domingo, 28 de abril de 2013

Série a sério #6

Assisti hoje ao último episódio de uma série que aprendi a gostar muito nos últimos anos: "Big Love", ou "Amor Imenso", no Brasil:


Com produção de Tom Hanks, criado por Mark V. Olsen e Will Scheffer, também produtores executivos, o seriado mostra a vida de uma família de polígamos e sua batalha diária para manter a harmonia e o respeito.

No papel principal temos Bill Henrickson, interpretado por Bill Paxton (Tombstone, Apollo 13), que é casado com Barbara (Jeanne Tripplehorn), Nicki (Chloë Sevigny) e Margene (Ginnifer Goodwin), e que tem, ao todo, com as 3 mulheres, 9 filhos. Eles moram em três casas separadas, uma para cada esposa, e que são interligadas pelos quintais, que dão livre acesso a qualquer uma das residências. Assim, as três famílias vivem praticamente juntas, e a única privacidade mantida por todos é a intimidade de cada casal.

No início parece estranho (e realmente é), um único homem casado com três mulheres e com três famílias distintas vivendo junto, mas conforme a série vai se aprofundando no perfil de cada personagem, passa a ser mais aceitável para o expectador o estilo de vida de Bill.

As esposas-irmãs, como são chamadas, devem viver em harmonia, e cuidar de todos os filhos como se fossem seus, dividindo alegrias e problemas, e acatando as decisões, muitas vezes absurdas, tomadas pelo homem da casa. Os filhos também devem amar e respeitar as suas três mães, e todos vão se ajudando mutuamente.


A família é mórmon, mas é como se estivessem num segmento muito peculiar da igreja, já que a religião que eles dizem seguir não aceita o casamento múltiplo. E como esse tipo de união também é legalmente proibida, eles têm que viver praticamente escondidos. Os únicos lugares onde a união plural é totalmente aceita são as chamadas 'comunidades', onde esse casamento é tradicional e alguns homens chegam a ter mais de 20 esposas ao mesmo tempo.

O avô de Bill era um profeta numa dessas comunidades, Junniper Creek, onde Bill nasceu e cresceu, mas de onde foi expulso quando era adolescente, como parte de uma armação de Roman Grant (Harry Dean Stanton), um velho ambicioso que queria tomar o poder e ser o verdadeiro profeta local. É a partir daí que nasce a primeira trama da estória: Roman e Bill são inimigos declarados e vivem tentando derrubar um ao outro para tomar o poder.


O interessante é que a segunda esposa de Bill, Nicki, é filha de Roman, o que em muitas ocasiões pode ajudar ou atrapalhar a relação dos dois, já que ela se sente rejeitada pelo pai, e está sempre dividida entre apoiar as decisões do marido ou defender sua família contra as investidas de Bill.

No decorrer da série muitas tramas paralelas vão se desenvolvendo, e cada personagem vai ganhando seu próprio espaço, como os filhos mais velhos de Bill e Barb, Ben (Douglas Smith), o primogênito, que está em dúvida sobre seguir a poligamia adotada por seu pai ou construir um casamento simples e ser aceito normalmente pela sociedade, enquanto vai descobrindo e enfrentando seus desejos sexuais adolescentes; e Sarah (Amanda Seyfried), que não aceita o estilo de vida da família e quer ter um casamento normal.


As outras esposas também têm sua importância na estória: Barb, a primeira esposa, foi quem mais teve que se adaptar ao casamento múltiplo, depois de já estar com uma família praticamente construída, aceitou dividir seu marido com uma segunda mulher, e isso sim é sinal de um amor maior que qualquer coisa. Ela precisou se afastar da própria mãe, que não aprovava seu casamento, da igreja que sempre seguiu e acreditou e viver uma vida de aparências perante a sociedade, para continuar sendo tratada com respeito pelas pessoas. Muitas vezes ela parece ser extremamente passiva, aceitando sem questionar algumas decisões de Bill, mas na verdade, ela é a mais forte da família, aquela que dá suporte a todos e organiza de forma eficiente a vida de todos, para que a convivência seja sempre pacífica.


Nicki é louca, neurótica, egoísta e vingativa, e vive o tempo todo lutando contra seus sentimentos para conviver em paz com as esposas-irmãs, o que, normalmente não acontece. Por ser muito carente e insegura, ele disputa o marido com as outras mulheres, mesmo sabendo que tem seu lugar garantido dentro do casamento. Confesso que em muitos momentos tive ódio dela por ser tão maligna; ela não tem consideração com os sentimentos de Barb e Marge e está sempre falando coisas para magoá-las.



Margene é a terceira esposa e ainda é muito nova, por isso, comente alguns deslizes típicos de quem ainda não está preparado para assumir uma responsabilidade tão grande. Mas, se por um lado ela parece ser uma completa cabeça de vento, por outro ela tem um coração enorme é está sempre disposta a perdoar e a aprender com seus erros. É a mais meiga das três esposas e a única em quem Bem e Sarah parecem confiar de verdade. Ela vai crescendo ao longo da série e descobre que a sua verdadeira vocação é ajudar as pessoas.


A série fala muito sobre religião, mas o que chama a atenção é a disputa por poder, o tempo todo. Seja nos negócios ou nas relações pessoais, tem sempre alguém tentando ser maior e melhor que outra pessoa. Apesar disso, o enfoque principal é no amor, em todas as suas formas e por todo o tipo de pessoa.

Depois de cinco temporadas, a série terminou e eu, que já estava acostumada a me encontrar com essa família problemática toda semana, estou sentindo um certo vazio. Vai ser estranho saber que não verei mais as loucuras de Nicki e a prepotência de Bill, acreditando que pode resolver todos os problemas do mundo sozinho.

Com tanta gente diferente vivendo junta, dá pra imaginar a quantidade de confusões e conflitos que surgem o tempo todo. São 9 filhos, sendo em sua maioria, crianças abaixo dos 10 anos, e que exigem cuidados e atenção 100% do tempo, dois adolescentes inseguros e em busca de sua identidade, mais 3 esposas e seus egos conflitantes, com apenas um homem para organizar, educar, alimentar e orientar religiosamente todas essas pessoas. Ufa! Cansa só de imaginar.



