quinta-feira, 14 de março de 2013

Dia nacional da poesia


O Dia Nacional da Poesia é comemorado em 14 de março em homenagem ao poeta Castro Alves, que nasceu nesse dia. 

Poesia é uma palavra que vem do grego poein e significa fazer, compor.

Entrando no clima das comemorações, eu, como poeta por natureza, gostaria de destacar os meus poetas brasileiros preferidos e os poemas que me inspiraram a escrever também:


Cecília Meireles: considerada uma das vozes líricas mais importantes da literatura brasileira, foi, além de poetisa, professora, pintora e jornalista. Nasceu no Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1901 e morreu em 1964. Nesse mesmo ano recebeu da Câmara Brasileira do Livro o Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro "Solombra". Seu primeiro livro de poesias foi publicado em 1919 e chamava-se "Espectros". Mas talvez seu trabalho mais relevante tenha sido "Romanceiro da Inconfidência", livro onde ela criou um poema temático, misturando o épico e o lírico para fazer um retrato da sociedade mineira, com enfoque nos personagens envolvidos na Inconfidência, que culminou no enforcamento de Tiradentes. Cecília começou a escrever o livro após uma visita a Ouro Preto, e fez inúmeras pesquisas históricas para concluí-lo.

Meu poema preferido dela é "Canção":

Não te fies do tempo nem da eternidade,
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime.
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
em em redor dor muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã eu morro e não te digo!

Carlos Drummond de Andrade, mineiro nascido em 31 de outubro de 1902, viveu até 1987 presenteando os brasileiros com o que há de mais refinado em matéria de poesia. 

Certamente vocês já ouviram a frase "no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho". Essa é a frase inicial de seu poema "No meio do caminho", um dos mais conhecidos do poeta ao lado de "Quadrilha" (João amava Teresa, que amava Raimundo...). E provavelmente vocês também já viram, nem que for pela televisão, a famosa estátua do escritor na praia de Copacabana (RJ).

Um dos poetas mais importantes do Modernismo, Drummond ironizava em seus poemas os costumes e a sociedade, criticando satiricamente o cotidiano e a passagem subjetiva do tempo. Alguns de seus trabalhos foram traduzidos para o espanhol, inglês, francês, alemão, sueco, entre outras línguas.

O poema mais marcante de Drummond na minha vida é "Ausência":

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje, não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.


Vinícius de Moraes, o petinha, parceiro de Tom Jobim em grandes sucessos da MPB, é um dos maiores e mais cultuados poetas brasileiros de todos os tempos. Seus poemas retratam um amor romântico, profundo, que combina facilmente com o sentimento de quem está apaixonado, e, por isso, nunca sai de moda e parece ter sido escrito sob medida para o coração de quem ama.

Batizado como Marcus Vinitius da Cruz e Mello Moraes ao nascer em 1913, quando completou 9 anos de idade foi com a irmã a um cartório no Rio de Janeiro e alterou sua alcunha para Vinícius de Moraes (amém!).

O autor de "Vinícius de Moraes: o poeta da paixão - uma biografia", José Castello disse sobre o poeta: "Vinícius é o único poeta brasileiro que ousou viver sob o signo da paixão. Quer dizer, da poesia em estado natural.", e isso resume bem o que sentimos ao ler seus poemas: uma grande paixão pela vida, pela poesia, pela música, e por muitas mulheres, claro.

Foi difícil escolher apenas um poema de Vinícius para portar aqui, por adoro tudo que ele escreveu, principalmente os sonetos, mas optei por dois poemas, o primeiro é "Anfiguri":

Aquilo que eu ouso
não é o que quero
eu quero o repouso
do que não espero.

Não quero o que tenho
pelo que custou
não sei de onde venho
sei para onde vou.

Homem, sou a fera
poeta, sou um louco
amante, sou pai.

Vida, quem me dera...
amor, dura pouco...
poesia, ai!...

e o segundo é um soneto, óbvio, rs: "Soneto do amor total"

Amo-te tanto, meu amor... não cante 
o humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
numa sempre diversa realidade

amo-te afim, de um calmo amor prestante,
e te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
de um amor sem mistério e sem virtude
com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,
é que um dia em teu corpo de repente
hei de morrer de amar mais do que pude.

