terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Pulando o Carnaval - dia 3

O Carnaval está terminando, mas por aqui ainda vai rolar até o final da semana. Hoje, mais dois autores britânicos: Lord Byron e William Shakespeare.


Lord Byron nasceu como George Gordon Byron em janeiro de 1788, e se tornou um dos nomes mais influentes do Romantismo, graças a seus poemas e suas obras-primas, como "Don Juan".

A obra de Byron é carregada de pessimismo e revolta contra a sociedade, e é geralmente considerada como autobiográfica: tudo o que ele criava vinha carregado de rebeldia e sempre demonstrava sua insatisfação com as convenções morais e religiosas vigentes na época.

Sua fama cresceu não apenas pelo interesse das pessoas em seus escritos, mas também pela sua vida cheia de extravagâncias: ele vivia cercado de amantes o tempo todo, acumulava dívidas e ainda tinha que viver com o fantasma do incesto.

Quando era adolescente Byron saiu de casa para fugir dos maus tratos da mãe e viveu em Londres até alcançar a maioridade. Influenciado por tudo o que já tinha lido, ele resolveu começar a escrever poemas. Para organizá-los, pediu ajuda a uma amiga chamada Elizabeth, que os enviou para publicação. Quando os livros foram distribuídos, o autor ia constantemente às livrarias para acompanhar a vendagem, e percebeu que estava sendo boa. Mas logo as pessoas começaram a criticar os poemas por mostrarem o descontentamento de Byron com a cidade de Southwell, enquanto os críticos literários se dividiam entre os que achavam o trabalho bom e os que o consideravam ruim.

Seu próximo trabalho, "Childe Harold", narrava as aventuras que vivera ao viajar pela Europa e foi muito bem recebido pela sociedade, e fez de Byron um nome conhecido por todos e sua obra amplamente comentada em todos os lugares. Essa exposição fez do autor o homem mais desejado pelas mulheres, inclusive as casadas, que fantasiavam com seus versos e viviam sonhando com suas habilidades românticas. Ele passou então a viver muitos romances que acabavam sem maiores explicações, quando ele começava a desprezar aquela mulher e partia para a próxima.

A irmã do poeta estava passando por dificuldades no casamento e foi morar com ele durante um tempo, mas também fazia parte das mulheres que se rederam aos encantos dos poemas de Byron, que num momento de descontrole total, não resistiu à beleza da irmã e cometeu o incesto. A consequência foi uma gravidez indesejada. Esse fantasma o assombraria pelo resto de sua vida.

Byron ainda começou a escrever "Don Juan", mas morreu antes de terminá-lo. Ainda assim, esse foi outro romance de enorme sucesso e que só aumentou a popularidade do autor entre as mulheres. Talvez por ser uma obra que refletia a vida pessoal de Byron, e suas aventuras amorosas, foi um de seus trabalhos mais conhecidos.


Lord Byron morreu em abril de 1824, vítima de febres contraídas enquanto lutava na Guerra de Independência da Grécia.


O livro "Don Juan" foi diversas vezes adaptado para teatro e cinema, e o filme mais conhecido foi filmado em 1995 e dirigido por Jeremy Leven, com Francis Ford Coppola na produção e Johnny Depp no papel principal:


Na trilha sonora desse filme está uma das músicas mais famosas do cantor Bryan Adams, "Have you ever really loved a woman?", e, quem já viu o filme, sabe que a letra tem tudo a ver com o personagem principal:

"... when you love a woman
you tell her that she's really wanted
when you love a woman
tou tell her that she's the one
'cause she needs somebody
to tell her that you'll always be together
so tell me have you ever really
really, really ever loved a woman?..."

"... quando você ama uma mulher
você diz a ela o quanto ela é desejada
quando você ama uma mulher
você diz a ela que ela é a única
porque ela precisa de alguém
para dizer a ela que você irá estar sempre junto
então me diga, você realmente
realmente, realmente já amou uma mulher?..."



O grande mestre da literatura mundial, sem dúvida, é William Shakespeare. Apesar das dúvidas que existem até hoje acerca de sua identidade, não há como negar que seu trabalho é importante e está espalhado por diversos gêneros literários. 


Desde o século XVIII suspeita-se que a obra do autor não foi escrita por ele, e sim por outra pessoa ou grupo de pessoas. As  evidências que sustentam essa teoria são de que os trabalhos possuem um conhecimento educacional elevado, e um vocabulário muito vasto, com diferentes versões para a mesma palavra. Estudiosos acreditam que uma pessoa comum do século XVI, sem muito estudo, não poderia ser tão fluente na língua Inglesa, nem tão conhecedor de política, direito e outras línguas, como o Latim, por exemplo, que foi muito usado em Hamlet (aquele do "Ser ou não ser, eis a questão").


Mas apesar dessa teoria, sua obra permanece viva até hoje, com 38 peças, 154 sonetos e 2 poemas narrativos (além de outros poemas diversos). Suas peças foram traduzidas para diversos idiomas e são as mais encenadas no mundo todo. Muitos de seus textos são adaptados para o teatro e o cinema, entre eles estão "Hamlet" (obra que já foi resenhada aqui)  e "Romeu e Julieta": o filme mais recente, dirigido por Baz Luhrmann em 1996, teve Leonardo DiCaprio como Romeu, numa versão mais moderna e foi indicado para o Oscar de melhor direção de arte em 1997. Sua trilha sonora era bem pop e trazia nomes como Garbage, Des'ree e Radiohead, além de Cardigans com a fofa "Lovefool":


Para assistir a trechos desse filme e das minhas versões preferidas de "Hamlet", clique aqui, aqui e aqui.


A obra desse autor é muito extensa e seria impossível comentar sobre seus melhores textos aqui em pouco tempo, então, para quem quiser conhecer mais a respeito de Shakespeare e suas peças, há muito material bom na internet, começando pelo Wikipedia.


E para quem gosta de bons filmes e quer conhecer uma versão mais lúdica do autor inglês, recomendo o filme "Shakespeare apaixonado" (1998), com Gwyneth Paltrow e Joseph Fiennes como o jovem Will.


O longa conta a história do jovem Shakespeare que se vê atormentado pela falta de inspiração para criar uma nova peça que lhe foi encomendada, até que conhece a jovem Viola, para quem passa a escrever seus melhores e mais apaixonados versos, que depois viriam a se tornar a peça "Romeu e Julieta":



2 comentários:

  1. Adorei a sua forma de comemorar o carnaval haha, eu já conhecia os autores, mas não tão afundo, gostei de saber um pouco mais deles.

    beijos, Lu
    Lendo ao Luar

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  2. Uau sério é muito legal saber um pouco mais sobre tão nobres escritores rsrs. Eu adoro Byron em especial e bom Shakespeare é Shakespeare e não tem para ngm. Fiquei curiosa principalmente com essa coisa de não ser ele que escrevia as peças, bom acho que não há como saber ao certo, não é mesmo? Parabéns pela postagem bem informativa :)

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