domingo, 10 de fevereiro de 2013

Pulando o Carnaval - dia 1

Olá leitores! Nessa semana festiva para a maioria dos brasileiros, vamos falar sobre uma coisa totalmente diferente aqui: literatura britânica. Até o próximo sábado, nossos posts serão sobre autores ingleses e suas obras mais importantes, sem deixar de indicar filmes e músicas que possam embalar nosso carnaval literário.  Começaremos a semana especial "Pulando o Carnaval" com Mary Shelley e Virgínia Woolf:


Mary Shelley viveu de 1797 a 1851, e sua criação mais importante e mundialmente conhecida é "Frankstein". Ela foi casada com o poeta Percy Bysshe Sheley e foi a grande responsável pela divulgação de seu trabalho.


A autora escrevia contos, dramaturgia, biografias e literatura de viagens. Sua grande criação, porém, surgiu durante uma conversa entre amigos: em 1816, ela e o marido passaram o verão na Suíça com Lord Byron, John William polidori e Claire Clairmont, e, como a chuva não parava de cair, eles eram obrigados a passar a maior parte do tempo dentro de casa. Seus assuntos preferidos eram as experiências do filósofo e poeta Erasmus Darwin que dizia ter conseguido animar matéria morta, viabilizando o retorno de um cadáver à vida, ou de pelo menos partes do corpo. Além disso, eles também gostavam de se reunir em torno de uma fogueira e ler histórias alemãs de fantasmas. Inspirado por essas histórias, Lord Byron sugeriu que cada um escrevesse o seu próprio conto sobrenatural, e Mary teve a sua primeira ideia de "Frankstein".


No início ela acreditava que essa inspiração lhe renderia apenas um conto, mas seu marido a motivou a continuar escrevendo e, em 1818 ela publicaria o seu primeiro romance: "Frankstein: or, The Modern Prometheus", fato que mais tarde ela classificaria como "sua saída da infância para a vida". 

Mary perdeu seus primeiros três filhos e só encontrava alento para sua dor na escrita. Foi só com o nascimento do quarto filho que ela reencontrou sua alegria para viver. Em 1822 ela sofreu com a morte de seu marido num acidente de barco. 


Shelley publicou mais alguns romances como "Mathilda", "The last man" e "Valperga", porém, nenhum deles se tornou tão importante quanto "Frankstein". O romance de terror gótico criado por Mary livro ainda é lido e reverenciado até hoje como uma obra-prima da literatura, sendo considerado uma grande influência para a literatura e a cultura ocidental. A história foi adaptada para o teatro e o cinema, além do rádio e até para os quadrinhos. O filme mais conhecido talvez seja o último, que foi produzido por Kenneth Branagh em 1994, com o próprio no papel de Victor Frankstein, Robert de Niro como a criatura e Helena Boham Carter como Elizabeth. 


A segunda escritora de hoje é Virgínia Woolf, autora de "Orlando" e "As Ondas". Ela nasceu em 1882 e morreu em 1941, suicidando-se ao entrar num rio com os bolsos cheios de pedras, logo após sofrer um colapso nervoso.


Por ter tido uma educação muito boa, ela esteve sempre às voltas com o ambiente literário, e foi membro de um grupo de artistas e intelectuais britânicos chamado Bloomsbury que existiu durante o período entreguerras. 

Com o marido Leonard Woolf ela fundou a editora Hogarth Press, que foi responsável pelo lançamento de vários autores importantes, entre eles T. S. Eliot.



A obra de Virgínia é classificada como modernista, e ela é considerada a criadora do 'fluxo de consciência', técnica onde o ponto de vista do personagem é mostrado através de seus processos mentais, misturando consciente e inconsciente, realidade e desejo. A profundidade do exame desses pensamentos do personagem é que torna o fluxo de consciência diferente de um simples monólogo interior. Em seu livro "Mrs Dalloway" ela fez grande uso desse recurso ao narrar um dia na vida da personagem, enquanto ela tenta organizar uma festa, e a história se desenvolve dentro da mente das personagens, indo para frente e para trás a fim de construir uma imagem da vida da protagonista.


Woolf sofria de muitas crises depressivas que a levaram a cometer suicídio, deixando um bilhete de despedida para o marido, a irmã e todas as pessoas que amava.

Seu último trabalho publicado foi  "Entre os atos", já depois da sua morte.

O livro "Mrs Dalloway" é citado no filme "As horas", que é uma adaptação da obra de Michael Cunningham, e tem como intérprete de Virgínia Woolf a atriz Nicole Kidman, que ganhou por ele o Oscar de melhor atriz em 2003.  O interessante é que, antes de definir o título do livro como "Mrs dalloway", a autora costumava chamá-lo de "The hours"


O filme mostra três mulheres, de épocas diferentes, que são ligadas pelo livro: a própria Woolf, durante uma de suas crises depressivas e começando a escrever "Mrs. Dalloway"; Laura (Julianne Moore) vive uma dona de casa que precisa preparar a festa de aniversário do marido mas não consegue parar de ler o livro, e que anda atormentada por ideias suicidas; e Clarissa Vaugn, interpretada por Meryl Streep, que é uma editora de livros nova-iorquina e está organizando uma festa para seu amigo (e ex-amante) Richard (Ed Harris), que está morrendo de AIDS. Ele a chama de Mrs. Dalloway, e ela faz jus ao apelido ao encarnar a protagonista do livro e declarar que ela mesma vai comprar as flores.


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