quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Branca dos Mortos e os Sete Zumbis - resenha



"Em Brancas dos Mortos e os Sete Zumbis, Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufenismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os doze contos que compõem Branca dos Mortos e os Sete Zumbis formam uma narrativa não-linear que culmina num desfecho aterrorizante."

Hoje dia muitos clássicos da literatura estão sendo revisitados, e as versões para essas estórias são as mais criativas possível, mas nenhuma se compara às de Fabio Yabu: aqui coisas ruins acontecem, as princesas morrem e ninguém vive feliz para sempre. E é exatamente isso que deixa o livro tão bom.

O autor pegou os personagens conhecidos por todos, como a Cinderela e a Rapunzel, e transformou em seres assustadores, cheios de maldade e sem nenhum pudor. Um dos contos desse livro é o conhecidíssimo "João e Maria", mas aqui ele mostra o outro lado da estória, as razões que levaram o pai a abandonar seus filhos no meio da floresta e o que aconteceu com ele depois disso. Posso adiantar para vocês que não foi um final agradável para ele.

Em outro conto interessante, Yabu resume a estória dos três porquinhos à unica casa que ficou de pé depois do ataque do lobo em "O fim de quase todas as coisas". É uma forma sutil de escrever a fábula que ouvimos desde crianças, usando apenas duas páginas e ainda aproveitando-as para mandar um recado aos homens. Muito inteligente.

Destaco a versão do autor para o clássico "Bela Adormecida", que aqui virou "Bela Incorrupta", e que trouxe para os dias de hoje o fenômeno que manteve a princesa conservada durante tanto tempo dentro do caixão, mesclando ciência e ironia.

E o meu preferido, com certeza, foi "Cindehella e o sapatinho infernal": sempre achei que a gata borralheira deveria se vingar das filhas da madrasta que a tratavam tão mal, e agora meu sonho foi realizado, ainda que a vingança não tenha partido espontaneamente de Cinderela, mas de um monstro que toma o seu corpo durante o baile e faz coisas horríveis aos convidados. Ainda assim, foi bom ver um pouco de sofrimento dos outros personagens da estória, e um toque de violência também, que deixou a fábula mais interessante para os dias de hoje.  

Também foi uma grande ideia ligar todos os contos do livro, mesmo que eles se passem em linhas temporais não lineares. As 12 estórias têm um gancho que as une, e numa sempre há uma citação da outra, seja de algum personagem ou acontecimento, mostrando habilidade do autor em criar um universo único, onde todas as fábulas têm algo em comum.

É interessante observar o salto que Fábio Yabu dá, saindo das estórias infantis direto para contos de terror. Ele já tinha publicado vários livros direcionados às crianças, como a série "Princesas do mar", e aqui mudou totalmente de gênero, escrevendo brilhantemente essas estórias de horror.

Branca dos mortos e os sete zumbis
Fábio Yabu
Globo Livros
200 páginas
nota do blog: 4.5
nota do Skoob: 4.4
compre pelos links: Submarino, Americanas ou Saraiva 

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Uma vida em 10 livros



Há algumas semanas vem rolando no Facebook uma corrente interessante: uma pessoa fala quais são os 10 livros que mais marcaram sua vida, e indica outros 10 amigos para também fazê-lo. Isso é muito interessante para disseminar a literatura, indicando alguns títulos que já lemos, e também para aproximar ainda mais os leitores, nos permitindo conhecer um pouquinho do gosto literário de nossos amigos.

Eu recebi algumas indicações de amigos para fazer a minha lista com meus livros preferidos, mas não consegui pensar imediatamente em quais tomos escolher. Também vi várias lista com ótimos títulos, e cheguei a conclusão que existe livros para todos os gostos.

No site da Época, o colunista Danilo Venticinque convidou 12 escritores dos mais diversos gêneros para revelarem quais são os seus livros preferidos. As listas deles vão de livros considerados clássicos a genuína literatura contemporânea. Visitem o site clicando aqui e conheça os livros preferidos de Eduardo Spohr e André Vianco, entre outros.

Sem mais delongas, vou contar para vocês quais os livros que marcaram minha vida e que, espero, tenham sido importante para muito mais pessoas. Ah! A ordem numérica é apenas para efeito de contagem, não significa que um livro é mais importante que o outro, ok?

1. Caçadas de Pedrinho, Monteiro Lobato
2. A mulher só, Harold Robbins
3. A culpa é das estrelas, John Green
4. A casa dos espíritos, Isabel Allende
5. Blecaute, Marcelo Rubens Paiva
6. A droga da obediência, Pedro Bandeira
7. Antologia poética, Vinícius de Moraes
8. Flor de poemas, Cecília Meireles
9. Métrica, Colleen Hoover
10. Ensaio sobre a cegueira, José Saramago

E vocês, quais são os seus livros preferidos, aqueles dos quais vocês nunca mais se esqueceram?


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Um pouquinho de...

"Gus acessou um site de doações chamado Grátis Sem Pegadinha e juntos redigimos um anúncio.
- Título? - ele perguntou
- Balanço precisa de um lar - falei
- Balanço Extremamente Solitário Necessita de um Lar Amoroso - ele disse.
- Balanço Solitário e Ligeiramente Pedofílico Procura Bumbuns de Crianças - falei.
Ele riu.
- É por isso.
- O quê?
- É por isso que gosto de você. Você tem ideia de como é raro encontrar uma gata que use essa versão adjetivada do substantivo pedófilo? Você está tão ocupada sendo você mesma que não faz ideia de quão absolutamente sem igual você é.
Respirei fundo pelo nariz. Nunca havia ar suficiente no mundo, mas a carência dele naquele momento estava particularmente crítica."

