sábado, 30 de março de 2013

Li até a página 100 e... #10




*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto

Harry e seus fãs
Melissa Anelli
editora Rocco
368 páginas
Primeira frase da página 100: 

"... também tinham muito material, mas nada que se aproximasse à quantidade de histórias relacionadas com Harry Potter."

Do que se trata o livro?

Do relacionamento dos fãs da saga com cada lançamento de livro e filme, e de como a estória criada por J.K.Rowling tem o poder de unir pessoas, além de transformar jovens e adultos em leitores vorazes.

O que você está achando até agora?

No início achei que o livro não acrescentaria muita coisa, mas está sendo muito interessante descobrir que a maioria dos fãs do menino bruxo se sentem como eu me senti enquanto lia os livros.

Melhor quote até aqui:

"Fui direto para o meu carro e mergulhei na revista, examinando as fotos reluzentes. A primeira que encontrei me encantou: Daniel Radcliffe como Harry Potter, sentado no espaço que fora criado para ele, debaixo das escadas da casa dos tios, o polegar do pé saindo de um buraco na meia velha e a expressão desanimada, exibindo a tristeza e a banalidade que eram a vida de Harry antes de Hogwarts. Meu pulso se acelerou. Isso era o livro, isso era exatamente o livro, eles tinham acertado em cheio, ai meu Deus." (O quote descreve o momento em que a autora viu pela primeira vez as fotos de divulgação da adaptação de "Harry Potter e a Pedra Filosofal" para os cinemas. Escolhi esse parágrafo por que acho que foi essa a reação de todos os fãs quando viram a carinha fofa de Daniel na pele de Harry: ele, Emma e Rupert eram o trio dos livros, ninguém poderia ser melhor).

Algum personagem merece destaque?

O único destaque desse livro é a própria autora, que se apaixonou pela série Harry Potter, assim como milhares de outras pessoas ao redor do mundo, mas foi além: pesquisou, procurou, fez amizades e trabalhou para tornar os livros ainda mais conhecidos, discutindo e divulgando informações importantes sobre a estória enquanto os fãs mais ávidos esperavam por cada novo lançamento.

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"...  rapidamente fiquei sabendo de vários outros sites, além de FanFicition.net, que hospedavam resmas de ficção..."

sexta-feira, 29 de março de 2013

Sexta de música #16

Hoje começou o festival Lollapalooza em São Paulo e, apesar do line-up não estar lá essas coisas, algumas bandas valem a pena o ingresso, como Queens of the stone age, A perfect circle, e a melhor e maior de todas elas: Pearl Jam!!!


Eddie Vedder, Jeff Ament, Stone Gossard e Mike McCready sobem ao palco no próximo domingo (31) para tocar seus maiores sucessos, incluindo as músicas de seu último álbum, Backspacer, lançado em 2009.

Formada em no início dos anos 90 em Seattle, a banda já lançou nove álbuns de estúdio: Ten (1991), Vs. (1993), Vitalogy (1994), No Code (1996), Yield (1998), Binaural (2000), Riot Act (2002), Pearl Jam (2006) e o mais recente, já citado acima, além de diversas compilações e álbuns ao vivo.

O Pearl Jam foi uma das principais bandas do movimento grunge nos anos 90, e desde então vem sendo considerada uma das bandas mais influentes daquela década, tendo vendido em todo o mundo mais de 60 milhões de álbuns.  


O álbum Ten foi o maior sucesso da banda: lançado em agosto de 1991, com 11 faixas que falavam de depressão, suicídio, solidão e assassinato, não foi um sucesso logo de cara. Só a partir da metade de 1992 o álbum ganhou o grande público e alcançou a segunda posição na Billboard. Foi dele que saíram três canções clássicas do Pearl Jam: Alive, Even Flow e Jeremy.


Alive é considerada um hino para muitos fãs do Pearl Jam, e Eddie Vedder revelou uma vez que a música é uma história semi-biográfica de um filho que descobre que seu pai na verdade é seu padrasto, enquanto sua mãe, numa tristeza profunda, assedia o filho sexualmente devido a sua semelhança com o pai biológico. Deprimente, para dizer o mínimo, mas uma ótima música:


Jeremy foi inspirado na história real de um estudante de ensino médio que atira em si mesmo na frente de seus colegas de classe. O vídeo também é inspirado na mesma tragédia:


Entre os grandes sucessos da banda ainda estão Daughter, Black, Given to Fly, World Wild Suicide, Do the Evolution, I am Mine, além da versão de Last Kiss, de Wayne Cochran, que foi originalmente distribuída apenas entre os fãs-clubes da banda, mas devido à grande procura teve que ser lançada para o público em geral, e é o único single do Pearl Jam que conquistou o segundo lugar na parada Billboard.


Mas a minha preferida atualmente é, sem dúvidas, Yellow Ledbetter, com seu incrível solo de guitarra, um dos mais bonitos que já ouvi, e sua letra triste:

"Unsealed on a porch a letter sat
then you said, I wanna leave it again
..........................................................
Ah yeah, can you see them out the porch?
yeah, but  they don't wave
I see them round the front way, yeah
and I know, and I know I don't want to stay.
Make me cry..."

