiro, que é convidado por Gandalf para ajudar os anões a recuperarem suas terras e seus tesouros que há muito tempo foram tomados pelo dragão Smaug. O grupo de anões é liderado pelo lendário guerreiro Thorin que guia todos os aventureiros por terras traiçoeiras, cheias de goblins, orcs, wargs e aranhas gigantes. É nessa viagem que Bilbo conhece Smeagol e ganha dele o Um Anel, que, mais tarde, seria o responsável pelo destino de toda a Terra Média. 

É incrível ver o trabalho que Jackson realizou nessa adaptação; a obra de Tolkien é extremamente complexa e ainda assim ele consegue transformá-la em um espetáculo visual sem precedentes, um filme que deixa a todos maravilhados e apaixonados pelos seres criados pelo autor. Quem nunca sentiu pena de Smeagol, quando ele tenta fazer o que acha correto mas é derrotado pela criatura-alter-ego que comanda suas ações?

Bilbo, que nos primeiros filmes era nada mais que um velho petulante, aqui se mostra um jovem inseguro e em busca de sua personalidade, que ele vai, aos poucos, definindo, ao mesmo tempo em que tenta provar para o líder de seu grupo que é digno de confiança e que merece estar entre eles.

A fotografia é perfeita e o filme todo é recheado de cenários incríveis. O figurino também chama a atenção por ser quase um fator de identificação de cada personagem. A trilha sonora também não decepciona: composta novamente por Howard Shore (responsável pela trilha da trilogia "Senhor dos anéis"), embala cada cena brilhantemente e dá o ritmo necessário para o espectador acompanhar a história. Aliás, a melhor parte da trilha sonora, para mim, aparece na cena em que Thorin parte para cima de Azog, o Orc albino que ele acreditava ter matado em uma batalha anterior: nessa cena há uma combinação perfeita entre música e fotografia, que deixou o momento emocionante.

Outro ponto interessante do longa é a disputa de charadas entre Bilbo e Smeagol: a criatura quer descobrir o que o hobbit leva em seu bolso e então combinam o seguinte: se Bilbo vencer o duelo, Smeagol mostra a saída daquele lugar, e, se Smeagol ganhar, então ele saberá o que o pequeno tem escondido no bolso. É uma cena divertida e muito fiel ao livro, e Smeagol está muito mais real nesse filme que nos anteriores; cada expressão de seu rosto, cada olhar parece tão real que eu fiquei com vontade de tocá-lo, rs.



O filme todo é mais uma mostra de que Sir Peter Jackson é um ser especial, pois só uma entidade superior seria capaz de traduzir a monotonia da obra de Tolkien para as telas com tanta perfeição, transformando todos os filmes num espetáculo imperdível para quem gosta de cinema. O livro "O Hobbit" é muito bom, gostei muito dele quando o li, ainda antes da primeira trilogia ficar famosa, e aprovo sua adaptação; está tudo lá, os personagens importantes, as situações, as canções, tudo como no original. Já os livros "O senhor dos anéis" confesso que não gostei; estão entre os poucos que abandonei a leitura, por ser muito lento e sem graça, diferente dos filmes, que são muito bons.

Enfim, fico feliz por ser contemporânea de Jackson e poder acompanhar seu trabalho em cima dos livros de Tolkien, pois, se assim não fosse, eu talvez nunca me interessaria por sua obra.

Para quem ainda não viu, corra ao cinema mais próximo, o filme vale todos os elogios que vem recebendo, e acredito que todos os fãs do trabalho de Tolkien esperam ansiosos pelas 2 próximas partes, com lançamentos previstos para 13 de dezembro desse ano e 18 de julho de 2014. Aguardemos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Li até a página 100 e... #5


50 anos a mil
Lobão/Cláudio Tognolli
editora Nova Fronteira
591 páginas
Primeira frase da página 100:

"Se você entrava careta, saía todo montado de hippie..."

Do que se trata o livro?

O livro é uma biografia, e conta a história pessoal e profissional de Lobão.

