sexta-feira, 31 de maio de 2013

Sexta de música #24

O filme "Faroeste Caboclo", estreou ontem, e eu só vou assisti-lo amanhã, mas como hoje é dia de música, vamos falar sobre a canção épica que foi base para o longa dirigido por René Sampaio.


Muita gente conhece a música, e tenho certeza que, todo mundo da minha idade sabe cantá-la do início ao fim. Claro que decorar sua letra, com seus longos 9 minutos de duração, não era tarefa fácil na época em que não existia internet por aqui e todos os sites que trazem a letra da música inteirinha, pronta para ser lida e estudada. Para as pessoas que nasceram na década de 90 é necessário explicar que existia vida antes da ineternet (rs). Nos anos 80, nós, adolescentes que estávamos saindo do período da ditadura militar e começávamos a descobrir até onde poderia ir nossa liberdade, nos deparávamos com essas bandas de rock que tinham ótimas canções. com letras revolucionárias e que eram quase hinos para toda a nossa geração. A Legião Urbana fazia parte dessa turma, e Renato Russo praticamente liderava todo mundo. Eis que, da cabeça maluca dele, nasce essa música que, à primeira vista, pode causar estranheza, ou perplexidade, com a estória do casal João do Santo Cristo e Maria Lúcia, mas que, conforme você vai ouvindo e se acostumando com ela, fica impossível não se apaixonar e querer entender cada um de seus versos.


Portanto, para nós a única alternativa era esperar a música tocar na rádio, ficar com uma fita cassete a postos no gravador, com o botão rec já acionado para que, quando ela começasse, pudéssemos gravá-la. E isso não era fácil, já que a canção tem quase 10 minutos e a maioria das rádios tocava só uma parte dela. Feito isso, era só pegar um papel e uma caneta e ir ouvindo, frase por frase, e transcrevendo-as para a folha. Era assim até o final: play, ouvir a frase, pause, escrever a frase, play, ouvir a frase, pause, escrever a frase, play, ouvir a frase, pause, escrever a frase...

Eu passei por isso. Todos os meus amigos passaram por isso, e era incrível: fazíamos apostas para ver quem conseguia decorar a letra toda primeiro, passávamos dias e dias cantando, pedacinho por pedacinho, e vendo quem não tinha entendido essa ou aquela palavra, e era mágico quando tudo se juntava e a música tomava conta daquele grupo de jovens que passava a cantá-la o tempo todo.


Mas, nostalgias a parte, a música é realmente perfeita. A letra conta mesmo uma estória, bem construída, que tem começo, meio e fim, como adoram as professoras de redação. Conta a vida do jovem João do Santo Cristo que sai do sertão nordestino, deixando para trás uma vida miserável, para tentar algo de bom na capital do país. Chegando na cidade, ele tenta viver decentemente, mas não consegue. Ele acha uma saída ao se envolver com a bandidagem de Brasília, e se torna um dos marginais mais respeitados e temidos da região, até que encontra a mocinha e se apaixona. E como todo nós sabemos, e aí que o cara mau se dá muito mal, pois um coração tomado pelo amor já não consegue ser tão perverso quanto antes.

Como a própria letra da música diz, João vai para o inferno após se envolver com Maria Lúcia, mas ele retorna e busca vingança: quer matar seu antigo rival que acabou se casando com sua amada enquanto ele esteve preso. E o faroeste começa!


Não será spoiler se eu disser que tudo acaba tragicamente, quase como num roteiro de Shakespeare, com a morte de João e Maria, depois da batalha entre ele e Jeremias, seu eterno rival, remetendo a Romeu e Julieta, porém, ambientado na aridez de Brasília, já que o desfecho da estória é de conhecimento público. 

Dado Villa-Lobos, guitarrista da "Legião" fez a seguinte explicação sobre a letra da música para o site oficial do filme: "Tudo começa no marasmo da fazenda, no Brasil rural, com uma base de cordel e, conforme a letra vai avançando, conforme João chega à Brasília, ao centro do país e do poder, e os novos personagens vão surgindo, os elementos musicais vão aparecendo e a música vai se transformando. A guitarra, por exemplo, demora a entrar, mas quando aparece, segue até o fim. Ou então, quando surge o 'plano santo' do Santo Cristo, a música faz clara referência ao Reggae, a Bob Marley. É isso... A música - os acordes, o ritmo, a batida, os instrumentos - acompanha a letra e vai num crescente até o fim clássico shakeasperiano, a morte trágica de João do Santo Cristo, Maria Lúcia e Jeremias."

Renato compôs a canção em 1979, quando ainda morava na capital e sentia a repressão da ditadura militar ser confrontada pela doutrina punk rock que vinha de Londres. Ele começou a cantá-la na época em que se apresentava como "O Trovador Solitário", após ter deixado o "Aborto Elétrico" e antes de formar a "Legião Urbana", porém, ela só foi gravada em 1987, no álbum "Que país é este?" e alcançou a grande massa de fãs da banda, que a consideram até hoje como uma das melhores criações do músico.


Há algumas versões para a história que inspirou Renato a escrever "Faroeste": uma delas diz que o cantor certa vez pegou um táxi e o motorista lhe contou o drama vivido por seu irmão, e ele se baseou nela para compor a música; outra conta que o baixista do "Capital Inicial", Flávio Lemos, passava as férias na casa de uma tia de Renato e ficou com uma prima dele, por quem ele era apaixonado. Mas existem também algumas pessoas que dizem que o músico tocou essa música pela primeira vez na casa dessa mesma tia. Renato nunca confirmou nenhuma dessas hipóteses e garantia que a letra da música era totalmente fictícia, e que esses rumores sobre a sua criação só fazia aumentar o mistério acerca da canção.


A música com seus 168 versos chegou a ser censurada por causa dos palavrões, mas foi feita uma edição e colocaram um sinal sonoro sobre eles, permitindo assim que ela fosse executada nas rádios. Hoje isso pode parecer absurdo, mas temos que lembrar da época em que ela foi lançada e que, no início dos anos 80, não era tão comum assim usar abertamente palavras de baixo calão.

