quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Pulando o Carnaval - dia 4

É quarta-feira de cinzas, mas por aqui a literatura não para. Hoje vamos com mais dois autores ingleses e suas obras mais famosas:


Arthur Conan Doyle, nasceu na Escócia em 1859 e, além de escritor, também era médico. Antes de morrer em 1930 escreveu 60 histórias sobre o detetive mais famoso da literatura: Sherlock Holmes. Além de ser um dos responsáveis pela inovação da literatura criminal, ele também escrevia ficção-científica, novelas históricas, peças, romances, poesias e obras de não-ficção.

Ele começou a escrever suas primeiras histórias enquanto ainda era estudante, e teve seu primeiro trabalho publicado no Chamber's Edinburgh Journal antes de completar 20 anos de idade.

Após se formar na universidade, ele serviu como médico de bordo num navio, mas a embarcação teve sérias dificuldades no mar e retornou para Liverpool antes do previsto. Nessa época, Doyle revelou a sua mãe que não voltaria para o navio por lá ganhava menos do que poderia ganhar escrevendo.

Mais tardem, quando passou a praticar medicina de forma independente, voltou a escrever suas histórias enquanto aguardava os pacientes. 

A primeira aparição de Holmes foi em 1887, quando Conan publicou um texto no Beeton's Christmas Annual, na história chamada "Um estudo em vermelho". Algumas características do personagem foram baseadas em um dos professores de Doyle na universidade.


Em 1890, o autor começou a estudar oftalmologia e queria seguir nesse ramo da medicina. Para isso ele pensou em matar seu personagem mais famoso, já que precisava de tempo para exercer a profissão e escrever seus livros históricos, que passaram a lhe interessar mais. Foi em 1893 que ele então causou a morte de Holmes, na história "The final problem". Porém o público se manifestou negativamente e ele teve que trazer o detetive de volta. E assim Sherlock continuou sendo sua principal criação, e lhe rendeu 56 contos e 4 livros.

Segundo Conan, o detetive Holmes viveu em Londres, na Baker Street, apartamento 221B por quase vinte anos, muitos deles passados ao lado do amigo Dr. Watson. Hoje, nesse endereço, funciona um museu dedicado ao personagem.

A famosa frase "elementar, meu caro Watson" não existe em nenhuma das histórias originais criadas por Doyle: ela teria sido criada em uma das adaptações da obra para o teatro, onde também foi incluído o cachimbo usado pelo personagem. Muitos defendem que a frase foi dita logo no início de "Um estudo em vermelho", mas ela não foi encontrada no original e nem em traduções do texto, tampouco no restante da obra do autor.

As histórias de Sherlock Holmes sempre foram muito adaptadas, e o trabalho mais recente foi o filme dirigido por Guy Ritchie, de 2009, com Robert Downey Jr. interpretando o detetive e Jude Law como seu fiel escudeiro Watson.


Quem é fã da série "House" sabe que seu criador, David Shore, é fã de Holmes e baseou seus personagens principais, House e Wilson, nas criações de Conan Doyle. Entre as muitas semelhanças estão os nomes dos personagens: tanto Holmes tem a mesma sonoridade que House, e Wilson se parece muito com Watson. Em alguns episódios da série vemos outras particularidades, como o número do apartamento do médico é exatamente o mesmo que o do detetive; Holmes tocava violino e House toca guitarra e piano; Sherlock era viciado em cocaína, enquanto o médico é dependente de um remédio chamado Vicodin e ambos usam seu grande poder de observação e dedução para solucionar seus casos. No caso dos amigos/ajudantes também acontecem algumas 'coincidências': os dois personagens têm as mesmas iniciais - J. W. (John Watson e James Wilson).