"Sem selo, na varanda, a carta à espera
então você diz, eu quero deixá-lo novamente
................................................................... 
Você pode vê-los na varanda?
é, mas eles não acenam
e os vejo em frente a casa, yeah
e eu sei, e eu sei que eu não quero ficar.
Faça-me chorar..."


Agora que já estamos no clima do show, é só esperar a banda entrar no palco e curtir! Tomara que seja muito bom!!!


quarta-feira, 27 de março de 2013

Ele é o cara #11


Renato Russo nasceu em 27 de março de 1960, e foi batizado como Renato Manfredini Junior. Infelizmente ele nos deixou em outubro de 96, mas deixou um legado incrível de músicas que são cantadas até hoje, por pessoas de diferentes gerações, que veneram seu trabalho e mantêm viva sua memória.

Não preciso falar muito desse cara, pois acho que 99% das pessoas conhecem sua história e sabem um pouco da trajetória da Legião Urbana no cenário musical brasileiro. Nem há muito o que dizer que vocês ainda não tenham lido ou ouvido em outro lugar. Mas vale lembrar da data de seu nascimento e deixar aqui uma pequena homenagem a essa pessoa que criou canções importantes para o rock brasileiro.

Há algum tempo atrás eu postei uma longa reverência à Legião no antigo blog que mantinha com colegas da faculdade, "Os Letreiros", onde falo bastante sobre a banda, seus discos, destaco minhas músicas preferidas e conto um pouco sobre o único show deles que pude assistir ao vivo. Vocês podem acessar esse post clicando aqui.


Antes da Legião, Renato fez parte do grupo Aborto Elétrico, mas saiu devido a desentendimentos constantes com o baterista Fê Lemos, e os integrantes da banda se dividiram em várias outras, sendo uma delas o Capital Inicial. 

O cantor gravou três discos solos, além de todo o seu trabalho com a Legião: "The Stonewall Celebration Concert" (1994 - em inglês), "Equilíbrio Distante" (1995 - em italiano) e "O Último Solo" (1997). Esse último foi lançado após a sua morte com as faixas remanescentes dos dois trabalhos anteriores.

Renato ganhou destaque na revista Rolling Stone em outubro de 2008, quando entrou para a Lista dos Cem Maiores Artistas da Música Brasileira, no 25º lugar.


Li no Wikipedia  que Renato tem quatro livros publicados, mas, infelizmente, não encontrei nenhum deles para legitimar essa informação :(. Nessa pesquisa achei algumas biografias do cantor, com destaque para "Renato Russo: o filho da revolução", do jornalista Carlos Marcelo, publicado pela editora Agir, que conta momentos interessantes da carreira do músico, como o show realizado no estádio Mané Garrincha em 88, quando Renato  brigou com o público e interrompeu a apresentação com menos de uma hora, causando revolta em quem estava no local. Além disso, o livro narra a tumultuada relação que Renato tinha com a cidade de Brasília, onde surgiu a Legião, e algumas de suas relações amorosas, tanto com meninos quanto com meninas. Sua morte a AIDS são descritas de maneira mais sucinta, o que torna o livro mais uma  homenagem ao trabalho de Renato do que uma biografia realmente.

Também encontrei uma imagem interessante de uma lista escrita pelo próprio cantor com indicações de livros:


Para quem é muito fã do trabalho de Renato Russo e sente falta de informações e sobre o cantor, sugiro que visitem o site "Memorial Renato Russo", clicando aqui.  Lá tem fotos sobre o cantor, muito detalhes da sua carreira e um espaço para o fã deixar a sua mensagem. Vale a pena a visita. 

Uma das minhas músicas preferidas da banda, composta por Renato em 1979, e gravada no álbum "Que País é Esse?" de 1987, é "Faroeste Cabloco", e não sei se ainda é assim com os fãs de hoje, mas quando eu era adolescente o maior desafio para quem era fã da banda era decorar toda a letra dessa música, com seus nove minutos de duração. A música é incrível e conta a estória de um cara chamado João do Santo Cristo, que se mete nas maiores enrascadas enquanto tenta sobreviver em Brasília. Virou filme e está para ser lançado em maio desse ano, se não houver mais nenhum adiamento (dedos cruzados). Vejam o vídeo abaixo que representa cada frase da música com um desenho e ficou bem divertido:



terça-feira, 26 de março de 2013

Chocolate!!!!

Ouvi dizer por aí que hoje é o Dia do Chocolate, essa delícia feita pelos deuses! Eu ADORO chocolate e ponto. 


Chocolate, esse delicioso alimento feito à base de cacau, desde as civilizações pré-colombianas, foi levado para a Europa no século XVII e se tornou popular. De lá pra cá ele já passou por várias mudanças até ficar do jeito que o consumimos hoje: no início ele era uma bebida quente e amarga, consumido apenas pela nobreza. Os europeus começaram então a adicionar açúcar à bebida para deixá-la mais a seu gosto, e, bem mais tarde, com o desenvolvimento dos processos industriais e a aplicação de algumas técnicas culinárias, surgiu o chocolate ao leite, que depois ficou sólido. Hoje em dia essa delícia pode ser encontrada em diversas formas e sabores que agradam a todos os gostos: chocolate em pó, barras, ovos (na época da Páscoa, claro), bombons, ou até líquido, como o chocolate quente, muito consumido no inverno, além de ser ingrediente para inúmeras criações, como bolos, tortas, mousses e sorvetes.