Claro que, apesar dos problemas, eles têm seus momentos alegres e divertidos, que vivem em conjunto, sempre prezando a união da família e a doutrina mórmon. Os Henrickson são como toda família real: vivem entre tapas e beijos, mas vão se entendendo e apoiando uns aos outros quando precisam.

No Brasil a série começou a ser transmitida em 2006 na HBO, e também pelo SBT, que comprou alguns episódios. Atualmente, está apenas no canal pago, que exibiu em abril o episódio final, depois de 5 temporadas de sucesso, que ajudou a alavancar a carreira de alguns atores, como Amanda Seyfried, que vem sendo protagonista de vários filmes, como "A garota da capa vermelha" (2011) e "Cartas para Julieta" (2010), e  Chloë Sevigny, que ganhou em 2010 o Golden Globe Award de melhor atriz coadjuvante em televisão por "Big Love" e também participou do seriado "American Horror Story - Asylum", do qual já falei aqui.



Ainda não conhece a série e se interessou pelo enrendo? Acesse o site da HBO e veja fotos e vídeos de todas as temporadas, além de saber quais as datas das próximas reapresentações do programa. Aproveitem, vale a pena: a série é cheia de grandes atores, com interpretações impecáveis e um enredo que prende a atenção de todos.


sábado, 27 de abril de 2013

Li até a página 100 e... #12




*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto

O teorema Katherine
John Green
editora Intrínseca
299 páginas

Primeira frase da página 100:

"Até demais, querida. Mas, é. Então cê bota esse pessoal pra falar e eles num param mais. Verdade verdadeira. Eu quero seis horas de gravação nova na minha mão todo santo dia. Mas façam de um tudo pra eles falarem da verdadeira história, se cês conseguirem. Tô fazendo isso pros meus netos, não pra um festival de fofoca."

Do que se trata o livro?

Colin é um menino prodígio, e não um gênio, como ele mesmo explica no decorrer do livro, que já namorou 19 meninas chamadas Katherines, e ele gosta disso. Mas, após levar um fora da K19, ele fica inconsolável e decide criar um teorema que possa prever matematicamente como pode terminar qualquer relacionamento. Sempre na companhia de seu amigo Hassan, ele sai numa viagem sem destino, a fim de tentar esquecer a última namorada, e acaba descobrindo coisas que ele nem imaginava ser capaz de fazer.

O que você está achando até agora?

O livro é incrível! Estou adorando o Colin, com toda a sua nerdice, que me lembra um pouco o Sheldon de "The big bang theory", só que com muito mais carisma e menos manias. 

Melhor quote até aqui:

"Ele começou a criar anagramas de 'para sempre sua' até que achou um que lhe agradou: se um pesar para. Então ficou deitado ali imaginando se o seu pesar pararia, e repetiu mentalmente a já decorada mensagem, e quis cair no choro, mas em vez disso sentiu apenas uma dor no plexo solar. Chorar é algo a mais: é você mais as lágrimas. Mas o sentimento que Colin carregava era um macabro choro ao contrário. Era você menos alguma coisa. Ele ficou pensando naquela expressão - para sempre - e sentiu uma queimação logo abaixo da caixa torácica."

Algum personagem merece destaque?

Com certeza o trio principal: Colin, Hassan e Lindsey. 

Vai continuar lendo?

Sim. (não consigo parar!)

Última frase dessa página:

"O, suspiro, namorado da Lindsey. É sempre o, suspiro, namorado da Lindsey. Jesus Cristo. Tá, escute aqui, é só me deixar lá na loja."

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Sexta de música #20

Ainda falando sobre "1984", de George Orwell, que resenhei ontem para vocês, não tenho certeza se consegui transmitir a essência da estória, talvez por não ter gostado muito do que li. Então, para ilustrar um pouco melhor o enredo, vamos aproveitar nosso momento musical aqui no blog e tentar esclarecer um pouco mais esse livro tão complexo:


Basicamente, o livro fala de controle do poder, da mente, das pessoas. Uma única entidade, aqui chamada de "Grande Irmão" ou "Partido" controla a tudo e a todos: as pessoas vivem de acordo com suas regras, comem, bebem e vestem apenas aquilo que lhes é propiciado e têm dentro de suas próprias casas uma "teletela" que vigia todos os seus passos. Claro que nas ruas as pessoas também são monitoradas e nada escapa aos olhos do Grande Irmão. Qualquer desobediência é castigada e o povo é condicionado a passar a vida inteira sem questionar nada, apenas aceitando as informações que lhe são transmitidas através das "teletelas" pelo Partido.

Pensando em uma música que ilustrasse essa situação, me veio à cabeça um grande clássico de Chico Buarque, "Apesar de você", que foi escrita por ele durante a ditadura militar no Brasil, quando as pessoas não tinham nenhuma liberdade para se expressar contra o regime. Em alguns momentos, a letra casa perfeitamente com a estória de Orwell, vejam:

"Hoje você é quem manda
falou, tá falado,
não tem discussão, não
a minha gente hoje anda
falando de lado
e olhando pro chão.

Você que inventou esse estado
e inventou de inventar
toda a escuridão
você que inventou o pecado
esqueceu-se de inventar
o perdão.

Apesar de você 
amanhã há de ser
outro dia
eu pergunto a você
onde vai se esconder
da enorme euforia,
como vai proibir
quando o galo insistir
em cantar?
água nova brotando
e a gente se amando
sem parar.

Quando chegar o momento
esse meu sofrimento
vou cobrar com juros, juro.
Todo esse amor reprimido 
esse grito contido
esse samba no escuro
você que inventou a tristeza
ora, tenha a fineza
de desinventar
você vai pagar e é dobrado
cada lágrima rolada
nesse meu penar.

Apesar de você
amanhã há de ser
outro dia,
inda pago pra ver
o jardim florescer
qual você não queria
você vai se amargar
vendo o dia raiar
sem lhe pedir licença
e eu vou morrer de rir
que esse dia há de vir
antes do que você pensa

Apesar de você 
amanhã há de ser
outro dia
você vai ter que ver
a manhã renascer
e esbanjar poesia
como vai se explicar
vendo o céu clarear
de repente, impunemente
como vai abafar
nosso coro a cantar 
na sua frente?"

