terça-feira, 2 de julho de 2013

O temor do sábio - resenha


"Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Lá, é rapidamente envolvido na política da corte. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver - até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo."

Depois de passar um mês e meio lendo esse livro, Kvothe já era quase parte da minha família, e foi difícil me desapegar. Voltar ao universo criado por Rothfuss traz a mesma sensação que na primeira vez: estamos diante de uma história grandiosa, com personagens marcantes, ambientes únicos e uma trama cheia de altos e baixos, mas que não deixa nenhuma ponta solta em momento algum, apesar de seu grande volume de páginas. O segundo dia começa exatamente onde terminou o primeiro, e, quem olha o tamanho desse livro e acha que vai ser só enrolação se engana completamente. Tem muita ação, viradas na trama e ainda mais coisas a descobrir sobre o universo e o próprio Kvothe.

É impressionante como o autor consegue desenvolver sua narrativa de forma que não canse o leitor, e não fique repetitiva, apesar de parte do livro se passar nos mesmos ambientes que o primeiro, como a Universidade, por exemplo. Kvothe continua tendo dificuldades para continuar na universidade, sem conseguir dinheiro suficiente para pagar a taxa escolar ou comprar roupas e sapatos novos, mas a história cresce e começa a abordar outros conflitos, mostrando a versatilidade do autor e envolvendo ainda mais o leitor nos dramas do protagonista.

Os desentendimentos com Ambrose acabam obrigando o jovem Kvothe a deixar a sua querida Universidade por um período. E, como ele tenta há muito tempo encontrar um mecenas para patrocinar sua música, resolve seguir a dica de um amigo e viaja para a cidade de Vintas, que fica muito distante da escola e de tudo aquilo a que ele já tinha se habituado. É uma mudança grande tanto na vida de Kvothe quanto na própria narrativa, que agora se passa em um outro ambiente, cheio de pessoas e costumes novos, onde o jovem terá que aprender a lidar com as pessoas e o estilo de vida local.

O conflito se dá quando Kvothe passa a ajudar o rei de Vintas a conquistar uma mulher, usando seus talentos de músico para escrever belos poemas à moça como se fosse o próprio rei. Nesse meio tempo, o jovem também salva sua majestade da morte por envenenamento, e ganha sua confiança. Como prêmio, Kvothe é incumbido de sair em busca de bandidos que estão aterrorizando o povo e matá-los. Então ele parte para a floresta, na companhia de um grupo de mercenários briguentos e, nessa jornada, acaba aprendendo muito mais coisas do que na Universidade. Desde conviver conviver com pessoas muito diferentes entre si até conciliar as brigas que acabam surgindo entre eles, o jovem Ruh aproveita para absorver a maior quantidade de conhecimento possível. Ele descobre características importantes sobre as árvores e ervas existentes na mata, como usá-las nas mais diversas situações, além de começar a treinar com o ademriano que viaja com o grupo.

É durante essa viagem que Kvothe se encontra com Feluriana, ser encantado que é a mulher mais bonita do mundo e de quem nenhum homem nunca conseguiu escapar antes: todos eles morreram ou ficaram loucos. Mas nosso jovem personagem usa toda a sua astúcia e seu poder de controle mental para se livrar das garras dela e ainda deixá-la esperando por sua volta. Esse tempo ao lado da criatura dá a ele toda a experiência que ele não tinha com mulheres, além de lhe conceder muito mais segurança para agir na frente deles. Isso sem falar em todo o conhecimento místico que ele adquire ao passar um tempo preso no mágico universo daquele ser misterioso.

Com todas as estórias sobre Kvothe se espalhando rapidamente, ele acaba se tornando uma lenda viva, e descobre que ouvir absurdos sobre si mesmo contados pelas pessoas não é muito agradável. Mas mesmo se tornando uma lenda, seu passado o persegue, e ao revelar ao rei de Vintas que ele é parte dos Edena Ruh, acaba sendo expulso do castelo, mesmo depois de todo o bom trabalho prestado e resolve que é hora voltar para a Universidade.

Mesmo com todas as aventuras que está vivendo, Kvothe nunca deixa de pensar em Denna, e em seus poucos momentos juntos podemos ver o quanto ele gosta dela, e espera que um dia possa dar à moça tudo o que ela deseja. É um romance delicado e gostoso de ler, além de complicado, capaz de despertar no leitor todo tipo de reação. Muitos detestam Denna, mas alguns leitores a amam e veem nela tudo aquilo que Kvothe também vê, apesar do mistério que a envolve durante toda a trama.

Mais uma vez o livro termina mostrando o lado surpreendente de alguns personagens, e o leitor continua com a sensação de que o mocinho nem sempre é mocinho, e que no final da trilogia muitas máscaras vão cair.

Não há um só ponto negativo a apontar nesse livro. Talvez o grande número de páginas, que pode afugentar alguns leitores, mas nem isso o desabona, pelo contrário, só aguça a curiosidade de quem já leu o primeiro volume da série. Os leitores de Rothfuss estão ávidos por mais informações, para descobrir o que aconteceu com Kvothe entre o período na Universidade até o momento em que ele se tornou dono de uma hospedaria no meio do nada. Ainda há muitos mistérios a serem desvendados, principalmente depois desse livro, que se encerrou deixando ainda mais perguntas em aberto, e muita desconfiança sobre o caráter de alguns personagens.

Leitura indicada para quem já gosta de uma boa fantasia, para fãs de Harry Potter, que tenham a mente aberta para conhecer outro tipo de magia, em outro universo fantástico, com criaturas mágicas e personagens cheios de mistérios. Mas, se você ainda não é adepto desse tipo de leitura, tome cuidado ao ler; você corre o sério risco de se apaixonar pela criação de Rothfuss e não sair de lá nunca mais.


O temor do sábio: as crônicas do matador do rei - segundo dia
Patrick Rothfuss
editora Arqueiro
960 páginas
nota no Skoob: 4.8
nota do blog: 5.0

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