(página 116, capítulo 8)

domingo, 23 de fevereiro de 2014

A banda da minha adolescência ainda existe!

A minha colega blogueira Virgínia escreveu um post sobre a banda que ela gostava na adolescência e que agora já não existe mais (leiam aqui). Inspirada nesse post, vou contar para vocês sobre a banda da minha adolescência. E eles ainda existem! Aliás, estive com eles na última sexta-feira num show incrível.

Única foto minha que ficou boa. Titãs tocando Cabeça Dinossauro.
Os Titãs estão na minha vida desde sempre. Quando eu era adolescente já cantava e dançava suas músicas na rua com os amigos. Lembro-me de quando ouvimos Miséria pela primeira vez, e ficamos tentando entender o que eles diziam naquele finalzinho, num dialeto estranho, que bem mais tarde descobri ser cantado por Mauro e Quitéria, repentistas de Pernambuco.

Show em Vinhedo - foto oficial
Bem antes disso, as tardes de sábado já eram embaladas pelos Titãs no Cassino do Chacrinha, programa da TV Globo, onde eles tocavam Sonífera Ilha, ainda com todos os integrantes originais da banda, vestindo aqueles roupas ridículas dos anos 80, e com cabelos ostentado cortes da mesma década.

Titãs no Chacrinha
Desde aquela época eu acompanho a carreira deles, curtindo cada fase e aprendendo a gostar de cada música nova. E quanto aos shows, o primeiro que assisti ao vivo foi em 1997, quando eles gravaram o Acústico MTV, em comemoração aos 15 anos de carreira. Ali ainda estavam presentes quase todos os integrantes, com a exceção de Arnaldo Antunes, que tinha deixado a banda em 91, depois do lançamento do disco Tudo ao mesmo tempo agora.

Imagem do Acústico MTV
Esse show foi memorável; eles tocaram quase todas as canções que estavam no CD acústico, que eu vinha ouvindo diariamente. E para ficar ainda mais inesquecível, eu estava grávida, e, como já contei pra vocês em outro post, eu tocava o álbum para meu filho ouvir ainda dentro da minha barriga. Depois que ele nasceu, colocava Comida para ele dormir. E dava certo ;)

Show em Vinhedo - foto oficial
Algum tempo depois, fui a outros shows deles: na Unicamp, quando atiraram num jovem do lado de fora do ginásio, no Rodeio de Americana, na Red Eventos e esse último, na Festa da Uva. E a cada show eu gosto mais deles. Não tem como não ficar arrepiada ao ouvir os primeiros acordes de Cabeça Dinossauro ou Comida.

Show em Vinhedo - foto oficial
Em 2012, os Titãs comemoraram seus 30 anos de carreira e fizeram vários shows tocando na íntegra o disco Cabeça Dinossauro, lançado em 86, e, atualmente, estão em estúdio gravando um novo álbum, com previsão para sair em maio desse ano. Por isso, o show que eles apresentaram em Vinhedo trouxe seus maiores sucessos, como Polícia, Bichos Escrotos e Flores.


Mesmo que agora os Titãs sejam apenas 4, continuam mandando muito bem no palco, com Mario Fabre na bateria, substituto de Gavin desde 2010. Aliás, a ausência de Charles é a que eu mais sinto, mesmo aceitando que Fabre é um ótimo baterista. A falta de Gavin nem é tanto pela parte musical, mas pela figura dele ali atrás dos outros integrantes. Para mim, ele é o cara da banda, e eu realmente sinto a falta dele nos shows.

Show em Vinhedo - foto oficial
Algumas pessoas dizem que os Titãs perderam a mão, que já não fazem rock como antigamente e que o último CD já não foi tão bom, mas eu discordo. Acho que eles continuam bons músicos, apenas estão mais maduros e com a idade tudo muda. Ninguém continua sendo um jovem rebelde a vida toda. Tanto que, em seus projetos individuais, cada um dos Titãs mostra esse lado mais maduro. Já falei de cada um dos integrantes da banda aqui no blog, com um post especial para cada, inclusive para os membros que já deixaram o grupo, e sobre suas carreiras paralelas, dando detalhes do trabalho que cada um faz quando não está encantando os fãs com seu rock'n'roll.

Show em Vinhedo - foto oficial
Enfim, ao contrário da Virgínia, a banda da minha adolescência ainda existe, e ainda está me fazendo feliz a cada vez que toca AAUU e Homem Primata. Sérgio Britto, Tony Bellotto, Branco Mello e Paulo Miklos são lindos, maravilhosos e carismáticos, cada um do seu jeito, e todos juntos, com suas guitarras, baixo e teclado, tocando Marvin, Televisão, Go Back, O Pulso ou Vossa Excelência.

Show em Vinhedo - foto oficial
Titãs é como Legião Urbana: é impossível escolher a melhor música, ou o melhor disco. Nem dá pra falar pra vocês apenas num post sobre todas as canções deles que eu amo, mas o importante é registrar que eles ainda fazem parte da minha vida, e farão sempre, ainda que, num futuro distante, deixem de gravar novos álbuns ou se apresentar ao vivo. E como disse Marisa Monte: salve Titãs!


Para quem quiser saber mais sobre a história da banda ou os próximos shows, basta visitar seu site através desse link.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Sexta de música #56 - The Smiths

Quem leu "As vantagens de ser invisível" provavelmente se lembra da música que Charlie comenta várias vezes durante o livro, "Asleep", do The Smiths. Não leu ainda? Então pare um pouquinho e leia a resenha clicando aqui.