A canção reflete perfeitamente a situação vivida por Winston e o resto das pessoas da Oceania em "1984", como por exemplo no primeiro verso que diz "Hoje você é quem manda falou, tá falado, não tem discussão...". Assim era durante o governo do Grande Irmão, o povo não podia falar livremente, nem mesmo pensar por sí mesmos, já que o Partido conseguia controlar até o que se passava na cabeça de cada um, através do controle pelas "teletelas" e reconhecendo suas expressões faciais em cada momento do dia e da noite.

Chico usou a música para protestar contra a opressão do regime militar em nosso país, e fica claro na letra que, apesar de todo o mal que estavam causando à população no momento, ele ainda tinha esperanças de que a vida iria melhorar, ainda que contra a vontade dos governantes e suas ordens: "inda pago pra ver o jardim florescer qual você não queria, você vai se amargar vendo o dia raiar sem lhe pedir licença...". Poético, não?


Outra música que pode ser usada como exemplo para entendimento do livro é "Admirável chip novo", da Pitty: 

"Pane no sistema, alguém me desconfigurou
aonde estão meus olhos de robô?
eu não sabia, eu não tinha percebido
eu sempre achei que era vivo.
Parafuso e fluido em lugar de articulação
até achava que aqui batia um coração,
nada é orgânico, é tudo programado
eu eu achando que tinha me libertado.
Mas lá vêm eles novamente
eu sei o que vão fazer 
reinstalar o sistema.

Pense, fale, compre, beba
leia, vote, não se esqueça
use, seja, ouça, diga
tenha, more, gaste, viva."

Nessa letra temos uma pessoa que está se sentindo cerceada, controlada, por algo ou alguém que sequer a permite pensar livremente. Para quem não leu o livro, talvez não faça muito sentido, mas é exatamente assim que o personagem Winston se vê: sem direito de agir ou pensar por conta própria, sem espaço para desenvolver suas ideias e fomentado um ódio cada vez maior pelo Partido, porém, com medo de se rebelar. Ou seja, ele pensa que "tem coração", mas ele não pode permitir que seus sentimentos venham à tona. Quando finalmente ele o faz, vem o Partido e tenta "reinstalar o sistema", que, através de tortura quer mudar tudo aquilo em que ele acredita.


Para encerrar o assunto Grande Irmão, vou citar também o filme "O show de Truman", que seguee a mesma linha de observação e controle de pessoas, mas aqui com uma conotação mais cômica do que política:  Jim Carrey faz o papel de Truman, um homem que nasceu dentro de um reality show e que, desde a sua concepção, no útero da mãe, é vigiado por inúmeras câmeras que transmitem ao vivo cada minuto de sua vida. O programa tem grande audiência e muitas pessoas se envolvem emocionalmente com as aventuras de Truman, seus fracassos e seus sucessos, suas dúvidas e suas alegrias. Ficaram curiosos, então vejam o trailer:


Na página da revista SuperInteressante tem uma matéria muito boa sobre "1984", vale a pena dar uma passada por lá. Clique aqui e seja redirecionado.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

1984 - resenha


"1984 não é apenas mais um livro sobre política, mas uma metáfora do mundo que estamos inexoravelmente construindo. Invasão de privacidade, avanços tecnológicos que propiciam o controle total dos indivíduos, destruição ou manipulação da memória histórica dos povos e guerras para assegurar a paz já fazem parte da realidade. Se essa realidade caminhar par o cenário antevisto em 1984, o indivíduo não terá qualquer defesa. Aí reside a importância de se ler Orwell, porque seus escritos são capazes de alertar as gerações presentes e futuras do perigo que correm e de mobilizá-las pela humanização do mundo."

Ok, eu não sou fã de clássicos, e sempre deixo isso bem claro. Tanto que ainda não tinha lido esse livro por achar que não era o momento. Mas, de repente, o momento chegou, e eu resolvi encarar o desafio, e o fiz com a mente aberta, sem nenhum tipo de preconceito ou má vontade com a estória criada por George Orwell. E no início eu até gostei do livro, parecia que ia ficar interessante, com um personagem principal cheio de dúvidas mas com muita vontade de romper barreiras e lutar contra um sistema totalmente opressor, mas, infelizmente, não continuou tão bem assim...

A maioria das pessoas já deve ter ouvido as comparações que são feitas entre esse livro o reality show "Big Brother", e eles têm lá seus pontos em comum, mas o programa tem um toque de entretenimento que o livro não possui, além de ser bem mais moderno.

Winston, o protagonista, perdeu a mãe precocemente, perdeu a esposa, mora sozinho, e trabalha para o Partido, que controla tudo. Sua atividade consiste em alterar informações de jornais, revistas, livros e qualquer tipo de registro escrito, de acordo com a vontade do Grande Irmão, para que as notícias sejam sempre positivas, ou seja, a história é mudada conforme os interesses do Partido, e assim eles vão manipulando as pessoas, impedindo-as de pensar por si mesmas, e de consultar arquivos que lhes mostrem o passado para que não coloquem em dúvida o que o Partido determina.

Num mundo onde as pessoas são impedidas de pensar, o Partido controla todo e qualquer passo das pessoas através de teletelas instaladas por todos os lugares, inclusive, dentro das casas da população, e, ao menor sinal de rebeldia ou de atitudes que sejam contrárias à ideologia do Partido a pessoa é castigada, simplesmente desaparece, sem deixar rastros, e sua existência é apagada da história. Então, as pessoas vão vivendo vigiadas, aceitando a vida que o Grande Irmão lhes proporciona, sem discutir ou questionar.

Mas sempre existem aqueles que não se conformam com a situação e tentam mudar o mundo. Nesse caso, é Winston quem tem ideias revolucionárias, desejo de mudança, mas não sabe como começar a colocá-los em prática, até que conhece Júlia, uma jovem muito atraente e que pensa mais ou menos como ele, a diferença é que ela quer desafiar o Partido apenas para benefício próprio: ela quer viver sua vida à sua maneira e nada mais importa.

E é a partir daqui que as coisas começam a ficar muito lentas: eu realmente achei que o casal iria viver um romance que resultaria  em algum tipo de luta contra o Partido, que eles iriam descobrir outras pessoas que tivessem os mesmo ideais e que o Grande Irmão seria minimamente desafiado. Mas não: Júlia se mostra chata e sem graça, as vezes até dorme enquanto Winston está falando com ela, o que me levou a pensar que ela poderia ser uma espiã do Partido.