Pesquisei alguns livros que falam sobre a sobremesa mais gostosa do mundo, e vou listá-los aqui para vocês babarem se inspirarem:



"Larousse do Chocolate", de Pierre Hermé, publicado pela Larousse, é um livro para os amantes do chocolate, com 184 receitas criativas, ousadas e deliciosas. Apresenta a história do chocolate, técnicas de preparação e refeições completas com o delicioso ingrediente: aperitivo, entrada e prato principal.


Com mais de 200 receitas testadas e aprovadas, "O livro de receitas de chocolate", de Juliette Elkon, transforma o mais gastronomicamente inepto leitor em um gourmant de primeira. Um mestre na arte de preparar uma das mais desejadas sobremesas do mundo. Publicado pela editora Record.


No livro "Chocolate: porque gostamos tanto? história, ciência e confissões de chocólatras famosos" (editora Casa da Palavra), os autores Ana Paula Brasil e André Modenesi, tentam explicar a mágica que atrai tantos apaixonados por chocolate. Para isso eles saíram em busca dos motivos de tanta paixão, que também é sentida por eles: ouviram o neurocientista Jorge Moll Neto, a nutricionista Bia Rique, alguns fabricantes de chocolate e plantadores de cacau, além do jogador Oscar Schmidt, o jornalista William Bonner e a atriz Heloisa Perissé.

Foi difícil escolher apenas esses três livros, e eu não imaginava que a literatura sobre chocolate fosse tão rica! Mas também pudera, a maioria das pessoas cai de amores pelo doce, em suas diversas formas, e nada mais justo que estudar e escrever sobre essas delícias, compartilhando conhecimento e prazer.



Fábulas ao anoitecer - resenha


"Fábulas ao anoitecer é uma seleta de narrativas fantásticas que têm como cenário principal o manto da escuridão, que assume seu reinado após o pôr do sol. Terror, amor, margia, criaturas fantásticas como fadas, bruxos, dragões, elfos e até ficção científica surgem de suas páginas. Mitologia e lendas folclóricas mundiais são revisitadas e conduzem o leitor pelo maravilhoso mundo da Literatura Fantástica Brasileira. Fábulas ao anoitecer é para ser lido debaixo das cobertas, com lanternas acesas, num clima de mistério e segredo. Mas tome cuidado com as janelas. Mantenha-as bem fechadas..."

Conheci a autora Georgette Silen na Bienal do Livro de SP, ano passado. Ela foi super simpática e falou de seus livros com tanto amor que convenceu a mim e ao meu filho a comprarmos dois deles. Não sou fã de literatura fantástica, mas achei que tinha que ler esse livro para saber se tudo o que a autora tinha afirmado sobre ele era verdade.

A sinopse resume bem o que encontrei durante a leitura: estórias com fadas, bruxos, dragões, elfos etc... Apesar de gostar muito desse gênero, achei a leitura muito agradável, em grande parte por se tratar de vários pequenos contos, que podem ser lidos rapidamente, e por isso, são diretos, não enrolam nem têm situações absurdas. Para falar a verdade, gostei do que li.

O primeiro conto, "Até que os anjos nos separem" é um misto de estória de anjo da guarda com aquela brincadeira do copo que todos nós fazíamos quando éramos pré-adolescentes. Ficou interessante essa construção e o desfecho foi muito interessante.

O livro tem outros contos muito bacanas, com destaque para "O anel e a pedra solitária": Moira é uma garota que perdeu a mãe quando ainda era um bebê e durante toda a sua vida ouviu algumas vozes à noite. Seu pai sempre tentou tranquilizá-la dizendo que a noite tem coisas estranhas, mas que também é repleta de surpresas encantadoras. As vozes eram de pequenas fadas, que vigiavam o sono de Moira, mas não posso revelar mais nada sem estragar o final da estória. 

Todos os contos têm final interessante e são construídos de forma inteligente, com uma linguagem simples, mas não pobre. Georgette não estava apenas querendo nos vender seus livros quando fez a propaganda deles; "Fábulas ao anoitecer" é rico em detalhes e com personagens muito interessantes. Posso estar sendo repetitiva, mas esse formato de pequenas estórias deixa a leitura muito mais agradável; a trama começa, tem o desenvolvimento que te prende e um desfecho que não deixa nenhuma ponta solta, e fecha a estória de forma satisfatória. 

Outro ponto forte do livro são as ilustrações: desde a capa (que é roxa!!!) com seu enorme dragão laranja até os desenhos que iniciam cada conto, tudo é muito bem feito e representa exatamente o contexto geral da estória que está começando. As ilustrações parecem ter sido planejadas para dar um mais clima mais sombrio a cada leitura, pois são todas em branco e preto.