Cena do filme "As vantagens de ser invisível"

A banda britânica The Smiths era formada por Morrissey, vocalista e líder, Johnny Marr na guitarra e grande parceiro de composição de Morrissey, Andy Rourke no baixo e Mike Joyce comandando a bateria. Eles começaram sua carreira em 1982, sendo considerados como a banda mais importante de rock alternativo daquela década, e encerraram as atividades em 87, recusando vários convites para se reunir depois disso.

Na época a banda não alcançou um sucesso estrondoso, não conseguindo emplacar nenhum hit entre os top 10 da Inglaterra, mas suas músicas fazem muito sucesso até hoje, e muitas bandas foram influenciadas diretamente pelo som dos caras, como os The Cranberries e o Oasis. Inclusive, Noel Gallagher já declarou que Marr foi sua maior influência na guitarra.

Com essas carinhas de bons moços, The Smiths conquistaram muitos fãs.
Aqui no Brasil um dos admiradores famosos de Morrisey foi Renato Russo, e muitas pessoas dizem que ele até tentava aproximar seu estilo de cantar com o do inglês. 

Morrissey e Russo: parecidos?
Com letras escritas por Morrissey e a direção musical de Marr, os Smiths criaram um estilo próprio, sem usar sintetizadores, muito comuns na época, e sem aderir a dance music. Morrissey foi muito influenciado pelo punk rock e pelo pós punk e algumas de suas letras podem parecer deprimentes, mas também possuem um toque de humor muito singular. Ele também costumava criar canções que falassem sobre pessoas comuns, da classe trabalhadora, com suas experiências do dia a dia e seus problemas. Mas o tema desespero e morte eram recorrentes em suas criações.

Na música citada por Charlie em "A vantagens de ser invisível", podemos perceber um pouco desse lado sombrio do compositor, quando parece mencionar um suicídio:


Apesar desses toques macabros nas letras, as músicas dos Smiths têm melodia envolvente e a voz de Morrissey é muito agradável aos ouvidos. Por isso, a playlist de hoje traz 5 músicas da banda: além da própria Asleep, outras 4 que são as minhas preferidas da banda inglesa. Keep calm and enjoy!

1. Asleep
2. The boy with the thorn in his side
3. Heaven knows I'm miserable now
4. Ask
5. I'm so sorry (Suedhead) - essa é apenas de Morrissey, em carreira solo

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Bento - resenha



"Em uma noite infestada de magia, metade do mundo adormece e a população que ainda está desperta se vê mergulhada em acontecimentos inexplicáveis, como o surgimento de vampiros, o desaparecimento das doenças e coisas ainda maiores que acabam fazendo com que as pessoas fujam das grandes cidades e passem a formar fortificações afastadas dos centros abandonados. Durante o dia, trabalham para refazer o mundo e entender o que os rodeia; durante a noite, lutam para continuarem vivos e manter vampiros afastados das comunidades. Quando tudo parece perdido, surge a profecia dos 30 guerreiros bentos, e dos quatro milagres que virão com a sua união, salvando a humanidade do domínio das criaturas da noite."

Imagine acordar num lugar estranho, todo branco, onde uma voz sinistra fala com você, sem saber como foi parar ali ou o que está acontecendo. Assim despertam os bentos, homens que acordam depois de terem passado muito tempo num estado quase de coma, e veem cair em seus colos a responsabilidade de salvar o mundo de algo que eles nem sabiam existir.

Em "Bento" conhecemos um mundo que vive refém de vampiros, com sobreviventes de um acontecimento chamado de a noite maldita, tentando escapar dos ataques das criaturas da noite e levar uma vida quase normal.

Numa noite comum, algo aconteceu com as pessoas do mundo inteiro e algumas viraram vampiros, outras adormeceram sem explicação, e umas poucas continuaram normais, tendo que descobrir como viver a partir daquele momento. Essas pessoas acabaram se distanciando das cidades grandes, e foram morar em lugares mais afastados, criando comunidades que viviam cercadas de grandes muros e sempre com sentinelas vigiando e combatendo algum vampiro que viesse tentar invadir o lugar.

Dentre os que adormeceram na noite maldita, alguns, às vezes, acordavam sem explicação nenhuma, e muitos se mostravam normais como antes, mas alguns homens voltavam com poderes especiais para matar vampiros. Esses ficavam conhecidos como bentos. E para esses bentos já existia uma missão a cumprir: um homem conhecido como Bispo teve uma visão sobre uma profecia, que dizia que 30 bentos se reuniriam e 4 milagres seriam realizados, derrotando de vez os vampiros.

Então, a esperança de todos os sobreviventes estava na reunião desses 30 bentos, e Lucas era o trigésimo a acordar. No início ele não entendia como poderia lutar contra vampiros, já que nunca tinha brigado na vida, mas de repente ele percebe possui uma força incrível frente às criaturas, e que seu destino realmente é matar todas elas. O crescimento do personagem Lucas é muito interessante, e seria legal se ele aparecesse em alguma outra estória do autor.

O enredo vai se desenrolando na busca por todos os bentos, e um grupo de soldados viaja junto com eles, de cidade em cidade, a fim de reunir todos os salvadores e defendê-los dos ataques de vampiros. Muitas vezes nesse percurso eles são encurralados pelas criaturas, e a força dos bentos é colocada à prova. Alguns soldados morrem protegendo os escolhidos.

