quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O retrato de Dorian Gray - resenha



"Versão de Oscar Wilde para o mito faustiano da perda da alma em troca dos prazeres mundanos, esse livro é um retrato da decadência moral e punição, exemplo do humor cáustico e refinado de seu autor." 

Dorian Gray é um belíssimo rapaz, muito ingênuo, que se deixa ser retratado pelo amigo artista Basil Hallward em uma pintura. O pintor se vê tão atraído pela perfeição da beleza de Dorian, que acaba fazendo dele uma inspiração para muitos outros quadros, um deles, inclusive, é considerado por Basil sua obra-prima, e ele não quer exibi-la em público pois acredita que expôs ali muito de si mesmo, e acaba por entregar a Dorian o retrato tão esmerado. Um dia, no estúdio do pintor, Gray conhece Lord  Henry Wotton, amigo de Basil, um aristocrata que é a personificação do cinismo. Ele também se interessa pela beleza de Dorian e começa a influenciar psicologicamente o garoto, que se mostra muito frágil e pouco conhecedor do poder que seu belo rosto exerce sob as outras pessoas. Dorian é facilmente influenciado pela conversa do Lord, que prega a busca do prazer pelo prazer, e que acredita que nada é mais importante que manter a beleza e a juventude.

Então, já muito seduzido pelos prazeres apresentados pelo novo amigo, Dorian está crente de que sua beleza está acima de qualquer pessoa ou sentimento e que com ela pode conseguir o que quiser. Certo dia, ao admirar sua face impecável no retrato pintado por Basil, Dorian sugere que daria qualquer coisa para manter-se sempre jovem e lindo e nunca perder a aparência que tem naquele momento. O tempo vai passando e o jovem rapaz se entrega a boemia incansavelmente, mas, por anos a fio, ele permanece igual e não envelhece. 

Enquanto Gray esbanja vitalidade e explora tudo o que a juventude e o dinheiro podem lhe proporcionar, ele percebe que o quadro está envelhecendo. Não, não é a pintura que está ficando velha, e sim, sua imagem retratada, que está ficando com um aspecto horrível, cheia de rugas e com  a cara de uma pessoa idosa. Dorian, praticamente enlouquece ao se dar conta disso e tranca o retrato num quarto abandonado da casa.

Numa tentativa desesperada de se livrar do quadro, ele recorre ao amigo pintor, que, ao ver a situação da sua pintura não acredita que aquilo possa estar acontecendo, e discute com o jovem Gray, que o ataca e acaba por matá-lo.

A partir dai, Dorian segue tentando se livrar da maldição da juventude eterna, e o autor, como grande questionador que era, passa a criticar através da estória a sociedade em que vivia, utilizando Lord Henry como seu porta-voz. Ele tenta mostrar também que não vale a pena perder a própria alma em troca de ganhar o mundo. Dorian tem seus momentos bons, onde tenta agir corretamente, e em outros age como se quisesse apenas enaltecer seu ego cada vez mais, e assim tudo o que ele toca vai se degradando a olhos vistos.

A obra de Oscar Wilde foi muito mal vista na época, além de ter despertado na maioria dos críticos a desconfiança de que o autor era homossexual. Mas deixando tudo isso de lado, o livro é um passeio ao âmago da luxúria, e nos mostra tudo o que uma pessoa pode fazer em nome da vaidade e do prazer imediato. Gray vive o momento, sem se preocupar com o futuro, e acaba pagando por isso com a própria sanidade, descobrindo que é impossível viver em paz quando se deixa seus valores de lado. 

A leitura foi um pouco difícil em alguns momentos, ficou cansativa enquanto o autor narrava as diversas aventuras hedonísticas do personagem, mas nada que tire o valor da obra em si, nem que diminua sua importância enquanto clássico da literatura. E essa edição que comprei na Bienal do Livro é uma graça, com capa revestida em tecido, que dá um charme todo especial ao livro, fazendo com que ele fique com cara de antigo.

O retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde 
Editora Abril
283 páginas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Ela é o cara #9

No próximo dia 3 uma grande personagem dos quadrinhos vai completar 50 anos, e nossa homenagem de hoje é mais que merecida:


A dentuça mais querida dos quadrinhos apareceu pela primeira vez numa tirinha do Cebolinha, em 1963, e só ganhou sua própria revista em 1970.


Ela foi a primeira personagem feminina de Maurício de Souza, e sua revista foi a primeira publicação infantil colorida lançada no Brasil.

Todo mundo sabe que o desenhista se inspirou em sua própria filha para criar a Mônica, e deu tão certo que ele repetiu a receita para criar outros personagens da turma: por exemplo, a filha mais velha, Mariângela, que mais tarde virou a Maria Cebolinha nos gibis, e também foi a responsável por parte da criação do visual da Mônica, pois, ao cortar o cabelo da irmã, deixou algumas falhas que lembravam bananas, e o desenhista aplicou o corte à personagem.

A Mônica de verdade disse que no começo não gostava de ser a Mônica do desenho, pois quando o pai chegava para buscá-la na escola, todo mundo ficava pedindo para ele desenhar, e ela era retratada como baixinha, gorducha e dentuça, adjetivos que nenhuma criança ou adolescente quer carregar não é mesmo? Mas depois que cresceu e percebeu que o pai só queria lhe fazer uma homenagem, ela aceitou ser a modelo dele e agora ama sua versão desenho!

Abaixo vemos um dos primeiros esboços de Maurício ao criar a personagem inspirada na filha, ao lado de uma foto dela quando criança:


Nos quadrinhos Mônica tem sete anos e mora no bairro do Limoeiro, com sua mãe, seu pai e seu cachorro Monicão, que tem as mesmas características físicas e comportamentais da dona. O cachorro foi presente de Cebolinha e Cascão, numa de suas tentativas de tirar sarro da sua aparência: eles constantemente a chamam de baixinha, gorducha e dentuça, e ela não tem muita paciência com esses apelidos, por isso sempre responde a eles usando a força bruta, batendo neles com as próprias mãos ou usando seu coelhinho de estimação, o Sansão (alvo da maioria dos planos infalíveis do Cebolinha, que adora dar nó em suas orelhas para irritar a garota).