A certa altura, Winston começa a ler um livro de uma suposta Fraternidade, que lutaria contra o regime, onde estaria escrito tudo o que ele precisaria saber para lutar contra o Partido, mas o livro é MUITO CHATO! São muitas páginas descrevendo os detalhes de como seria o mundo sem o domínio do Grande Irmão, e a leitura não rende. Pensei em desistir várias vezes, mas como já tinha abandonado esse livro há algum tempo atrás, persisti na leitura, acreditando que a estória melhoraria. Mais uma vez, me enganei.

Nada de interessante acontece, nem mesmo quando Winston acaba sendo preso e a armadilha preparada para ele pelo Partido aparece. Uma vez que caiu nas garras do Partido, o personagem sofre as piores humilhações e torturas, passa muito tempo sem comer, beber ou dormir, e é castigado com eletrochoque para que mude seu modo de pensar e seja fiel aos princípios do Partido. Ele luta por muito tempo, tentando manter sua opinião, mas o sofrimento fica insuportável a ponto dele desejar a própria morte.

Enfim, mesmo não podendo revelar aqui o desfecho decepcionante da estória, tenho que dizer que não gostei do livro. Não só porque envolve muita política, mas porque me decepcionei com o rumo que ele tomou: eu esperava um final épico, com pessoas se rebelando e desafiando o regime ditatorial em que viviam e não apenas um casal que planejava mudar o mundo mas acaba pensando apenas em seu próprio prazer (final de quem é acostumado a ler muito romance).

No início eu achei que Winston era um personagem bem construído, e que, com o cenário apresentado, ele iria crescer dentro da estória e se tornar um herói clássico. Mesmo o enredo tendo potencial para se desenvolver de maneira mais contundente e deixando a possibilidade de acontecerem situações de conflito que fizessem o leitor pensar nos rumos que o nosso mundo está tomando, eu não me afeiçoei a ele, talvez por não ser fã de política. "1984" faz jus aos comentários que eu já tinha ouvido sobre ele,  com toda a crítica que faz à sociedade e a forma lúdica que ele apresenta situações de conflito e opressão, para fazer o leitor questionar, pensar, refletir, conhecer seus governantes para saber como cobrá-los quando achar que está sendo enganado.

Recomendo a leitura sim, pois acho que um livro nunca é ruim de todo; se eu não me identifiquei com ele, muitas pessoas gostaram, e acho que muitas outras ainda podem gostar. Se você quem já leu, por favor, deixe suas opiniões nos comentários, gostaria de saber seu ponto de vista.

1984
George Orwell
editora Cia. das Letras
416 páginas

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Ele é o cara #14


Tony Belloto é músico, guitarrista da banda Titãs, apresentador e escritor *___*

Seu mais novo trabalho é o livro "Machu Picchu" (Cia. das Letras), e conta a estória de um casal que está para comemorar dezoito anos de união, e de sua família um tanto quanto problemática, aliás, como a maioria das famílias modernas. Em meio ao trânsito pesado, eles passam a refletir sobre suas vidas e sobre o casamento. Eu ainda não li esse livro, mas já li outros do Tony e posso garantir que ele escreve brilhantemente.


Mas bem antes de ser escritor, lá nos anos 80, o guitarrista formou a banda Titãs com os amigos Arnaldo Antunes, Nando Reis, Sérgio Britto, Branco Mello, Paulo Miklos, Charles Gavin (que entrou no lugar de Andre Jung), Ciro Pessoa (poucas pessoas lembram dele, por ter saído da banda ainda no seu início) e Marcelo Fromer. O grupo garantiu seu espaço no cenário musical brasileiro, com seu rock cheio de críticas à sociedade  da época e suas roupas coloridas e penteados extravagantes. Ao longo de 30 anos de carreira, os Titãs emplacaram grandes sucessos que se tornaram clássicos, como "Sonífera Ilha", "Comida", Diversão", "Polícia", "Flores", "O Pulso" e "Família".


Tony dentro dos Titãs não é só o guitarrista, ele também é letrista e participa da criação das canções. Um exemplo? A letra de "Polícia", um dos maiores sucessos da banda, é dele:

"Dizem que ela existe pra ajudar
dizem que elea existe pra proteger
eu sei que ela pode te parar
eu sei que ela pode te prender!

Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa 
de polícia!

Dizem pra você obdecer
dizem pra você responder
dizem pra você cooperar
dizem pra você respeitar!

Polícia para quem precisa
Polícia para quem precisa 
de polícia!"




Hoje os Titãs são 4, mas ainda estão na ativa com a turnê comemorativa dos 25 anos de lançamento do álbum "Cabeça Dinossauro", um dos mais emblemáticos de sua carreira, e são esses senhores de respeito aqui:


Voltano ao cara de hoje, Tony apresenta o programa "Afinando a Língua" no canal pago "Futura", onde fala sobre música e Língua Portuguesa, de uma forma leve e descontraída, sempre com convidados interessantes e ótimas apresentações musicais. 


Entre os shows e o programa, Tony consegue tempo para escrever seus romances: começou em 1995, no gênero policial, que é um dos seus preferidos, lançando "Bellini e a esfinge", que depois se tornou uma trilogia com "Bellini e o demônio" (1997) e "Bellini e os espíritos" (2005). Depois Tony mudou um pouco de estilo e misturou o policial com um drama cotidiano em "BR 163: duas histórias na estrada". Em 2001 ele escreveu sobre o que mais entende: guitarra e música - "O livro do guitarrista" conta sua própria história com o instrumento, desde quando ele viu pela primeira vez a foto de Jimi Hendrix e soube que queria ser como ele, mesclando fatos interessantes do rock brasileiro que vivenciou ao longo de sua carreira, dando dicas de bandas e discos imperdíveis. 

Já em 2007, Tony se reiventou novamente como escritor e se aventurou em outro estilo, o romance que narra o cotidiano das pessoas, a realidade permeada com conflitos psicológicos e cenários urbanos: "Os insones" (2007) e "No Buraco" (2010) têm personagens próximos e comuns ao leitor, cheios de dúvidas e problemas como qualquer um de nós. No primeiro, uma família contemporânea onde as pessoas já não se entendem tão bem, com filhos adolescentes que precisam encontrar suas identidades num mundo caótico e cheio de armadilhas, ambientado no Rio de Janeiro, mais precisamente numa comunidade dominada pelo tráfico; e o segundo fala sobre a vida após o sucesso de um músico já em decadência e caminha para a velhice, relembrando seus melhores momentos e suas aventuras enquanto estava no auge.