Em paralelo a essa busca, o autor vai contando a estória dos próprios vampiros, nos apresentando um grupo que está tendo o controle disputado por dois deles: Cantarzo e Raquel. Nessa estória, além da briga pelo domínio do covil, acompanhamos a busca do vampiro por um poder soberano, que vai acabar com todos os humanos de uma vez, e fazem com que as criaturas tomem posse das pessoas que ainda estão dormindo para se alimentarem deles continuamente.

A cada investida dos vampiros às fortificações o sofrimento é enorme. Os guardas armados tentam a todo custo defender suas comunidades e as famílias que moram nelas, mas algumas vezes eles não resistem, a acabam perdendo terreno para os vampiros, que invadem o local e causam o terror nas pessoas que moram ali.

A narrativa é tão intensa, tão cheia de detalhes, que é possível sentir o pavor de uma pessoa que se vê nas mãos de um vampiro. O medo de ser atacado todas as noites faz com que as pessoas se tornem prisioneiras dentro de suas comunidades, tentando levar uma vida normal durante o dia, e se escondendo das criaturas a noite.

Um lado mais tranquilo do livro é a forma como as pessoas constroem as fortificações e passam a sobreviver com o que produzem ali. Ninguém mais tem energia elétrica, internet, telefone, TV nem nada do que estamos acostumados hoje. Tudo o que comem, vestem, as casas, os móveis, tem que ser feito por eles mesmos, mostrando que é possível sobreviver a um colapso de proporções inimagináveis voltando a viver como era há muitos anos atrás. Nas comunidades as pessoas levam uma vida mais tranquila, não têm que se preocupar com horários, dinheiro, contas, prazos. Esse distanciamento dos grandes centros leva a uma melhora nas relações interpessoais, diminui o aquecimento global e ajuda a resolver outros problemas ambientais e sociais. Se não fossem os ataques dos vampiros, tudo seria perfeito.

O livro é meio longo, e algumas cenas foram desnecessárias, na minha opinião, como o encontro com os gorilas gigantes. A busca pelos 30 bentos é demorada e, depois que todos estão juntos, o enredo sofre uma virada enorme, e parecia que estava lendo outro livro, tão diferente foi ficando a narrativa. No início a estória focava bastante nas pessoas tentando se defender dos vampiros, e no final, tudo parecia um filme de ficção científica. Apesar dessa mudança brusca, achei o final aceitável.

Destaco o gancho deixado por Vianco para o próximo livro da série, que vai contar a estória do vampiro Cantarzo, e que me deixou muito curiosa quanto ao seu desfecho.

"Bento" é um livro bom, onde os vampiros são vampiros de verdade, daqueles que põem medo na gente, que não saem ao sol e que sugam o sangue dos humanos. Vampiros maus, como devem ser. Recomendo a leitura para quem gosta do gênero, e, para quem ainda não gosta, que tal começar com uma boa estória de vampiros escrita por um brasileiro?

Bento 
André Vianco
editora Novo Século
517 páginas
nota do blog:4
nota do Skoob: 4.3

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sei Que Eu Sei News #9


Robert Galbraith vai lançar a continuação de "The cuckoo's calling". Ou seja, J. K. Rowling vai continuar escrevendo sob o pseudônimo revelado no ano passado. "The silkworm" será a segunda parte de seu primeiro romance, e chegará às livrarias inglesas em 19 de junho. No Brasil a editora Rocco marcou o lançamento para novembro.


Só para relembrar, "O chamado do cuco" teve uma venda inexpressiva antes de "vazar" na internet que seu autor era na verdade a mãe de Harry Potter.

Abaixo uma pequena sinopse do enredo de "The silkworm":

"Quando o romancista Owen Quine desaparece, sua esposa chama o detetive Cormoran Strike para investigar o caso. Primeiramente, a senhora Quine acreditava que seu marido desaparecera por vontade própria apenas por alguns dias — como já fizera antes — e precisava que Strike só o encontrasse e o trouxesse para casa.
Mas conforme Strike investiga, fica claro que há muito mais em seu desaparecimento do que a esposa de Quine revela. Afinal, o romancista acaba de finalizar um manuscrito que pode deixar em alerta — e incomodar — muitos de seus conhecidos. Se o livro for publicado, ele arruinará carreiras — o que significa que muitos querem seu silêncio.
Quando Quine é encontrado brutalmente assassinado em circunstâncias estranhas, a investigação se torna uma corrida contra o tempo para entender os motivos de um assassino cruel; um assassino como nenhum outro que Strike já conheceu…"


Em comemoração ao episódio de número 550, Os Simpsons vão se transformar em Lego.

No dia 4 de maio, durante o episódio chamado "Brick Like", Homer vai acordar e perceber que Springfield foi transformada em blocos de montar, e ele terá a responsabilidade de fazer com que tudo volte ao normal.

A parceria faz parte de um conjunto de ações da empresa Lego, que já lançou esse ano o filme "Uma aventura Lego", e vai aproveitar para os blocos de montar da família amarela, que está prevista para chegar as lojas ainda em 2014.

casa dos Simpsons em Lego que será lançada esse ano

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Fui uma boa menina? - resenha






"Nestas páginas de diário, uma adolescente fora do comum escreve sobre seus dramas e conflitos familiares ao mesmo tempo corriqueiros e excepcionais, em uma narrativa envolvente, cheia de suspense e, claro, com o toque de fantasia característico de Carolina Munhóz."

O conto é curtinho, como um bom conto deve ser, e em poucas páginas consegue criar um universo interessante: no início da leitura não fica claro a verdadeira identidade de quem está escrevendo no diário, mas é possível notar sua decepção com a família e a vontade que essa pessoa tem de ser normal.