** Mas eu poderia ainda postar aqui "Soneto de véspera", "Soneto do amor maior" e muitos outros tão perfeitos quanto esse...


O gaúcho Mario Quintana publicou seus primeiros trabalhos em 1919, ano em que começou a estudar no Colégio Militar de Porto Alegre, e não parou mais de escrever. ele teve o privilégio de trabalhar com Érico Veríssimo na editora A Livraria em 1936, e aí não tinha mais jeito, teria que ser escritor não é verdade?

Seu primeiro livro, "A roda dos cataventos" foi publicado em 1940 e foi tão bem recebido pelo público que seus sonetos passaram a fazer parte de livros escolares e antologias poéticas pelo país.

No seu aniversário de 60 anos, foi lançada uma antologia com 60 poemas inéditos organizados por Rubem Braga e Paulo Mendes Santos. Nessa ocasião, Quintana foi homenageado na Academia Brasileira de Letras, e Manuel Bandeira recitou o seguinte poema:

"Meu Quintana, os teus cantares
não são, Quintana, cantares:
são Quintana, quintanares.

Quinta-essência de cantares...
Insólitos, singulares...
Cantares? Não! Quintanares!

Quer livres, quer regulares,
abrem sempre os teus cantares
como flor de quintanares.

São cantigas sem esgares
onde as lágrimas são mares
de amor, os teus quintanares.
São feitos esses cantares
de um tudo-nada: ao falares,
luzem estrelas luares.

São para dizer em bares
como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares.

Sim, em bares, onde o spares
se beijam sem que repares
que são casais exemplares.

E quer no pudor dos lares.
Quer no horror dos lupanares.
Cheiram sempre os teus cantares
ao ar dos melhores ares,
pois são simples, invulgares.
Quintana, os teus quintanares.

Por isso pelo não pares
Quintana, nos teus cantares...
Perdão! digo quintanares."

Mesmo Quintana tendo sido três vezes indicado para concorrer à uma cadeira na Academia, nunca chegou a ser escolhido, e, após perder a vaga pela terceira vez, escreveu o famoso "Poeminha do contra":

"Todos esses que aí estão
atravancando meu caminho,
eles passarão...
Eu passarinho!"

Essa foi apenas uma das muitas oportunidades em que o poeta usou humor e sarcasmo em seus escritos. Mas ele também sabia escrever sobre o amor, como em "Eu queria trazer-te uns versos muito lindos":

"Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como
uma pobre lanterna que incendiou!"

E como se o amor não fosse o suficiente para inspirar sua poesia, Quintana ainda conseguia definir em poucas e simples palavras a responsabilidade que carregam os poetas enquanto passam para o papel seus mais profundos sentimentos, como no lindo poeminha "Emergência", o meu preferido desse escritor:

"Quem faz um poema abre uma janela.
Respira, tu que está numa cela
abafada,
esse ar que entra por ela.
Por isso é que os poemas têm ritmo
- para que possas profundamente respirar.
Quem faz um poema salva um afogado."

Espero que gostem dos poemas e que aproveitem esse Dia Nacional da Poesia para conhecer um pouco mais sobre o assunto, tenho certeza que não se arrependerão de colocar um pouco de poesia em seu dia a dia, queridos leitores.

Para quem quiser ler mais sobre os autores citados aqui e muitos outros poetas brasileiros, acessem o site Releituras clicando aqui. 

E para conhecerem os meus poemas, entrem no meu blog de poesias Milonga.  

*** em tempo: as caricaturas são licença poética ;)

3 comentários:

  1. Oi Joana!
    O post ficou ótimo!
    Adorei as poesias escolhidas!
    Seu blog é lindo e já estou seguindo.
    Passa lá no Sook depois para conhecer, e se gostar siga também.

    BjO
    http://the-sook.blogspot.com.br/

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  2. Amo poesia e suas escolhas foram perfeitas. Amei!!!
    Seu cantinho é um charme, lindo seu blog. Parabéns!!!
    Já estou seguindo!!!
    http://coracaodetinta.blogspot.com.br/

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  3. Oi Joana,
    Muito lindo o post, ficou ótimo!!
    Beijinhos
    Renata
    Escuta Essa
    http://www.facebook.com/BlogEscutaEssa
    @blogescutaessa

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