quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Dia da saudade

Como hoje em dia tem uma dia para tudo, arrumaram um "Dia da saudade" também. Aproveitando esse tema, a postagem de hoje vai falar sobre o sentimento tão mal quisto por algumas pessoas, e ao mesmo tempo tão inspirador para outras, como os poetas. E só os melhores poetas para nos presentear com belas palavras sobre a saudade, sem tristeza ou dor. Espero que gostem:


"A um ausente" (Carlos Drummond de Andrade)

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo e sem consulta de provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.



"Tomara" (Vinícuis de Moraes)

Que a tristeza te convença
que a saudade não compensa
e que a ausência não dá paz
e o verdadeiro amor de quem se ama
tece a mesma antiga trama
que não se desfaz

E a coisa mais divina
que há no mundo
é viver cada segundo
como nunca mais...



"Soneto da saudade" (Guimarães Rosa)

Quando sentires a saudade retroar
fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
E ternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
uma voz macia a recitar muitos poemas...
e a te expressar que este amor em nós ungido
suportará toda distância sem problemas...

Quiça teus lábios sentirão um beijo leve
como uma pluma a flutuar sobre a neve,
como uma gota de orvalho indo ao chão.
Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
sempre que juntos, a emoção que partilhamos...
Nem a distância apaga a chama da paixão.

Para quem gostar, mais poemas desses brilhantes escritores podem ser lidos aqui, aqui e aqui.

Também gostaria de indicar um poema meu, postado no blog Milonga, que pode ser acessado clicando aqui.  

"Ode à saudade" (Joana Masen)

Sinto tanto a tua falta, baby
mas te peço que ainda assim
não te apaixones por mim
nem te fies de meus olhos
que são como as fases da lua.
Dói-me tanto tua ausência, baby
que me faz criar castelos de cartas
para poder viver junto contigo
esses sonhos que te recito
que são como as areias do deserto.

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