Até ai nada de estranho, todo adolescente que escreve em diários quer ser normal, quer que sua família o entenda e desabafa no papel seus mais profundos desejos e frustrações.

Mas, passadas algumas páginas, a menina que escreve se revela bem diferente dos jovens 'normais', com uma família muito característica, mas que talvez não fosse a ideal para ela até então.

Depois de perder a mãe numa noite que deveria ser especial para todos, a jovem se revolta e sai de casa, deixando para trás toda uma tradição familiar, da qual ela teoricamente deveria fazer parte, e tenta viver uma vida tranquila longe de tudo. Mas o passado sempre volta a seu pensamento, e a falta que ela sente da mãe a faz lembrar de tudo o que quer esquecer. 

Ela vai repassando as lembranças dos últimos momentos que teve com a mãe, e não consegue entender o que ela estava tentando fazer enquanto revirava seu armário em busca de alguma coisa, e tentava fazer com que a menina aceitasse a sua condição de pertencer a uma família muito especial.

O único detalhe que pode insinuar algo sobre a jovem e a família é sua descrição física: muito branca e com cabelos da mesma cor. Mais a frente, o ambiente em que ela vive também dá pistas sobre sua origem, descrito como um lugar muito frio e com neve, onde todos trabalham o ano inteiro para satisfazer os desejos de muitas crianças numa única noite do ano.

Agora ficou fácil ambientar o enredo, e o leitor começa a entender o motivo de toda a revolta da menina, que queria apenas ser mais uma dessas crianças que recebem uma gratificação por terem se comportado bem durante o ano todo.

O desfecho é bem emocionante, quando o pai se aproxima da menina e explica a ela como foi que a mãe morreu, e por quê a família é tão especial para o mundo. A menina reluta a aceitar a herança familiar, mas no final, tudo acaba bem.

Como diz a sinopse do conto, ele tem o toque especial de Carolina Munhoz. Todo o texto é repleto de fantasia, e a autora inseriu no universo fantástico um pequeno drama cotidiano, desmistificando um dos seres mais amados por todos nós, nos aproximando dele mais um pouquinho, mesmo que não sejamos mais crianças para acreditar.

"Fui uma boa menina?"
Carolina Munhoz
editora Rocco
16 páginas
nota do blog: 4
nota do Skoob: 3.4

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um pouquinho de...

"Colin continuava convencido de que o comportamento romântico era basicamente monótono e previsível e que, portanto, seria possível criar uma fórmula bastante simples que anteciparia a rota de colisão de duas pessoas quaisquer. Mas ele temia não ser genial o suficiente para estabelecer as conexões. Ele simplesmente não conseguia imaginar um jeito de prever corretamente as outras Katherines sem estragar as que já tinha destrinchado direitinho. E, por algum motivo, o medo de não alcançar a genialidade necessária fez com que ele sentisse mais falta da K-19, mais do que quando ficou com a cara no carpete do quarto. O pedaço que faltava em seu estômago doía demais - ele acabou parando de pensar no Teorema e ficou se perguntando simplesmente como algo que não está lá pode causar tanta dor em alguém."

(página 136, capítulo 10)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Sexta de música #55 - Beatles

Nas últimas semanas foram lembrados o primeiro show dos Beatles nos Estados Unidos e o último show da banda, que pôs fim a uma era de sucessos do Fab Four.


Diante de uma plateia de 8.000 pessoas, um record até então, a banda fez, em 11 de fevereiro de 1964 no Uline Arena, em Washington, sua primeira apresentação em solo norte americano. 

A data é tão marcante para os fãs que o grupo de tributo Beatlemania Now recriou na íntegra esse show, começando exatamente no mesmo horário que o de 64, às 20h30, e teve 35 minutos de duração.


Em contrapartida, no último dia 30 relembramos do ato final dos Beatles: o show que eles fizeram, há 45 anos, no terraço da Apple Records, em Londres.

A apresentação foi gravada para o filme "Let it Be" e registrou a última reunião dos quatro integrantes da banda, que depois ainda gravariam o álbum "Abbey Road", mas já não subiria mais aos palcos. Uma multidão alucinada pela banda teve o privilégio de assistir a esse show, que tinha entre o repertório os sucessos "Get Back" e "Don't Let me Down".

Eu nunca vi os Beatles tocando ao vivo - ainda não era nascida -, mas gosto muito da banda. Tenho algumas músicas preferidas, e na playlist de hoje vou mostrá-las para vocês. Espero que curtam e depois compartilhem comigo as que mais gostam também ;)


1. I want hold your hand
2. Eight days a week
3. Love me do
4. Help!
5. A hard day's night
6. She loves you
7. Can't by me love 
8. From me to you
9. Come together
10. Please please me

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

As vantagens de ser invisível - resenha


"Ao mesmo tempo engraçado e atordoante, esse livro reúne as cartas de Charlie, um adolescente de quem pouco de sabe - a não ser pelo que ele conta nas correspondências -, que vive entre a apatia e o entusiasmo, tateando territórios inexplorados, encurralado entre o desejo de viver a própria vida e ao mesmo tempo fugir dela. Íntimas, hilariantes, às vezes devastadoras, as cartas mostram um jovem em confronto com a sua própria história, presente e futura, ora como um personagem invisível, à espreita por trás das cortinas, ora como protagonista que tem que assumir seu papel no palco da vida. Um jovem que não se sabe quem é ou onde mora, mas que poderia ser qualquer um, em qualquer lugar do mundo."

