quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Ele é o cara #8

Quem não conhece Kurt Cobain? Os marcianos, talvez. Ele foi o cara para a geração dele, que aprendeu a cantar suas músicas e sofreu com a perda repentina de seu ídolo. Kurt faria hoje 46 anos e vamos relembrar um pouco de seu trabalho aqui:


Kurt foi encontrado morto em sua casa no dia 8 de abril de 1994, ao lado de uma arma e com vestígios de cocaína e Valium em seu sangue. A noticia de sua morte abalou o mundo da música e deixou milhares de fãs estarrecidos. A banda criada por ele, Nirvana, estava no auge de seu sucesso e, apesar de sempre ter estar apresentando sintomas de depressão há algum tempo, ninguém acreditava que o vocalista seria capaz de tirar a própria vida.

Suas músicas viraram hinos, e, a exemplo do que aconteceu com Renato Russo aqui no Brasil, sua figura se tornou um mito e ele até hoje é considerado um dos grandes nomes do rock de todos os tempos. Quem nunca ouviu "Smells like teen spirit"? Quem nunca cantou com ele o refrão: "with the lights out it's less dangerous..."? Acho que suas letras e suas atitudes justificam tanta admiração daqueles jovens que conheceram o movimento grunge através de Kurt. 


O primeiro trabalho do Nirvana, "Bleach", de 1989, fez a banda começar a ficar conhecida no meio underground, mas eles só estouraram mesmo com o disco "Nervermind", de 1991, e que trazia o hit "Smells like teen spirit". Kurt disse que teve a ideia para a música depois de sua amiga escrever na parede de seu quarto "Kurt smells like teen spirit", o que ele interpretou como uma frase cheia de significado revolucionário, motivado por uma discussão que tinha tido anteriormente sobre anarquismo e punk rock. Mais tarde, ele descobriu que a amiga só tinha escrito aquilo porque achava que ele cheirava a um desodorante chamado "Teen Spirit", que sua namorada na época usava, mas ele não conhecia, e disse que tudo o que ele queria era fazer uma música parecida com as do grupo "Pixies", do qual ele era fã.


Até hoje essa música é considerada  como uma das maiores canções de rock de todos os tempos: ela alcançou o 6o. lugar na Billboard Hot 100 e ficou em primeiro lugar em outras listas pelos EUA até 1992.



Outra música que não se pode deixar de comentar quando se fala de Kurt e Nirvana é "Come as you are", também do segundo álbum da banda, e também esteve entre as melhores do mundo: a revista Rolling Stone a classificou entre as 500 melhores músicas de todos os tempos em 445o. lugar em 2004.



Esse vídeo é da apresentação do Nirvana para a gravação do "MTV Unplugged", gravado em 18 de novembro de 1993 em New York, e que só foi lançado após a morte de Kurt. Durante o planejamento para esse show, o cantor pediu ao diretor que o cenário tivesse muitas velas pretas, lírios e um grande lustre de cristal. O diretor perguntou se ele queria que se parecesse com um funeral e ele respondeu: "-Exatamente, um funeral". O que dizem é que ele estava planejando o seu próprio serviço.

O show contou com um repertório de 14 músicas, sendo 6 covers de outras bandas; eles queriam evitar tocar seus maiores hits, e tocou apenas "Come as you are". Diferente de outras gravações no mesmo formato, a banda fez a sua em apenas uma tomada, não precisando repetir nenhuma música e, inclusive, Kurt se recusou a voltar ao palco para o bis, pois acreditava que não seria tão perfeito quanto o resto do show.


Kurt esteve no Brasil com sua banda em 1993 para tocar no Hollywood Rock; ele estava em crise de abstinência, com fortes dores de estômago e irritado por ter que participar de um festival patrocinado por uma marca de cigarros. Revoltado com a transmissão do show ao vivo por uma grande rede de televisão, ele cuspiu nas câmeras que estavam perto do palco e tentou destruir alguns equipamentos também. A fúria do vocalista gerou muitas discussões entre fãs da banda e mídia, e algumas cenas podem ser vistas no documentário "Live! Tonight! Sold Out!", lançado em DVD em 2006 pelos integrantes remanescentes do Nirvana.

