quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Branca dos Mortos e os Sete Zumbis - resenha



"Em Brancas dos Mortos e os Sete Zumbis, Fábio Yabu resgata a tradição clássica dos contos de fadas dos irmãos Grimm e de Hans Christian Andersen, onde as histórias, mais que um simples entretenimento, servem como lições para moldar o caráter das crianças, na maior parte das vezes por meio do medo. Aqui, não há meias-palavras nem eufenismos. O mundo encantado de Yabu é atormentado, sombrio e com altas doses de tensão sexual. Os contos seguem o mote de sucessos da televisão atual, como as séries Grimm e Once Upon a Time. Protagonizadas por personagens dos contos de fadas, revelam facetas nunca antes imaginadas de suas personalidades. Além disso, os doze contos que compõem Branca dos Mortos e os Sete Zumbis formam uma narrativa não-linear que culmina num desfecho aterrorizante."

Hoje dia muitos clássicos da literatura estão sendo revisitados, e as versões para essas estórias são as mais criativas possível, mas nenhuma se compara às de Fabio Yabu: aqui coisas ruins acontecem, as princesas morrem e ninguém vive feliz para sempre. E é exatamente isso que deixa o livro tão bom.

O autor pegou os personagens conhecidos por todos, como a Cinderela e a Rapunzel, e transformou em seres assustadores, cheios de maldade e sem nenhum pudor. Um dos contos desse livro é o conhecidíssimo "João e Maria", mas aqui ele mostra o outro lado da estória, as razões que levaram o pai a abandonar seus filhos no meio da floresta e o que aconteceu com ele depois disso. Posso adiantar para vocês que não foi um final agradável para ele.

Em outro conto interessante, Yabu resume a estória dos três porquinhos à unica casa que ficou de pé depois do ataque do lobo em "O fim de quase todas as coisas". É uma forma sutil de escrever a fábula que ouvimos desde crianças, usando apenas duas páginas e ainda aproveitando-as para mandar um recado aos homens. Muito inteligente.

Destaco a versão do autor para o clássico "Bela Adormecida", que aqui virou "Bela Incorrupta", e que trouxe para os dias de hoje o fenômeno que manteve a princesa conservada durante tanto tempo dentro do caixão, mesclando ciência e ironia.

E o meu preferido, com certeza, foi "Cindehella e o sapatinho infernal": sempre achei que a gata borralheira deveria se vingar das filhas da madrasta que a tratavam tão mal, e agora meu sonho foi realizado, ainda que a vingança não tenha partido espontaneamente de Cinderela, mas de um monstro que toma o seu corpo durante o baile e faz coisas horríveis aos convidados. Ainda assim, foi bom ver um pouco de sofrimento dos outros personagens da estória, e um toque de violência também, que deixou a fábula mais interessante para os dias de hoje.  

Também foi uma grande ideia ligar todos os contos do livro, mesmo que eles se passem em linhas temporais não lineares. As 12 estórias têm um gancho que as une, e numa sempre há uma citação da outra, seja de algum personagem ou acontecimento, mostrando habilidade do autor em criar um universo único, onde todas as fábulas têm algo em comum.

É interessante observar o salto que Fábio Yabu dá, saindo das estórias infantis direto para contos de terror. Ele já tinha publicado vários livros direcionados às crianças, como a série "Princesas do mar", e aqui mudou totalmente de gênero, escrevendo brilhantemente essas estórias de horror.

Branca dos mortos e os sete zumbis
Fábio Yabu
Globo Livros
200 páginas
nota do blog: 4.5
nota do Skoob: 4.4
compre pelos links: Submarino, Americanas ou Saraiva 

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