Já no início do livro o autor deixa claro que revelará pouco sobre a identidade do protagonista, Charlie, um adolescente que passa pela fase dos conflitos e das dúvidas pela qual todos os jovens passam, mas que é muito mais inocente do que os jovens realmente são. Ele escreve cartas, aparentemente num diário, para um amigo imaginário - ou não - onde ele conta tudo o que vive e o que pensa, desde os conflitos vividos no colégio, onde não tem muitos amigos, até o despertar da primeira paixão.

A narrativa se divide em dois núcleos distintos: o familiar, explorando a relação entre pais, filhos e irmãos, enquanto Charlie vai tentando aceitar a perda da tia que sempre o entendia e lhe dava livros para ler, e o escolar, que é onde Charlie faz seus primeiros amigos de verdade.

Enquanto em casa o menino alterna momentos de proximidade e distanciamento com os familiares, na escola ele rapidamente se apega aos irmãos Patrick e Sam; é com eles que Charlie explora e descobre um mundo que até então ele não conhecia, e por causa dessa proximidade, ele acaba se apaixonando por Sam que, além de já ter namorado, é um pouco mais velha que ele e o vê apenas como amigo.

O livro é permeado por pequenos dramas vividos pelos personagens, que têm características marcantes, como Sam, que é homossexual e sofre com uma paixão proibida, ou Mary Elizabeth, a garota expansiva e descolada que curte e jazz e só procura alguém que a ouça de verdade.

Escrito inicialmente para o público juvenil, o livro também conquistou os leitores adultos com seu enredo dramático e ao mesmo tempo divertido. Em alguns momentos sentimos o sofrimento do jovem Charlie, tentando entender o funcionamento das coisas e das relações e de repente uma frase engraçada dá novo ritmo à situação. 

Mas o que mais me chamou a atenção foi o modo como Charlie enxerga as coisas. Na maior parte do tempo ele é extremamente inocente, quase alheio ao real significado das coisas que se passam ao seu redor. Alguns de seus comentários sobre acontecimentos com a irmã mostram que ele é mesmo muito ingênuo, como quando ela é agredida pelo namorado e ele acha que está tudo certo. Em mais de uma situação ele me lembrou muito o personagem Forrest Gump.

"- E seu livro favorito?
- Este lado do paraíso, do F. Scott Fitzgerald.
- Por quê?
- Porque foi o último que eu li.
Isso fez eles rirem, porque sabiam que eu estava sendo sincero, não estava me exibindo. Depois eles me contaram quais eram os favoritos deles e eu fiquei sentado em silêncio. Comi torta de abóbora porque a moça disse que estava na estação e Patrick e Sam fumaram mais cigarros."

O foco da estória é a vontade que Charlie tem de ser notado, de ser importante. Não importante no sentido de famoso, mas apenas importante na vida de alguém, uma pessoa notada, que seja incluída num grupo naturalmente. Apesar de sua ingenuidade, ele consegue aos poucos ir conquistando seu lugar na família e no círculo de amigos, e percebe que sua existência tem significado afinal.

Uma coisa que vale a pena comentar é a relação de Charlie com um de seus professores, que está sempre lhe emprestando livros para que ele leia em casa e depois escreva suas impressões sobre ele. A inserção desse livros na estória é muito discreta, mas faz todo o sentido, pois o autor os usa como metáforas para explicar os sentimentos de Charlie.

Gostei do livro sim, mas pela expectativa criada antes de lê-lo, ao final fiquei esperando que houvesse algo mais. A estória é profunda, os personagens são carismáticos e envolventes e a inocência de Charlie ora nos faz amá-lo, querer zelar por ele, ora nos faz temer por sua segurança e sanidade mental. Enfim, é um livro que analisa o comportamento adolescente sem ser piegas, e nos apresenta um personagem carente e cheio de dúvidas como qualquer um de nós.

Não costumo colocar músicas nas resenhas, mas hoje em particular ouvi uma que caiu como uma luva para esse livro, e vou deixar o vídeo aqui para vocês assistirem. É a nova música do U2, chamada "Invisible", e esse nome já diz muita coisa sobre sua relação com o livro. Mas a letra tem trechos que me fizeram lembrar bastante de Charlie e de sua vontade de conquistar seu lugar no mundo e deixar de ser invisível para algumas pessoas.




As vantagens de ser invisível
Stephen Chbosky
editora Rocco
224 páginas
nota do blog: 4
nota do Skoob: 4,5

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Clássicos da literatura em edição de colecionador

A Livraria Cultura está vendendo em seu site alguns clássicos da literatura produzidos pela Barnes & Noble, numa edição especial para colecionadores: com uma arte toda caprichada, capa de couro estampada com detalhes em tinta especial dourada ou prateada e folhas douradas.


Os livros estão em inglês e têm um precinho um pouco acima do que a maioria das pessoas pagaria por eles, mas são tão lindos que valem cada centavo. Acessem o site da loja aqui e pesquisem.

Entre os títulos que vão conquistar os admiradores da boa literatura e os colecionadores de livros clássicos estão "Drácula", "Orgulho e Preconceito" e "Sherlock Holmes".


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Um pouquinho de...

"Cobras: conforme ensinado pelo aventureiro popstar Bear Grylls em seu programa 'À prova de tudo', cobras podem ser uma  excelente fonte de nutrientes. O problema é abatê-las.

Como abater: você deve surpreender a cobra, pegando-a pelo rabo e girando-a no ar rapidamente para que ela se veja impedida de mordê-lo. Então, você deve acertá-la contra o chão para desacordá-la. Infelizmente, não encontramos voluntários para  testar a prática, então esteja por sua conta e risco."

