terça-feira, 18 de junho de 2013

Tatiana Belinky

No último final de semana demos adeus a uma das maiores escritoras contemporâneas de livros infantis, Tatiana Belinky. 


Ela faleceu aos 94 anos e deixou para nós toda uma coleção de estórias, contos e poemas. Nascida na Rússia, veio para o Brasil com 10 anos e escreveu mais de 250 livros infanto-juvenis, além de ser a responsável pela primeira adaptação do "Sitio do pica-pau amarelo", de Monteiro Lobato, para a televisão. Portanto, se não fosse ela, talvez as criações do autor não fossem tão importantes hoje.


Junto com o marido Júlio, com quem se casou na década de 40, começou a escrever estórias, que se tornaram roteiros para teatro que ele dirigia. Foi essa parceria que fez funcionar a versão do Sítio para a TV.

Tatiana disse certa vez que, para ela, a personagem mais importante da literatura brasileira é a Emília: a escritora sempre quis ser uma bruxa, desde pequena, mas, ao conhecer a boneca criada por Lobato, ela se apaixonou e deixou a bruxaria de lado, passando a desejar ser Emília.


Ela também popularizou no Brasil os poemas no formato limerique, que é um estilo bem peculiar de escrever poemas: com apenas cinco linhas e ritmo ascendente, formado por duas sílabas átonas e uma sílaba tônica. Acredita-se que esse tipo de construção tenha se originado na cidade de Limerick, na Irlanda, e geralmente tem um tom humorístico ou obsceno.

Tatiana escreveu os livros "Melodiques", "O livro dos disparates com os limeriques de Tatiana", "Limeriques das coisas boas" e "Limeriques de um bípede apaixonado", todos com esse formato de verso.


É necessário ter um dom para escrever para as crianças, e cativá-las com nossas estórias, e Tatiana possuia esse conhecimento, por isso, era respeitada e amada pelos pequenos, que adoram seus livros. Para ela, escrever era tão fácil quanto respirar, e isso fica claro em seus personagens, suas estórias, que são simples e conseguem divertir, entreter e ensinar ao mesmo tempo.

Vejam uma de suas entrevistas ao apresentardo Sérgio Groisman no programa "Ação" da Rede Globo, onde ela fala dessa facilidade em lidar com as palavras clicando aqui. No vídeo abaixo, uma outra pequena entrevista com a autora para a revista Crescer, contando um pouquinho da sua relação com Monteiro Lobato e de seu gosto pela Emília:


Tatiana também era tradutora, já que tinha o russo como primeiro idioma e, ao chegar no Brasil, também já falava alemão e letão (língua falada na Letônia). 

Ela recebeu o prêmio Jabuti, o mais importante da literatura nacional,  em duas oportunidades: 1989 como personagem literária do ano e em 1994, na categoria ilustração, com o livro "A saga de Siegfried".


Em 2010, Tatiana entrou para a Academia Paulista de Letras, mas deveria ter entrado também na Brasileira.

Como escritora, sei que na minha cabeça passam muitas estórias e palavras o tempo todo, e sempre me pergunto como é com os outros colegas. Bem, Na entrevista a Groisman ela me respondeu isso, dizendo que em sua cabeça existem inúmeras estórias, e que ela as deixa sair, simplesmente, dando vida à tudo aquilo que imagina. Sábia Tatiana.


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