Tanto o coelho quanto a roupa sempre vermelha usada pela Mônica foram também 'copiados' da filha de Maurício, além da personalidade forte que deu a ela a fama de dona da rua nas estórias. Apesar desse gênio  indócil, Mônica é amiga da maioria das crianças do bairro onde mora, e sua melhor amiga é a Magali, que nem liga para seus arroubos de violência. E Mônica também muda sua ferocidade frequentemente quando se apaixona pelos meninos mais bonitos da vizinhança, e passa a mostrar seu lado mais feminino. 

Aliás, essa feminilidade está mais aflorada na série 'Mônica Jovem', onde ela tem um romance com Cebolinha, seu rival na infância. Aqui ela está com um corpo mais definido (não é mais baixinha nem gorducha) e seus dentes, ainda grandes, ficaram menos caricatos que antes, além de ter um guarda-roupas mais vasto e com cores mais variadas.

Maurício de Souza anunciou essa semana que esse ano será 'O ano da dentuça' e estará repleto de comemorações pelo aniversário da personagem. Tudo será supervisionado por ele e por sua filha Mônica, que agora trabalha na empresa do pai. 

A editora que publica as revistas da Mônica atualmente, Panini, vai lançar um gibi em formato especial, com capa metalizada em homenagem ao 50 anos da personagem na edição número 75, e também vai relançar a primeira estória da personagem. Também está prevista a publicação de um livro chamado 'Todas as capas da Mônica', em dois volumes, com as capas comentadas, e um outro livro com desenhos feitos 150 pessoas que retrataram a personagem à sua maneira.

Outros eventos ocorrerão em restaurantes e cinemas, e a Maurício de Souza Produções vai reformular o site da Mônica e relançar alguns de seus brinquedos mais famosos e que marcaram época. Um desses brinquedos será uma versão do coelho Sansão em amarelo, como ele era no inicio dos quadrinhos.


Já está rolando uma exposição no Memorial da América Latina, em São Paulo, que vai até o final de abril e mostra trabalhos de 70 desenhistas que recriaram a imagem do coelhinho da Mônica, chamada 'Sansão também faz 50 anos'. Há planos para uma exposição interativa, 'Mônica 50 anos', que contará a trajetória da personagem através de animações, esculturas e publicações originais, mas esta ainda não tem data definida para começar. Todos os detalhes da exposição você pode conferir no site do Memorial, clicando aqui.  

Na televisão também será comemorado o aniversário da gorducha: o canal pago 'Cartoon Network' exibirá em março uma programação especial que contará com pequenas aparições de conteúdo comemorativo durante toda a programação e ainda um desenho especial chamado 'Turma da Mônica Toy', que mostrará os personagens repaginados e não terá diálogo. É esperar para ver o resultado.

Estamos todos em festa pelo cinquentenário da gorducha mais fofa dos gibis, que vem nos acompanhando por todos esses anos, com seu temperamento difícil, mas com alguns momentos de doçura (quando é necessário, rs). Mônica faz parte da vida de todos os brasileiros, que cresceram com ela e sua turma, lá no bairro do Limoeiro, onde tanta coisa divertida acontece, e onde a infância ainda tem aquele toque de inocência tão necessário nos dias de hoje.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Os contos de Beedle, o bardo - resenha


"Os contos de Beedle, o bardo" são cinco histórias de fadas diferentes entre si. Cada uma delas é dotada de um caráter mágico próprio e proporcionarão, a seu turno, prazer, riso e emoção do perigo mortal. Trouxas e bruxos vão apreciar os comentários de autoria do professor Alvo Dumbledore, nos quais ele reflete sobre a moral ilustrada pelos contos e dá breves notícias sobre a vida em Hogwarts. Um volume mágico, ilustrado pela autora, J. K. Rowling, e que ficará guardado na lembrança por muitos anos."

Rowling realmente sabe como agradar seus fãs. Nesse livro ela nos apresenta cinco contos infantis, que todos os bruxos contam para suas crianças, assim como os filhos dos trouxas conhecem as estórias dos irmãos Grimm. Todas as estórias são permeadas de lições de moral e têm a intenção de colaborar na formação do caráter do jovem bruxo. Assim como nas fábulas passadas de geração para geração no mundo trouxa, esses contos são carregados de conselhos e situações que mostram que a maldade, a trapaça e o egoísmo podem trazer vantagens momentâneas, mas no final a pessoa sempre acaba pagando pelos seus erros (como a própria autora explicou: "a virtude é normalmente premiada e o vício castigado").

No primeiro conto, "O bruxo e o caldeirão saltitante", a moral da estória é que a bondade está acima de qualquer outro sentimento: o filho de um bruxo muito caridoso que compartilhava seus poderes mágicos com todas as pessoas que precisavam, herda do pai esse poder, mas se recusa a atender a todos que o procuram com problemas para resolver, doenças para curar, lamentações a fazer. A fim de obrigá-lo a continuar os trabalhos do pai, o velho caldeirão passa a segui-lo por todos os lugares, além de começar a ganhar um aspecto terrível, cheio de verrugas, que envergonha o jovem bruxo publicamente. A pressão é tanta que ele acaba cedendo e volta a atender as pessoas necessitadas, assim,, o velho caldeirão volta a ser o que era antes.

Talvez a parte mais conhecida desse livro seja "Os contos dos três irmãos", amplamente citados no último livro da série "Harry Potter", e que narra um encontro de três rapazes com a morte, onde eles aparentemente conseguiram ludibriá-la e por isso, ela lhes ofereceu um pedido cada: o primeiro pediu a varinha mais poderosa do mundo, o segundo queria o poder de ressuscitar as pessoas que amava e o terceiro só desejava algo para se esconder. Eis que a morte os presenteou com a varinha das varinhas, a pedra filosofal e a capa da invisibilidade, dando, assim, origem a lenda de que esses três objetos realmente existiram e que, se uma única pessoa os possuísse, se tornaria o senhor da morte.