O que está achando até agora?

Muito bom, os editores decidiram manter o léxico usado por Lobão, o que deu um ritmo interessante à leitura.

Melhor quote até aqui:

"Vou pedir a seu pai te levar até a praça Tiradentes para você ver o espetáculo lamentável de uma horda de músicos desempregados, sentados à deriva, em volta do chafariz, sem emprego, sem casa, sem eira nem beira...' disse mamãe. E assim se sucedeu. Papai me pegou pelo braço e, para meu terror, me levou até a praça Tiradentes, onde vi um monte de músicos no maior desamparo: velhos, desempregados, provocando em mim um pavor à profissão e uma tremenda sensação de vazio por não poder desenvolver a atividade que mais gostaria de abraçar."

Algum personagem merece destaque?

O Caguto (rs). É um cara que apareceu do nada na porta da casa do Lobão perguntando quem tocava bateria ali, e pedindo pra tocar com ele no dia seguinte. Caguto foi assim descrito pelo cantor: "um cara mais velho, moreno, comprido, cabelo longo em camadas, contrastando com uns óculos pesados, pretos, quadrados, calça boca de sino... Estava certo de ser um daqueles garotos que, para fumar maconha, ficavam dando voltas pelo quarteirão, para despistar a polícia..."

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"Como pode uma banda de primeira linha como a Bolha passar desapercebida, enquanto não se para de ouvir no rádio: 'Eu te amo, meu Brasil'?" 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Os Insones - resenha



"Numa cidade onde a violência, além de dominar os morros e ditar as regras de comportamento, conquista os corações e mentes dos jovens, os insones se multiplicam. Neste livro, todos estão sujeitos a uma brutal ansiedade, a começar pelo pai apavorado com o sumiço da filha e torturado por dores na coluna, até o aparentemente sereno jovem decidido a mudar o mundo na marra, passando por traficantes encurralados, agentes infiltrados e policias vivendo sobre tensão constante."

Em mais um policial emocionante, Tony Bellotto confirma sua facilidade em escrever histórias que falam das coisas mais cotidianas e com elas prender o leitor até o ponto final decisivo. Aqui conhecemos um grupo de jovens loucos para mudar o mundo, cada um à sua maneira, e adultos consternados e entregues a mesmice de suas vidas. Samora é um garoto negro, mora no Leblon e quer fazer uma grande revolução, como um Robin Hood moderno, redistribuindo renda e cuidando daqueles que mais precisam; Sofia é branca, mora em Ipanema, saiu de casa e nunca mais foi vista, para desespero de seu pai, Renato, um publicitário frustrado, já no segundo casamento e com dores terríveis nas costas. Seu filho, Felipe, é um adolescente tentando encontrar sua própria identidade e que coleciona armas escondido dos pais. Mara Maluca, meio mulata-meio índia, é a atual chefe do morro e não tem nenhum sangue-frio, sendo capaz de cometer as maiores atrocidades contra quem cruzar seu caminho. 

Todos os personagens têm em comum uma certa urgência, querem viver agora, querem realizar seus sonhos e seus ideais hoje. Desde o pai, Renato, que se descobre um homem vazio e sem ambições enquanto tenta encontrar a filha desaparecida, até a moradora do morro Chayenne, aspirante atriz e que tem como característica marcante suas unhas pintadas de vermelho e preto, todo mundo está tentando dar algum sentido real a sua vida.

O mais legal nesse livro é o ritmo como o Tony imprimiu à história, usando sempre parágrafos breves, cheios de significados, e que vão carregando o leitor para uma trama original e alucinante. Ao terminar um desses fragmentos, o leitor é praticamente compelido a passar para o seguinte, sem pausas e sem respirar, totalmente envolvido pela inteligência dos personagens e suas atitudes extremas, como quando Samora invade a casa de câmbio do pai de um ex-colega de colégio, rouba uma fortuna e sai jogando parte do dinheiro na rua, sob o pretexto de distribuir renda para quem realmente precisa.