Para quem gosta do gênero fantástico, é uma leitura imperdível, e para as pessoas como eu, que torcem o nariz para esse tipo de literatura, é um bom ponto de partida para conhecer melhor e, quem sabe, tomar gosto pela coisa.

Fábulas ao anoitecer
Georgette Silen
Giz Editorial
168 páginas

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cheiro de livro novo #4

Meus livros novos estão lindos lindos na estante, e quero compartilhar com vocês essas últimas aquisições:


De Charlotte Brontë, Jane Eyre: eu já queria esse livro há muito tempo, desde que fiquei conhecendo a história das irmãs Brontë, e agora consegui comprá-lo numa promoção ótima do Submarino *___*. E semana passada ainda assisti ao filme baseado no livro, então fiquei ainda mais curiosa para começar a lê-lo logo.


Ah Anne Rice, a rainha das estórias de vampiro! Quero muito completar essa coleção de "Crônicas Vampirescas", mas o "Entrevista com vampiro" está sempre tão caro! Enfim, comprei "Cântico de sangue", e espero que ele seja mais interessante que "O vampiro Lestat".


Para finalizar, um dos melhores autores contemporâneos, Ian McEwan. Depois de ler "Reparação" eu me apaixonei pelo estilo dele, e quero comprar todos. Como já postei aqui,  eu também tenho o "Serena", mas infelizmente ainda não comecei a ler. Também já falei sobre o trabalho do autor no especial de Carnaval, que você pode ler clicando aqui.  

As fotos não ficaram muito boas, mas eu realmente não sei fotografar muito bem, me perdoem.

Até a próxima!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Sexta de música #15

Todo mundo curioso para saber quem vão ser os atores escolhidos para interpretar Christian Grey e Anastasia Steele no cinema, muitas apostas sendo feitas e poucas informações concretas por parte da produção do filme e E. L. James. Eu, como fã da trilogia e muito envolvida com toda a estória, torço para que não seja ninguém ligado a "Crepúsculo" (por favor, esqueçam a chata da Kristen!!!), nem a Emma Watson, pois, apesar de adorá-la, eu acho que ela não combina com o papel de Ana. Dentre os homens, eu torço loucamente para que seja escolhido o Matt Bomer, mesmo achando que as chances dele são pequenas. Mas se for o Ian ou aquele carinha da série "Arrow" também acho que vai ficar interessante.  Não queria que fosse o Ryan Gosling, mas depois de assistir um filme com ele recentemente, entendi porque tem tanta gente pedindo por ele... 


Mas por que estou falando sobre "Cinquenta tons de cinza" mais uma vez? Porque hoje acordei nostálgica e com vontade de reler os três livros. Só não o farei devido a grande fila de leituras pendentes que tenho na estante, rs.


Mas hoje é dia de música aqui no blog, e não de se lamentar pela falta de tempo para ler, rs. Para embalar essa sexta saudosista, escolhi duas músicas, uma para Christian e outra para Ana, como trilha sonora de "Cinquenta tons de liberdade".

Quem já leu a última parte da trilogia sabe como os personagens se entregaram totalmente ao amor que sentiam um pelo outro e que decidiram tentar resolver todo e qualquer problema que pudesse atrapalhar seu relacionamento. Claro que o sexo continua  quente, talvez com menos toques BDSM, mas sempre intenso. Por isso, Christian colocou no seu Ipod "Love her madly" do The Doors:

"Don't you love her madly?
wanna meet her daddy?
don't you love her face?
don't you love her as
she's walkin' out the door
like she did one thousand times before?"

"Você não a ama loucamente?
quer conhecer o pai dela?
você não ama o rosto dela?
você não a ama enquanto
ela sai por aquela porta
como ela já fez mil vezes?"


Enquanto isso, a Sra. Grey complementa sua playlist com "Fogo e Gasolina", da Roberta Sá. Ok, vocês podem alegar que ela não conhece MPB, mas vamos sonhar! Ela ouviu essa música na casa do amigo José e adorou, achou que combina perfeitamente com o sentimento que toma conta dela e de Christian quando estão juntos:

"...Você é o fósforo e eu sou o pavio
você é um torpedo e eu sou um navio
você é o trem e eu sou o trilho
eu sou o dedo e você é o meu gatilho

o nosso jogo é perigoso, menina
nós somos fogo
nós somos fogo
nós somos fogo e gasolina..." 


Gostaram das músicas de hoje? Concordam, discordam? Quais seria suas indicações para o casal? Quero ouvir a opinião de vocês. Até!

quinta-feira, 21 de março de 2013

Como se livrar de um vampiro apaixonado - resenha


"Casar-se com um vampiro certamente não estava nos planos de Jéssica Packwood para seu último ano escolar. Mas quando um novo aluno esquisitão (e muito gato) chamado Lucius Vladescu aparece do nada, dizendo que Jéssica pertence à realeza vampírica e está prometida em casamento a ele, futuro líder do clã mais poderoso dos vampiros, ela é obrigada a rever seus conceitos. Se a garota ainda nem beijou na boca, como pode sequer pensar em um compromisso eterno? Armada com uma autoconfiança recém-adquirida, Jéssica passa por uma transformação drástica de adolescente nerd americana para princesa vampira europeia nessa sátira cheia de reviravoltas e surpresas."