O mais interessante nesse pequeno livro são os comentários de Dumbledore ao final de cada conto: ele explica a possível origem da lenda e dá sua opinião sobre a influência que aquela história teve nas pessoas ao longo dos séculos em que vem sendo passada de pai para filho. Como se o diretor de Hogwarts realmente existisse, J.K. quase que psicografa as observações dele para o livro, satisfazendo mais uma vez o fã de suas estórias.

Também é muito interessante o comentário escrito por Rowling  na introdução do livro, que ambienta as anotações de Dumbledore a fim de deixar o livro mais verossímil: "Apesar das coincidências nos pontos de vista, foi uma surpresa descobrir uma coleção de notas sobre 'Os contos de Beedle, o bardo', entre os  muitos documentos que Dumbledore legou em testamento aos Arquivos de Hogwarts. Se tais notas foram escritas para seu próprio prazer ou para futura publicação, jamais saberemos; recebemos, contudo, a gentil permissão da professora Minerva McGonagall, hoje diretora de Hogwarts, para incluí-las, com uma novíssima tradução dos contos feita por Hermione Granger. Esperamos que as impressões do professor Dumblredore, que incluem comentários sobre a história bruxa, reminiscências pessoais e informações reveladoras sobre elementos-chave de cada história, possam contribuir para que uma nova geração de leitores bruxos e trouxas aprecie 'Os contos de Beedle, o bardo'." 

É muito interessante  conhecer essa extensão dos livros de "Harry Potter" e se sentir um pouquinho mais próximo do mundo mágico criado por Rowling. Sem contar que o livro é uma graça: cheio de detalhes que o valorizam, como pequenos desenhos no inicio de cada conto e algumas folhas emolduradas por galhos e flores, iguais aos da capa, deixando a leitura mais agradável e descontraída.


Os contos de Beedle, o bardo
J. K. Rowling
editora Rocco
107 páginas

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Os espiões - resenha


"Ainda se curando da ressaca do fim de semana, na manhã de uma terça-feira o funcionário de uma pequena editora recebe um envelope branco, endereçado com letras de mãos trêmulas. Dentro, as primeiras páginas de um livro de confissões escrito por uma certa Ariadne, que promete contar sua história com um amante secreto e depois se suicidar. Atormentado por sonhos românticos, esse boêmio frustrado com seu casamento e infeliz no trabalho decide tomar uma atitude: descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada.
Na mitologia grega, ela ajuda Teseu a sair do labirinto. Luis Fernando Veríssimo cria uma Ariadne ao contrário, que vai enfeitiçando o protagonista e seus amigos de bar, os deliciosos e risíveis espiões deste livro. Linha a linha, como um fio costurando a comédia ao drama cotidiano, Veríssimo constrói a teia de onde seus personagens talvez não escapem - um universo alegórico, diabolicamente engraçado e culto, que também captura o leitor até o final desse enigma."

Veríssimo cria aqui uma trama muito envolvente, e com coisas bastante simples: ele mistura situações do nosso dia a dia com detalhes da mitologia, fatos históricos e culturais, além de inserir no enredo uma pitada de mistério a lá Agatha Christie. Pense naqueles frequentadores assíduos do bar perto da sua casa, que estão lá todos os dias, e que se reúnem para ficar debatendo assuntos sem muita importância. É numa mesa dessa que encontramos os personagens para a história contada por Veríssimo: um editor desiludido com a vida e com o casamento, recebe um envelope misterioso, contendo o primeiro capítulo de um livro intitulado apenas "Ariadne" (com um coração sobre o "i", como ele gosta de enfatizar). O drama contato ali é cheio de frases de efeito e consegue preder a atenção do leitor, que fica desesperado para saber o que vai acontecer depois. No texto, a narradora é a própria Ariadne, que revela ter traído seu marido com um anjo dourado, e que a traição fora descoberta, o que levou o marido a tirar a vida de seu amante e passar a mantê-la sob forte vigia. Ariadne dá todos os indícios de que está muito infeliz com a situação e que o final do livro virá juntamente com o fim de sua vida. O editor vai se envolvendo emocionalmente com a autora conforme  os capítulos vão chegando às suas mãos, e fica apavorado com a ideia da morte de Ariadne. Para tentar evitar esse fim trágico, ele recruta os amigos de boemia para irem até a cidade da moça descobrir o que está acontecendo de verdade, até que chegue o momento certo para ele mesmo sair ao socorro de Ariadne.

Nessa pseudo-espionagem, muita coisa hilária acontece e, ao longo da narrativa, vamos descobrindo muitas peculiaridades da história contada por Ariadne e que nos guiam até a revelação de algumas verdades: o caso extraconjugal dela realmente existiu? quem era o amante? onde estaria seu irmão desaparecido? e seu suicídio realmente se concretizaria? Esses e outros enigmas só vão ser resolvidos no final, quando o editor ficar cara a cara com a misteriosa escritora.

Repleto de tiradas inteligentes e de humor sutil, o livro é uma leitura agradável, e consegue envolver o leitor na busca de soluções para o drama de Ariadne. Ao mesmo tempo em que está carregado de emoções e dúvidas, o enredo também consegue ter passagens hilárias, mostrando que os personagens, ainda que tentem ser sérios e respeitáveis, têm seus momentos cômicos. 

