quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

O guia do mochileiro das galáxias - Não entre em pânico - resenha


"Arthur Dent tem sua casa e seu planeta destruídos no mesmo dia, e parte pela galáxia com seu amigo Ford, que acaba de revelar que na verdade nasceu em um pequeno planeta perto de Betelgeuse. Os dois escapam da destruição da Terra pegando carona numa nave alienígena, graças aos conhecimentos de Ford, que vivia na Terra disfarçado de ator desempregado enquanto fazia pesquisa de campo para a nova edição do 'Guia do Mochileiro das Galáxias', o melhor guia de viagens interplanetário."

Todos os nerds amam os livros de Douglas Adams (já falei um pouco sobre ele aqui) e comentam que essa estória é o máximo, que é incrível e como assim você ainda não leu???? Bem, agora eu li e constatei: o livro é muito bom, mas não é tudo isso que dizem.

O começo é meio lento, mas não sei se poderia ser diferente, já que é o momento em que o autor nos apresenta os elementos da estória: Arthur Dent é um cidadão comum que está lutando para que sua casa não seja demolida e dê lugar a uma estrada, e seu amigo Ford Perfect, ator sempre desempregado, agindo de modo estranho, quer tirar Arthur dali antes que algo muito ruim aconteça.

Assim, inesperadamente, Arthur descobre que o amigo é um extraterrestre e que a Terra está prestes a ser destruída. Antes que consiga entrar em desespero, naves amarelas imensas invadem o espaço e emitem raios amarelos que assustam o mundo todo e depois silenciam totalmente o planeta. É numa dessas naves que a dupla de amigos pega carona e Ford espera voltar ao seu planeta de origem, Betelgeuse.


Mas nem tudo sai como ele esperava, eles descobrem que o capitão da nave não é nada amigável com caronas e que vai jogá-los no hiperespaço, onde, com certeza, morrerão rapidamente. E a narrativa começa a ficar mais dinâmica.

Durante o pouco tempo que conseguem ficar anônimos na nave, Ford revela a Arthur que estava na Terra apenas para estudar o planeta e ajudar na edição do novo "Guia do Mochileiro das Galáxias", que, nas palavras do próprio Ford, "é uma espécie de livro eletrônico. Tem tudo sobre todos os assuntos. Informa sobre qualquer coisa."

Quando são salvos pela nave Coração de Ouro, eles partem para uma exploração a um planeta há muito tempo abandonado, Magrathea, onde, antigamente, eram criados planetas sob medida, inclusive a Terra. A partir daí vamos conhecendo novos personagens, como o Presidente do Governo Imperial Galáctico - e semiprimo de Ford - Zaphod Beeblerox, sua piloto Trillian e o robô depressivo Marvin, que é um fofo mesmo sendo negativo o tempo todo.

O destaque do livro é o humor aplicado pelo autor na maioria das situações, utilizando muito sarcasmo para criticar algumas instituições e debochar de políticos da época:

"Você parece desconcertado - disse o homem, atencioso.
- Não, quero dizer... é, estou, sim. O senhor sabe, é que a gente não esperava encontrar ninguém aqui. Eu pensava que todos já tinham morrido, sei lá...
- Morrido? - disse o velho. - Não, que ideia! Estávamos apenas dormindo.
- Dormindo? - exclamou Arthur, surpreso.
- É, por causa da recessão econômica. sabe? - disse o velho.
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Mas, como eu ia dizendo - disse ele, tentando retomar o fio da meada -, veio a recessão e resolvemos que o melhor a fazer seria dormir por uns tempos. Assim, programamos os computadores para nos acordarem quando tudo tivesse voltado ao normal.
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- Mas isso é um comportamento imperdoável, não acha?
- Você acha? - perguntou o velho, cortês. - Desculpe, ando meio desatualizado."

Um dos momentos mais interessantes é quando descobrimos o por quê do número 42 ser a resposta para a vida, o universo e tudo o mais. Dentro do contexto, esse capítulo não me pareceu ser tão importante, mas talvez ele seja apenas uma introdução para algo que ainda vai acontecer nos próximos volumes da trilogia de cinco livros.

Outra coisa importante para todos os nerds que adoram essa série é a toalha. Segundo o 'Guia do Mochileiro das Galáxias', um mochileiro deve sempre carregar a sua toalha por onde quer que vá:

"Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ele se ainda estiver razoavelmente limpa."

As partes que mais gostei foram: a da baleia e do vaso de flores que se materializam na superfície de um planeta e mal têm tempo de pensar onde estão ou quem são; o momento em que Arthur descobre a que se refere a definição 'praticamente inofensiva'; a revelação da verdadeira identidade dos ratos que vivem na Terra e sua intenção; e finalmente, o capítulo onde Prostetnic Vogon Jeltz declama sua poesia para Arthur e Ford. Como o próprio livro define, a poesia vogon é a terceira pior do Universo, perdendo apenas para a poesia dos azgodos de Kria e para a pior de todas: a da poeta Paula Nacy Millstone Jennings, da Inglaterra, que desapareceu com a destruição da Terra. A tentativa de compreensão por parte de Arthur e Ford é impagável.

A estória se fecha no final do livro, O autor não cria necessariamente um clímax para o próximo volume, apesar de mencionar que a viagem continua. O livro tem seus momentos, mas, infelizmente, não vai ficar entre as minhas leituras mais marcantes da vida, talvez por toda a expectativa criada antes da leitura. A única coisa que vai ficar para sempre na minha memória é o peixe-babel, que seria muito útil se existisse de verdade. 

O guia do mochileiro das galáxias
Douglas Adams
editora Arqueiro
156 páginas
nota do blog: 4
nota do Skoob: 4.3
onde comprar: (box com os 5 volumes da série) Submarino ou Americanas

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