quarta-feira, 26 de junho de 2013

Ele é o cara #22

Semana passada foi o lindo do Chico Buarque, e hoje mais um maravilhoso artista brasileiro é "o cara" do blog: Gilberto Gil.


Completando hoje seus 71 anos de vida, Gil já contribuiu muito para o crescimento da música popular brasileira. Desde o lançamento de seu primeiro disco, em 1963, até hoje, ele emplaca grandes sucessos e conquista fãs de todas as idades.


Estudando acordeão desde os 8 anos, Gil ganhou da mãe seu primeiro violão, já na adolescência, e conheceu o trabalho de João Gilberto, que o influenciou imediatamente. Quando entrou para a faculdade, conheceu Caetano, Bethânia, Gal e e Tom Zé, e juntos começaram a se apresentar publicamente. Mais tarde, eles formariam o grupo Doces Bárbaros, sem Tom.


Gil participou dos festivais de música comuns na década de 60. Sua primeira apresentação, em 1965, foi com a música "Iemanjá", e, dois anos depois, ele chamou a atenção do público com sua música "Domingo no parque", no Festival de Música da Record, que o tornou conhecido nacionalmente.



Junto com o amigo Caetano Veloso, Gil criou um novo estilo de musical, o tropicalismo, que misturou influências artísticas de vanguarda e da cultura pop da época, tanto nacional quanto estrangeira, transformando tudo isso em expressões da arte brasileira. O movimento foi responsável por uma mudança notável nas artes pláticas, no cinema, no teatro e na música.

Durante o regime militar Gilberto Gil foi preso, junto com Caetano, sob acusações de atividades subversivas, e também teve que sair do país e se exilar em Londres por 6 anos. No seu retorno ao Brasil, lançou o disco "Refazenda", que se tornaria um de seus trabalhos mais marcantes, e trazia as canções "Tenho sede", composta por Dominguinhos, e a música que dá nome ao álbum e que até hoje levanta discussões sobre o real significado de sua letra:

"Abacateiro acataremos teu ato
nós também somos do mato
como o pato e o leão
aguardaremos brincaremos no regato
até que nos tragam frutos
teu amor, teu coração
acabateiro teu recolhimento é justamente
o significado da palavra temporão
enquanto o tempo não trouxer teu abacate
amanhecerá tomate e anoitecerá mamão
abacateiro sabes ao que estou m e referindo
porque todo tamarindo tem
o seu gosto azedo, cedo antes
que o janeiro doce manga venha ser também
abacateiro serás meu parceiro solitário
nesse itinerário da leveza pelo ar
abacateiro saiba que na refazenda
tu me ensina a faze renda que eu te ensino a namorar
refazendo tudo
refazenda
refazenda toda
guariroba"

Na verdade, o próprio Gil já disse em várias entrevistas que a letra não trás nenhuma significado oculto ou metáfora ao regime militar, é apenas poesia: do aprendizado com o passar do tempo e da volta à natureza.


Uma outra canção de Gil que faz sim referências a um assunto que o marcou muito é "Sandra", do álbum "Refavela", que fala sobre a época que ele passou num hospício após ter sido detido por porte de drogas durante uma turnê que fez pela região sul do país:

"... Carmensita, porque ela sussurrou: 'Seja bem vindo'
(no meu ouvido)
na primeira noite quando nós chegamos no hospício
e Lair, Lair
porque quis me ver e foi lá no hospício..."

Já na década de 80, Gil fez uma turnê com Jimmy Cliff, logo depois de ter gravado uma versão em português da música de Bob Marley, "No woman, no cry", e que acabou trazendo algumas influências do reggae para o Brasil.


Em 1985, Gil fez parte do grupo de artistas que fizeram coro durante a gravação da música "We are the world", que levantou fundos para ajudar a situação difícil vivida na África, no movimento chamado USA for Africa.

E quem não se lembra da interpretação de Gil da música "Sítio do Pica-Pau Amarelo"? "Marmelada de banana, bananada de goiaba, goiabada de marmelo....". Fui a um show dele em 2003 e essa música fez muito sucesso entre o público mais jovem que estava presente.

Além de músico muito competente, Gil é engajado na política: elegeu-se vereador em Salvador no ano de 89, pelo PMDB. Mais tarde, filiou-se ao PV e foi Ministro da Cultura nos primeiros anos do governo Lula, deixando o cargo em julho de 2008.


Quer mais? O cantor tambem luta pela flexibilização dos direitos autorais, principalmente pela mudança que a internet trouxe à propriedade intelectual. Outra causa pela qual ele trabalha é a da liberdade digital, defendendo o software livre e "novas formas de interação e articulação, da liberdade real de produção e difusão da subjetividade, da busca do saber, da informação, do exercício da sensibilidade e da coletividade." (trecho de seu discurso no Fórum Social Mundial em 2005 sobre o tema). O assunto foi, inclusive, objeto de uma matéria do jornal americano "The New York Times", em 2007, com o título "Gil ouve o futuro, mas com direitos reservados".

Por todos esses motivos, Gil não poderia deixar de figurar entre os caras mais importantes da música em nosso país, tampouco deixar de ser "o cara" aqui no blog.

É difícil escolher uma música como preferida, ou indicar a vocês para ouvir, mas vou fechar o post com uma canção dele que gosto muito. Ela está num dos seus álbuns mais recentes (ou nem tanto), "Quanta", de 1997. É nesse CD que também está a música "Pela internet", que ficou muito famosa depois de ser usada pelo Itaú numa de suas propagandas (ouça clicando aqui):


Para quem quiser saber ainda mais sobre o trabalho do cantor, conferir a agenda de shows e conhecer alguns dos muitos livros que falam sobre sua carreira, acessem o site oficial clicando aqui.  

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