Seu primeiro livro foi adaptado para os cinemas em 2001 pelo diretor Roberto Santucci Filho, e contou com Fábio Assunção e Malu Mader no elenco, representando, respectivamente, Bellini e uma prostituta que o ajuda em sua investigação. Nesse filme a trilha sonora é do próprio Tony, junto com Charles Gavin (companheiro de Titãs) e Andreas Kisser (Sepultura). O filme ganhou o prêmio de melhor longa metragem de ficção no festival Rio BR, em 2001. Mais tarde, em 2010, "Bellini e o demônio" também foi para as telonas, dessa vez dirigido por Marcelo Galvão e também teve Fábio Assunção como protagonista. 


Tony também fez sua participação num filme; em 1985 ele participou do musical "Areias Escaldantes", com os Titãs, Ultraje a Rigor e Lobão. O filme foi escrito dirigido por Francisco de Paula, mas, como não recebeu o selo da Embrafilme na época de seu lançamento, só pode ser exibido fora do país. Recentemente ele foi relançado em DVD.


Bellotto já foi colunista da Veja e agora tem uma coluna no blog da Cia. das Letras, onde escreve com frequência, sempre falando sobre atualidades e contando um pouco de suas experiências. Para quem quiser ler seus textos, é só clicar aqui.  

Falando um pouco da vida pessoal, Tony é casado há anos com a atriz Malu Mader e eles têm 2 filhos: João e Antônio. Ele é torcedor do Santos Futebol Clube e apoia a legalização das drogas no Brasil. Para quem não sabe, o musico chegou a ser preso por porte de heroína em 1985 junto com Arnaldo Antunes, também dos Titãs.


Quer saber mais sobre o cara de hoje? Então clique aqui, aqui e aqui  para acessar seu perfil no Wikipedia, o site oficial dos Titãs e o link do programa Afinando a Língua no site do Canal Futura, respectivamente. E se quiser saber mais ainda sobre os livros escritos por ele, acesse aqui  a página personalizada do Skoob.


terça-feira, 23 de abril de 2013

Dia mundial do livro

Dia 23 de abril não é um dia lindo só por que é aniversário do meu filho... também é comemorado nessa data o Dia internacional do livro e do direito do autor.


Inicialmente, o dia do livro era comemorado em 7 de outubro, a partir de 1926, por sugestão da Câmara Oficial do Livro de Barcelona, por ser a data de nascimento do escritor espanhol Miguel de Cervantes, autor de "Dom Quixote", um dos maiores clássicos da literatura mundial. 

Mais tarde, em 1930, a data foi transferida para 23 de abril, para lembrar da morte de Cervantes e de outros escritores historicamente importantes, como Josep Pla e William Shakespeare. É importante lembrar que existem algumas controvérsias quanto ao dia em que teria morrido o escritor inglês, pois, na época a Inglaterra utilizava o calendário juliano, que é adiantado em 10 dias com relação ao calendário gregoriano, utilizado na Espanha. Apesar disso, é importante dizer que Shakespeare também nasceu no dia 23 de abril, então não tem jeito, o dia de alguma forma lembra o dramaturgo.

Em 1995, a data também foi estabelecida oficialmente pela Unesco como "Dia mundial do livro e do direito do autor", assim como a conhecemos hoje.


Para quem gosta de ler, não é necessário estabelecer um dia para se dedicar aos livros ou difundir o gosto pela leitura, mas é legal saber que ele existe e que, pelo menos nesse dia, algumas pessoas voltam sua atenção para esses pequenos objetos de desejo de todo leitor contumaz. Algumas escolas lembram a data, e tentam fazer com que seus alunos despertem mais interesse pela literatura, além de muitas editoras e lojas virtuais aproveitarem para fazer promoções e vender ótimos livros com melhores preços que os praticados regularmente.

Ler é sempre bom e, no mínimo, você acaba conhecendo um mundo novo, viaja para um lugar totalmente diferente de onde você vive, além de outras vantagens que vêm com o hábito da leitura, como enriquecer seu vocabulário e melhorar a fala e a escrita. O único problema é que você se apaixona tanto pelos livros, que nunca está satisfeito: quer sempre ler mais e ter mais livros na estante, rs.


Espero que todos vocês aproveitem esse dia para conhecer novos livros, ou reler aquele clássico já há tempos esquecido, ou até mesmo doar livros que já não leem para quem ainda não os conhece. Ler para as crianças também é válido: não há nada mais gratificante que fazer parte da formação de um novo leitor, e isso fica ainda mais bonito quando se trata de uma criança.

Boas leituras!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Cheiro de livro novo #6

Olá queridos leitores! Hoje é dia de atualizar a estante e mostrar para vocês meus novos livros e presentinhos =D

Minha amiga Sandra Paula trouxe direto do nordeste (esqueci a cidades, rs), dois livrinhos fofos com literatura de cordel:



Junto com os livretos, ela me trouxe essa Maria Bonita para colocar no lápis. Como eu pouco uso lápis, fui procurar outro lugar legal para deixá-la e, sem querer, acabei colocando a bonequinha ao lado dos meus mini cactus... e combinou perfeitamente!


Comprei alguns livros novos, e o primeiro que chegou foi da editora Rocco, "Os desejos da Bela Adormecida", primeiro volume da trilogia erótica escrita por Anne Ricce:


Também adquirido direto da editora, chegou o tão desejado "O livro branco", uma seleção de contos baseados em músicas dos Beatles *___* Eu estava há muito tempo querendo esse livro e comecei a leitura assim que ele chegou. Ele é muito bom!


