quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Cidades de Papel - resenha


"Quentin nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spielgelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola enquanto ele é só mais um dos nerds de sua turma. Certa noite, Margo invade a casa de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o  a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude e Margo decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte. Quando descobre que o paradeiro dela é um mistério, Quentin encontra pistas deixadas pela garota e começa a segui-las, numa busca que lhe proporciona tanto se descobrir quanto conhecer a verdadeira Margo, bem diferente daquele que ele idealizou a vida toda."

Quentin é um nerd típico, que tem um grupo de amigos diminuto e que prefere passar seus dias jogando video game a participar da cerimônia de formatura do colégio. Seus pais são psicólogos e, como diz o ditado, em casa de ferreiro o espeto é de pau, ou seja, eles acreditam que sabem exatamente o que se passa na cabeça do filho, mas ele não pensa assim. Enquanto os outros jovens da sua idade já têm seus carros, Quentin compartilha com sua mãe o uso de uma minivan. E ele é apaixonado, desde pequeno, por sua vizinha Margo Roth Spielgelman. Eles eram muito amigos quando crianças, mas depois de encontrarem um homem morto no meio do parque que costumavam frequentar, ela nunca mais falou com ele, apesar de ainda estudarem na mesma escola.

Numa noite como outra qualquer, Q está em seu quarto e Margo aparece na janela, toda vestida de preto, com o rosto pintado na mesma cor, dizendo que precisa da ajuda dele para executar um plano. Ela quer que ele pegue o carro da mãe e saia com ela noite afora para se vingar de algumas pessoas que se diziam suas amigas, pregando algumas peças neles.

Durante essa noite, Quentin vê sua paixão por ela aumentar, mas não consegue se declarar nem tentar nada, com medo de ser repelido. Ele sente que estão voltando a ser próximos como antes, e se enche de esperanças para o dia seguinte, acreditando que, depois de passarem a noite toda rodando de um lado para outro de carro e se divertindo com as armações de Margo, a menina vai tratá-lo como amigo quando se encontrarem na escola e que voltarão a ser como na infância. Então, para surpresa de Quentin, ela não aparece no colégio.

Ele continua esperando pelo encontro com Margo, mas ela some durante vários dias, deixando seus pais muito nervosos. Como não era a primeira vez que a menina sumia de casa repentinamente, os amigos achavam que era apenas mais uma de suas viagens malucas e que logo ela voltaria cheia de histórias para contar, como sempre fazia. Os dias vão se passando e Margo não aparece nem dá notícias. Quentin começa a ficar preocupado e, numa conversa com os pais da amiga, ele descobre que ela costuma deixar algumas pistas estranhas quando desaparece, com dicas enigmáticas do lugar onde ela está.

A partir daí Quentin começa a procurar por possíveis pistas deixadas por Margo para tentar localizar seu paradeiro e trazê-la de volta para casa, para que a vida deles seja como antes. Ele vai juntando pequenas peças e desvendando enigmas que parecem ter sido pensados especialmente para ele, como se Margo esperasse que ele a encontrasse.

Quanto mais perto a formatura vai ficando, mais seus amigos direcionam sua atenção para a festa e vão deixando Q sozinho com o desaparecimento de Margo e suas pistas misteriosas, mas ele não desiste até que um dia ele consegue entender o que Margo quis dizer quando falou, na noite em que saíram juntos, sobre as pessoas serem apenas pessoas de papel, vivendo numa cidade de papel, e assim ele consegue direcionar seus esforços para buscar o esconderijo da amiga.

A expectativa por um livro de John Green é sempre boa, e até agora ele tem correspondido. Aqui em "Cidades de Papel" ele usa o desaparecimento da personagem Margo Roth Spielgelman  (o nome dela é quase sempre dito assim por Quentin, inteiro) para expor sua verdadeira personalidade, aquela que a garota em geral não mostra para as pessoas a seu redor, talvez por medo de não ser aceita, e vai fazendo isso aos poucos, conforme Q encontra as pistas deixadas por ela, que também vão servindo para o próprio Quentin se descobrir.

