quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Bento - resenha



"Em uma noite infestada de magia, metade do mundo adormece e a população que ainda está desperta se vê mergulhada em acontecimentos inexplicáveis, como o surgimento de vampiros, o desaparecimento das doenças e coisas ainda maiores que acabam fazendo com que as pessoas fujam das grandes cidades e passem a formar fortificações afastadas dos centros abandonados. Durante o dia, trabalham para refazer o mundo e entender o que os rodeia; durante a noite, lutam para continuarem vivos e manter vampiros afastados das comunidades. Quando tudo parece perdido, surge a profecia dos 30 guerreiros bentos, e dos quatro milagres que virão com a sua união, salvando a humanidade do domínio das criaturas da noite."

Imagine acordar num lugar estranho, todo branco, onde uma voz sinistra fala com você, sem saber como foi parar ali ou o que está acontecendo. Assim despertam os bentos, homens que acordam depois de terem passado muito tempo num estado quase de coma, e veem cair em seus colos a responsabilidade de salvar o mundo de algo que eles nem sabiam existir.

Em "Bento" conhecemos um mundo que vive refém de vampiros, com sobreviventes de um acontecimento chamado de a noite maldita, tentando escapar dos ataques das criaturas da noite e levar uma vida quase normal.

Numa noite comum, algo aconteceu com as pessoas do mundo inteiro e algumas viraram vampiros, outras adormeceram sem explicação, e umas poucas continuaram normais, tendo que descobrir como viver a partir daquele momento. Essas pessoas acabaram se distanciando das cidades grandes, e foram morar em lugares mais afastados, criando comunidades que viviam cercadas de grandes muros e sempre com sentinelas vigiando e combatendo algum vampiro que viesse tentar invadir o lugar.

Dentre os que adormeceram na noite maldita, alguns, às vezes, acordavam sem explicação nenhuma, e muitos se mostravam normais como antes, mas alguns homens voltavam com poderes especiais para matar vampiros. Esses ficavam conhecidos como bentos. E para esses bentos já existia uma missão a cumprir: um homem conhecido como Bispo teve uma visão sobre uma profecia, que dizia que 30 bentos se reuniriam e 4 milagres seriam realizados, derrotando de vez os vampiros.

Então, a esperança de todos os sobreviventes estava na reunião desses 30 bentos, e Lucas era o trigésimo a acordar. No início ele não entendia como poderia lutar contra vampiros, já que nunca tinha brigado na vida, mas de repente ele percebe possui uma força incrível frente às criaturas, e que seu destino realmente é matar todas elas. O crescimento do personagem Lucas é muito interessante, e seria legal se ele aparecesse em alguma outra estória do autor.

O enredo vai se desenrolando na busca por todos os bentos, e um grupo de soldados viaja junto com eles, de cidade em cidade, a fim de reunir todos os salvadores e defendê-los dos ataques de vampiros. Muitas vezes nesse percurso eles são encurralados pelas criaturas, e a força dos bentos é colocada à prova. Alguns soldados morrem protegendo os escolhidos.

Em paralelo a essa busca, o autor vai contando a estória dos próprios vampiros, nos apresentando um grupo que está tendo o controle disputado por dois deles: Cantarzo e Raquel. Nessa estória, além da briga pelo domínio do covil, acompanhamos a busca do vampiro por um poder soberano, que vai acabar com todos os humanos de uma vez, e fazem com que as criaturas tomem posse das pessoas que ainda estão dormindo para se alimentarem deles continuamente.

A cada investida dos vampiros às fortificações o sofrimento é enorme. Os guardas armados tentam a todo custo defender suas comunidades e as famílias que moram nelas, mas algumas vezes eles não resistem, a acabam perdendo terreno para os vampiros, que invadem o local e causam o terror nas pessoas que moram ali.

A narrativa é tão intensa, tão cheia de detalhes, que é possível sentir o pavor de uma pessoa que se vê nas mãos de um vampiro. O medo de ser atacado todas as noites faz com que as pessoas se tornem prisioneiras dentro de suas comunidades, tentando levar uma vida normal durante o dia, e se escondendo das criaturas a noite.

Um lado mais tranquilo do livro é a forma como as pessoas constroem as fortificações e passam a sobreviver com o que produzem ali. Ninguém mais tem energia elétrica, internet, telefone, TV nem nada do que estamos acostumados hoje. Tudo o que comem, vestem, as casas, os móveis, tem que ser feito por eles mesmos, mostrando que é possível sobreviver a um colapso de proporções inimagináveis voltando a viver como era há muitos anos atrás. Nas comunidades as pessoas levam uma vida mais tranquila, não têm que se preocupar com horários, dinheiro, contas, prazos. Esse distanciamento dos grandes centros leva a uma melhora nas relações interpessoais, diminui o aquecimento global e ajuda a resolver outros problemas ambientais e sociais. Se não fossem os ataques dos vampiros, tudo seria perfeito.

O livro é meio longo, e algumas cenas foram desnecessárias, na minha opinião, como o encontro com os gorilas gigantes. A busca pelos 30 bentos é demorada e, depois que todos estão juntos, o enredo sofre uma virada enorme, e parecia que estava lendo outro livro, tão diferente foi ficando a narrativa. No início a estória focava bastante nas pessoas tentando se defender dos vampiros, e no final, tudo parecia um filme de ficção científica. Apesar dessa mudança brusca, achei o final aceitável.

Destaco o gancho deixado por Vianco para o próximo livro da série, que vai contar a estória do vampiro Cantarzo, e que me deixou muito curiosa quanto ao seu desfecho.

"Bento" é um livro bom, onde os vampiros são vampiros de verdade, daqueles que põem medo na gente, que não saem ao sol e que sugam o sangue dos humanos. Vampiros maus, como devem ser. Recomendo a leitura para quem gosta do gênero, e, para quem ainda não gosta, que tal começar com uma boa estória de vampiros escrita por um brasileiro?

Bento 
André Vianco
editora Novo Século
517 páginas
nota do blog:4
nota do Skoob: 4.3

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