Por último, mas nada menos importante, comprei, enfim, "Marina" de Carlos Ruiz Zafón, e é o primeiro livro dele que compro, a expectativa é enorme e espero realmente que ele seja tão bom quanto dizem...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sexta de música #19

Os tiozões do Van Halen já tinham gravado em 1978, em seu primeiro disco, a agora clássica música "You really got me", do grupo britânico The Kinks, sucesso na década de 60. Depois, os irmãos regravaram a mesma canção, numa coletânea de seus maiores sucessos lançada em 2004 (The Best of Both Worlds). Agora, mostrando que têm verdadeiro amor por essa música, a banda norte-americana a gravou novamente, em versão desplugada, como parte de um DVD bônus (The Downtown Sessions), que saiu ano passado, junto com seu último trabalho de estúdio, "A different Kind of Truth":


A primeira vez que ouvi essa música foi com o Skank, no luau que eles gravaram pra MTV em 2004, e já curti logo de cara: com 3 violões tocando em completa harmonia e a voz única de Samuel Rosa, a música ganhou uma pegada forte, mas com cara de luau mesmo, daquela roda de amigos que curte fazer um som e cantar música boa pra se divertir. 


Eu queria muito postar esse vídeo dessa apresentação pra vocês, mas não consegui acher em lugar nenhum :( Então, vou postar outro vídeo deles tocando a música, só para ilustrar um pouco o que eu estou falando:



Para finalizar o post, a música na voz de seus criadores, o The Kinks. Não é a toa que ela se tornou um clássico do rock mundial e já foi interpretada por diversas bandas ao longo desses anos:


quinta-feira, 18 de abril de 2013

O jogo da minha vida - resenha


"Num país onde parte considerável da população acredita poder comandar a seleção brasileira de futebol, este livro é um convite à reflexão sobre a realidade dos jogadores brasileiros - uma realidade bem diferente da que nós, torcedores, imaginamos. Corajoso, Paulo André oferece a sua história - e o seu rosto - como exemplo de uma profissão que, para os que acompanham de longe, parece muito glamurosa, mas que é extremamente competitiva, difícil e solitária para aqueles que decidem enfrentar o desafio."

Quantos jogadores de futebol vocês conhecem que escreveram livros? Não biografias, mas livros com conteúdo, que mostram um lado do esporte que não conhecemos? 

Nesse livro o jogador Paulo André conta um pouco de sua experiência dentro do futebol, e de todas as dificuldades que ele teve que enfrentar para chegar onde está hoje. Em sua narrativa fica claro o abandono em que vivem os garotos que decidem tentar a sorte no futebol, e quantos desafios eles têm que vencer, diariamente, para tentar ganhar algum espaço nesse universo tão cheio de estrelas e glamour. E todo esse brilho engana a marioria dos meninos que saem de casa ainda tão jovens, deixando para trás a família e muitas vezes a própria infância, que acabam desistindo no meio do caminho, sem alcançar a tão sonhada fama.

Desde que saiu da casa dos pais para morar no CT do São Paulo  Futebol Clube, Paulo André percebeu essa dura realidade que teria que enfrentar, junto com os amigos que foi fazendo por onde passava, e que, muitas vezes, iam ficando pelo caminho. Por ser uma pessoa diferenciada (e isso é uma opinião que tive durante a leitura) ele, sozinho, tomou a iniciativa de continuar estudando sempre, mesmo com tantos percalços, para garantir um futuro, ainda que não fosse no mundo da bola. E isso hoje fica evidente em suas entrevistas, onde vemos o oposto da maioria dos jogadores, que têm dificuldade com as palavras e estão sempre dando as mesmas respostas às perguntas.

Paula André deixa claro que passou por maus bocados antes de ser contrato pelo Le Mans, da França, enquanto tentava a sorte em pequenos clubes do interior paulista. Durante a leitura podemos sentir um pouco do sofrimento por quê passam os aspirantes a grandes estrelas do futebol. Mesmo depois que ele foi jogar no exterior e sofreu uma contusão grave no joelho, que o afastou dos gramados por meses, ele pensou em deixar de jogar, duvidando que se recuperaria a contento para voltar a exercer sua Novamente fica claro que ele só passou por tudo pois tinha uma boa base e conseguiu superar a distância da família e as dúvidas, para voltar a atuar bem.

Voltando para o Brasil, ele foi contrato pelo Corinthians, onde está desde 2009, e já ganhou vários títulos, como a Libertadores e o Mundial de Clubes de 2012.

Com uma narrativa inteligente, Paulo consegue expor muitos problemas existentes hoje no futebol profissional, e deixa claro que tem não só ideias, mas também vontade para mudar o quadro que esta aí. Ele sabe que para melhorar a situação de quem quer ser jogador de futebol, tem que se começar de baixo, pelas categorias de base, e tenta fazer a sua parte para isso, conscientizando outras pessoas e brigando pelos direitos dos jogadores. Numa entrevista na ESPN à época do lançamento do livro, ele disse que futuramente gostaria de exercer o cargo de presidente da CBF. Competência para isso ele possui, tomara que chegue lá.

Além de saber mais sobre a vida profissional de Paulo André, o leitor também conhecerá alguns outros talentos dele, como por exemplo, o de artista plástico: ele começou a estudar arte na França e arriscou fazer algumas telas, como hobby, e acabou levando a brincadeira a sério, e, quem viu seus trabalhos depois da final do Mundial, que foram leiloados para ajudar algumas insituições que cuidam de jovens carentes, percebe que ele também leva jeito para a coisa.

O livro é leve e divertido, com fotos de vários momentos diferentes da vida do autor, e tem algumas passagens bem interessantes, como a que ele conta como foi o início de sua passagem pelo time francês, o contato com uma cultura tão diferente, e com a organização do futebol que difere tanto da brasileira.

Recomendo a leitura não apenas para quem gosta de futebol, mas para todos. Vale a pena conhecer um pouco dos bastidores da grande festa que é o futebol, e saber que nem tudo é tão bonito quanto se imagina.  Cada história contada por Paulo André pode ser compreendida como uma lição de vida: lute por seus sonhos, sabendo que passará por momentos difíceis, e nunca deixe de apostar em você mesmo, na sua valorização e no seu crescimento como pessoa. Depois de tudo, o que fica mesmo, é o conhecimento que conseguimento durante a vida, e as experiências, boas e ruins, que serão sempre lembradas.

O jogo da minha vida
Paulo André Benini
editora Leya
275 páginas

terça-feira, 16 de abril de 2013

Disputa entre sagas

Olá leitores! Hoje vou reproduzir aqui um post que saiu originalmente no site Sobre livros, sobre uma hipotetica batalha entre as sagas "O senhor dos anéis", de J. R. R. Tolkien e "As crônicas de gelo e fogo", de George R. R. Martin.