O foco principal desse livro é o autoconhecimento, o entendimento que o personagem Quentin vai formando ao longo da narrativa, e as descobertas que ele faz de si mesmo. Ao mesmo tempo em que vai encontrando forças que ele nem sabia possuir, ele vence seus próprios medos apenas para tentar ver mais uma vez a garota que gosta. Ele sabe que vai precisar de muita coragem para encontrar Margo, que a certa altura ele já acredita estar morta, e isso o faz sofrer muito. Mas esse sofrimento dá combustível para que ele se esforce ainda mais na resolução dos mistérios deixados por ela.

Como nos outros livros de John, aqui os personagens são bem construídos e têm uma psique forte: Quentin e Margo mostram defeitos e qualidades típicos de pessoas da sua idade e com pensamentos próprios de adolescentes que passam por tantas mudanças. Os personagens secundários também têm participação importante na construção da narrativa, e esse é outro traço marcante nas obra do autor, que sempre cria pelo menos um amigo para o protagonista, lhe dando base para desenvolver bons diálogos e situações que refletem o cotidiano dos leitores. Não faltam momentos engraçados e situações cômicas entre os amigos enquanto tentam localizar Margo.

Eu sou fã de John Green e posso ser suspeita para falar, ainda assim, recomendo muito o livro, que, apesar de ter como pano de fundo um pequeno drama adolescente, mais uma vez ele consegue nos fazer refletir sobre como conduzimos nossa vida, sobre autoconhecimento e determinação para conquistar o que queremos. Com uma escrita bem simples, John consegue deixar quase poética a mensagem que quer passar: viva, siga seus instintos, realize seus sonhos e não perca tempo com aparências ou se preocupando com o que outras pessoas podem pensar de você. Assim como Quentin e Margo, podemos encontrar vários obstáculos na vida, mas mesmo cheia de dificuldades, ela é mais simples do que imaginamos.

Cidades de Papel
John Green
editora Intrínseca
361 páginas
Onde comprar: Submarino Saraiva Americanas Fnac acessando os links no rodapé do blog.

8 comentários:

  1. É exatamente isso: Auto conhecimento!
    Amooo de coração esse livro! AS pessoas ficam comparando ele a ACEDE, mas esquecem que são histórias diferentes e que não existe uma comparação. Aqui o babado é mais leve, beeemmm mais leve. ADorooo!!!

    bjus
    http://terradecarol.blogspot.com.br/2013/10/resenha-de-veneno-sarah-pinborough.html

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    1. Isso mesmo Carol, são duas estórias totalmente diferentes, mas as pessoas só comparam por ser do mesmo autor.
      Volte sempre para me visitar ;)

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  2. Oi Joana, preciso ler esse livro, a lista ta tão grande de livros a serem lidos que acabei deixando ele para depois... depois... e até agora nada!
    Bjos

    Blog Relíquias

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    1. Aline, leia-o assim que possível, é uma leitura gostosa, vale a pena.
      Sei bem como é isso, minha pilha de leitura está enorme tbm!
      Bjos!

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  3. Eu acredito que a maneira como começamos um livro, influencia muito em como vamos reagir aquela história. Quando eu comecei a ler o ACEDE, eu não estava esperando muita coisa. Sabe quando todo mundo fica falando sem parar? E vamos combinar: quantas histórias de meninas com câncer que encontram o amor já nos deparamos, né? E eu passei de cética a fã do livro. Eu amei.
    Já quando fui ler Cidades de Papel, criei uma expectativa danada porque John Green tinha ganhado meu coração e acabei não gostando tanto. A história é bem construída, e o mistério é interessante. Mas não foi um livro que amei ler. Foi apenas um livro que eu gostei. E por isso acho que a expectativa que eu criei me atrapalhou nessa leitura.

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    1. Com certeza a expectativa influencia demais nossa opinião, e isso geralmente me atrapalha mais com os filmes do que com os livros. Eu gostei desse, não é o meu preferido do John, mas tem suas qualidades.

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  4. Cidades de Papel é um livro simples, mas com várias passagens e momentos perfeitos! (vou reler logo menos)
    "Isso sempre me pareceu tão ridículo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa de beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor."
    Me fez relembrar essa música, espero que goste! Beijo!

    http://www.youtube.com/watch?v=V7zXQSUyIiw

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    1. Ah Sandra, que lindo! Tem mesmo tudo a ver com a estória, adorei!
      Bjo!

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