Diante do ideal revolucionário de Samora, a patricinha Sofia não se contém e segue junto a fim de concretizar seus planos. Enquanto isso, sua família e a polícia do Rio de Janeiro estão loucos atrás dela, tentando resgatar o casal com vida do morro. Mas eles estão sob a proteção da traficante Mara Maluca, que, para aceitar Samora em seu grupo o fez passar por um terrível ritual de inicialização, atirando na cabeça de um homem acusado de estupro. É assim que as coisas são resolvidas ali, a ferro e fogo.

Não há como deixar de ler esse livro antes do final. Como ele é contado em partes, cada parágrafo fala um pouco da história de um personagem, e eles vão sendo intercalados, o leitor não consegue sair de dentro da história, e quer passar para o próximo e depois o próximo e depois o próximo, tentando dar um desfecho para a saga de seu personagem favorito (ou não).

Trechos como o que Renato recebe a massagista no quarto do hotel e estende a mão para cumprimentá-la   e ela não retribui o gesto dão um toque de humor leve e que quebra um pouco a tensão, deixando tudo mais curioso.

Sou fã do autor, e portanto, suspeita para fazer elogios muito intensos, mas posso dizer que esse foi o melhor livro dele que já li. É bem diferente da série "Bellini", e só me fez gostar ainda mais do seu estilo, trazendo o romance policial para a nossa realidade. As entrelinhas desse livro são cheias de significado, e fazem algumas críticas à nossa sociedade tão violenta.

Para finalizar, ouvi alguém dizer uma vez em alguma entrevista que toda obra traz pelo menos um traço do seu autor, e passei a pensar sempre nisso quando escrevia alguma coisa, achando algum indicio de pessoalidade. Nesse romance Tony presenteou Renato com uma hérnia de disco que lhe causa dores insuportáveis, e não seria um crime afirmar que ele o fez inspirado por suas próprias dores que, como ele mesmo definiu uma vez, são efeitos colaterais de todos esses anos carregando uma guitarra nas costas. 

Leitura indispensável para quem quer prestigiar os autores brasileiros, para os fãs de Tony e para quem curte um bom romance policial.

"Os Insones"
Tony Bellotto
editora Cia das Letras
237 páginas 

sábado, 12 de janeiro de 2013

Li até a página 100 e... #4





O Morro dos ventos uivantes
Emily Bronte
editora Lua de Papel
292 páginas

Primeira frase da página 100:

"Já te disse para deixares a Isabella em paz! Espero que o faças, a menos que estejas farto de nós e queiras que o Edgard te proíba de pores os pés nesta casa."

Do que se trata o livro?

Da história de amor impossível e não concretizado entre Catherine e Heatchliff, e de todo o mal que essa paixão causa na vida dos dois e de todas as pessoas que os cercam.

O que está achando até agora?

Essa é a segunda leitura que faço desse livro; da primeira vez li meio de má vontade e por isso não pude saborear a história. Agora estou lendo com mais calma e mais conhecimento do romance, depois de tê-lo estudado nas aulas de literatura. Até aqui estou gostando, mesmo ciente de todo o drama que a história carrega.

Melhor quote até aqui:

"Só ia dizer que o céu não parecia ser a minha casa e eu desatei a chorar para voltar para a terra, e os anjos ficaram tão zangados que me expulsaram e me lançaram no meio do urzal, e eu fui cair no topo do Morro dos Ventos Uivantes, e depois acordei chorando de alegria. Este sonho explica o meu segredo tão bem como o outro: sou tão feita para ir pro céu como para casar com Edgard Linton; e se esse monstro que está lá dentro não tivesse feito o Heathcliff descer tão baixo, eu nem teria pensado nisso: seria degradante para mim casar agora com Heathcliff; por isso, ele nunca saberá como eu o amo; e não é por ele ser bonito, Nelly, mas por ser mais parecido comigo do que eu própria. Seja qual for a matéria de que as nossas almas são feitas, a minha e a dele são iguais, e a do Linton é tão diferente delas como um raio de lua de um relâmpago, ou a geada do fogo."