(página 180, capítulo 4, Sobrevivência - o que comer)

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Li até a página 100 e... #20



*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto



Primeira frase da página 100:

"Como o leitor já aprendeu no capítulo anterior, o mundo como o conhecemos muito em breve deixará de existir, graças às mudanças profundas e irreversíveis provocadas pelo T. zombie."

Do que se trata o livro?

Com a ameaça iminente de um ataque zumbi, é melhor estar preparada para enfrentar a epidemia que poderá devastar o planeta. Nesse manual podemos aprender a como sobreviver durante o apocalipse zumbi e como se defender de ataques de mortos-vivos.

O que você está achando até agora?

Incrível.  

Melhor quote até aqui:

"Saiu de casa, desobedeceu às regras , não seguiu o protocolo? Não vai ter homem do saco, não vai ter 'balinha' nem mariola: os zumbis  vão pra cima de você tal qual um centauro enfurecido e não vai ter papai nem mamãe para lhe salvar. Para preservar a vida dos filhos adolescentes, Frederick recomenda o uso de uma das mais antigas e eficazes ferramentas pedagógicas: o medo. 'Vale de tudo: cortar propositadamente a luz, deixar os filhos se, sua cota de ração, acordá-los aos berros no meio da madrugada, fazê-los enterrar ou cremar zumbis." (página 98)

Algum personagem merece destaque?

Não existem personagens fixos nesse livro, já que ele é um manual de sobrevivência para um possível ataque zumbi. 

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"Muitas pessoas se julgam preparadas para enfrentar esse cenário tão aterrador, mas a arrogância e a esperança são dois sentimentos fatais para um sobrevivente."

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Sexta de música #54 - Bruno Mars no Super Bowl

Vocês viram o show do Bruno Mars no intervalo do Super Bowl no último domingo? Foi muito bom! Teve a participação do Red Hot Chilli Pepers cantando Give it away e, apesar de curtinho, conseguiu empolgar a galera que estava no MetLife Stadium em New Jersey. Só para lembrar, a partida final da NFL foi entre o Denver Broncos e o Seattle Seahawks, que venceu por 43 a 8, conquistando pela primeira vez um título da liga.


O show de intervalo do Super Bowl é um dos eventos mais assistidos pelos americanos. Inicialmente, no intervalo se apresentavam bandas marciais, e só a partir de 1993, com a apresentação de Michael Jackson, foi que começaram a chamar grandes nomes para cantarem entre um tempo e outro do jogo. Desde então, os shows vêm ficando cada vez maiores e mais assistidos no mundo todo.

A apresentação que teve mais audiência na história do Super Bowl foi a de Madonna em 2012, que alcançou mais de 114 milhões de espectadores. Grandes nomes já passaram pelo evento, como Black Eye Peas, Beyoncé, Bruce Springsteen, Rolling Stones, Paul McCartney, Sting, U2, Phil Collins e Janet Jackson com Justin Timberlake, naquela polêmica cena do seio da cantora aparecendo no meio do show.

Quando anunciaram Bruno Mars como atração desse ano confesso que fiquei em dúvida se ele conseguiria fazer um show empolgante. Não que eu não goste dele, acho que ele tem ótimas músicas, mas ainda não tem tanta experiência para encarar um evento tão grande. Enfim, ele acabou me convencendo de que é capaz sim, fazendo uma apresentação impecável que levantou a galera com seus maiores hits.

Apesar dos comentários polêmicos sobre o playback feito pelo Red Hot, a participação deles só abrilhantou ainda mais a performance de Mars, que entrou arrasando na bateria antes de começar a cantar Locked out of heaven.

Então a playlist de hoje vem com as minhas músicas preferidas de Bruno Mars e depois a apresentação dele no Super Bowl XXXVIII.




quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O guia do mochileiro das galáxias - Não entre em pânico - resenha


"Arthur Dent tem sua casa e seu planeta destruídos no mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse. Os dois escapam da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Ford, que vivia na Terra disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do 'Guia do Mochileiro das Galáxias', o melhor guia de viagens interplanetário."

Todos os nerds amam os livros de Douglas Adams (já falei um pouco sobre ele aqui) e comentam que essa estória é o máximo, que é incrível e como assim você ainda não leu???? Bem, agora eu li e constatei: o livro é muito bom, mas não é tudo isso que dizem.

O começo é meio lento, mas não sei se poderia ser diferente, já que é o momento em que o autor nos apresenta os elementos da estória: Arthur Dent é um cidadão comum que está lutando para que sua casa não seja demolida e dê lugar a uma estrada, e seu amigo Ford Perfect, ator sempre desempregado, agindo de modo estranho, quer tirar Arthur dali antes que algo muito ruim aconteça.

Assim, inesperadamente, Arthur descobre que o amigo é um extraterrestre e que a Terra está prestes a ser destruída. Antes que consiga entrar em desespero, naves amarelas imensas invadem o espaço e emitem raios amarelos que assustam o mundo todo e depois silenciam totalmente o planeta. É numa dessas naves que a dupla de amigos pega carona e Ford espera voltar ao seu planeta de origem, Betelgeuse.


Mas nem tudo sai como ele esperava, eles descobrem que o capitão da nave não é nada amigável com caronas e que vai jogá-los no hiperespaço, onde, com certeza, morrerão rapidamente. E a narrativa começa a ficar mais dinâmica.

Durante o pouco tempo que conseguem ficar anônimos na nave, Ford revela a Arthur que estava na Terra apenas para estudar o planeta e ajudar na edição do novo "Guia do Mochileiro das Galáxias", que, nas palavras do próprio Ford, "é uma espécie de livro eletrônico. Tem tudo sobre todos os assuntos. Informa sobre qualquer coisa."

