segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Um pouquinho de... - retrospectiva


Esse ano comecei a postar aqui alguns dos quotes que mais me chamavam a atenção durante as minhas leituras, e os mais acessados pelos leitores do blog foram:

Quem é você, Alasca?

"Podemos fazer muitas críticas ao Alabama, mas uma coisa é certa: as pessoas lá não morrem de medo de fritura. Em minha primeira semana na Creek, o refeitório serviu galinha frita, filé de galinha frito e quiabo frito - o que marcou minha primeira incursão no delicioso mundo dos legumes fritos. Não me surpreenderia se também tivessem fritado folhas de alface. Mas nada se iguala ao bufrito, um prato criado pela Maureen, a cozinheira espantosamente (e compreensivelmente) obesa de Culver Creek. O bufrito, um burrito de feijão frito, era a prova definitiva de que a fritura sempre melhorava a comida. Naquela tarde, sentado com o Coronel e mais cinco rapazes desconhecidos numa mesa redonda do refeitório, enterrei os dentes no invólucro tostadinho do meu primeiro bufrito e tive um orgasmo gastronômico."







Reparação

"... quando ela começava a escrever uma história, ninguém podia saber. Fingir com as palavras era uma coisa tão hesitante, tão vulnerável, tão constrangedora, que ninguém podia ficar sabendo. Só de escrever 'disse ela' ou 'e então', Briony envergonhava-se, sentia-se ridícula, por fingir conhecer as emoções de um ser imginário. Cada vez que falava sobre a fraqueza de um personagem, inevitavelmente se expunha; era fatal que o leitor imaginasse estar ela descrevendo-se a si própria. De que outra maneira poder ter descoberto aquilo?"









Feios



"- Livros de papel? O que tem demais?

- Não são livros. Se chamam 'revista' - explicou Shay.

Ela abriu um exemplar e apontou para as páginas. Eram todas estranhamente brilhantes e cheias de fotos. De pessoas. Feios. 
Os olhos de Tally demonstravam espanto enquanto Shay virava as páginas, sempre apontando e rindo. Ela nunca tinha visto tantos rostos tão diferentes. Bocas, olhos e narizes de todos os formatos possíveis, combinados de um jeito absurdo, em pessoas de todas as idades. E os corpos? Alguns eram monstruosamente gordos ou estranhamente musculosos ou perturbadoramente magros. E quase todos apresentavam proporções desequilibradas e feias. No entanto, em vez de demonstrarem vergonha por causa de suas deformidades, as pessoas davam risadas, trocavam beijos e posavam, como se as fotos tivessem sido tiradas numa grande festa.
- Quem são esses esquisitos?
- Eles não são esquisitos - disse Shay - O engraçado é que são pessoas famosas.
- Famosas por quê? Por serem horríveis?
- Não. São esportistas, atores, artistas. Acho que os caras de cabelo comprido são músicos. Os mais feios são políticos. Alguém me disse que os gordinhos, na maioria, são comediantes.
- É curioso mesmo. Curioso no sentido de estranho - disse Tally - Então era assim a aparência das pessoas antes do primeiro perfeito? Como é que as pessoas conseguiam encarar essas coisas?"

E o meu preferido de todos eles: Métrica 

"Will para de mexer no projetor, se levanta e vai até o quadro. Pega um pedaço de giz, escreve algo e dá um passo para o lado. The Avett Brothers. Will aponta para o nome no quadro. - Alguém já ouviu falar deles? Ele olha para mim e balança sutilmente a cabeça, dizendo que não quer que eu fale.
- Parece familiar - diz alguém no fundo da sala.
- Bem - diz ele, andando pela sala - São filósofos que falam e escrevem palavras de extrema sabedoria, fazendo a pessoa pensar mais sobre as coisas.
Tento conter a risada. Mas em boa parte ele tem mesmo razão.
- Uma vez perguntaram a eles exatamente isso. Acho que estavam fazendo uma leitura. Alguém fez uma pergunta sobre a poesia deles, se era difícil ter de reviver as palavras toda vez que se apresentavam. A resposta foi que, apesar de o ideal ser eles superarem aqui (a pessoa ou o evento que inspirou as palavras naquela época), isso não significa que uma pessoa que estiver escutando não tenha passado pela mesma coisa.
E daí? E daí a dor sobre a qual você escreveu no passado não é o que você está sentindo hoje? O que você está sentindo agora, e a pessoa a quem suas palavras talvez afetem daqui a cinco anos - é por isso que se escreve poesia."

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