Duas curiosidades sobre "Faroeste": ela não é a canção mais longa da banda - eles ainda gravaram "Metal contra as nuvens", que tem 11 minutos e 22 segundos, no álbum "V" e "Clarisse", com 10 minutos e 32 segundos (Uma outra estação), e diz a lenda que a intenção de Renato ao escrever a música era criar a sua própria "Hurricane", se referindo a canção de Bob Dylan que fala sobre os atos de racismos perpetrados contra Carter, um homem que foi acusado de homicídio nos EUA em 1966:

"... e os jornais, todos pegaram uma carona nessa onda
como pode a vida de um homem desses
ficar na palma da mão de algum tolo?
vê-lo obviamente condenado numa armação
não teve outro jeito a não ser me fazer sentir vergonha
de morar numa terra onde a justiça é um jogo.
Agora todos os criminosos em seus paletós e gravatas
estão livres para beber martínis e assistir o sol nascer..."

Acho que ele conseguiu, não? Renato disse numa entrevista que "Faroeste" é uma mistura de "Domingo no parque", de Gilberto Gil com algumas coisas da obra de Raul Seixas e o costume de contar estórias que é comum ao povo brasileiro. E a irmã do cantor revelou que eles costumavam ouvir juntos, quando jovens, a música dos Beatles "Rocky Raccoon", do "Álbum Branco" (1968), e que ela poderia ter sido o pontapé inicial para a criação de seu western trágico. Se analisarmos um pedacinho da letra do quarteto, é totalmente possível que ela realmente tenha inspirado o músico:

"Agora em algum lugar nas montanhas negras da Dakota
vivia um jovem garoto chamado Rocky Raccoon
e um dia sua mulher fugiu com outro cara
e feriu os olhos do jovem Rocky, Rocky não gostou
e disse: 'eu vou pegar aquele cara'
então um dia ele caminhou pela cidade
registrou-se no alambique local...
......................................................
Rocky veio equipado com uma arma
para atirar nas pernas de seu rival
seu rival parece ter acabado com seus sonhos
roubando a garota de seus sonhos...
......................................................
estavam no quarto ao lado no alambique
Rocky arrombou a porta e sorrindo um sorriso
ele disse: 'garoto Danny, é hora de mostrar as cartas'
mas Daniel estava quente, sacou primeiro e atirou
e Rocky caiu no canto..."

imagem: nightmister  

Depois de conhecer um pouco melhor a música, vamos acompanhar a letra de "Faroeste Caboclo", com o vídeo em animação, e entrarmos no clima do filme que está em cartaz:

"Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
era o que todos diziam quando ele se perdeu
deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
só pra sentir no seu sangue
o ódio que Jesus lhe deu

quando criança só pensava em ser bandido
ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
era o terror da sertania onde morava
e na escola até o professor com ele aprendeu

ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
sentia mesmo que era mesmo diferente
sentia que aquilo ali não era o seu lugar

ele queria sair para ver o mar
e as coisas que ele via na televisão
juntou dinheiro para poder viajar
de escolha própria escolheu a solidão

comia todas as menininhas da cidade
de tanto brincar de médico
aos doze era professor

aos quinze foi mandado pro reformatório
onde aumentou seu ódio diante de tanto terror
não entendia como a vida funcionava
a discriminação por causa da sua classe
e sua cor
ficou cansado de tentar achar resposta
e comprou uma passagem foi direto a Salvador

e lá chegando foi tomar um cafezinho
encontrou um boiadeiro com quem foi falar
e o boiadeiro tinha uma passagem
ia perder a viagem mas João foi lhe salvar

dizia ele: 'estou indo pra Brasília
nesse país lugar melhor não há
to precisando visitar a minha filha
eu fico aqui e você vai no meu lugar'

e João aceitou sua proposta
e num ônibus entrou no Planalto Central
ele ficou bestificado com a cidade
saindo da rodoviária viu as luzes de natal

'meu Deus, mas que cidade linda
no ano novo eu começo a trabalhar'
cortar madeira aprendiz de carpinteiro
ganhava cem mil por mês em Taguatinga

na sexta-feira ia pra zona da cidade
gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
e conhecia muita gente interessante
até um neto bastardo do seu bisavô
um peruano que vivia na Bolívia
e muitas coisas trazia de lá
seu nome era Pablo ele dizia
que um negócio ele ia começar

e o Santo Cristo até a morte trabalhava
mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
e ouvia as sete horas o noticiário
que sempre dizia que o Seu Ministro ia ajudar
mas ele não queria mais conversa
e decidiu que como Pablo ele ia se virar
elaborou mais uma vez seu plano santo 
e sem ser crucificado a plantação foi começar

logo, logo os malucos da cidade
souberam da novidade:
'tem bagulho bom aí'
e João do Santo Cristo ficou rico e acabou
com todos os traficantes dali
fez amigos frequentava a Asa Norte
ia pra festa de rock pra se libertar

mas de repente sob uma má influência
dos boyzinhos da cidade começou a roubar
já no primeiro roubo ele dançou e pro inferno ele foi
pela primeira vez
violência e estupro do seu corpo
vocês vão ver eu vou pegar vocês

agora Santo Cristo era bandido
destemido e temido no Distrito Federal
não tinha nenhum medo de polícia 
capitão ou traficante, playboy ou general 

foi quando conheceu uma  menina
e de todos os seus pecados se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
e o coração dele pra ela Santo Cristo prometeu
ele dizia que queria se casar
e carpinteiro ele voltou a ser
'Maria Lúcia para sempre vou te amar
e um filho com você eu quero ter'

O tempo passa e um dia vem na porta da sua casa
um senhor de alta classe com dinheiro na mão
e ele faz uma proposta indecorosa e diz
que espera uma resposta, uma resposta de João