Eu adorei o livro! Tem o vampiro charmoso comum das estórias de vampiro, mas ele é um adolescente tentando encontrar seu lugar no mundo, como qualquer adolescente comum, e tem a mocinha apaixonada e indecisa, que se acha feia e tem medo de dar o primeiro passo, além de sua rival linda e loira. Não tem como ficar sem graça não é mesmo?

Jéssica está tranquila em sua vidinha de jovem nerd no último ano do colegial, e quer deixar o mais rápido possível tudo aquilo para trás, os traumas e os sonhos adolescentes, assim como o medo de não ser aceita. Mas no primeiro dia de aula do último ano ela é surpreendida pela presença de um garoto diferente, para dizer o mínimo: o menino está usando uma roupa preta muito bem cortada, com um sobretudo enorme mesmo estando calor. E ele olha para ela insistentemente, deixando-a sem jeito e intrigada.

Mais tarde, ele se apresenta como Lucius Vladescu, seu noivo vampiro, e diz que estão prometidos desde o nascimento por seus pais. Devem se casar e assumir o comando dos dois clãs que viveram durante muito tempo em guerra, e só estão em trégua agora para esperar a união dos jovens, que vai trazer a paz para todos.

É impossível alguém aceitar isso assim, do nada, e claro que Jéssica se rebela contra a situação, depois de descobrir suas origens vampíricas e tenta de todas as formas desfazer o acordo feito quando ela ainda era um bebê e se livrar do casamento arranjado. Lucius vai cortejando Jéssica, tentando conquistá-la, mas ela vai ficando cada vez mais revoltada com tudo aquilo.

Para ajudar, Lucius se hospeda na casa de Jéssica, e ai fica impossível não cruzar com ele. Enquanto Jéssica tenta convencer o vampiro a enfrentar sua família real e desistir do casamento, ele faz o contrário, e tenta incansavelmente convencê-la de que aquele é o seu destino e que eles serão felizes juntos.

Entre idas e vindas, eles se distanciam, se aproximam um pouco, depois voltam a se separar, enquanto cada um vai viver experiências amorosas com outras pessoas. Mas Jéssica vai dia a dia mudando sua opinião sobre o jovem vampiro bonitão e acaba descobrindo que gosta dele de verdade. Enquanto ela luta a todo custo para afastar Lucius de sua vida e esquecer toda aquela baboseira sobre vampiros que ele insiste em falar, ela vai se interessando por ele secretamente, e se acostuma tanto com sua a presença a ponto de sentir sua falta quando ele não está por perto.

Como todo pessoa da idade deles, eles são teimosos e mudam de opinião rapidamente, além de ainda não entender o que estão sentindo nem saber o que fazer com desejos e vontades que surgem de repente. Lucius luta contra seus princípios para tentar convencer Jéssica de que ela é realmente sua princesa vampira, e quando acha que isso vai prejudicar a menina, ele também passa a sofrer pelo sentimento que tem por ela. Por outro lado, quando mais Jéssica tenta se afastar, mais se sente atraída por ele.

O legal nesse livro é ver como a autora misturou o cotidiano de um adolescente americano com uma realidade totalmente diferente, que é o mundo dos vampiros, com todas as suas lendas e personagens fantásticos, de uma forma que não ficou forçado nem chato. Alíás, o livro todo é cheio de momentos engraçados e divertidos, além de alguns românticos, claro.

Ficou muito interessante a forma como Beth foi dando vida à vampira dentro da Jéssica, e a parte mais legal é quando ela narra como e quando nascem as presas dos vampiros.

Gostei também dos nomes dos cavalos dos personagens, que fazem uma clara homenagem a outras duas  importantes figuras da literatura, e que caíram muito bem no enredo da estória.

Achei que o final seria bobo ou previsível, mas nunca imaginei que iria ser como foi, ele realmente me surpreendeu.

Enfim, o livro é ótimo e indico para todos, de qualquer idade, não só para os adolescentes, pois, mesmo sendo uma estória com vampiros e sangue, ela tem uma linguagem mais simples e direcionada para o público infanto-juvenil, o que não impede que qualquer pessoa o leia.

