quarta-feira, 5 de junho de 2013

Ele é o cara #19


Voltamos com mais um cara dos Titãs, que já não está com eles há 21 anos! Falar sobre Arnaldo Antunes me remete imediatamente a esse visual aí em cima, que foi o adotado por ele durante boa parte de sua carreira, mas que agora foi substituído por uma coisa mais 'clean', concernente a sua idade. Felizmente, a dancinha durante os shows continua a mesma, rs.


Arnaldo já fez muita música boa ao longo dos seus 53 anos de vida: além de participar dos Titãs desde o início da banda até 1992, ele também se juntou com Marisa Monte e Carlinhos Brown para gravar o CD "Tribalistas", que foi um sucesso e vendeu mais de dois milhões de cópias. Arnaldo seguiu em carreira solo após deixar a banda, e lançou 9 álbuns de estúdio, e os ao vivo "Ao vivo lá em casa" (2010) e "Acústico MTV" (2012).


Desde o início de sua carreira solo ele firmou uma parceria de sucesso com Edgard Scandurra, guitarrista do Ira!, que participou já de seu primeiro trabalho, o CD "Nome" de 1993, em duas faixas, a que dá nome ao álbum e "Se não se"

Além da sonoridade única de suas canções, o que chama muito a atenção (pelo menos a minha), são suas letras: ele brinca com as palavras e constrói rimas tão ricas quanto as dos melhores sonetos já escritos. Usando metáforas perfeitas que nos fazem pensar sobre o real significado daquilo que estamos ouvindo, ele fala com simplicidade do cotidiano das pessoas e das pequenas coisas que ganham importância no nosso dia a dia. Um exemplo claro disso é o refrão de "Nem tudo", que está no seu segundo trabalho (Ninguém, 1995): "nem tudo que se tem se usa, nem tudo que se usa se tem". Há uma máxima nessa afirmação da qual não nos damos conta, mas realmente, se pararmos para pensar, não usamos tudo o que temos (e aqui cabe uma interpretação, que não restringe o "tudo" a objetos que possuímos), e muitas vezes não temos aquilo que mais precisamos.


Desse álbum também merecem destaque as músicas "Consciência" ("... tire a mão da consciência e  meta a mão na consistência..."), a romântica "Alegria" ("eu vou te dar alegria, eu vou parar de chorar..."), "Fora de si" (com sua letra que usa o pronome pessoal propositadamente errado, para dar o tom de distanciamento entre o 'eu' e o que há de estranho em cada um - acompanhe a letra aqui ). Essa música foi trilha sonora do filme "Bicho de sete cabeças", de 2001, onde Rodrigo Santoro interpreta um jovem que é internado num manicômio após seu pai descobrir em suas coisas um cigarro de maconha. "Minha meu" é outra viagem do músico mas que, num todo, faz muito sentido, apesar de ter apenas umas 6 ou 7 palavras em toda a sua letra, variando um pouco as sílabas e dando coerência à construção (letra e vídeo aqui, e um desafio para cantar corretamente, rs). Encerrando, a ótima versão para a canção de Lupicínio Rodrigues, "Judiaria", que ganhou o peso da guitarra de Scandurra e pegada rock'n'roll.


Muitas canções de sucesso que você conhecem na voz de cantores famosos são da autoria de Arnaldo, como "Socorro", na voz de Cássia Eller, "Alma", com Zélia Duncan, "Beija eu", cantada por Marisa Monte (dentre tantas que a cantora interpretou), e outras gravadas por Frejat, Nando Reis, Pepeu Gomes...


Já em 2001, Arnaldo lançou o CD "Paradeiro", que traz a fofa "Essa mulher". Sua letra é carregada de ironias, mas que refletem o pensamento da mulher moderna, que não depende do homem para (quase) nada:

"... ela quer viver sozinha
sem a sua companhia 
e você ainda quer
essa mulher
que não sente a sua falta
e quando você chega em casa
ela não sente a sua presença
ela tem um travesseiro mais macio
do que o seu braço
e um acolchoado muito mais quente
que o seu abraço..."


E o vídeo da música acompanha o mesmo estilo da capa do CD (com o bonequinho do Arnaldo ai em cima):


Posso ficar dias aqui falando das minhas músicas preferidas do Arnaldo, mas para encerrar esse assunto, acho que é imprescindível compartilhar com vocês uma das melhores letras dele, "Poder", do terceiro álbum dele chamado "O silêncio": esse cara tem tanta intimidade com as palavras que consegue construir essa perfeição. A letra é extensa, por isso, vou colocar só uma parte dela aqui, e recomendo que vocês assistam ao vídeo logo abaixo, vale muito a pena:

"... pode ser arroz, pode ser feijão
pode ser juros, pode ser inflação
pode ser incompetência, pode ser distração
pode ser águai, pode ser gavião
pode ser mocinho, pode ser vilão
pode ser um, pode ser milhão

só não sei
porque eu e você
não pode não..."



O Arnaldo também compõe jingles para comerciais, e foi ele que escreveu um poema muito lindo que foi comercial do Pão de Açucar, e iniciou a série "O que faz você feliz?":


E é dele uma das músicas mais conhecidas do programa "Castelo Rá-tim-bum", da TV Cultura, sucesso entre a criançada e, tenho certeza, cantada por muitas mamães na hora de incentivar seus filhinhos a lavarem as mãos:


Mas, se vocês pensam que nosso cara de hoje é 'apenas' músico, você se engana: ele também já apresentou um programa na MTV (Grêmio Recreativo) em 2011, além de escrever e brincar com imagens, criando poesias visuais. Ele tem livros dedicados a esse tipo de poesia, como o "Psia" (lançado em 2001 pela editora Iluminuras).


Um exemplo dos seus poemas visuais abaixo:

Para conhecer toda a obra literária do Arnaldo Antunes e seu trabalho com esse tipo de arte visual, além de seus álbuns, DVD's e conhecer um pouco mais dos detalhes de sua biografia, acessem o site oficial do músico clicando aqui.  

Esperam que tenham curtido, e até a semana!


4 comentários:

  1. CARACA... ARNALDO É O CARA!!! DEMOROU 18 SEMANAS AINDA... É MAIS DO QUE EU ESPERAVA!! AUHAHUHUAHUA

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  2. Oi Joana, tudo bom?
    Adoro essa coluna do seu blog, é muito perfeita!
    Gosto bastante do Arnaldo, lembro da época dos Tribalistas o estouro que foi! Muito bom!
    Tem promoção e post novo
    Beijos
    Endless Poem

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    Respostas
    1. Obrigada Sarah, é bom saber q vc curte. O Arnaldo é mesmo muito bom.
      Bjos!

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