'Não boto bomba em banca de jornal
nem em colégio de criança isso eu não faço não
e não protejo general de dez estrelas
que fica atrás da mesa com o cu na mão
e é melhor senhor sair da minha casa
nunca brinque com um peixes
de ascendente escorpião'

mas antes de sair com ódio no olhar
o velho disse:
'você perdeu sua vida meu irmão
você perdeu sua vida meu irmão
você perdeu sua vida meu irmão'
essas palavras vão entrar no coração
eu vou sofrer as consequências como um cão

não é que Santo cristo estava certo
seu futuro era incerto
e ele não foi trabalhar
se embebedou e no meio da bebedeira
descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

falou com Pablo que queria um parceiro
e também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia 
e Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias
traficante de renome apareceu por lá
ficou sabendo dos plano de Santo Cristo
e decidiu que com João ele ia acabar

mas Pablo trouxe um Winchester 22
e Santo Cristo já sabia atirar
e decidiu usar a arma só depois
que Jeremias começasse a brigar

Jeremias maconheiro sem vergonha
organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
desvirginava mocinhas inocentes
e dizia que era crente mas não sabia rezar

e Santo Cristo há muito não ia pra casa
e a saudade começou a apertar
eu vou-me embora, eu vou ver Maria Lúcia
já tá em tempo de a gente se casar

chegando em casa então ele chorou e 
pro inferno ele foi pela segunda vez
com Maria Lúcia Jeremias se casou
e um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro
e então o Jeremias pra um duelo ele chamou
amanhã às duas horas na Ceilândia
em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou
e você pode escolher as suas armas
que eu acabo mesmo com você
seu porco traidor
e mato também Maria Lúcia
aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

e Santo Cristo não sabia o que fazer
quando viu o repórter na televisão
que deu notícia do duelo na TV
dizendo a hora e o local e a razão

no sábado então às duas horas
todo povo sem demora
foi lá só pra assistir
um homem que atirava pelas costas
e acertou o Santo Cristo
e começou a sorrir

sentindo o sangue na garganta
João olhou pras bandeirinhas
e pro povo a aplaudir
e olhou pro sorveteiro e pras câmeras
e a gente da TV que filmava tudo ali

e se lembrou de quando era uma criança
e de tudo que vivera até ali
e decidiu entrar de vez naquela dança
se a via-crucis virou circo estou aqui

e nisso o sol cegou seus olhos
e então Maria Lúcia ele reconheceu
ela trazia a Winchester 22
a arma que seu primo Pablo lhe deu

'Jeremias, eu sou homem
coisa que você não é
e não atiro pelas costas não
olha pra cá filha da puta sem vergonha
dá uma olhada no meu sangue
vem sentir o teu perdão'

e Santo Cristo com a Winchester 22
deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
e morreu junto com João seu protetor

e o povo declarava que João do Santo Cristo
era santo porque sabia morrer
e a alta burguesia da cidade
não acreditou  na história que eles viram na TV

e João não conseguiu o que queria
quando veio pra Brasília com o diabo ter
ele queria ela falar pro presidente
pra ajudar toda essa gente
que só faz... sofrer!...."


Seja qual for a sua relação com a música, vale a pena procurar conhecer sua história, e ver o filme, pois, quem a conhece, numa mais a esquece. Leva um tempo para decorar a letra, mas vale a pena: cada vez que a ouvimos ele nos dá uma sensação diferente, seja de surpresa, admiração, compaixão ou ódio. Por isso, dá vontade de vontade de ouvir de novo e de novo, vezes sem fim, imaginando sua própria versão para a trajetória épica do personagem João do Santo Cristo. 


quinta-feira, 30 de maio de 2013

A mulher só - resenha


"JeriLee Randall tem o grande sonho de vir a ser uma escritora famosa. Está, no entanto, convencida que para consegui-lo terá de deixar o marido e a sua família. decidida a lutar para alcançar os seus objetivos, dá início a uma vida dividida entre o jet-set de Hollywood e New York. Porém, nesta sua nova vida, o sexo, as bebidas e as drogas estão sempre presentes e fazem-na sentir-se cada vez mais sozinha. Com o tempo, acaba pro perceber  que a fama pode facilmente esfumar-se e os amigos podem desaparecer precisamente quando ela mais precisa."

Li esse livro quando tinha uns 11 ou 12 anos, não sei dizer como ele chegou às minhas mãos, mas eu o li e me apaixonei pela estória, apesar da pouca idade. E depois disso, reli diversas vezes até que ele sumiu da minha vida, da mesma maneira que apareceu. Mas eu nunca esqueci de alguns de seus detalhes e da essência da narrativa. Então, no ano passado, resolvi procurá-lo e comprei um exemplar bem amarelado, exatamente como era o meu, em um sebo no site Estante Virtual. E o legal dessa nova releitura, foi perceber que alguns detalhes dele nunca saíram da minha cabeça, mesmo que eu não me lembrasse de onde vinham aqueles pensamentos, frases e personagens, eles estiveram sempre permeando meus pensamentos.

A protagonista da estória é JeriLee Randall, que desde garotinha sonhava em ser escritora. Ela perdeu o pai muito cedo, e a mãe se casou com um banqueiro, que passou a ser a figura paterna para JeriLee e seu irmão. Ela tinha uma relação ótima com padrasto, ao contrário da mãe, com quem não conseguia manter um diálogo aberto. Essa falta de entendimento com a mãe lhe trazia grandes frustrações, principalmente na adolescência, quando ela não se sentia à vontade para compartilhar seus sentimentos, desejos e dúvidas com a mulher que deveria estar ao seu lado nesses momentos.

Mais tarde, JeriLee conhece um homem que se interessa por uma estória escrita por ela. Ele também é escritor e lhe dá alguns conselhos sobre a profissão. Então os dois ficam muito amigos e ela passa a se encontrar com ele regularmente para debaterem literatura.

Enquanto isso, ela vai descobrindo a sexualidade e o poder que tem sobre alguns garotos da cidade. Ela é extremamente sensual, mas, por mais que queira, não consegue se acertar com nenhum dos meninos, e, algumas vezes, acaba se envolvendo em confusões por causa disso, já que eles se aproveitam da confiança que ela deposita neles para tentar transar com ela.