Esse embate foi imaginado pelo próprio Martin, numa netrevista dada à MTV americana, e o site Sobre Livros criou esse infográfico para simular o confronto. Vamos ver que sai vencedor?

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No mesmo site tem dois links para quem quiser ler mais informações sobre as duas obras. Aproveitem!




domingo, 14 de abril de 2013

Filmando #6

O post de hoje é sobre 3 filmes que eu adoro, e que recomendo muito para quem ainda não assistiu:


A foto é dos meus Dvd's, ainda não sou muito boa fotógrafa, mas me arrisco, rsrs.



Forrest Gump (no Brasil: Forrest Gump, o contador de histórias), foi lançado em 1994 e foi baseado no romance homônimo escrito por Winston Groom, de 1986. Tem no papel principal Tom Hanks, que atuou brilhantemente e mereceu o Oscar de melhor ator que ganhou pelo filme. O longa também ganhou por Melhor filme e Melhor diretor (Robert Zemeckis), das treze categorias a que foi indicado.

Já na primeira cena do filme Forrest começa a contar a história de sua vida a uma mulher que está sentada num ponto de ônibus a seu lado. A partir dai, ele vai relatando para diferentes pessoas que esperam o coletivo as muitas aventuras que viveu, e todos os lugares por onde passou. Como desde pequeno ele foi diagnosticado com um Q.I abaixo da média, ele não consegue perceber alguns detalhes da sua trajetória, que  fizeram parte de momentos importantes da história dos Estados Unidos.

A narrativa atravessa várias décadas e diversos fatos marcantes, com imagens reais mescladas a outras geradas por computador para incluir Forrest, fazendo com que ele fosse parte da história real. Ele participa de vários eventos históricos da segunda metade do século XX, conhecendo pessoas importantes da história: quando criança ele, sem querer, ensina a Elvis Presley os passos de dança que, futuramente, o deixariam famoso; fazendo parte da equipe das estrelas de Futebol, Forrest conhece o presidente Kennedy em sua visita a Casa Branca; num programa de entrevistas, ele conhece John Lennon e fala com ele sobre a China, o que teria lhe inspirado a escrever o clássico "Imagine"; ele participa da Guerra do Vietnã e, ao retornar para os EUA, também conhece o presidente Richard Nixxon, que lhe convida para se hospedar no complexo de escritórios e hotes de Watergate. No meio da noite, Forrest vê uma movimentação estranha numa sala em frente a seu quarto e pessoas usando lanternas. Ele chama a polícia, o que acaba desencadeando o escândalo conhecido como Caso Watergate e derrubaria o presidente Nixon.

Outra parte interessante do filme é quando Forrest simplesmente se levanta da cadeira em sua casa no Alabama e sai correndo sem rumo. Ele corre por 3 anos e meio, ganha centenas de seguidores, até que, de repente e sem nenhuma explicação, ele para.

Outros personagens importantes no filme são a Jenny, amiga de infância por quem Forrest sempre fora apaixonado; o Tenente Dean, que comandava Forrest na Guerra e depois acaba virando seu sócio e amigo, e Bubba, companheiro de exército e que conhece tudo sobre camarões, e claro, sua mãe, que faz de tudo para proteger o pequeno Forrest das maldades do mundo.


Talvez só fazendo esse pequeno resumo do filme eu não consiga transmitir sua qualidade, ou mostrar o quanto a estória é boa, rica em detalhes e cheia de momentos engraçados. Mas eu garanto que vale a pena encarar as mais de 2 horas de duração do filme, ele é espetacular, e a interpretação de Tom Hanks, como sempre, foi magnífica. Duvido que após ver o filme vocês não vão sair repetindo suas frases: "A vida é como uma caixa de bombons, você nunca sabe o que vai encontrar" ou "idiota é quem faz idiotices".



Já falei aqui sobre alguns trabalho de Tarantino, mas hoje o destaque é para o filme "Bastardos Inglórios" (Inglorious Baterds, 2009).

Com uma atuação brilhante de Brad Pitt, ao lado de Christoph Waltz, que ganhou o Oscar por Melhor ator coadjuvante, esse filme conta um a estória de um plano para matar Hittler e outros políticos da Alemanha nazista durante uma sessão de cinema.

Pitt interpreta o tenente Aldo Raine, que encabeça um grupo de extermínio de nazistas que, quando não mata aqueles que captura, marca sua testa com uma faca, fazendo o símbolo da Suástica, para que ele possa ser sempre identificado como nazista, logo depois o solta para que ele mostre aos outros discípulos de Hittler o que lhe aconteceu e apavorar os demais soldados.

Shosanna, uma jovem judia que fugiu da morte e assumiu a identidade de Emmanuelle Mimieus, e agora é dona de um cinema em Paris, é indicada por um soldado alemão para fazer em seu cinema a noite de estreia de um filme sobre ele, onde estarão presentes todos os mais altos integrantes da cúpula nazista, inclusive o Führor. Então, nessa noite, um soldado britânico infiltrado, com a ajuda do grupo de Aldo, tem a missão de matar Hittler e todos os seus comparsas. Infelizmente, o plano não sai como eles imaginaram.


Muitas cenas cômicas permeiam a estória, que vai sendo contada, no estilo Tarantino, por partes: algumas vezes com o grupo de Aldo como protagonistas, outras com a bela Emmanuelle, que vive atormentada com a presença do coronel da SS Hans Landa (Waltz), o mesmo que havia tentado matá-la quando ainda era adolescente. Ele é cruel e é conhecido como o caçador de judeus, não deixando vivo nenhum deles.

O filme tem as marcas do diretor em vários momentos, e Brad Pitt está hilário como líder dos Bastardos.


Recentemente também já falei aqui da interpretação brilhantes de Heath Ledger como Coringa nesse filme, e só por isso, ele já vale o ingresso, rs.

Lançado em 2008, "Batman o cavaleiro das trevas" é o segundo episódio da trilogia dirigida por Christopher Nolan e traz no papel principal Christian Bale como o homem-morcego.

Enquanto o Coringa toca o terror em Gotham com suas maluquices a fim de desvendar a identidade secreta do Batman, esse tem que proteger a cidade e sua amada Rachel, que, cansada de esperar pela decisão de Bruce Wayne, está agora namorando um promotor público que está decidido a acabar com a criminalidade em Gotham City, Harvey Dent, que, futuramente, se tornará o Duas Caras, um dos inimigos de Batman nos quadrinhos.

