quarta-feira, 10 de julho de 2013

Ele é o cara #24

Os escritores nacionais nem sempre são reconhecidos como merecem, e muitos têm trabalhos tão incríveis que podem marcar para sempre a vida dos leitores, assim como aconteceu com "A culpa é das estrelas", de John Green. Um escritor que conseguiu fazer isso com seu livro de estreia foi Marcelo Rubens Paiva, e ele é nosso cara de hoje:


Se você ainda não leu "Feliz ano velho", recomendo que o faça rapidamente. O livro fala sobre o acidente sofrido por Marcelo quando estava na faculdade, que o deixou paraplégico. A narrativa mostra como é possível continuar vivendo, ainda que com muitas dificuldades, depois de perder o movimento das pernas. É emocionante e deixa a todos uma lição de vida.


Eu sempre ouvia comentários sobre esse livro, e tinha uma curiosidade enorme para saber do que ele falava realmente, já que eu não conseguia relacionar o título com uma história triste. Então, um dia o encontrei na biblioteca municipal, e acho que devo ter terminado de ler em 2 ou 3 dias. Fiquei durante muito tempo refletindo sobre o que aconteceu com o Marcelo e como seria a minha vida se o acidente tivesse acontecido comigo. Será que eu teria a mesma força de vontade que ele teve? Se hoje em dia já é complicado para cadeirantes se locomoverem nas ruas, imagine em 1979... 

Mesmo dizendo várias vezes que não é exemplo algum, nem mesmo herói de ninguém, acho que para a maioria dos leitores de "Feliz ano velho" ele passa a ser uma referência sim, de força, superação e bom humor.

O livro já foi adaptado várias vezes para o teatro e também ganhou sua versão para os cinemas em 1987.


Esse livro foi o best seller da década de 80 e ganhou um prêmio Jabuti, além de ter sido traduzido para vários idiomas. 

Quando sofreu o acidente, Marcelo cursava Engenharia Agrícola na Unicamp, mas não terminou o curso. Mais tarde, ele se formou em Comunicação pela Universidade de São Paulo, e, aqui mora minha inveja eterna, em Teoria Literária, também pela Unicamp.

Seu segundo livro também é um clássico da nossa literatura: "Blecaute", lançado em 1986, conta uma estória alucinante onde todas as pessoas estão paralisadas e restam apenas 3 adolescentes vivos no mundo. Eles passam por vários momentos engraçados, mas também por situações muito complicadas, além de viverem numa busca contínua por outras pessoas vivas.


Então eu tinha acabado de ler "Feliz ano velho" e já comecei "Blecaute": loucura total! Viajei na estória de Rindu, e, acho que acontece com todo leitor, fiquei mais uma vez me imaginando no lugar daqueles três sobreviventes com uma São Paulo inteira a seu dispor, sem saber como aproveitar tudo aquilo e enlouquecendo com tanta solidão. Então, se você ainda não leu, pare tudo agora e leia!

Outros livros escritos por Marcelo são: "Ua:brari" (1990), "As fêmeas" (1992), "Bala na agulha" (1994), "Não és tu, Brasil" (1996), "Malu de bicicleta" (2004, adaptado para o cinema em 2010), "O homem que conhecia as mulheres" (2006), "A segunda vez que te conheci" (2008) e "E ai, comeu?" (2012) que também fez muito sucesso nas telonas.


Marcelo também escreve para o teatro: são suas as peças "Mais que imperfeito" e "Closet show", e também adaptou seu livro "O homem que conhecia as mulheres". Já atuou em alguns espetáculos, como  "No retrovisor", dirigido por Mauro Mendonça Filho e "Amo-te". Também dirige algumas peças, por exemplo "A noite mais fria do ano", e "O predador entra na sala".

O autor também já escreveu para a revista Veja como crítico literário, foi colunista na Vogue e na Folha de S. Paulo, e, atualmente, tem uma coluna no Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo todo sábado.


Marcelo mantém um blog, onde fala sobre os mais diversos assuntos, sempre irreverente e muito atual. Clique aqui  e conheça.

Representando muito bem a literatura nacional, Marcelo Rubens Paiva está entre os escritores mais lidos do país, e também é um dos meu favoritos. Por isso, tem espaço garantido aqui no blog como "o cara"  :)


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