JeriLee trabalha no clube da cidade durante as férias escolares e, numa noite tranquila, um dos garotos que estavam sempre por lá, se oferece para levá-la para casa. Ela aceita a carona mas acaba sendo levada para a casa dele, onde estão mais alguns meninos e meninas, já bêbados, fazendo uma festinha na piscina. Os meninos querem sexo, mas ela se recusa a fazer o que eles querem, e, por isso, acaba sendo violentada: eles batem nela, a queimam com um cigarro aceso, rasgam suas roupas e tentam estuprá-la. A coisa só não fica pior por que o amigo de JeriLee que a viu saindo do clube com o rapaz, chega e a salva.

A partir daí, a vida dela e da família fica muito difícil pois, morando numa cidade pequena e cheia de pudores, ela fica mal falada e os familiares são apontados nas ruas. Ela vai ficando cada vez mais deprimida, até se casa com o amigo escritor, que é bem mais velho que ela, e se muda para New York.

Sua vida fica realmente muito conturbada na nova cidade: ela continua escrevendo, mas apenas uma de suas peças fez sucesso, e muito por ela ser esposa de um escritor famoso. JeriLee também tentou trabalhar como atriz, mas não conseguiu muito êxito. Quando ela se se para do marido, tudo começa a desmoronar.

JeriLee tenta sobreviver sem ajuda nenhuma do ex-marido, mas não vende nenhuma estória e não consegue mais trabalho como atriz. Vai se envolvendo cada vez mais com os homens errados, que só a fazem sofrer, e nunca se sente realmente feliz. Ela abusa de bebida e de remédios, além de, em alguns momentos, o autor fazer uma leve insinuação sobre o uso de drogas.

Os homens com quem ela se relaciona nunca a compreendem, então ela acaba se envolvendo com uma mulher; elas ficam juntas por algum tempo e JeriLee pensa que vai melhorar sua situação, já que a namorada é pessoa influente no meio artístico, mas a relação acaba se desgastando e elas se separam.

Tudo vai dando errado e, num certo momento do livro, ela muda de nome e passa a ser Jane Randolph, uma dançarina erótica que trabalha nas piores boates de New York para tentar se manter. Os vícios, a essa altura, estão cada vez piores, e ela chega ao fundo do poço, perdendo a casa, o emprego e a dignidade.

JeriLee sempre buscou a felicidade a qualquer preço; queria ser uma escritora reconhecida e uma mulher amada e satisfeita, mas nunca conseguiu alcançar seus objetivos, vivendo durante muito tempo numa tristeza profunda e totalmente sozinha. Mesmo quando ela tinha alguém, ela se sentia só, desamparada e perdida, e nunca foi plenamente feliz. Até que, no pior momento de sua vida, um homem a ajudou e a tirou das ruas. Depois disso... bem, depois disso não posso revelar o que acontece, ou estaria estaria contando o final da estória.

O livro é bom, tem forte apelo sexual, se considerarmos a época em que foi escrito, e mostra um pouco como as mulheres foram, durante muito tempo, desvalorizadas profissionalmente e vistas apenas como esposas, mães ou prostitutas. 

O autor Harold Robbins tem muitos best-sellers nos Estados Unidos, e, nesse livro, fez uma crítica forte à sociedade da época, que levava mais em conta a aparência e a fama do que as qualidades de cada pessoa, principalmente, das mulheres. O romance pode ser perturbador em alguns momentos, mas é bem realista, e muito bem escrito. Para quem gosta desse tipo de literatura, recomendo. Para quem não gosta ou ainda não leu nada desse gênero, aconselho que comece a ler a série "Júlia", aquela que é vendida em bancas de jornal, para ir se acostumando com o estilo.

"A mulher só"
Harold Robbins
editora Círculo do Livro
459 páginas

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sexta de música #23

Ontem postei aqui a resenha de "O livro branco", uma compilação de 19 contos escritos por autores brasileiros e todos baseados em músicas dos Beatles. Muito bem, hoje vou aproveitar o assunto e falar sobre as canções de 3 contos que acho que merecem destaque.


Os Beatles sempre rendem muito assunto não é mesmo? Eu já falei sobre eles em novembro, vocês podem ler esse post clicando aqui.


Aos trabalhos. Um dos contos do livro se chama "Blackbird", mesmo nome da música em que a autora se baseou para escrevê-lo. Essa é uma canção composta por Paul McCartney que foi gravada no "Álbum branco", de 1968. Sua letra é uma espécie de metáfora dos conflitos raciais existentes na América, e, principalmente, uma crítica ao tratamento dado às mulheres negras na época, que lutavam para se integrar à sociedade mas eram extremamente discriminadas. O refrão da música deixa essa mensagem bem clara:

"Black bird fly, black brid fly
into the light of the dark black night"

"Pássaro negro, voe, pássaro negro, voe
para o clarão da escura noite"

Acredito que o mote para o conto foi a frase: "... pássaro negro cantando no morrer da noite, pegue estes olhos fundos e aprenda a enxergar...", já que na estória a autora conta como uma mãe arrancou os próprios olhos ao encontrar a filha morta depois de ser estuprada. A essência do conto é o sofrimento da mãe e a atitude desesperada que ela tomou ao se encontrar numa situação de tristeza profunda e irremediável, e apenas um pequeno de trecho da canção serviu para desenvolver toda uma estória, mostrando que é possível trabalhar com a obra de outro artista, sem prejudicá-la ou restringir a criação àquilo que já existia antes.


Eu gosto muito desse tipo de exercício, ouvir uma música e imaginar outra cena a partir dela, muitas vezes, fugindo totalmente do tema inicial da canção. Já fiz isso algumas vezes, e um dos meus resultados preferidos pode ser conferido clicando aqui.  