Quando são salvos pela nave Coração de Ouro, eles partem para uma exploração a um planeta há muito tempo abandonado, Magrathea, onde, antigamente, eram criados planetas sob medida, inclusive a Terra. A partir daí vamos conhecendo novos personagens, como o Presidente do Governo Imperial Galáctico - e semiprimo de Ford - Zaphod Beeblerox, sua piloto Trillian e o robô depressivo Marvin, que é um fofo mesmo sendo negativo o tempo todo.

O destaque do livro é o humor aplicado pelo autor na maioria das situações, utilizando muito sarcasmo para criticar algumas instituições e debochar de políticos da época:

"Você parece desconcertado - disse o homem, atencioso.
- Não, quero dizer... é, estou, sim. O senhor sabe, é que a gente não esperava encontrar ninguém aqui. Eu pensava que todos já tinham morrido, sei lá...
- Morrido? - disse o velho. - Não, que ideia! Estávamos apenas dormindo.
- Dormindo? - exclamou Arthur, surpreso.
- É, por causa da recessão econômica. sabe? - disse o velho.
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Mas, como eu ia dizendo - disse ele, tentando retomar o fio da meada -, veio a recessão e resolvemos que o melhor a fazer seria dormir por uns tempos. Assim, programamos os computadores para nos acordarem quando tudo tivesse voltado ao normal.
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- Mas isso é um comportamento imperdoável, não acha?
- Você acha? - perguntou o velho, cortês. - Desculpe, ando meio desatualizado."

Um dos momentos mais interessantes é quando descobrimos o por quê do número 42 ser a resposta para a vida, o universo e tudo o mais. Dentro do contexto, esse capítulo não me pareceu ser tão importante, mas talvez ele seja apenas uma introdução para algo que ainda vai acontecer nos próximos volumes da trilogia de cinco livros.

Outra coisa importante para todos os nerds que adoram essa série é a toalha. Segundo o 'Guia do Mochileiro das Galáxias', um mochileiro deve sempre carregar a sua toalha por onde quer que vá:

"Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ele se ainda estiver razoavelmente limpa."

As partes que mais gostei foram: a da baleia e do vaso de flores que se materializam na superfície de um planeta e mal têm tempo de pensar onde estão ou quem são; o momento em que Arthur descobre a que se refere a definição 'praticamente inofensiva'; a revelação da verdadeira identidade dos ratos que vivem na Terra e sua intenção; e finalmente, o capítulo onde Prostetnic Vogon Jeltz declama sua poesia para Arthur e Ford. Como o próprio livro define, a poesia vogon é a terceira pior do Universo, perdendo apenas para a poesia dos azgodos de Kria e para a pior de todas: a da poeta Paula Nacy Millstone Jennings, da Inglaterra, que desapareceu com a destruição da Terra. A tentativa de compreensão por parte de Arthur e Ford é impagável.

A estória se fecha no final do livro, O autor não cria necessariamente um clímax para o próximo volume, apesar de mencionar que a viagem continua. O livro tem seus momentos, mas, infelizmente, não vai ficar entre as minhas leituras mais marcantes da vida, talvez por toda a expectativa criada antes da leitura. A única coisa que vai ficar para sempre na minha memória é o peixe-babel, que seria muito útil se existisse de verdade. 

O guia do mochileiro das galáxias
Douglas Adams
editora Arqueiro
156 páginas
nota do blog: 4
nota do Skoob: 4.3
onde comprar: (box com os 5 volumes da série) Submarino ou Americanas

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Pote de coisas boas 2014

Demorei mas terminei meu pote de coisas boas. A ideia foi da Renata do blog Entre aspas, e eu curti muito. É uma coisa simples mas que ajuda a fazer aquele balanço de final de ano que todo mundo gosta de fazer. 


Para quem gosta de guardar suas lembranças em diários, a ideia é diferente e inovadora. Anotar tudo de bom em papeizinhos e depois voltar a lê-los no final do ano pode ser muito bacana, já que, pelo menos comigo era assim, quando está tudo em diários, dificilmente voltamos a ler o que escrevemos.

Então vou mostrar pra vocês como ficou minha obra de arte (não riam, eu não levo jeito pra coisa). E se vocês gostarem e quiserem aderir a ideia, basta fazer o seu pote e mandar a foto pro blog Entre Aspas, para que no dia 31 de dezembro elas façam um post especial com eles:



Joguei um pouco de glitter na tampa, e o visual ficou legal, mas para manusear está complicado, já que o brilho fica caindo por todos os canto da casa, rs.

Se vocês fizerem, mandem fotos para eu conhecer o pote de vocês, ok?

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Um pouquinho de...

"A Inglaterra não existia mais. Isso ele entendia - de algum modo conseguia entender. Tentou de novo: a América não existe mais. Não conseguia entender isso. Resolveu começar com coisas pequenas, de novo. Nova York não existia mais. Nenhuma reação. Na verdade, no fundo ele nunca acreditara mesmo na existência de Nova York. 'O dólar', pensou ele, 'caiu completamente'. Isso lhe provocou  um pequeno tremor. 'Todos os filmes de Humphrey Bogart desapareceram', pensou ele, e esta ideia lhe causou um choque desagradável. 'O McDonald's', pensou. 'Não existe mais nenhum Big Mac'.
Desmaiou. Quando voltou a si, um segundo depois, chorava, chamando sua mãe."


(capítulo 6, página 52)