Enquanto pesquisava a capa para postar aqui na resenha, achei a versão original, com título em inglês, e que acredito que seja mais adequado para o livro. Quando vocês lerem vão entender do que estou falando:




Como se livrar de um vampiro apaixonado
Beth Fantaskey
Editora Sextante
295 páginas

quarta-feira, 20 de março de 2013

Dia do blogueiro

Hoje é o dia do blogueiro, e achei algumas imagens bacanas relacionadas a esse ofício tão gratificante, mas pouco valorizado... enfim, vamos falar um pouco sobre a arte de blogar:


Essa primeira imagem é do site Procurando vagas ,  e a brincadeira é muito legal: muitas pessoas pensam realmente que um blogueiro só fica na frente do computador as 24 horas do dia, mas acho que para a maioria não é bem assim. Eu, por exemplo, trabalho 8 horas por dia, tenho filho e casa para cuidar, mas procuro administrar o meu tempo de modo que sempre tenha alguns momentos dedicados exclusivamente ao blog. É corrido, mas é uma delícia escrever aqui! =D


Pesquisei o Wikipedia o significado da palavra blog, e achei o seguinte: "Um blog (contração do termo inglês Web log, diário da web) é um site cuja estrutura permite a atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos, ou posts. Estes são, em geral, organizados de forma cronológica inversa, tendo foco a temática proposta do blog, podendo ser escritos por um número variável de pessoas, de acordo com a política do blog."

Ok, bonita definição, mas para nós, blogueiros, um blog é apenas o espaço onde podemos nos manifestar e expor nossas ideias a respeito de vários assuntos. Comecei a blogar em 2008 e meu primeiro blog foi de poesia: depois de passar a vida inteira escrevendo e escondendo os textos para que ninguém os lesse, resolvi colocá-los num blog, mas sem divulgar para ninguém, apenas pelo prazer de ver minhas criações na tela do computador. E eu gostei tanto da brincadeira que de lá pra cá já tive ou participei de 6 ou 7 blogs diferentes, alguns ligados a poesia, outros com contos que comecei a escrever loucamente durante algum tempo, e agora, nesse espaço lindo aqui, falando sobre o que eu realmente amo: livros.


Como a maioria do povo brasileiro não liga muito para a leitura, ás vezes dá uma vontade de abandonar o blog e aproveitar o tempo apenas lendo, mas esse negócio de ser blogueiro é realmente viciante. Isso sem falar que eu não sou boa em divulgação, então muitas vezes as coisas parecem não sair do lugar, mas não importa, gosto de escrever e passar para outras pessoas as minhas opiniões sobre o que leio, ouço e vejo, seja para 1 seguidor ou 1 milhão deles. Se uma pessoa ler um texto meu, o trabalho já terá valido a pena.

A imagem acima veio do site Mundo drive,   e faz parte da campanha "Adote um blogueiro". Achei a proposta interessante e divertida e recomento que vocês acessem o site clicando no nome dele ai em cima e veja as outras fotos da campanha. Estou certa de que a maioria dos meus colegas blogueiros vão curtir e se identificar ;)


Não vou listar aqui meus blogs preferidos, já que são vários, mas para quem quiser saber por onde eu ando quando querer ler coisa boa e compartilhar minhas paixões com blogueiros legais, dá uma olhada na coluna ai do lado direito, onde tem os links para a maioria dos blogs que costumo visitar sempre (a lista ainda não está completa, preciso atualizar, rs). E vou aproveitar a oportunidade para fazer o meu comercial e linkar os meus blogs pessoais e aqueles onde participo com outras pessoas, ok? Vocês podem acessá-los clicando no nome de cada um: 

-  Milonga: poesia e indicação de músicas que embalam o poema do dia;
- Ideias Absurdas : blog que começou em grupo e depois eu fui ficando sozinha, postando meus contos e experimentos;
- Manufatura : a proposta desse blog é escrever de forma artesanal. Ele é composto por 30 pessoas que postam uma vez por mês cada (o meu dia é sempre 23). Aqui escrevo de tudo um pouco, mas prefiro publicar contos que tenham uma música como trilha sonora;
- Os Letreiros :  esse é um espaço muito querido que foi criado na época da faculdade com alguns colegas entusiastas da literatura. Aqui podíamos falar sobre tudo, e eu sempre caprichava nos posts, que eram publicados toda sexta-feira;
- e por fim, mas não menos importante, o Suas Histórias ,  um projeto que acabou ficando abandonado por falta de tempo, e que tinha o objetivo de publicar apenas os contos mais estranhos.

Aos meus colegas blogueiros, espero que tenham um ótimo dia, bem criativo e agradável, com boas leituras e, principalmente, com ótimos posts pela blogosfera afora.


segunda-feira, 18 de março de 2013

Diálogos impossíveis - resenha



"Drácula e Batman discutem no asilo, Robespierre tenta subornar o carrasco. Goya e Picasso conversam sob o sol da Côte d'Azur. Juvenal planeja matar a mulher, Marinei, que o despreza. A recém-casada Heleninha pede conselhos ao urso de pelúcia. Nas crônicas reunidas neste volume, Luis Fernando Veríssimo escreve sobre impossibilidade, incomunicabilidade e mal-entendidos. Escreve, enfim, sobre a vida."

Nesse livro estão reunidas algumas crônicas de Veríssimo, já publicadas anteriormente nos jornais "O Estado de S. Paulo" e "Zero Hora". Com o bom humor que lhe é característico, ele retrata alguns dos momentos mais corriqueiros de nossas vidas, de maneira simples e muito divertida.

Usando como mote os diálogos mais improváveis (e hilários), o autor explora as situações delicadas e curiosas que podem acontecer com qualquer um de nós a qualquer momento, como por exemplo, no texto "A tática da bolsa", onde uma mulher monta um super plano para conhecer o homem dos seus sonhos, e, quando consegue colocá-lo em prática, percebe que o alvo não era tão "homem" quanto ela imaginava.