O filme foi aclamado pela crítica e atualmente é a 13a. maior bilheteria do cinema na história. Foi indicado em 8 categorias do Oscar e ganhou como Melhor ator coadjuvante, dando um prêmio póstumo a Heath Ledger, e Melhor edição de som.

O elenco de estrelas ainda conta com Morgan Freeman, Maggie Gyllenhaal, Gary Oldman, Michael Caine e Aaron Eckhart como Harvey Dent.

Eu adoro os filmes do Batman, com seus veículos super rápidos e equipados, sua roupa esquisita, só não gosto da voz rouca que insistem em colocar no personagem, mas não vou ficar falando muito sobre o filme, pois acho que a maioria das pessoas já assistiu. Se você faz parte da minoria que nunca viu esse clássico do cinema, está na hora de consertar isso.

sábado, 13 de abril de 2013

Li até a página 100 e... #11



*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto

1984
George Orwell
editora Cia. das letras
416 páginas

Primeira frase da página 100:

"Parecia saber-lhe exatamente que impressão dava sentar-se num quarto assim, numa poltrona ao pé do fogo, com os pés na guarda e a chaleira no gancho: completamente só, em completa segurança, sem ninguém a fitá-lo, sem voz a persegui-lo, sem ruído algum além do tiquetaque do relógio e o chilrear da chaleira."

Do que se trata o livro?

De um mundo onde as pessoas são quase que vigiadas, 24 horas por dia, por um dominador chamando Grande Irmão, que impôs ao povo as regras extremamente rígidas do Partido, e que as controla através de uma teletela instalada na casa de cada um, que transmite aos vigilantes tudo o que as pessoas pessoas fazem. Além disso, até os pensamentos são controlados: não se pode exprimir opinião própria sobre nada, ou você será "vaporizado", ou seja, será capturado pela polícia do pensamento e sumirá sem deixar rastros, sendo, inclusive, apagado o seu passado e tudo o que diz respeito a sua existência. Aliás, não é nem possível pensar por si mesmo, já que o Partido controla tudo o que se vê, ouve e lê: os jornais, revistas e até livros de história são alterados de acordo com a vontade do Grande Irmão e de seus interesses naquele momento; por exemplo, se ele quer que o povo acredite que a última safra de certo produto foi a melhor e mais rentável de todos os tempos, ele simplesmente altera as notícias anteriores para que essa seja a verdadeira, e, sem poder discutir ou procurar fontes diferentes, as pessoas acreditam naquilo que lhes é passado sem questionar, e assim vão sendo enganadas e vivendo cada vez mais sob o domínio do Partido. 

O que você está achando até agora?

Bom. Não é muito o meu tipo de livro, mas, por ser um clássico, achei que já era hora de conhece-lo melhor.

Melhor quote até aqui:

"Winston deixou cair os braços e lentamente tornou a encher os pulmões de ar. Seu espírito mergulhou no mundo labiríntico do duplipensar. Saber e não saber, ter consciência da completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-se contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da democracia e que o Partido era o guardião da democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplipensar" era necessário usar o duplipensar."

Algum personagem merece destaque?

Julia, a louca, rs. Ela só quer aproveitar a vida e não se importa com as consequências.

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"Ah... laranjas e limões, dizem os sinos de S. Clemente. Uma modinha que havia quando eu era menino."

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sexta de música #18

Para embalar essa sexta-feira escolhi uma música um pouco antiga, mas que eu adoro. Quando ouvi essa música pela primeira vez eu não sabia exatamente o valor desse tipo de canção, nem tampouco conhecia a qualidade da cantora, mas me apaixonei por ela de cara. Ficava ouvindo o disco no trabalho, vezes e vezes sem fim, e a cada vez que ouvia, descobria um pequeno detalhe na interpretação ou uma palavra que eu ainda não conhecia. A partir daí, nunca mais deixei de ouvir Marisa Monte. A música de hoje é Diariamente, com letra de Nando Reis, que vocês podem acompanhar abaixo, enquanto rola o vídeo, está no álbum "Mais", segundo trabalho da cantora, lançado em 1991, e que também conta com os hits "Beija Eu" e "Ainda Lembro"




Depois, me digam se ela não é tudo de bom, e se a letra não faz todo o sentido:

"Para calar a boca: ricino
para lavar a roupa: Omo
para viagem longa: jato
para difíceis contas: calculadora

Para o pneu na lona: jacaré
para a pantalona: nesga
para pular a onda: litoral
para o lápis ter ponta: apontador

Para o Pará e o Amazonas: látex
para parar na Pamplona: Assis
para trazer à tona: homem-rã
para a melhor azeitona: Ibéria

Para o presente da noiva: marzipã
para Adidas: o Conga nacional
para o outno, a folha: exclusão
para embaixo da sombra: guarda-sol

Para todas as coisas: dicionário
para que fiquem prontas: paciência
para dormir a fronha: madrigal
para brincar na gangorra: dois

Para fazer uma touca: bobs
para beber uma Coca: drops
para ferver uma sopa: graus
para a luz lá na roça: duzentos e vinte volts

Para vigias em ronda: café
para limpar a lousa apagador
para o beijo da moça: paladar
para uma voz muito rouca: hortelã

Para a cor roxa: ataúde
para a galocha: Verlon
para ser mother: melância
para abrir a rosa: temporada

Para aumentar a vitrola: sábado
para a cama de mola: hóspede
para trancar bem a porta: cadeado
para que serve a calota: Volkswagen

Para quem não acorda: balde
para a letra torta: pauta
para parecer mais nova: Avon
para os dias de prova: amnésia

Para estourar pipoca: barulho
para quem se afoga: isopor
para levar na escola: condução
para nos dias de folga: namorado

Para o automõvel que capota: guincho
para fechar uma aposta: paraninfo
para quem se comporta: brinde
para a milher que aborta: repouso

Para saber a resposta: vide o verso
para escolher a compota: Jundiaí
para a menina que engorda: Hipofagin
para a comida das orcas: krill

para o telefone que toca
para a água lá na poça
para a mesa que vai ser posta
para você. o que você gosta:
diariamente."


Obs: eu queria postar esse vídeo que está aqui, mas não consegui :(. Ele é uma graça, e vale a pena assistir.