domingo, 28 de abril de 2013

Série a sério #6

Assisti hoje ao último episódio de uma série que aprendi a gostar muito nos últimos anos: "Big Love", ou "Amor Imenso", no Brasil:


Com produção de Tom Hanks, criado por Mark V. Olsen e Will Scheffer, também produtores executivos, o seriado mostra a vida de uma família de polígamos e sua batalha diária para manter a harmonia e o respeito.

No papel principal temos Bill Henrickson, interpretado por Bill Paxton (Tombstone, Apollo 13), que é casado com Barbara (Jeanne Tripplehorn), Nicki (Chloë Sevigny) e Margene (Ginnifer Goodwin), e que tem, ao todo, com as 3 mulheres, 9 filhos. Eles moram em três casas separadas, uma para cada esposa, e que são interligadas pelos quintais, que dão livre acesso a qualquer uma das residências. Assim, as três famílias vivem praticamente juntas, e a única privacidade mantida por todos é a intimidade de cada casal.

No início parece estranho (e realmente é), um único homem casado com três mulheres e com três famílias distintas vivendo junto, mas conforme a série vai se aprofundando no perfil de cada personagem, passa a ser mais aceitável para o expectador o estilo de vida de Bill.

As esposas-irmãs, como são chamadas, devem viver em harmonia, e cuidar de todos os filhos como se fossem seus, dividindo alegrias e problemas, e acatando as decisões, muitas vezes absurdas, tomadas pelo homem da casa. Os filhos também devem amar e respeitar as suas três mães, e todos vão se ajudando mutuamente.


A família é mórmon, mas é como se estivessem num segmento muito peculiar da igreja, já que a religião que eles dizem seguir não aceita o casamento múltiplo. E como esse tipo de união também é legalmente proibida, eles têm que viver praticamente escondidos. Os únicos lugares onde a união plural é totalmente aceita são as chamadas 'comunidades', onde esse casamento é tradicional e alguns homens chegam a ter mais de 20 esposas ao mesmo tempo.

O avô de Bill era um profeta numa dessas comunidades, Junniper Creek, onde Bill nasceu e cresceu, mas de onde foi expulso quando era adolescente, como parte de uma armação de Roman Grant (Harry Dean Stanton), um velho ambicioso que queria tomar o poder e ser o verdadeiro profeta local. É a partir daí que nasce a primeira trama da estória: Roman e Bill são inimigos declarados e vivem tentando derrubar um ao outro para tomar o poder.


O interessante é que a segunda esposa de Bill, Nicki, é filha de Roman, o que em muitas ocasiões pode ajudar ou atrapalhar a relação dos dois, já que ela se sente rejeitada pelo pai, e está sempre dividida entre apoiar as decisões do marido ou defender sua família contra as investidas de Bill.

No decorrer da série muitas tramas paralelas vão se desenvolvendo, e cada personagem vai ganhando seu próprio espaço, como os filhos mais velhos de Bill e Barb, Ben (Douglas Smith), o primogênito, que está em dúvida sobre seguir a poligamia adotada por seu pai ou construir um casamento simples e ser aceito normalmente pela sociedade, enquanto vai descobrindo e enfrentando seus desejos sexuais adolescentes; e Sarah (Amanda Seyfried), que não aceita o estilo de vida da família e quer ter um casamento normal.


As outras esposas também têm sua importância na estória: Barb, a primeira esposa, foi quem mais teve que se adaptar ao casamento múltiplo, depois de já estar com uma família praticamente construída, aceitou dividir seu marido com uma segunda mulher, e isso sim é sinal de um amor maior que qualquer coisa. Ela precisou se afastar da própria mãe, que não aprovava seu casamento, da igreja que sempre seguiu e acreditou e viver uma vida de aparências perante a sociedade, para continuar sendo tratada com respeito pelas pessoas. Muitas vezes ela parece ser extremamente passiva, aceitando sem questionar algumas decisões de Bill, mas na verdade, ela é a mais forte da família, aquela que dá suporte a todos e organiza de forma eficiente a vida de todos, para que a convivência seja sempre pacífica.


Nicki é louca, neurótica, egoísta e vingativa, e vive o tempo todo lutando contra seus sentimentos para conviver em paz com as esposas-irmãs, o que, normalmente não acontece. Por ser muito carente e insegura, ele disputa o marido com as outras mulheres, mesmo sabendo que tem seu lugar garantido dentro do casamento. Confesso que em muitos momentos tive ódio dela por ser tão maligna; ela não tem consideração com os sentimentos de Barb e Marge e está sempre falando coisas para magoá-las.



Margene é a terceira esposa e ainda é muito nova, por isso, comente alguns deslizes típicos de quem ainda não está preparado para assumir uma responsabilidade tão grande. Mas, se por um lado ela parece ser uma completa cabeça de vento, por outro ela tem um coração enorme é está sempre disposta a perdoar e a aprender com seus erros. É a mais meiga das três esposas e a única em quem Bem e Sarah parecem confiar de verdade. Ela vai crescendo ao longo da série e descobre que a sua verdadeira vocação é ajudar as pessoas.


A série fala muito sobre religião, mas o que chama a atenção é a disputa por poder, o tempo todo. Seja nos negócios ou nas relações pessoais, tem sempre alguém tentando ser maior e melhor que outra pessoa. Apesar disso, o enfoque principal é no amor, em todas as suas formas e por todo o tipo de pessoa.

Depois de cinco temporadas, a série terminou e eu, que já estava acostumada a me encontrar com essa família problemática toda semana, estou sentindo um certo vazio. Vai ser estranho saber que não verei mais as loucuras de Nicki e a prepotência de Bill, acreditando que pode resolver todos os problemas do mundo sozinho.

Com tanta gente diferente vivendo junta, dá pra imaginar a quantidade de confusões e conflitos que surgem o tempo todo. São 9 filhos, sendo em sua maioria, crianças abaixo dos 10 anos, e que exigem cuidados e atenção 100% do tempo, dois adolescentes inseguros e em busca de sua identidade, mais 3 esposas e seus egos conflitantes, com apenas um homem para organizar, educar, alimentar e orientar religiosamente todas essas pessoas. Ufa! Cansa só de imaginar.



Claro que, apesar dos problemas, eles têm seus momentos alegres e divertidos, que vivem em conjunto, sempre prezando a união da família e a doutrina mórmon. Os Henrickson são como toda família real: vivem entre tapas e beijos, mas vão se entendendo e apoiando uns aos outros quando precisam.

No Brasil a série começou a ser transmitida em 2006 na HBO, e também pelo SBT, que comprou alguns episódios. Atualmente, está apenas no canal pago, que exibiu em abril o episódio final, depois de 5 temporadas de sucesso, que ajudou a alavancar a carreira de alguns atores, como Amanda Seyfried, que vem sendo protagonista de vários filmes, como "A garota da capa vermelha" (2011) e "Cartas para Julieta" (2010), e  Chloë Sevigny, que ganhou em 2010 o Golden Globe Award de melhor atriz coadjuvante em televisão por "Big Love" e também participou do seriado "American Horror Story - Asylum", do qual já falei aqui.



Ainda não conhece a série e se interessou pelo enrendo? Acesse o site da HBO e veja fotos e vídeos de todas as temporadas, além de saber quais as datas das próximas reapresentações do programa. Aproveitem, vale a pena: a série é cheia de grandes atores, com interpretações impecáveis e um enredo que prende a atenção de todos.


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