O livro tem 45 crônicas muito bem escritas e facílimas de ler. Como são textos pequenos, o livro fica mais fácil e rápido de ler, e é difícil parar enquanto não chegamos ao seu final: acaba uma estória e queremos passar para a próxima e a próxima sem parar!

Minhas crônicas preferidas foram: "A diferença", onde Batmam e Drácula conversam sobre seu passado; "Paula", quase como um "Senhor e Senhora Smith", o marido descobre que sua esposa na verdade é uma espiã; "Dia das mães", retrata um inusitado almoço em família em que a mãe se casou com outra mulher, mas seus filhos não conseguem aceitar esse novo relacionamento, e demonstram seu descontentamento não presenteando a madrasta no dia das mães; "RSVP": imagine ser convidado para participar da Santa Ceia!!!; "Dom Juan e a morte", o título fala por si só: o conquistador tenta ludibriar a morte com seu charme irresistível; "Geoffrey" com uma leitora voraz que adora se sentar sozinha na areia da praia, e acaba tendo um sonho no mínimo revelador sobre o livro que está lendo; "A sopa", que enfatiza aquele pequeno detalhe nas atitudes do marido que irrita a mulher durante anos de casamento, mas que ela nunca comentou antes; e claro "Estátuas", o maravilhoso texto que coloca, hipoteticamente, frente a frente as estátuas de Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Mário Quintana, para refletirem sobre a sua eterna condição de estátua de bronze, condenado a ficar paralisado eternamente, sem poder criar novos poemas, ainda que sua inspiração continue em movimento.

 Para quem gosta de uma boa leitura, daquelas que nos fazem esquecer dos problemas do dia a dia, esse livro é perfeito: Veríssimo é capaz de usar o assunto mais corriqueiro ou monótono para nos fazer sorrir e pensar nas situações absurdos pelas quais passamos duranta a vida.

Diálogos Impossíveis
Luis Fernando Veríssimo
editora Objetiva
175 páginas

sábado, 16 de março de 2013

Li até a página 100 e... #9


Diálogos Impossíveis
Luis Fernando Veríssimo
Editora Objetiva
175 páginas

*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto

Primeira frase da página 100: 

A página 100 nesse livro é uma transição entre uma crônica e outra, portanto, está em branco. Por isso, vou adotar como resposta o que está na página 99, ok?

"- Meninas, você nem imaginam..."

Do que se trata o livro?

É uma seleção de crônicas do autor que foram publicadas nos jornais "O Estado de São Paulo" e "Zero Hora".

O que você está achando até agora?

Muito divertido.

Melhor quote até aqui:

"Batman não acredita que Drácula tenha mais de 500 anos. Não lhe daria mais de 200." - Esse quote é da primeira crônica do livro, "A diferença", mas nas demais existentes outras passagens tão boas e engraçadas quanto essa.

Algum personagem merece destaque?

Difícil dizer, já que o livro é composto por vários pequenos textos, muito rápidos e diretos. Mas para não passar sem indicar um, vou escolher o  Romualdo, amigo de um escritor que precisa conversar com a tradutora belga que vai traduzir seu livro e que se passa por ele, já que o autor do livro não entende nada que a moça fala. Da crônica "A tradutora belga"

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"... mas ninguém no grupo quis estragar o triunfo da Maura sobre a Claudinha." (transcrevi só o finalzinho da frase, pois ela é a última de um texto muito legal, e se colocasse inteira aqui iria estragar a emoção da leitura).  

quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia nacional da poesia


O Dia Nacional da Poesia é comemorado em 14 de março em homenagem ao poeta Castro Alves, que nasceu nesse dia. 

Poesia é uma palavra que vem do grego poein e significa fazer, compor.

Entrando no clima das comemorações, eu, como poeta por natureza, gostaria de destacar os meus poetas brasileiros preferidos e os poemas que me inspiraram a escrever também:


Cecília Meireles: considerada uma das vozes líricas mais importantes da literatura brasileira, foi, além de poetisa, professora, pintora e jornalista. Nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901 e morreu em 1964. Nesse mesmo ano recebeu da Câmara Brasileira do Livro o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra". Seu primeiro livro de poesias foi publicado em 1919 e chamava-se "Espectros". Mas talvez seu trabalho mais relevante tenha sido "Romanceiro da Inconfidência", livro onde ela criou um poema temático, misturando o épico e o lírico para fazer um retrato da sociedade mineira, com enfoque nos personagens envolvidos na Inconfidência, que culminou no enforcamento de Tiradentes. Cecília começou a escrever o livro após uma visita a Ouro Preto, e fez inúmeras pesquisas históricas para concluí-lo.

Meu poema preferido dela é "Canção":

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime.
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
em em redor dor muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo!

Carlos Drummond de Andrade, mineiro nascido em 31 de outubro de 1902, viveu até 1987 presenteando os brasileiros com o que há de mais refinado em matéria de poesia. 

