terça-feira, 14 de maio de 2013

Especiais - resenha


"Circunstâncias especiais. As palavras dão arrepios a Tally desde seus dias como uma repugnante e revoltada Feia. Naquela época, Especiais eram um boato sinistro - assustadoramente bonitos, perigosamente fortes, chocantemente rápidos. Perfeitos comuns podem viver uma vida inteira sem conhecer um especial. Mas Tally nunca foi comum. E agora ela se tornou um deles: uma super máquina de combate, construída para manter os Feios humilhados e os Perfeitos, idiotas. A força, a velocidade, e a clareza e foco de seus pesamentos é a melhor coisa que Tally consegue lembrar. Na maior parte do tempo. Uma pequena parte do seu coração ainda se lembra de algo mais. Mesmo assim, é fácil ignorar isso - até Tally oferecer-se a acabar permanentemente com os rebeldes da Nova Fumaça. Tudo se resume a uma escolha: escutar seu coração ou realizar a missão para a qual foi programada. De qualquer jeito, o mundo de Tally nunca mais será o mesmo."

No terceiro volume da série "Feios", Scott Westerfeld nos mostra um pouco mais da personalidade de Tally, depois de ter se tornado uma Especial. Novamente ao lado de sua amiga (?) Shay, elas são parte de um grupo especial dentro das Circunstâncias Especiais: eles têm liberdade para agirem livremente, sem precisar se reportar à temível Dra. Crable, a fim de capturar alguns Enfumaçados que estão se infiltrando nas festas dos Perfeitos para distribuir 'a cura' descoberta pela mãe de David.

Só para relembrar, David nasceu na Fumaça e viveu sempre na natureza. Nunca passou por nenhuma cirurgia transformadora nem frequentou a vila Nova Perfeição. Por outro lado, sua mãe, Mady, era uma médica atuante e que trabalhava para a Dra. Crable transformando Feios em Perfeitos. Ela descobriu que a cirurgia danificava o cérebro das pessoas, tornado-as completas idiotas, e criou, junto com seu marido, uma pílula que seria capaz de reverter essas lesões e permitir que a pessoa voltasse a pensar por si mesma, deixando de ser avoada.

Mesmo com tanto poder nas mãos, Tally ainda está melancólica, e sente saudades de seu antigo namorado da época de Perfeita, Zane, que por engano tomou apenas uma parte da cura de Mady, o que piorou as lesões em seu cérebro deixando-o com sérias sequelas no sistema motor.

Tally e Shay então decidem fazer uma armadilha para capturar os Enfumaçados e entregá-los a Dra. Crable: elas convencem Zane a viajar novamente para a Fumaça a fim de buscar uma cura completa para suas lesões. Infelizmente, essa fuga é apenas a isca para prenderem David e seus amigos, e Tally acaba se sentindo culpada por envolver Zane nesse plano, sabendo que ele jamais chegará ao seu destino e nunca mais voltará a ser Perfeito como antes. 

Enquanto Zane e um grupo de Perfeitos que já começaram a se curar partem em busca da Nova Fumaça, Tally e Shay entram em conflito e elas se separam. Tally passa a seguir os 'avoados' de perto, sem que eles saibam, até chegarem à cidade. Mas, quando encontram o lugar, não é nada daquilo que ela esperava: as cirurgias estão muito mais evoluídas do que na Nova Perfeição, e as pessoas têm mais recursos do que ela poderia imaginar. Todos convivem livremente, ocupando os mesmos espaços, independente da idade ou de sua aparência.

Depois de muitos desafios para chegar à cidade, Tally acaba sendo capturada, com a ajuda de seu antigo amigo Fausto, e é levada para o hospital, onde os médicos a consideram uma ameaça grave, devido à sua força e porte físico. 

Muitas turbulências e muias reflexões depois, a mocinha volta a pensar por si própria e acaba se arrependendo de ter abandonado Zane. E ela tem que correr contra o tempo para salvá-lo do ataque que está sofrendo a cidade.

Na verdade, eu concordo com Shay quando diz que Tally só pensa nela e que quer ser o centro do universo: em muitos momentos, ela se mostra extremamente egoísta, e só dá importância para seus próprios sentimentos e vontades, diferente dos outros Especiais, que são programados para obedecer a Dra. Crable sem questionar.

Claro que alguns de seus pensamento são fruto das transformações por quê está passando seu cérebro, mas, no fundo, ela realmente é egocêntrica. Desde o primeiro livro, o que impera é sua opinião: ela deixou Shay ir sozinha para a Fumaça porque não queria perder a chance de se tornar Perfeita. Depois, ela encontrou David e se apaixonou por ele, mas se entregou aos Especiais, mesmo sob protestos do namorado, para descobrir se a cura funcionava. Agora, mesmo sabendo que Zane estava sozinho e precisava dela, ela continuou com o plano de encontrar a Nova Fumaça e o rechaçou, dizendo que não conseguia suportar seus tremores e sua nova condição deficiente. 

Ela tem uns lampejos de compaixão e bondade, mas na maioria do tempo pensa apenas nela mesma.

Outra coisa que se destaca nesse livro são as peripécias da protagonista: se nos volumes anteriores eu já achei que ela era imortal, invencível e inquebrável, agora ela ficou ainda mais poderosa, e, em algumas ocasiões, as coisas que ela faz são um tanto quanto exageradas até para um filme do Bruce Willis. Aliás, em vários momentos eu só conseguia compará-la aos personagens de "Duro de Matar" e "Missão Impossível" e o próprio McGyver da antiga série "Profissão Perigo"

Eu sei que agora ela tem o corpo todo trabalhado para aguentar as piores situações, mas mesmo assim, nada é impossível para ela, e achei isso um pouco forçado.

Assim como nos primeiros livros, o ritmo da narrativa aqui é o mesmo: Tally pertence a uma "casta", digamos assim, só pensa nela mesma e em suas vontades, depois percebe que precisa de alguém e, com base em seus interesses pessoais, passa a brigar pela pessoa, por amor ou por medo da solidão, e, finalmente, age de maneira intempestiva para tentar salvar aquilo que mais quer, mesmo que para isso tenha que deixar para trás alguns amigos. Torço para que o final dessa saga seja convincente.

Fiquei triste pelo final que o autor deu a Zane, mas, desde o início, imaginei que ele saíria de cena para que Tally pudesse ficar com David no final. Zane é uma boa pessoa, mas estava na hora errada com a namorada errada. Não posso falar mais nada sobre isso sem dar spoilers.

Dos três livros da série que li até agora, esse é o mais fraco, apesar da grande criatividade do autor, que descreve tudo nos mínimos detalhes, desde o traje especial usado pela protagonista até as mudanças físicas adotas por algumas pessoas da cidade de Diego (sim, esse é o nome da cidade). Scott deixou um pouco de lado as críticas a política pública atual e a ditadura da beleza que fez em "Feios" e em "Perfeitos", focando mais nos sentimentos da personagem principal e na sua busca pela felicidade, enquanto ela vai se conscientizando de que é capaz de agir e pensar sozinha, sem precisar das cirurgias que modificam não só seu corpo, mas a sua mente também. O jeito é esperar pelo próximo livro, "Extras", descobrir se depois de tanta busca, Tally vai conseguir se encontrar e se aceitar.

Especiais
Scott Westerfeld
editora Galera
352 páginas

Um comentário:

  1. Oi Jo!
    Amei a sua resenha!!!
    Sinceramente acho que essa série não me conquistou. Nem li os livros, mas só de ler as resenhas já desanimei... rsrs
    Parece uma estória bem fraquinha né?
    Bjos

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