Os espiões
Luis Fernando Veríssimo
editora Alfaguara
144 páginas

Lançamentos da semana

Olá leitores! Compartilho com vocês os mais recentes lançamentos da editora Cia. das Letras (para ver essas e outras novidades dessa semana clique aqui):

"O complexo de Portnoy" (Philip Roth)
Quando foi lançado, em 1969, esse livro se tornou best-seller e consagrou definitiva o talento de seu autor. Mas a crítica colocou em xeque a sua classificação: seria uma literatura séria ou apenas mais um livro de humor?
Por causa do estilo caricatural de seus personagens, que lembravam o humor dos comediantes judeus da época, como Woody Allen, e do inegável desconforto que causava o enredo carregado de erotismo, esse livro era diferente dos anteriores que haviam causado essa mesma dúvida nos críticos.
De lá para cá, já ficou provado que é possível fazer uma boa literatura usando uma linguagem menos nobre, e que, livros como esse, podem figurar entre os grandes clássicos.


"O escolhido foi você" (Miranda July)
Com uma ideia aparentemente simples (mas que ninguém teve antes) a autora escreveu um livro diferente, mas muito interessante. Enquanto buscava inspiração para terminar seu longa "O futuro", Miranda começou a folhear o jornalzinho "PennySaver", onde encontrou muitos anúncios de pessoas vendendo as mais diversas coisas, de girinos a bonecos dos Ursinhos Carinhosos, e isso chamou sua atenção. Ela entrou em contato com os vendedores de artigos mais exóticos e marcou reuniões com eles, onde os entrevistou, fotografou e registrou os motivos que os levavam a oferecer seus produtos no jornal. A compilação ficou muito interessante e traz estórias, no mínimo, curiosas, como a do Sr. Michael, que, com mais de 70 anos, está fazendo várias cirurgias para mudar de sexo e colocou uma jaqueta de couro à venda, a fim de arrecadar fundos para a realização de seu sonho. Entre os relatos dos encontros e as fotos desses personagens, a autora faz uma reflexão sobre sua própria vida e questiona a matéria que compõe as verdadeiras obras de arte.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

E o Oscar foi para...

Olá leitores! Já que hoje a noite teremos a cerimônia do Oscar, vamos relembrar de alguns filmes baseados em livros e que já foram indicados para concorrer (ou ganharam) ao "Academy Awards" desde 2000:


2000:
- Regras da vida (The cider house rules), dirigido por Lasse Hallström e baseado no livro de John Irving; ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado e o autor Michael Caine venceu o de Melhor Ator Coadjuvante pela interpretação do Dr. Wilbur Larch. O elenco contava ainda com Tobey Maguire, Charlize Theron, Paul Rudd e a cantora Erykah Badu.

- À espera de um milagre (The green mile), foi dirigido por Franck Darabont e baseado em livro do mestre Stephen King; com Tom Hanks no papel principal, o filme foi indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante para Michael Clarke Duncan, Melhor Som e Melhor Roteiro Adaptado.

2002:

- Uma mente brilhante (A beautiful mind); adaptado do livro homônino de Sylvia Nasar, foi dirigido por Ron Howard; indicado para Melhor Ator (Russel Crowe), Melhor Trilha Sonora Original, Melhor Edição e Melhor Maquiagem, além de ter sido indicado nas categorias Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Direção e Melhor Atriz Coadjuvante para Jennifer Connelly.

- Assassinato em Gosford Park (Gossford Park); suspense dirigido pro Robert Altman baseado em história escrita por Julian Fellowes; venceu na categoria Melhor Roteiro Original.

- O senhor dos anéis: a sociedade do anel (The lord of the rings: the fellowship of the ring); baseado no primeiro volume da consagrada obra de J.R.R.Tolkien e dirigido por Peter Jackson: indicado em 11 categorias do Oscar, levou o prêmio em 4, incluindo o de Melhor Trilha Sonora.

2003:

- Gangues de Nova York (Gangs of New York), baseado no livro de Herbert Asbury e dirigido por Martin Scorsese; levou o Oscar de Melhor Filme.

- As horas (The Hours) dirigido por Stephen Daldry e baseado no livro de Michael Cunningham; Nicole Kidman levou o prêmio de Melhor Atriz e o filme ainda foi indicado em mais 9 categorias, incluindo o de Melhor Atriz Coadjuvante para Julianne Moore.

- O senhor dos anéis: as duas torres (The lord of the rings: the two towers), também dirigido por Jackson, foi indicado em 6 categorias e levou 2: Melhores Efeitos Especiais e Melhor Edição de Som.

- O pianista (The pianist) é baseado na autobiografia escrita pelo músico polonês Wladyslaw Szpilman e foi dirigido por Roman Polanski; indicado em 7 categorias, ganhou em 3, Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Adaptado.

2004:

- O senhor dos anéis: o retorno do rei (The lord of the rings: the return of the king), como os anteriores foi dirigido por Peter Jackson e levou o Oscar em todas as 11 categorias a que foi  indicado, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

- Sobre meninos e lobos (Mystic River), dirigido por Clint Eastwood e baseado no livro de Dennis Lehane: foi indicado em 6 categorias e ganhou por Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante.

- Seabiscuit - alma de herói (Seabiscuit) baseado em romance de Laura Hillenbrand, foi dirigido por Gary Ross; indicado em 7 categorias, incluindo a de Melhor Filme.

2005:

- Sideways - entre umas e outras (Sideways), dirigido por Alexander Payne e baseado no romance homônimo de Rex Pickett. Venceu na categoria Melhor Roteiro Adaptado dentre as 5 a que foi indicado.

2008:

- Onde os fracos não têm vez (No country for old man), foi baseado no livro de Cormac McCarthy e dirigido pelos irmãos Coen; recebeu 8 indicações ao Oscar e levou 4, incluindo Melhor Filme e Melhor Diretor.

- Desejo e Reparação (Atonement), baseado no livro de Ian McEwan, o filme foi dirigido por Joe Wright; com 7 indicações, levou apenas o de Melhor Trilha Sonora.

- Sangue Negro (There will be blood) é baseado no livro 'Petróleo' do autor Upton Sinclair e dirigido por Paul Thomas Anderson. Indicado a 9 categorias, venceu em 2: Melhor Ator e Melhor Fotografia.