Algum personagem merece destaque?

Além de Nelly, a empregada que relata toda a história ao novo dono da Granja dos Tordos, com certeza o personagem mais importante desse romance é o próprio Heathcliff, com seu coração cheio de mágoa e rancor.

Vai continuar lendo?

Com certeza

Última frase dessa página:

"- O que te irrita é eu não ter ciúmes, não é? - gritou Catherine. - Mas também não voltarei a oferecer-te a Isabella para esposa. É o mesmo que oferecer uma alma perdida a Satanás."

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Sexta de música #10

Voltando para casa ontem começou a tocar no meu player a música "American Pie", com Madonna, então me lembrei da primeira vez que ouvi a versão original dessa música, na voz de Don McLean, e achei que essa canção merecia um post nas nossas sextas de música.

Don McLean lançou American Pie no final de 1971, num ritmo folk-rock em homenagem ao cantor Buddy Holly, morto em 1959 no mesmo acidente aéreo que matou Ritchie Valens, intérprete do grande sucesso "La Bamba". No filme homônimo podemos ver a história da vida desse cantor e sua carreira metórica no final dos anos 50, que terminou drasticamente quando seu avião caiu, fazendo como vítimas também  Buddy e The Big Popper. Valens tinha apenas 17 anos.

O dia 3 de fevereiro, quando aconteceu o acidente, ficou historicamente conhecido como o dia em que a música morreu, e foi a inspiração para McLean escrever a música. Ele revelou que quando compôs o primeiro verso foi como exorcizar a tristeza profunda que sentia pela morte do amigo Buddy Holly.

Com sua letra enigmática, American Pie vem alimentando a curiosidade das pessoas quanto ao seu verdadeiro significado. Quando perguntado sobre isso, o autor diz que "ela está além de qualquer análise, pois é simplesmente poesia". Certa vez ele respondeu mais seriamente: "Você encontra muitas explicações sobre minhas as letras, nenhuma delas feita por mim... sinto deixar todos vocês assim no escuro, mas descobri há muito tempo que compositores devem se expressar e seguir em frente, mantendo um silêncio respeitoso". (fonte: Wikipedia)  

Abaixo, o vídeo da versão original com seus mais de 8 minutos de duração:


A versão gravada por Madonna em 2000 é bem mais curta, e só traz o começo do primeiro verso original, o segundo e o sexto versos completos, num ritmo mais pop, com um toque da Rainha.

Ela incluiu essa música na trilha sonora de seu filme "The next best thing" (2000 - "Sobrou pra você" em português), e entrou no álbum "Music" (do mesmo ano) apenas como uma faixa bônus. Don McLean gostou da versão feita por ela e disse que "a gravação ficou mística e sensual" e "foi um presente de uma deusa":

American Pie (Madonna)

A long, long time ago
I can still remember
How that music used to make me smile
and I knew if I had my chance
that I could make those people dance
and maybe they'd be happy for a while

Did you write the book of love
and do you have faith in God above
if the Bible tells you so?
now do you believe in rock and roll?
can music save your mortal soul?
and can you teach me how to dance real slow?

Well, I know that tou're in love with him
'cause I saw you dancin' in the gym
you both kicked off your shoes

Man, I dig those rhythm and blues
I was a lonely teenage broncin' buck
with a pink carnation and a pickup truck
but I knew I was out of luck
the day the music died
I started singin'

Bye, bye Miss American Pie
drove my Chevy to the levee but the levee was dry
them good ol' boys were drinking whiskey and rye
singin' this'll be the day that I die
this'll be the day that I die

I meet a girl who sang the blues
and I asked her for some happy news
but she just smiled and turned away

Then I went down to the sacred store
where I'd heard the music years before
but the man there said the music wouldn't play
well now in the streets the children screamed
the lovers cried and the poets dreamed
but not a word was spoken
the church bells all were broken
and the three men I admire most
the Father, Son, and the Holy Ghost
they caught the last train for the coast
the day the music died
we started singing

Bye, bye Miss American Pie
drove my Chevy to the levee but the levee was dry
them good ol' boys were drinking whiskey and rye
singin' this'll be the day that I die
this'll be the day that I die

Bye, bye Miss American Pie
drove my Chevy to the levee but the levee was dry
them good ol' boys were drinking whiskey and rye
singin' this'll be the day that I die
this'll be the day that I die

We started singing
we started singing...