Outra curiosidade sobre a série House é que seu criador incluiu em alguns episódios personagens do próprio Sherlock Holmes, como o homem que atirou no médico, Moriarty, é o maior inimigo do detetive, e o nome de uma mulher usado por Wilson numa brincadeira com os médicos Taub e Kurtner: ele diz aos novos funcionários que House conheceu a mulher chamada Irene Adler, que teria morrido, mas ele nunca se recuperou pela sua perda. Nos romances de Doyler essa personagem é referida sempre como "a mulher". 


Nosso próximo autor é Bram Stocker, o pai do Drácula.


Esse senhor com cara de bravo criou o mais famoso vampiro da literatura, e sem ele, provavelmente, não existiria "Crepúsculo" nem outras histórias vampirescas por ai. 

Vocês podem discordar da presença de Stoker aqui por ele ter nascido na Irlanda, mas acho válida a inserção de seu nome na nossa coluna de hoje, por ele ter vivido muito tempo em Londres e, inclusive, ter morrido lá.

Quando criança, Bram tinha sérios problemas de saúde que o impediam até de se locomover, o que o obrigava a ficar sempre em casa, lendo livros e contos de terror sobrenatural ou ouvindo as histórias contadas por sua mãe.

Na faculdade fez parte da Sociedade Filosófica e produziu um ensaio chamado "Sensationalism in Fiction and Society". Mais tarde, já formado, ele mostrou grande interesse por teatro e se ofereceu para trabalhar sem remuneração como crítico no jornal Dublin Evening Mail. Com críticas inteligentes e bem embasadas, ele passou a ficar conhecido no meio dos intelectuais e conheceu Oscar Wilde, Arthur Conan Doyle e William Butler Yeats. Foi nessa época que ele começou a produzir seus primeiros contos e publicá-los em jornais da cidade, e assim seu primeiro texto de terror sobrenatural foi publicado em 1875, chamado "The chain of destiny".

Nesse mesmo ano, Bram se casou com Florence, que na verdade havia sido prometida à Oscar Wilde, porém, ela optou por Stoker por ele ter um emprego estável como funcionário público.

No final de década de 1890 começa a fase mais criativa do autor: ele publica "The people", "O castelo da serpente", "The watter's mou" e "The shoulder of Shasta". "Drácula" foi publicado em 1897 e incluiu definitivamente o nome de Stoker na literatura mundial como mestre do terror sobrenatural. O romance é escrito de forma epistolar, ou seja, baseado em cartas, e conta a trajetória de Conde Drácula que sai da Transilvânia rumo a Inglaterra. Nesse livro também foi criado o personagem Van Helsing, que tinha como primeiro o mesmo do autor, Abraham.


Como não poderia deixar de ser, o livro foi bem recebido por parte da crítica, que consideram sua trama muito bem construída, e mal visto por outros, que não gostaram da forma como o autor abordava o tema e questionavam as referências usadas pelo autor para construção dos personagens. Dizem que Bram teve a inspiração para escrever o livro depois de um sonho em que um vampiro emergia do túmulo, além dos livros "Carmilla" (Sheridan Le Fanu, de 1872) e "The vampyre" (Polidori, de 1819). Mas os indícios mais fortes são de que o autor tenha se inspirado na biografia do rei Vlad Tepes - o empalador, que teria influenciado a criação do vampiro. Por outro lado, alguns especialistas acreditam que Stoker usou o comportamento dominante de sua esposa para dar a Drácula o poder de dominar as mulheres.

Bram Stoker continuou escrevendo e publicando livros depois de Drácula, mas nenhum outro obteve tanto sucesso quanto esse.

A história do Conde Drácula também foi diversas vezes adaptada para as telas do cinema, sendo a última em 1992, dirigida por Francis Ford Coppola. 


No elenco estão nomes como Gary Oldman, Keanu Reeves, Anthony Hopkins e Winona Ryder. O filme foi indicado para o Oscar de 1993 na categoria melhor direção de arte, e levou a estatueta nas categorias melhor figurino, melhor maquiagem e efeitos sonoros.

  

Um comentário:

  1. Nunca li Drácula, uma vergonha porque ele que deu origem ao tipo de vampiros que temos hoje.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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