O próximo conto a ser comentado é "O barbeiro e o besouro". Quem leu o post de ontem sabe que eu o achei parecido com os contos de Poe, e fiquei com a impressão de que a autora Ana Paula Maia também é fã desse escritor. A música escolhida por ela para trabalhar foi "Penny Lane", e ela seguiu um caminho bem interessante: ao contrário da sua letra, que retrata algumas situações cotidianas, como o barbeiro que espera por um novo cliente e o banqueiro que aguarda um novo corte, ou seja, uma mudança na economia - cenas que seriam comuns ao membros da banda - ela pegou uma situação que poderia ser corriqueira, a do homem pedindo comida delivery e apimentou, transformando-a no cenário perfeito para o ataque de um assassino em série. Um morador totalmente recluso, que não tinha amigos e tampouco conversava com os vizinhos jamais poderia ser apontado como autor de um crime, até por que, ele não deixa nenhuma prova de sua existência.


A alusão à canção é bem clara na estória: o criminoso alugou um apartamento na rua Penny Lane, e essa é a única referência da música utilizada pela autora na construção do conto, mas deu um toque especial ao conto.

"Penny Lane" também foi escrita por Paul e lançada como single do álbum "Strawberry fields forever" (1967). Ela fala da rua homônima que foi muito importante na vida dos meninos do Fab Four. Essa rua até hoje é ponto de encontro dos fãs da banda, que deixam ali inúmeras mensagens ao grupo e, constantemente, roubam a placa com o nome da rua, que tem que ser reposta pela prefeitura da cidade.

Um trechinho da letra para ilustrar o clima bucólico do lugar que deixava os Beatles tão nostálgicos:

"Penny Lane there is a barber showing photographs
of every head he's the pleasure to have known
and all the people that come and do
stop and say hello..."

"Em Penny Lane há um barbeiro mostrado fotografias
de cada cabeça que ele teve o prazer de conhecer
e todas as pessoas que passam por ele
param e dizem olá..."

E para finalizar o post de hoje, a música "A day in the life", do álbum "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" de 67. Essa nunca foi uma canção que chamou minha atenção, mas acho que o conto que inspirado  nela foi um dos melhores da antologia. Escrito por Márcio Renato dos Santos, a estória tem o mesmo nome da música e fala de um dia na vida de um ganhador da loteira. O mais legal é que ele criou toda uma atmosfera de sonho para a narrativa, então não sabemos ao certo se o personagem realmente tirou a sorte grande e ficou milionário, ou se ele vai acordar a qualquer momento tão pobre quanto sempre foi.  


Nesse sentido, o autor manteve a mesma linha que segue a música: viagem total. Lennon e McCartney criaram essa canção juntando duas partes, cada uma escrita por um deles, e por isso ela tem um clima meio psicodélico, com sons estranhos e repetitivos, que dão a impressão de que ela não tem fim.

Além disso, existem algumas frases que parecem fazer referência a drogas, o que fez a canção ser  O resultado final ficou tão estranho que essa canção chegou a ser proibida em algumas rádios inglesas. Na época John estava no ápice de seu vício em LSD e Paul fazia uso de maconha. O conto tem em comum com a música o clima de 'viagem total', e o primeiro verso da canção foi o que inspirou o autor e a partir dai ele criou a sua própria ilusão:

"I read the news today oh boy
about a lucky man who made the grade
and though the news was rather sad
well I just had to laugh
I saw the photograph..."

"Eu li as notícias de hoje, oh garoto
sobre um sortudo que ganhou na loteria
e embora as notícias fossem um tanto tristes
bem, não pude deixar de rir
eu via a fotografia..."


Na parte da letra que foi escrita por John vemos um jogo de palavras, muito usado por ele em suas composições, e que dá o clima onírico à canção, mas que também remete ao possível abuso de drogas pelo músico: "I'd love to turn you on" (eu adoraria excitar você), é a frase apontada como apologia ao LSD. E no trecho composto por Paul, apesar de ser mais pessoal que o de Lennon, também há indicações de que ele usa metáforas para o uso de drogas:

'Found my way upstairs and had a smoke, 
somebody spoke and I went into a dream..." 

"Me encaminhei para o segundo andar e acendi um cigarro,
alguém falou e então entrei em transe..."

O fato de ele dizer que, logo após fumar o cigarro, começou a sonhar, foi o bastante para os críticos de plantão imaginarem que ele estava falando de uma viagem causada por uso de maconha. Isso não desvaloriza em nada a música, só aumenta a atmosfera mítica que existe em torno dos Beatles.

A banda tem centenas de músicas, desde os rocks mais simplesinhos, estilo iê-iê-iê mesmo, até as músicas mais experimentais, psicodélicas, compostas já na fase final da carreira do grupo. Ou seja, tem para todos os gostos, basta procurar e achar aquela que vocês mais gostam. Um bom começo seria ler o livro resenhado ontem e partir das canções usadas pelos autores para criar suas estórias. É a música ajudando a literatura. E a recíproca sempre será verdadeira.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

O livro branco - resenha


"Ao longo de cinco décadas reinando como a banda de rock mais importante do mundo, os Beatles influenciaram diferentes gerações não só na música, mas também em moda, comportamento e - como não? - na literatura. Após o sucesso da antologia "Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana", Henrique Rodrigues reuniu mais uma vez um time de primeira linha com a intenção de revelar como as canções dos rapazes de Liverpool poder ser refletidas na atual produção literária brasileira. Mais populares que Jesus Cristo, John, Paul, George e Ringo romperam barreiras e deram origem a uma das mais admiráveis mitologias de todos os tempos. Mas, além das fãs ensadecidas, dos cortes de cabelo, das experiências psicodélicas, das polêmicas, os Beatles são, mais que tudo, suas canções... Em "O livro branco" - referência a um dos mais famosos discos da banda - a riqueza do legado beatle, de mil imagens e mui citáveis frases, acende a imaginação de uma heterogênea turma e renasce em forma de relatos emotivos, engenhosos, assombrosos, delirantes, singelos, brutais, scanas e sagrados. Pelo olhar de vinte escritores, alguns clássicos do repertório dos Beatles ganham os mais diversos contornos literários."

Queria ler esse livro já há alguns meses: gosto muito de Beatles, apesar de não ser uma fã fervorosa, e sempre acho interessante essa brincadeira de escrever com base em alguma música, passando para o papel aquilo que ela te inspira (ou não). Por isso, quando tive a oportunidade, comprei logo o livro.

