quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Cinquenta tons de repetição



Desde que terminei a (segunda) leitura de "Cinquenta tons de cinza" venho preparando esse post, e tive que ler minuciosamente os três livros da série para fechar com exatidão minha contagem. Vou explicar: quando comecei a ler o primeiro volume da trilogia, logo de cara percebi a pobreza do vocabulário de E. L. James, e, acredito que essa falha seja realmente dela, pois me recuso a colocar a culpa em quem fez a tradução do texto original para o português. Além de ser muito simplista, a autora abusa da repetição, principalmente, das palavras "puta merda", "olhos cinzentos" e "deusa interior", e sim, eu contei quantas vezes ela usa cada uma dessas expressões.

Eu, como muitas leitoras, adorei a série "Cinquenta tons...", e por isso acredito que tenho o direito de ver e apontar seus defeitos e defender suas qualidades. Já disse nas resenhas de cada um o que acho da história em si, e que esse papo de "pornô para mamães" nada mais é que um chamariz para aumentar as vendas. Não recrimino essa prática, e acho que, se a série está fazendo mais gente ler, a tática é totalmente válida. Se a leitura é relevante na vida das pessoas, isso só diz respeito a quem lê. Os livros são cheios de romance-romance, além de sexo, claro, mas o foco da história é o amor entre Ana e Christian. Daria para usar uma escrita mais refinada? Certamente, mas nem todo mundo escreve como Gabriel Garcia Marquez ou José Saramago não é mesmo, mas todo escritor tem seu valor. Vamos aos números:

Cinquenta tons de cinza
- puta merda: 93 vezes
- olhos cinzentos: 42 vezes
- deusa interior: 51 vezes

Cinquenta tons mais escuros 
- puta merda: 57 vezes
- olhos cinzentos: 44 vezes
- deusa interior: 43 vezes

Cinquenta tons de liberdade
- puta merda: 49 vezes
- olhos cinzentos: 25 vezes
- deusa interior: 16 vezes

Graças aos deuses (rs) James foi diminuindo a referência à chata da deusa interior de Anastasia a cada livro, ela me dava nos nervos. Sei que algumas pessoas vão argumentar que as expressões eram importantes para a construção do texto e que citar, por exemplo, os olhos cinzentos de Christian era fundamental para o desenvolvimento da trama. Concordo plenamente, e entendo seu uso, só acho que em alguns momentos daria para inserir outra interjeição que não fosse simplesmente "puta merda".

Não sei se mais alguma leitora se incomodou com tanta repetição nos livros, talvez seja apenas implicância minha ou a lembrança das aulas de Linguística, mas queria saber a opinião de vocês sobre o assunto, ok?

Tks =D

2 comentários:

  1. Também li os três ,e por mais que alguns diga que não tinha um romance e que era somente sexo,eu vi como um romance ,e como o amor pode mudar certas atitudes e traumas;e também como ele ajudou as outra ,além disso o fato dos pais dele ter adotado os três filhos... muitos só viram sexo e não viram a história como um todo!!
    E sim tem muitas repetições e não é tão bem escrito,mas eu gostei!

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  2. O vocabulário fraco dela é muito comentado nas redes sociais, e mesmo não tendo lido os livros ainda, sempre concordei. Agora vendo sua contagem, vejo que estava certa. Adoooooro esses números mais definidos, que muitos acham esquisito ficar contando, eu ainda assim adoro rs no Word tem o dicionário de sinônimos, que eu uso muito para minhas fics. É uma ferramenta simples, mas muito boa, que ela poderia ter usado. Trocar os "olhos cinzentos" de sempre por "a escuridão no olhar dele" ou outras expressões parecidas seria ótimo.
    Beijos!

    www.resenhandoaarte.blogspot.com/

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