Para que vocês possam comparar as duas versões e escolherem a que mais gostam, também posto o vídeo de Madonna, um dos meus preferidos *.*



quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

As Brumas de Avalon - A Senhora da Magia


"Neste emocionante romance a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Igraine, Viviane, Guinevere e Morgana revelam com seus sentimentos a história desse rei, levando o leitor a integrar-se com ela de maneira natural e profunda. Assim, essa narrativa soberba recria uma das lendas mais importantes da literatura."

Nunca fui fã de histórias medievais e esse tipo de lenda, mas, depois de muito conversar com minha amiga Jennyffer, que é fã desses livros, fui convencida a lê-los, e confesso que gostei dessa primeira parte da história.

Igraine, uma jovem nascida em Avalon, foi dada em casamento ao Duque da Cornualha, e com ele tem uma filha, Morgana. Igraine recebe de sua irmã, uma sacerdotisa de Avalon, a notícia de que irá se envolver com outro homem, e que seu destino é ficar com ele. A princípio ela não acredita, mas alguns acontecimentos a levam a crer que esse novo amor será Uther, um guerreiro destinado a ser o novo Rei da Bretanha. Quando seu marido morre numa batalha, ela então se casa novamente com esse jovem e dessa união nasce o pequeno Artur. Morgana é enviada a Avalon para ser educada por sua tia Viviane, e mais tarde sucede-la no comando da cidade como a nova sacerdotisa. 

Durante um ritual de fé pagã, Morgana tem um breve contato com um jovem muito bonito, e para sacramentar seu futuro como sacerdotisa, ela deve ter uma relação sexual com ele, mesmo sem conhece-lo. Esse jovem é Artur, que foi criado por uma família de amigos do Rei Usher. Na opinião de Viviane e Merlin é Artur quem assumirá o trono no lugar de Usher, quando for necessário. Ele não se lembra da irmã mais velha, e não imagina que ela é a jovem misteriosa que ele  possuiu durante o ritual em Avalon. A partir dali, a vida dos dois jovens muda totalmente, e isso poderá ser determinante para o futuro de Artur.

Nessa primeira parte da história o que mais me chamou a atenção foi a garra das mulheres: diferente do que imaginamos para a época, onde todas deveriam ser totalmente submissas a seus maridos, aqui elas têm autonomia e opinião própria sobre vários assuntos, sendo fundamentais em algumas decisões de seus cônjuges. Entretanto, Igraine me pareceu em alguns momentos tola e egoísta, colocando seu ideal de amor acima até da felicidade de seus filhos. O relacionamento inicial entre ela e Usher é muito bonito, digno de um  romance, e me peguei torcendo para que eles ficassem juntos, a despeito do marido dela, que estava fora de casa lutando por seu país.

O inverno também é muito rigoroso, e como eu não sou muito amiga do frio, fiquei me imaginando naquela situação :)

Em alguns momentos também queria dar um empurrão em Morgana, para que ela se expressasse de verdade, falasse de seus sentimentos, e não fosse apenas levada pelas circunstâncias.

Espero que os próximos volumes da série se aprofundem mais na vida de Artur, que foi pouco citado aqui, e que as mulheres, que se mostraram tão fortes no início, continuem a exercer seus poderes e não se tornem apenas protagonistas na estória.

As brumas de Avalon
A Senhora da magia - livro 1
Marion Zimmer Bradley
Editora Imago
248 páginas