Nos contos, organizados por Henrique Rodrigues e escritos por vários autores brasileiros, vemos o quanto o Fab Four influenciou a vida das pessoas em todos os âmbitos. Suas músicas inspiram outras músicas, filmes, peças, literatura, enfim todo o tipo de arte.

Nessa antologia há contos para os mais variados gostos e estilos, desde uma conversa sincera e inocente entre mãe e filho em "1986", de André Leones (pág. 109), até um conto no estilo epistolar escrito do apóstolo Paulo (que no caso seria Paul) para o apósto João (metáfora para John Lennon), na época da separação da banda, "Carta de são Paulo ao apóstolo João", escrito por Felipe Pena (pág. 137).

Meus textos preferidos foram: "O bolachão do Help pela Cristiane", de Godofredo de Oliveira Neto (pág. 21), que, obviamente, faz referência a música "Help", e conta uma estória hilária de um cara que vai para Londres tentar comprar o disco dos Beatles, que já foi de sua esposa, mas ficou com um de seus ex-namorados. Cristiane está grávida e quer a todo custo reaver o "bolachão" que lhe era tão caro, e isso coloca o marido em uma situação, no mínimo, inusitada.

"PM", de Marcelino Freire (pág. 51), inspirado pela música Eleanor Rigby, narra a dificuldade de um jovem homossexual ao receber em sua casa a tia mais querida, que está na cidade para assistir a mais um show de McCartney, de quem ela é muito fã. O problema é que o rapaz não quer revelar a ela sua orientação sexual, e seu parceiro, João, não entende o que ele tem a esconder da tia. O conto é leve e bem humorado e retrata com perfeição o fanatismo dos fãs de Paul.

"Nothing is real", escrito por André SantAnna (pág. 69), mostra um diálogo fictício entre os quatro Beatles, dentro de um banheiro público, fumando maconha, e viajando em vários assuntos. Por exemplo,  eles imaginam que alguém os pega em flagrante ali e eles falam que a droga é da Rainha. Muito divertido, pena que é tão curtinho.

"Blackbird", de Stella Florence (pág. 105) é uma narrativa dramática sobre uma mãe que arranca os próprios olhos depois de encontrar a filha estuprada e morta. Com um texto envolvente e muito forte, a autora aproveita para fazer uma crítica a uma das situações mais irracionais da nossa sociedade.

Mas os dois melhores, na minha opinião são "O barbeiro e o besouro", de Ana Paula Maia (pág. 65), que lembra um pouco os contos de Edgar Alan Poe ao dar vida a um psicopata urbano, que vive de cidade em cidade fazendo muitas vítimas. Mas, apesar do tema ser um pouco pesado, o texto ficou ótimo - fluído e com um final que é a cara do personagem principal: frio e doentio. A autora se inspirou na canção "Penny Lane", e isso foi muito interessante, já que, para mim, a última coisa que essa música lembra é um assassinato. E ela está presente no conto - é o nome da rua onde o serial killer mora:

"... A casa foi alugada por três meses, pagamento adiantado. É assim que costumo fazer. Escolhi a Penny Lane, pois me contaram ser uma rua tranquila. É do tipo em que há vendedores de flores e garotos brincando pelas calçadas..."

E finalmente "Uma jornada particular", escrito por Márcio Renato dos Santos, uma estória sobre um homem que ganha na loteria... e de repente percebe que o dinheiro não pode comprar tudo. O texto parece a narrativa de um sonho, onde não sabemos exatamente onde começa nem onde termina. Mas eu me identifiquei bastante com ele, pois achei que o estilo do autor lembra um pouco o meu próprio jeito de escrever, com frases curtas e situações quase absurdas:

"... A casa está vazia. Estou aqui, aqui mesmo? Sigo neste quarto a olhar pela janela - olhe, não há ninguém na rua. Onde estão todos? Vou conferir que dia é hoje. Onde estão os calendários."

Esse conto foi baseado na música "A day in the life" e está na págna 73.

O livro é muito bacana, e o projeto gráfico impressiona: com a capa totalmente branca e as letras em cinza, que ficaram bem discretas, ele chama a atenção logo de cara pelo fator minimalista do design, e as páginas amareladas faciltam em muito a leitura.

Indicado para os fãs da banda e principalmente, para os não fãs, aqueles que ainda não conhecem o  legado dos Beatles. Vale a pena ler e ouvir as músicas da banda, para depois, quem sabe, deixar a própria imaginação voar e criar outros contos baseados em canções diferentes. A discografia deles é bem extensa e pode render boas estórias.


O livro branco
Henrique Rodrigues (org.)
editora Record
160 páginas

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Ele é o cara #18

Já falei aqui sobre os 4 integrantes remanescentes dos Titãs, e hoje vou compartilhar com vocês um pouquinho da carreira de um cara muito importante na carreira da banda, mas que já não está mais com eles: o baterista Charles Gavin:


Na minha humilde opinião, Gavin e João Barone dos Paralamas são os melhores bateristas brasileiros dos últimos tempos. E como sou muito muito muito fã dele, pode ser que eu exagere um pouco nos elogios, rs.

A primeira vez que Charles demonstrou talento para a percussão foi no colégio, quando tinha oito anos e participou de um desfile de 7 de setembro junto com seus colegas. Na ocasião, só havia um instrumento musical na escola, o surdo, e ele foi escolhido para tocá-lo, já que era o único aluno que conseguia marcar precisamente o tempo. As outras crianças improvisaram seus instrumentos utilizando tampas de panelas e talheres, e a turma  acabou ganhando um prêmio pela originalidade da apresentação.

Mais tarde, já adolescente, Charles começou a ouvir Led Zeppelin e Black Sabbath e começou a pensar em ser baterista. Ele montou um protótipo de bateria usando o sofá da sala, que era revestido de corvim, com dois cinzeiros de metal servindo como pratos e pegou os frisos laterais do carro do pai para fazer de baquetas. 