2009:

- Quem quer ser um milionário (Slumdog millionaire) é uma adaptação do livro "Q & A", do autor Vikas Swarup, e foi dirigido por Danny Boyle. O filme foi indicado a 10 categorias e levou 8, incluindo as de Melhor Filme e Melhor Diretor.

- O leitor (The reader), baseado no romance escrito pelo alemão Bernhard Schlink, 'Der Vorleser', foi dirigido por Stephen Daldry e venceu na categoria Melhor Atriz, além de ter sido indicado em mais 4.

- O curioso caso de Benjamin Button (The curious case of Benjamin Button), foi baseado em um conto escrito por F. Scott Fitzgerald e dirigido por David Fincher. O fime está entre os que mais foram indicados ao Oscar na história do prêmio, em 14 categorias, mas venceu em apenas 3 delas.

2010:

- Um sonho possível (The blind side) foi dirigido por John Lee Hancock e baseado no livro 'The blind side: evolution of a game', de Michael Lewis, e foi indicado na categoria Melhor Filme e Melhor Atriz, vencida por Sandra Bullock.

- Educação (An education), baseado no livro de memórias da jornalista britânica Lynn Barber, esse filme foi dirigido por Lone Scherfig e recebeu 3 indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme.

- Amor sem escalas (Up in the air), dirigido por Jason Reitman e baseado no romance de Walter Kirn. (Não consegui encontrar informações sobre as suas indicações).

2011:

- Bravura Indômita (True Grit) é a segunda adaptação do romance homônimo de Charles Portis, dirigida pelos irmãos Coen e foi indicado a 10 categorias do Oscar, incluindo o de Melhor Filme.

- Inverno da Alma (Winter's Bone), dirigido por Debra Granik, é baseado no livro de Daniel Woodrell. Recebeu 4 indicações ao Oscar desse ano, incluindo o de Melhor Filme.

2012:

- Cavalo de Guerra (War Horse) foi baseado num livro para crianças do autor Michael Morpurgo, e dirigido por Steven Spielberg. Foi nomeado a 6 categorias do Oscar.

- O homem que mudou o jogo (Moneyball), dirigido por Bennett Miller, foi baseado no livro 'Mineyball: the art of winning an unfair game', do autor Michael Lewis, e recebeu 6 indicações, incluindo as de Melhor Filme e Melhor Ator.

- Tão forte e tão perto (Extremely loud end incredibly) é baseado no livro de mesmo nome do autor Jonathan Safran Foer e foi dirigido por Stephen Daldry. Indicado para as categorias Melhor Filme e Melhor Ator Coadjuvante.

- Histórias Cruzadas (The Help), dirigido por Tate Taylor, baseado no drama escrito por Kathryn Stockett, foi indicado em 4 categorias e Octavia Spencer levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante.

- A invenção de Hugo Cabret (Hugo), é a adaptação de Martin Scorsese para o livro homônimo escrito por Brian Selznick. Com indicações em 3 categorias, levou o prêmio de Melhor Diretor.

E esse ano, quem leva a estatueta? Quais são suas apostas? Os indicados são:


- Argo, baseado nos fatos narrados no livro 'Master of disguise: my secret life in the CIA', de Antonio J. Mendez, e dirigido por Ben Afleck.


- Os miseráveis, baseado no clássico de mesmo nome escrito por Victor Hugo em 1862. Foi dirigido por Tom Hooper.


- As aventuras de Pi, baseado em romance homônimo de Yann Martel e dirigido por Ang Lee.


- Lincoln, dirigido por Steven Spielberg, é baseado na biografia escrita por Doris Kearns Goodwin, 'Team of rivals: the political genius of Abraham Lincoln'.


- O lado bom da vida, adaptação da obra de Matthew Quick e dirigido por David O. Russell.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cheiro de livro novo #3

E cheiro de estante nova também! Enfim a minha chegou, e, depois de um dia inteiro de trabalho para meu marido e meu filho, ela ficou prontinha para receber meu livros:


O mais impressionante foi constatar que ainda sobrou uma prateleira vazia! Preciso resolver esse problema logo, e por isso já comecei a providenciar novos moradores para ela:


Comprei meus primeiros exemplares de Jane Austen, da editora Martin Claret, para combinar com os marcadores de página que tinha trazido da Bienal.

E ganhei da minha amiga Marina o primeiro volume da trilogia "Crossfire", "Toda Sua" (não vejo a hora de começar a ler):


Também ganhei do blog Book Petit  o livro "Como se livrar de um vampiro apaixonado", adorei =D


Finalizando as novidades de hoje, comprei o e-book "Ruas estranhas", de George R. R. Martin:


Em breve venho com as resenhas para vocês. Até!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Sexta de música #13


Essa sexta de música vai ser um pouco diferente, mas bem igual, rsrs. Há tempos não posto nenhuma trilha sonora para os livros que estou lendo, e acreditem, sempre tem uma. Além disso, fui olhar minhas leituras no Skoob e descobri que li 8 livros esse ano, sem me dar conta. Por isso, achei interessante reunir todas essas leituras e escolher uma música (ou duas) que fosse a cara de cada livro e definisse bem o enredo ou o perfil do protagonista. 

Comecei bem 2013 com a leitura dessa maravilhosa estória. Se você quiser saber mais sobre ela, leia a resenha aqui.

O personagem principal de Marquez, que nunca tinha se apaixonado,  de repente se vê caído de amor por uma jovem que ele mal conhece, sequer sabe seu nome. E essa situação o atormenta, já que ele não sabe como agir. Ele tenta fugir, não pensar mais nela, mas não consegue.

Acho que o protagonista estava se sentindo um tanto quanto preso, com sua liberdade, que ele tanto prezara até então, cerceada, e por isso, a escolha da música "Unchain my heart", na linda voz de Hugh Laurie:



"... unchain my heart, baby let me be
unchain my heart, 'cause you don't care about me
I'm under your spell, like a man in a trance, baby
you know darn well that I don't stand a chance..."