Cobain nunca conseguiu se relacionar bem com o grande sucesso de sua banda, e sempre achava que tanto fãs quanto críticos viam valores demais em suas letras, colocando-o em um patamar de quase deus, muito além daquilo que ele acreditava merecer ou aguentar. Ele não queria ser visto como o responsável por toda uma geração, e usava cada vez mais drogas para tentar viver alienado de tudo isso. Ele tentou se livrar do vício, mas sem sucesso, tendo sido, inclusive incentivado por sua esposa, Courtney Love, principalmente depois do nascimento da filha deles em 92. 

Antes de sua morte, em março, ele misturou champagne e o medicamento Rophynol, causando uma overdose. Foi encontrado desacordado por Courtney, que chamou os médicos. Ela disse que essa foi a primeira tentativa de suicídio do cantor. Alguns dias depois, Kurt se trancou num quarto com uma arma, obrigando sua esposa a chamar a polícia; eles encontraram no quarto uma garrafa de bebida alcoólica e algumas pílulas, mas Cobain garantiu que não queria se matar, só queria se esconder da mulher.

Passado esse episódio, Love conseguiu que alguns amigos a ajudassem com uma intervenção, mas Kurt ficou muito violento e agiu com agressividade contra as pessoas envolvidas. No final do mesmo dia, ele concordou em se internar para tratar o vício em heroína num Centro de Reabilitação em Los Angeles, onde chegou em 30 de março. Na clínica ninguém conhecia seu históricos depressivo nem suas tentativas de suicídios, e, quando alguém o visitava, não era possível identificar nenhum traço de depressão em suas atitudes. Um dia depois da visita de sua pequena filha, ele saiu para fumar um cigarro e pulou o muro de seis metros da instituição. Kurt foi para Seatle e encontrou o baixista do Guns'n'Roses no voo, que mais tarde revelou que sentiu que algo estava errado com o cantor. Algumas pessoas viram Cobain nos dias 2 e 3 de abril, andando pela cidade, mas sua família não sabia onde ele estava, o que levou sua esposa a contratar um detetive para procurá-lo. Como se sabe, os serviços do detetive não foram necessários, já que Kurt morreu dias depois.

Ainda hoje algumas pessoas discutem sobre a verdadeira causa de sua morte: o detetive contratado por Love alega que a carta suicida deixada por Kurt tinha letras diferentes em algumas partes e não possuía digitais, assim como a arma usada por ele. Além disso, foi comprovado que ele tinha uma concentração muito grande de heroína no sangue, três vezes mais do que uma dose letal, e que seria impossível o próprio Kurt se injetar a dose e depois puxar o gatilho.

Mas o que realmente importa é o legado deixado por Cobain: suas músicas que continuam a inspirar pessoas pelo mundo todo, com suas letras cheias de raiva, frustração e medo, sentimentos inerentes à maioria dos adolescentes, que encontram em suas músicas uma maneira de se expressar e anular parte desses sentimentos ruins.

Em 2005, Gus Van Sant dirigiu o filme "Last Days", baseado no que ele acredita ter acontecido nas últimas horas de vida de Kurt. E está em fase de produção um novo filme sobre o cantor que o diretor Brett Morgen pretende que seja "o The Wall dessa geração". Misturando animação e cenas reais, o diretor vai flar sobre as músicas de Cobain e de suas incursões em outros gêneros artísticos, autorizado pelos integrantes do Nirvana e pela ex-mulher do vocalista. É espera para ver o resultado, que deverá sair em 2014.  

E como já é costume por aqui, vamos encerrar o post de hoje com um vídeo: a música "Polly", também do álbum "Nevermind" é quase depressiva e sua letra faz uma crítica à violação de pessoas. Kurt a escreveu após ler uma notícia sobre um sequestro de uma menina de 14 anos que terminou com tortura e estupro. A garota foi sequestrada após sair de um show de rock, e a música é um tipo de homenagem a ela.

O primeiro verso da canção já deixa claro que ela mostra o ponto de vista do estuprador, quando ele diz: "Polly wants a cracker", ou seja "Polly quer um biscoito", frase usada pelos americanos para falarem com seus papagaios de estimação. A letra toda é soturna e nos remete realmente à um clima sombrio e apavorante (apesar disso, ela é perfeita e uma das minhas preferidas, ao lado de "Lithium"): 

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