O garoto cresceu e, entre o trabalho numa fábrica e os estudos, ele praticava compulsivamente na bateria de verdade que seu pai havia comprado. O próximo passo seria entrar para uma banda, e ele começou então a tocar com a Zero Hora. Depois passou por Santa Gang, Zona Franca e Jetsons, onde chegou a tocar com Branco Mello e Ciro Pessoa, futuros integrantes dos Titãs



Depois de participar de vários grupos que não deslancharam, ele entrou para o Ira!, onde ficou até 1984. Então ele teve uma rápida passagem pelo RPM, que estava ensaiando para gravar seu primeiro disco, e foi para os Titãs, ocupar o lugar deixado por Andre Jung, que foi para o Ira!. Charles já era o baterista oficial os Titãs lançaram seu segundo disco, Televisão, em 1985.


Gavin sempre foi um entusiasta dos discos de vinil e colecionador de álbuns raros, e graças a isso ele passou a trabalhar no relançamento de discos fora de catálogo de alguns artistas como Tom Zé e Novos Baianos, principalmente após a sua saída dos Titãs, em 2010. Além disso, ele organiza coletâneas para algumas gravadoras, inclusive a Warner, por onde os Titãs lançaram alguns álbuns, e também produz discos: ele lançou, em 1995 o grupo Mundo Livre S/A.   


Gavin também é apresentador do programa "O som do vinil", no Canal Brasil, desde 2007, onde ele fala sobre álbuns marcantes da discografia brasileira, entrevistando artistas, familiares e pessoas envolvidas na produção dos discos, a fim de revelar detalhes ainda desconhecidos sobre eles, inclusive, os bastidores da produção de algumas obras.


Ainda nessa mesma linha de colecionador e admirador de antigos trabalhos em LP, Charles lançou o livro "300 discos importantes da música brasileira", em outubro de 2008, juntamente com Tárik de Souza, Carlos Calado e Artut Dapieve.


Detalhes interessantes sobre o Charles: ele é o único dos integrantes dos Titãs que torce para o Corinthians e o único dentro os oito que nunca, isso mesmo, nunca, usou nenhum tipo de droga. Imagina como deveria ser a convivência com os outros caras, todos drogados, e ele lá de boa, caretão, só querendo curtir sua bateria... só por isso ele já merece ser "o cara" durante muito tempo aqui no blog, e mostra que não é preciso fazer uso de nenhum tipo de entorpecente para se divertir e aproveitar a vida.


Algumas das músicas dos Titãs são de sua autoria: "Estado violência" (composição individual), "Lugar nenhum", 'Flores", "Eu não vou dizer nada (além do que estou dizendo)", "Alma lavada" e "Gina Superstar" em parceria com outros membros da banda.

Espero que tenham gostado de conhecer um pouco mais desse super músico, e, se quiser acompanhar sua carreira atualmente, acesse o site oficial, clicando aqui.  É possível, inclusive, assistir a alguns vídeos do programa que ele apresenta no Canal Brasil, vale a pena conferir.


terça-feira, 21 de maio de 2013

Chegou!!!! "É duro ser cabra na Etiópia"

Eu disse aqui nesse post que em breve mostraria pra vocês o livro organizado pela Maitê Proença, "É duro ser cabra na Etiópia", onde tem 2 textos meus, e é isso que vou fazer hoje!

Meu exemplar chegou aqui em casa na última quinta-feira, em meio a febre e inflamação na garganta, e me deixou muito feliz. 


Eu só tinha visto o livro por fotos, e me surpreendi com o resultado quando pude tê-lo em mãos. A edição ficou incrível: a capa e a contracapa são em pink, com as letras cinza, que contrastam perfeitamente com o fundo. Eu que não sou muito dã de rosa, adorei a escolha das cores:


O layout interno também ficou show: as páginas têm cores variadas, sempre bem fortes, e a fonte dos textos também muda de um para outro, deixando a leitura bem mais divertida, já que você nunca sabe o que vai encontrar quando virar a página.


Já no índice dá pra ver como o livro vai ser diferente. Ele é separa do tópicos de acordo com o conteúdo  dos textos, com letras grandes e divertidas. E que lindo ver meu nome entre os dos outros autores *___*:


Outra coisa bem legal no livro é que a própria Maitê fez anotações em alguns textos, comentários ou observações, que foram mantidos na impressão, e que mostram como foi, desde o começo, a seleção e a construção desse livro:


Também tem algumas páginas em branco no meio do livro, que têm o intuito de incentivar os leitores a criar suas próprias estórias, deixar a imaginação fluir e escrever seu textos.

Os meus textos também ficaram muito bem dispostos, em páginas em tom de rosa muito bem diagramadas e, modéstia a parte, estão muito bem escritos, rs. O primeiro na página 158:


E o segundo na 166:


Ah! vocês realmente acharam que eu ia colocar texto na íntegra aqui? Pegadinha! Quem quiser ler vai ter que comprar o livro né... afinal, o trabalho de todos os autores participantes tem que ser reconhecido.

A Maitê está de parabéns pela oportunidade que deu a todos os autores, anônimos ou não, que puderam entrar nesse projeto tão bacana, e a Editora Agir fez um trabalho incrível na produção do livro.

É isso amigos, estou muito feliz com a finalização de mais um trabalho, e espero que muitos outros venham em breve.  E estarei sempre compartilhando tudo aqui com vocês. Beijos a todos!

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Cheiro de livro novo #8

Olá leitores! Hoje vou mostrar para vocês os novos moradores da minha linda e maravilhosa estante =D

Ganhei a promoção "Você escolhe o livro" do blog Sigo Lendo , da Isabela, e escolhi o livro novo do Tony Belloto, "Machu Picchu", que eu já estava querendo há alguns dias:


Também aproveitei a promoção da Cia. das Letras, que no dia do livro vendeu várias obras de seu catálogo com 50% de desconto, e comprei  mais um do Tony, "No buraco":


E para não perder o bom preço, também comprei um do Saramago, "Caim". Os livros desse autor são sempre caríssimos, e não dava para deixar passar essa oportunidade:


Outra compra fofa que fiz há alguns dias e chegou essa semana foi uma capinha pro meu Kobo, que vinha sofrendo sem proteção dentro da minha bolsa. A capa foi feita pela Helana Ohara (@helana_ohara), que mantém a loja Petites, com trabalhos lindos de artesanato em feltro. essa foto aqui embaixo é para mostrar pra vocês o capricho que a Helana teve para embrulhar a capinha... eu nem queria abrir, de tão bonito que estava! 