"... liberte meu coração, querida deixe-me ser
liberte meu coração, porque você não se importa comigo
estou sob o seu feitiço como um homem em transe
mas eu conheço bem a maldição, não posso perder a chance..."


A leitura seguinte foi "Os insones", um universo totalmente diferente do abordado no livro anterior, porém, muito mais real e fascinante.

Para ler a resenha clique aqui.  

Os personagens têm perfis muito diferenciados, com características muito marcantes e todos eles são relevantes para a estória. Por falar sobre a violência, assunto muito atual e comum ao nosso dia a dia, não paravam de passar pela minha cabeça canções que criticassem a sociedade, ou a polícia, ou qualquer outra instituição dessas. Vez por outra, também lembrava de algum funk, mas deixa pra lá, rs. A música escolhida retrata bem as a ideologia do personagem principal e resume seu sentimento de estar lutando sozinho contra algo que, a certa altura, nem ele sabia mais o que era.


"... killing in the name of!
and now you do what told ya
now you're under control
fuck you, I wont do what they tell me.."

"... matando em nome de!
e agora você faz o que te disseram
agora você está sob controle
foda-se eu não vou fazer o que você me diz..."


Logo depois de um autor contemporâneo encarei um clássico, e reli o drama romântico de Catherine e Heatcliff, que já tinha lido há algum tempo atrás mas não tinha gostado, talvez por não ser o momento certo, e eu não consegui entrar em sintonia com a estória, não me identifiquei com a trama e acabei dizendo por aí que o livro era chato demais. Eis que, durante as aulas de Literatura de Língua Inglesa, acabamos estudando a fundo esse romance, analisando seus personagens e os motivos que os leva a agir de forma tão extrema, o tempo todo, seja amando demais ou odiando na mesma proporção. E a estória sorriu para mim: acabei gostando muito do livro e o indico para todo mundo que conheço.

Apesar de ainda não ter postado ainda a resenha, já falei sobre ele aqui e aqui,  onde já citei a música feita especialmente para a trilha sonora do filme, da Kate Bush, mas, além dela, consegui escolher outra que eu achei combinar perfeitamente com o clima de romance e drama desse clássico.


"Quem inventou o amor?
me explica por favor...
vem e me diz o que aconteceu
faz de conta que passou...
Daqui vejo seu descanso
perto do seu travesseiro
depois quero ver se acerto
dos dois quem acorda primeiro...
Enquanto a vida vai e vem
você procura achar alguém
que um dia possa lhe dizer
quero ficar só com você
quem invetou o amor?
me explica por favor
quem invetou o amor?
me explica por favor..."


Li "Feios" em janeiro e postei a resenha aqui.  No começo eu pensava: "esse futuro narrado aqui é um absurdo!", mas depois comecei a acreditar que não era tanto assim. Nós não vivemos mesmo num mundo totalmente individualista em que o que vale é o exterior, e não o que a pessoa tem por dentro? Ao longo da leitura você acaba refletindo sobre algumas atitudes e percebe que, apesar de parecer cruel a forma como vivem na época criada pelo autor, ela não é de todo ruim, já que vivem em uma sociedade muito organizada, onde cada um sabe o seu lugar, e, apesar de só os perfeitos terem valor, isso acaba não prevalecendo muito, já que todo mundo acaba virando perfeito. Atualmente já não é assim? Quanto mais bonita a pessoa, mais as portas se abre para ela?

Enfim, a intenção aqui não é comentar o livro, mas sim, envolver a leitura numa música que tenha tudo a ver com o enredo, e tenho certeza de que, quem já leu esse livro vai entender a minha escolha:


"Follow through
make your dreams come true
don't give up the fight
you will be alright
'cause there's no one like you
in the universe

don't be afraide
of what you're mind conceals
you should make a stand
stad up for what you believe
and tonight we can truly say
togheter we're invencible..."

"Vá em frente
faça nossos sonhos se realizarem
não desista da luta
você ficará bem
porque não há ninguém como você
no universo

"Não tenha medo
do que a sua mente esconde
você deveria resistir
resistir pelo que você acredita
e essa noite nós poderemos verdadeiramente dizer
que juntos, somos invencíveis..."


"Cabra-cega" é um livro que ganhei numa promoção do blog "Enquanto escrevo um livro" e outros blogs parceiros, e, quando o recebi, já li rapidinho por ele ser curtinho e fácil de ler. Também teve resenha que pode ser lida aqui.  E por seu conteúdo permeado de sofrimento e medo, acho que a trilha tem que ser bem dramática também, por isso, "Lullaby", com seus sussurros e melodia taciturna, capaz de assombrar até o marido doente da protagonista:


"... searching out fear in the gathering gloom...
quietly he laughs and shaking his head
creeps closer now, closer to the foot of the bed
and softer than shadow and quicker than flies
his arms are all around me and his tongue in my eyes...

"... buscando pelo medo em sua triste colheita...
calmamente ele sorri balançando a cabeça
vem rastejando bem próximo agora, perto do pé da cama
e mais vagaroso que a sombra e mais rápido que uma mosca
seus braços me agarram e passa a língua em meus olhos..."


Minha próxima leitura foi a continuação de "Feios": "Perfeitos", com resenha já postada aqui. Assim como o primeiro livro, esse é utópico e nos faz pensar sobre nossas próprios valores enquanto acompanhamos o crescimento da protagonista. Tally é ousada e atrai todo tipo de problema, cheguei a pensar que ela é a reencarnação do McGyver! Mas apesar de tantas enrascadas, ela vai se arranjando, com muita coragem e determinação.

Várias músicas poderiam combinar com seu espírito aventureiro, mas escolhi uma que reflete não apenas o que ela sente, mas toda a trama desse livro.


"You can't go home, no I swear you never can
you can walk a milion miles and get nowhere
I got nowhere to go and it seems I came back
just filing in the lines for the holes and the cracks..."

