domingo, 27 de janeiro de 2013

Filmando #4 - Django Livre


Em 1858, dois anos antes do início da Guerra Civil, escravos são negociados como a mais vil mercadoria pelos fazendeiros, quando um ambicioso caçador de recompensas encontra um mercador de escravos numa estrada à procura de um em especial: o ex-escravo dos irmãos Brittle, procurados por assassinato, e só esse escravo seria capaz de reconhece-los agora. Esse homem é Django, e Dr. Schultz o compra a fim de ir atrás de mais essa recompensa. Após matarem os irmãos procurados, o dentista liberta Django, mas eles acabam decidindo seguir juntos nessa caça em busca de recompensas. 


Django se mostra muito apto a matar criminosos, mas tem um objetivo maior: encontrar sua esposa que fora vendida para um grande fazendeiro e resgatá-la. Broomhilde se destaca das outras escravas por saber falar fluentemente o alemão. Eles descobrem que ela está na fazenda "Candyland", de propriedade de Calvin Candie, um grande admirador das lutas entre escravos. Assim, Schultz e Django decidem se infiltrar na fazenda como apreciadores das lutas e possíveis compradores de um dos melhores  lutadores da fazenda.

Quando começam a negociação, Dr. Schultz tenta negociar também a compra de Broomhilde, mas o escravo de confiança de Candie, o velho Stephen, desconfia das atitudes dos dois com relação a escrava e acaba com a farsa. A partir daqui começa a matança. Muitos tiros, muito sangue e muita violência, como já é típico dos filmes do diretor, mas que não o torna pesado demais.


A mão de Tarantino fica visível em cada cena do filme, desde o início, quando a câmera mostra apenas os pés dos escravos acorrentados, com uma música marcante, já mostrando que a trilha sonora também será muito importante na trama.

Num de seus melhores filmes, o diretor passa do drama sanguinário para o humor escrachado num piscar de olhos, assim como já havia feito em "Bastardos Inglórios". Em Django, a presença forte do humor fica por conta da cena em que alguns homens entram em conflito por causa dos "sacos" que estão usando para cobrir seus rostos, ou quando Django aparece vestindo uma roupa azul risível, a fim de representar o lacaio do Dr. Schultz enquanto procuram pelos irmãos Brittle.

Há pequenos detalhes que nos lembram a todo momento de quem está na direção, como nas mudanças de tomadas pelas câmeras, que em alguns momentos é totalmente contemplativa, mostrando apenas paisagens ou o pôr-do-sol, para outras situações de close minimalista, com zooms forçados onde vemos apenas os pés ou as mãos de determinado personagem, dando, assim, a intensidade necessária a cada cena.

Um bom exemplo disso é a cena em que Django mata um de seus ex-algozes: sua imagem refletida num espelho imundo, a página da Bíblia pregada na camisa do homem assassinado, exatamente onde o tiro acerta seu peito, as flores brancas tingidas por gotículas vermelhas do sangue de um homem morto. 


Os atores também ficaram perfeitos em seus papéis: Samuel L. Jackson está quase irreconhecível como escravo de Leonardo Di Caprio, que, representando Calvin Candie está impecável, sendo mau quando tem que ser, e amável quando lhe convém. Outro que está bem diferente é Jamie Foxx, o escravo que dá nome ao filme e que conseguiu transmitir, muitas vezes apenas pelo olhar, já que seu personagem não tem muitas falas, toda a amargura e o rancor que sentia por ter sido maltratado e açoitado por seus antigos donos. Já Christoph Waltz (Dr. Schultz) mais uma vez arrasou sob a direção de Tarantino, como já havia feito em "Bastardos Inglórios", sendo um dos destaques do longa; sua atuação é envolvente e convincente, e ela sabe explorar suas falas e a expressão facial a ponto de nos fazer torcer para que seus golpes deem sempre certo. Um elenco digno de grandes premiações, com atuações magistrais que, ao usarem com tamanha segurança seus recursos verbais e corporais conseguiram concluir de forma brilhante a recriação daquele mundo e do complexo gênero faroeste, marcando, assim, seu lugar na história do cinema.


O destaque da trilha sonora fica pela música que embala a cena em que Django pensa em sua esposa e ela está amarrada a um tronco, sendo atacada por seu dono com um chicote: a música dá o tom exato de dramaticidade, acompanhando cada chicotada recebida por Broomhilde e cada um de seus gritos de dor. Outro momento em que a música é parte integrante, quase como um ator em cena, é quando Dr. Schultz consegue convencer o xerife de uma pequena cidade que seu ataque ao comissário de polícia foi totalmente justificado, pois ele era procurado por crimes cometidos anos antes, e ainda consegue fazer com que o xerife lhe pague a recompensa pelo trabalho prestado. Essa é a primeira vez que Django vê o dentista em ação, e ainda não está acostumado com seu dom para a oratória, e, no final da cena, eles estão a cavalo e o doutor está com uma cara de "dever cumprindo", como quem olha para o escravo e diz: "eu te disse que tinha tudo sob controle".


Como não poderia deixar de ser, Quentin faz uma rápida aparição no filme, relevante para a história, mas também com um desfecho engraçado.


A obra de Tarantino já era aclamada por público e crítica, mas nesse filme ele conseguiu provar mais uma vez que é extremamente competente naquilo que se propõe a fazer, que é entreter o espectador e passar para a telona seus maiores devaneios, transformados em grandes filmes. Apesar de manter sempre o mesmo estilo, ele ainda consegue surpreender, criando um clássico do western e nos fazendo perguntar: qual será sua próxima criação? 

Duas curiosidades sobre o filme que descobri enquanto escrevia esse post: Jamie Foxx usou seu próprio cavalo durante as filmagens, Cheetah; e que o persongem Django foi criado pensando em Will Smith, mas o ator não aceitou participar do filme. Outra coisa que eu já sabia antes de ir ao cinema, é que Tarantino se inspirou no filme "Django" de 1966, para fazer esse longa, e o ator do filme original, Franco Nero, faz uma pequena participação nessa versão.

Ainda não viu o filme? Corra, vale muito a pena. Como aquecimento, acesse o site oficial e já comece a ficar por dentro da trama, clicando aqui.  

E, como de costume, fica o trailler do filme para aguçar a curiosidade de vocês: 

2 comentários:

  1. Joana!
    Eu AMEI a sua resenha!!!!!!
    Gosto de alguns filmes do Tarantino e estou ansiosíssima para assistir esse!
    Bjos

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  2. Olá Querida! vim te conhecer,já estou te seguindo," Cantinho da Ione" /te achei no mosaico da Elaine Gaspareto!
    Quero lhe convidar para contribuir com um voto seu em uma gincana que estou participando, no site "Ô Trocyn Bão".
    A minha participação é com uma Poesia que fala sobre o site:
    ô Trocyn bão!!! é só entrar neste link http://www.riosul2012.com/2013/01/ione-o-trocyn-bao.html
    E se você gostar e puder votar no nome (Ione) eu lhe agradeço! está na lateral esquerda do site na Enquete "EM QUEM VOCÊ VOTA?", Vai lá,e se você ão conhece ainda este site querido aproveita para conhecer,também tem muita coisa boa lá!
    Agradeço por sua atenção e compreensão!!!
    Grata!!!
    Fique com Deus!!!
    Ione Viana

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