Junto com a capa ela me mandou alguns mimos também: vários marcadores e livretos, e um chaveiro muito lindo que eu adorei!


Olhem só como o Kobo ficou feliz com sua nova casa, rsrs.


Para quem quiser conhecer o trabalho da Helana, basta acessar o site da loja, tem coisas muito lindas lá, e acho que minha próxima compra será o porta livros (que está em promoção para blogueiros!!!): www.epetites.blogspot.com.br ou clique aqui.  

É isso, amanhã volto com mais novidades galera. Até!

domingo, 19 de maio de 2013

Filmando #7 - Somos tão jovens

Já assistiram ao filme "Somos tão jovens"? Se não, corram pro cinema mais próximo agora mesmo!


O filme, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura (o mesmo de "Gatão de meia idade", de 2006), conta o início da carreira do cantor Renato Russo, desde que ele fundou, com os irmãos Fê e Flávio Lemos, o Aborto Elétrico, e que, depois de sua saída, viria a se tornar a banda Capital Inicial. Exatamente a parte da história que os fãs do cantor não conheciam.

Renato tem um problema ósseo raro, chamado epifisipolise, que o obriga a fazer uma cirurgia. Após esse procedimento, ele tem que ficar meses de cama e sem se movimentar, depois passa a usar uma cadeira de rodas e enfim, evolui para o apoio de muletas. Nesse tempo de confinamento, ele começa a se imaginar como músico, e também inicia a composição de algumas canções. Quando ele se recupera totalmente, alguns amigos o apresentam ao punk que vinha da Inglaterra, e ele se apaixona pelo estilo.



Ao se juntar aos irmãos Lemos, Renato se torna o vocalista da banda Aborto Elétrico e eles passam a frequentar o cenário musical de Brasília e suas composições começam a ficar famosas entre as pessoas que costumam ir aos shows. Depois de muitos desentendimentos, a banda acaba e Renato passa a se apresentar sozinho, se auto denominando O Trovador Solitário.


Algum tempo depois, o cantor se junta a Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá e funda a Legião Urbana que todos nós conhecemos.


Como o foco do filme é na adolescência de Renato e seu desenvolvimento como artista, não pensem que vão ver cenas da banda já no auge de sua carreira, ou de quando ele descobriu que tinha o vírus HIV. O longa mostra um lado do cantor que era até agora desconhecido da maioria de seus fãs, antes de ser adorado pelas multidões que iam a seus shows, e isso desmistifica um pouco o ídolo, mostrando que ele um dia foi um cara como outro qualquer, cheio de sonhos e desejos, dúvidas e necessidades típicas dos jovens. Claro que ele era uma pessoa diferenciada, pois ninguém consegue elevar suas músicas a um nível tão alto se não for especial.


O mais bacana no filme é que, mesmo sabendo que aquele cara que está na tela não pode ser o Renato, o ator Thiago Mendonça personificou tão bem o cantor que quase nos leva a crer que era o próprio que estava cantando ali.

Aliás, o trabalho de Thiago é digno dos maiores elogios: para quem, como eu, cresceu ouvindo a Legião e conhecia bem o trabalho de Renato Russo, é gratificante ver como ele conseguiu trazer de volta à vida o ídolo de uma geração inteira. A vos de Thiago é muito parecida com a de Renato, os movimentos, os trejeitos, o modo como ele caminha, é tudo incrível! Com destaque para as cenas de dança, que ficaram perfeitas demais, parece mesmo que estamos vendo Renato Russo dançando.



Minhas cenas preferidas são: quando Renato está cantando "Fátima", ainda no começo do Aborto Elétrico - como eu gosto muito da música, fiquei imaginando o momento real de sua criação e como ela foi crescendo e se tornado o grande clássico que é hoje; o dia em que o cantor, num bate papo informal com a mãe, revela que pode gostar mais de meninos que de meninas; e a melhor de todas, que me deixou muito emocionada, é quando ele canta "Ainda é cedo". Não posso dizer o motivo da minha emoção, mas o momento ficou perfeito dentro do filme.

Outro ponto que merece destaque na produção é que as músicas não foram pré gravadas em estúdio, elas são realmente tocadas e cantadas por Thiago Mendonça no set de filmagem, e isso imprimiu ainda mais realismo às cenas.

Pode ser que algumas pessoas não gostem do ponto em que o filme termina, por acreditarem que iam ver mais alguma coisa sobre como a Legião alcançou tanto sucesso, ou sobre o final trágico da vida de Renato, mas eu achei que o filme ficou perfeito, contando apenas a parte da história que os fãs ainda não conheciam, e apresentado para as novas gerações o grande talento musical de Renato.



Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora do filme é muito boa, contendo desde Sex Pistols até a clássica "Música Urbana" do Capital Inicial. Também é gostoso conhecer o início da vida de "Veraneio vascaína", ainda com o Aborto Elétrico e "Tédio com um T (bem grande pra você)". Ok, vou parar de falar se não vou entregar o filme todo. 

Não estou aqui para analisar os aspectos técnicos do filme, pois não entendo muito disso. Só quero compartilhar com vocês a alegria que senti ao sair do cinema satisfeita com o que vi e ouvi, e encantada e  admirada com a performance de Thiago Mendonça. 

Não deixem de assistir. E preparem-se, pois no final desse mês ainda tem "Faroeste Caboclo". Guenta coração!


Para quem quiser conhecer mais detalhes da produção, é só acessar a página da Wikipedia clicando aqui, ou o site oficial do filme, onde é possível deixar comentários, clicando aqui.

E depois que assistirem ao filme, voltem para compartilhar comigo suas conclusões ;)