Certamente vocês já ouviram a frase "no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho". Essa é a frase inicial de seu poema "No meio do caminho", um dos mais conhecidos do poeta ao lado de "Quadrilha" (João amava Teresa, que amava Raimundo...). E provavelmente vocês também já viram, nem que for pela televisão, a famosa estátua do escritor na praia de Copacabana (RJ).

Um dos poetas mais importantes do Modernismo, Drummond ironizava em seus poemas os costumes e a sociedade, criticando satiricamente o cotidiano e a passagem subjetiva do tempo. Alguns de seus trabalhos foram traduzidos para o espanhol, inglês, francês, alemão, sueco, entre outras línguas.

O poema mais marcante de Drummond na minha vida é "Ausência":

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje, não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Vinícius de Moraes, o petinha, parceiro de Tom Jobim em grandes sucessos da MPB, é um dos maiores e mais cultuados poetas brasileiros de todos os tempos. Seus poemas retratam um amor romântico, profundo, que combina facilmente com o sentimento de quem está apaixonado, e, por isso, nunca sai de moda e parece ter sido escrito sob medida para o coração de quem ama.

Batizado como Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes ao nascer em 1913, quando completou 9 anos de idade foi com a irmã a um cartório no Rio de Janeiro e alterou sua alcunha para Vinícius de Moraes (amém!).

O autor de "Vinícius de Moraes: o poeta da paixão - uma biografia", José Castello disse sobre o poeta: "Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural.", e isso resume bem o que sentimos ao ler seus poemas: uma grande paixão pela vida, pela poesia, pela música, e por muitas mulheres, claro.

Foi difícil escolher apenas um poema de Vinícius para portar aqui, por adoro tudo que ele escreveu, principalmente os sonetos, mas optei por dois poemas, o primeiro é "Anfiguri":

Aquilo que eu ouso
não é o que quero
eu quero o repouso
do que não espero.

Não quero o que tenho
pelo que custou
não sei de onde venho
sei para onde vou.

Homem, sou a fera
poeta, sou um louco
amante, sou pai.

Vida, quem me dera...
amor, dura pouco...
poesia, ai!...

e o segundo é um soneto, óbvio, rs: "Soneto do amor total"

Amo-te tanto, meu amor... não cante 
o humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
numa sempre diversa realidade

amo-te afim, de um calmo amor prestante,
e te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
de um amor sem mistério e sem virtude
com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
é que um dia em teu corpo de repente
hei de morrer de amar mais do que pude.

** Mas eu poderia ainda postar aqui "Soneto de véspera", "Soneto do amor maior" e muitos outros tão perfeitos quanto esse...


O gaúcho Mario Quintana publicou seus primeiros trabalhos em 1919, ano em que começou a estudar no Colégio Militar de Porto Alegre, e não parou mais de escrever. ele teve o privilégio de trabalhar com Érico Veríssimo na editora A Livraria em 1936, e aí não tinha mais jeito, teria que ser escritor não é verdade?

Seu primeiro livro, "A roda dos cataventos" foi publicado em 1940 e foi tão bem recebido pelo público que seus sonetos passaram a fazer parte de livros escolares e antologias poéticas pelo país.

No seu aniversário de 60 anos, foi lançada uma antologia com 60 poemas inéditos organizados por Rubem Braga e Paulo Mendes Santos. Nessa ocasião, Quintana foi homenageado na Academia Brasileira de Letras, e Manuel Bandeira recitou o seguinte poema:

"Meu Quintana, os teus cantares
não são, Quintana, cantares:
são Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
abrem sempre os teus cantares
como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares
onde as lágrimas são mares
de amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
de um tudo-nada: ao falares,
luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde o spares
se beijam sem que repares
que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
ao ar dos melhores ares,
pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso pelo não pares
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares."

Mesmo Quintana tendo sido três vezes indicado para concorrer à uma cadeira na Academia, nunca chegou a ser escolhido, e, após perder a vaga pela terceira vez, escreveu o famoso "Poeminha do contra":

"Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
Eu passarinho!"

Essa foi apenas uma das muitas oportunidades em que o poeta usou humor e sarcasmo em seus escritos. Mas ele também sabia escrever sobre o amor, como em "Eu queria trazer-te uns versos muito lindos":

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!"

E como se o amor não fosse o suficiente para inspirar sua poesia, Quintana ainda conseguia definir em poucas e simples palavras a responsabilidade que carregam os poetas enquanto passam para o papel seus mais profundos sentimentos, como no lindo poeminha "Emergência", o meu preferido desse escritor:

"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que está numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."

Espero que gostem dos poemas e que aproveitem esse Dia Nacional da Poesia para conhecer um pouco mais sobre o assunto, tenho certeza que não se arrependerão de colocar um pouco de poesia em seu dia a dia, queridos leitores.

Para quem quiser ler mais sobre os autores citados aqui e muitos outros poetas brasileiros, acessem o site Releituras clicando aqui. 

E para conhecerem os meus poemas, entrem no meu blog de poesias Milonga.  

*** em tempo: as caricaturas são licença poética ;)