"Você não pode ir para casa, não, eu juro que você nunca poderá
você pode andar um milhão de milhas e chegar em nenhum lugar
eu tenho para onde ir e parece que eu voltei
apenas preenchendo as linhas dos buracos e das fendas..."


Em seguida li "Os espiões", do Luis Fernando Veríssimo: brilhante! Ainda não postei a resenha, mas falei sobre ele no post "Li até a página 100 e...", que vocês podem reler clicando aqui  e compartilhando comigo as primeiras impressões que tive com essa leitura.

Quanto a trilha sonora, ela precisava ser leve e descontraída, e acabei descobrindo hoje uma música que tem essas características, e sua letra lembra um pouco as trapalhadas dos personagens do livro (o vídeo também segue a mesma linha).



"... sinceramente eu pensei que dessa vez fosse me regenerar
trabalhando honestamente com uma esposa ali cuidando do lar
uma vida normal pra envelhecer em paz
mas se o destino quis assim agora tanto faz
do bar não saio nunca mais..."


E por fim, terminei de ler hoje "Como se livrar de um vampiro apaixonado", e ele já figura aqui na lista de trilhas sonoras de hoje. Mas esse livro merece duas músicas, uma para Jéssica (ou Anastasia) e outra para Lucius Vladescu, o vampiro romeno super educado e cavalheiro, como um bom vampiro tem que ser.

Para ela, uma canção que represente a mudança de seu sentimento por Lucius, do desdém para o amor. O problema é quem quando ela percebe essa evolução, pode ser tarde demais, pois o vampiro parece não estar tão interessado em seus sentimentos, e Jéssica, por ter em suas veias o sangue da princesa vampira que ela deverá ser, não admite ser desprezada por ele:


"... perceba que não tem como saber
são só os seus palpites na sua mão
sou mais do que o seu olho pode ver
então não desonre o meu nome

não importa se eu não sou o que você quer
não é minha culpa a sua projeção
aceito a apatia, se vier
mas não desonre o meu nome

será que eu já posso enlouquecer
ou devo apenas sorrir?
não sei mais o que eu tenho que fazer
pra você admitir

que você me adora
que me acha foda
não espere eu ir embora pra perceber..."

Já para o vampiro bonitão que faz pose de malvado, a trilha tinha que ser marrenta, e quem no mundo da música é mais convencido que o vocalista do Oasis, Liam Gallagher? O cara se acha o mais importante do mundo, e ainda acredita que a banda dele conseguiria ser maior que os Beatles! Lucius não é tão arrogante assim, mas acho que essa música combina com seu perfil agridoce, e ainda fala sobre a garota mais importante da existência dele (e olha que, se você procurar lá no fundo, a música também tem um toque de romantismo):


"If I may be so bold could I just say something
come and make me my day
the clouds around your soul don't gather there for nothing
but I can chase them all away...

Is would you maybe, come dancing with me
cos to me it doesn't matter if your hopes and dreams are shattered
when you say something you make me believe
in the girl who wears a dirty shirt..."

"Se eu puder ser tão insolente posso dizer uma coisa?
venha e faça meu dia
as nuvens ao redor de sua alma não se reuniram lá por nada
eu posso mandá-las embora...

talvez você pudesse vir e dançar comigo
pois para mim não importa se seus sonhos e suas esperanças estão despedaçados
pois quando você diz algo você me faz acreditar
na garota que usa uma camisa suja..."

E vocês, o que acharam das trilhas de hoje; concordam, discordam? Vamos trocar ideias e enriquecer ainda mais nossas leituras. Até a próxima ;)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ele é o cara #8

Quem não conhece Kurt Cobain? Os marcianos, talvez. Ele foi o cara para a geração dele, que aprendeu a cantar suas músicas e sofreu com a perda repentina de seu ídolo. Kurt faria hoje 46 anos e vamos relembrar um pouco de seu trabalho aqui:


Kurt foi encontrado morto em sua casa no dia 8 de abril de 1994, ao lado de uma arma e com vestígios de cocaína e Valium em seu sangue. A noticia de sua morte abalou o mundo da música e deixou milhares de fãs estarrecidos. A banda criada por ele, Nirvana, estava no auge de seu sucesso e, apesar de sempre ter estar apresentando sintomas de depressão há algum tempo, ninguém acreditava que o vocalista seria capaz de tirar a própria vida.

Suas músicas viraram hinos, e, a exemplo do que aconteceu com Renato Russo aqui no Brasil, sua figura se tornou um mito e ele até hoje é considerado um dos grandes nomes do rock de todos os tempos. Quem nunca ouviu "Smells like teen spirit"? Quem nunca cantou com ele o refrão: "with the lights out it's less dangerous..."? Acho que suas letras e suas atitudes justificam tanta admiração daqueles jovens que conheceram o movimento grunge através de Kurt. 


O primeiro trabalho do Nirvana, "Bleach", de 1989, fez a banda começar a ficar conhecida no meio underground, mas eles só estouraram mesmo com o disco "Nervermind", de 1991, e que trazia o hit "Smells like teen spirit". Kurt disse que teve a ideia para a música depois de sua amiga escrever na parede de seu quarto "Kurt smells like teen spirit", o que ele interpretou como uma frase cheia de significado revolucionário, motivado por uma discussão que tinha tido anteriormente sobre anarquismo e punk rock. Mais tarde, ele descobriu que a amiga só tinha escrito aquilo porque achava que ele cheirava a um desodorante chamado "Teen Spirit", que sua namorada na época usava, mas ele não conhecia, e disse que tudo o que ele queria era fazer uma música parecida com as do grupo "Pixies", do qual ele era fã.


Até hoje essa música é considerada  como uma das maiores canções de rock de todos os tempos: ela alcançou o 6o. lugar na Billboard Hot 100 e ficou em primeiro lugar em outras listas pelos EUA até 1992.



Outra música que não se pode deixar de comentar quando se fala de Kurt e Nirvana é "Come as you are", também do segundo álbum da banda, e também esteve entre as melhores do mundo: a revista Rolling Stone a classificou entre as 500 melhores músicas de todos os tempos em 445o. lugar em 2004.



Esse vídeo é da apresentação do Nirvana para a gravação do "MTV Unplugged", gravado em 18 de novembro de 1993 em New York, e que só foi lançado após a morte de Kurt. Durante o planejamento para esse show, o cantor pediu ao diretor que o cenário tivesse muitas velas pretas, lírios e um grande lustre de cristal. O diretor perguntou se ele queria que se parecesse com um funeral e ele respondeu: "-Exatamente, um funeral". O que dizem é que ele estava planejando o seu próprio serviço.

O show contou com um repertório de 14 músicas, sendo 6 covers de outras bandas; eles queriam evitar tocar seus maiores hits, e tocou apenas "Come as you are". Diferente de outras gravações no mesmo formato, a banda fez a sua em apenas uma tomada, não precisando repetir nenhuma música e, inclusive, Kurt se recusou a voltar ao palco para o bis, pois acreditava que não seria tão perfeito quanto o resto do show.


Kurt esteve no Brasil com sua banda em 1993 para tocar no Hollywood Rock; ele estava em crise de abstinência, com fortes dores de estômago e irritado por ter que participar de um festival patrocinado por uma marca de cigarros. Revoltado com a transmissão do show ao vivo por uma grande rede de televisão, ele cuspiu nas câmeras que estavam perto do palco e tentou destruir alguns equipamentos também. A fúria do vocalista gerou muitas discussões entre fãs da banda e mídia, e algumas cenas podem ser vistas no documentário "Live! Tonight! Sold Out!", lançado em DVD em 2006 pelos integrantes remanescentes do Nirvana.

Cobain nunca conseguiu se relacionar bem com o grande sucesso de sua banda, e sempre achava que tanto fãs quanto críticos viam valores demais em suas letras, colocando-o em um patamar de quase deus, muito além daquilo que ele acreditava merecer ou aguentar. Ele não queria ser visto como o responsável por toda uma geração, e usava cada vez mais drogas para tentar viver alienado de tudo isso. Ele tentou se livrar do vício, mas sem sucesso, tendo sido, inclusive incentivado por sua esposa, Courtney Love, principalmente depois do nascimento da filha deles em 92. 

Antes de sua morte, em março, ele misturou champagne e o medicamento Rophynol, causando uma overdose. Foi encontrado desacordado por Courtney, que chamou os médicos. Ela disse que essa foi a primeira tentativa de suicídio do cantor. Alguns dias depois, Kurt se trancou num quarto com uma arma, obrigando sua esposa a chamar a polícia; eles encontraram no quarto uma garrafa de bebida alcoólica e algumas pílulas, mas Cobain garantiu que não queria se matar, só queria se esconder da mulher.

Passado esse episódio, Love conseguiu que alguns amigos a ajudassem com uma intervenção, mas Kurt ficou muito violento e agiu com agressividade contra as pessoas envolvidas. No final do mesmo dia, ele concordou em se internar para tratar o vício em heroína num Centro de Reabilitação em Los Angeles, onde chegou em 30 de março. Na clínica ninguém conhecia seu históricos depressivo nem suas tentativas de suicídios, e, quando alguém o visitava, não era possível identificar nenhum traço de depressão em suas atitudes. Um dia depois da visita de sua pequena filha, ele saiu para fumar um cigarro e pulou o muro de seis metros da instituição. Kurt foi para Seatle e encontrou o baixista do Guns'n'Roses no voo, que mais tarde revelou que sentiu que algo estava errado com o cantor. Algumas pessoas viram Cobain nos dias 2 e 3 de abril, andando pela cidade, mas sua família não sabia onde ele estava, o que levou sua esposa a contratar um detetive para procurá-lo. Como se sabe, os serviços do detetive não foram necessários, já que Kurt morreu dias depois.

Ainda hoje algumas pessoas discutem sobre a verdadeira causa de sua morte: o detetive contratado por Love alega que a carta suicida deixada por Kurt tinha letras diferentes em algumas partes e não possuía digitais, assim como a arma usada por ele. Além disso, foi comprovado que ele tinha uma concentração muito grande de heroína no sangue, três vezes mais do que uma dose letal, e que seria impossível o próprio Kurt se injetar a dose e depois puxar o gatilho.

Mas o que realmente importa é o legado deixado por Cobain: suas músicas que continuam a inspirar pessoas pelo mundo todo, com suas letras cheias de raiva, frustração e medo, sentimentos inerentes à maioria dos adolescentes, que encontram em suas músicas uma maneira de se expressar e anular parte desses sentimentos ruins.

Em 2005, Gus Van Sant dirigiu o filme "Last Days", baseado no que ele acredita ter acontecido nas últimas horas de vida de Kurt. E está em fase de produção um novo filme sobre o cantor que o diretor Brett Morgen pretende que seja "o The Wall dessa geração". Misturando animação e cenas reais, o diretor vai flar sobre as músicas de Cobain e de suas incursões em outros gêneros artísticos, autorizado pelos integrantes do Nirvana e pela ex-mulher do vocalista. É espera para ver o resultado, que deverá sair em 2014.  

E como já é costume por aqui, vamos encerrar o post de hoje com um vídeo: a música "Polly", também do álbum "Nevermind" é quase depressiva e sua letra faz uma crítica à violação de pessoas. Kurt a escreveu após ler uma notícia sobre um sequestro de uma menina de 14 anos que terminou com tortura e estupro. A garota foi sequestrada após sair de um show de rock, e a música é um tipo de homenagem a ela.

O primeiro verso da canção já deixa claro que ela mostra o ponto de vista do estuprador, quando ele diz: "Polly wants a cracker", ou seja "Polly quer um biscoito", frase usada pelos americanos para falarem com seus papagaios de estimação. A letra toda é soturna e nos remete realmente à um clima sombrio e apavorante (apesar disso, ela é perfeita e uma das minhas preferidas, ao lado de "Lithium"):