quinta-feira, 6 de março de 2014

Carnaval literário: Amor impossível, possível amor - resenha


"Fernanda tinha certeza que morreria de dor depois que seu namorado secreto se mudou para o interior. Restaram pequenas lembranças e dispersas impressões. Ao tentar decifrar um enigma matemático - 'Tenho o dobro da idade que tu tinhas quando eu tinha a idade que tu tens. Quando tu tiveres a minha idade, ambos teremos noventa anos. Que idade eu tinha quando tu nasceste?' -, Fernanda estava, sem saber, mudando o rumo de sua vida. O que são as diferenças numéricas diante da intensidade dos sentimentos?"
Aqui podemos encontrar várias situações que, certamente, compõem a adolescência de muitas meninas: o primeiro amor secreto, a perda, a descoberta da importância da família, a rival na escola, a timidez, as dúvidas e a necessidade de encontrar alguém para amar.

Fernanda é uma garota bem comum, que mora numa pequena vila desde que nasceu e tem como melhor amiga a vizinha de frente, Clarissa. O irmão da amiga acaba se tornando seu amor platônico: ela adora Daniel à distância, guarda qualquer coisa que possa se tornar uma lembrança dele numa caixa embaixo da cama, e acredita que um dia ele possa nutrir por ela o mesmo sentimento. Até que um belo dia, a família da amiga se muda para uma cidade distante e ela perde de uma só vez a confidente e a primeira paixão.

Com apenas 14 anos a menina sente muita falta da amiga, e não consegue se abrir para novas amizades na escola. Além disso, o pai está muito doente, afastado do trabalho, o que o deixa muito deprimido, e precisa de um transplante que é muito caro, mas eles não têm condições de pagar.

Somando-se a isso, Fernanda está passando por aquela fase em que tudo é exacerbado: o amor, a dor, a timidez, o medo, as carências, enfim, ela se sente como toda adolescente da sua idade.

Sozinha e sem ter com quem compartilhar nada, ela vive entre adorar as lembranças que colecionou de Daniel e se preocupar com a situação do pai, que parece estar ficando cada vez mais macambúzio. Tudo isso faz com que ela acabe indo mal em matemática, e a mãe tenta encontrar um professor particular para ajudá-la.

É nesse meio tempo que se muda para a antiga casa de Clarissa uma senhora muito simpática e seu filho único, Bruno, que tem 28 anos e quase não fica em casa, pois passa a maior parte do tempo na faculdade. As mães se entendem e dão um jeito de Bruno dar aulas de matemática para Fernanda algumas noites na semana, quando ele estiver livre. E assim começa uma relação bonita entre os dois.

A princípio, Bruno se limita às tarefas de matemática, e Fernanda vai aos poucos pegando confiança em conversar com ele sobre outros assuntos. Assim, dia após dia, eles acabam se tornando bons amigos. Ela fala abertamente com ele sobre os problema de saúde do pai, e ele a conforta da maneira que pode.

Dessa amizade com o professor surge uma oportunidade para que pai de Fernanda faça a cirurgia que tanto precisa; Bruno consegue que um amigo de faculdade trate o problema do pai da menina e tudo se resolve. Essa parte do livro é bastante emocionante, pois fica claro a mensagem passada pelo autor de que precisamos dar valor à família. A mãe de Fernanda tem sacadas muito inteligentes e o leitor consegue sentir a angústia das personagens enquanto torcem para que tudo dê certo.
Como se não bastasse a aflição pela condição do pai, Fernanda ainda tem que lidar com a garota mais popular da escola, que, a princípio parecia sua inimiga, pois ficava provocando-a com a paixão que Fernanda sentia por Daniel, dizendo que o menino na verdade gostava dela e que nunca se interessaria por Fernanda. Essa menina é a típica adolescente que domina a escola com sua beleza, deixando todos os meninos aos seus pés. Ela sonha em ser modelo e já está encaminhada na profissão, tendo uma sessão de fotos marcadas para aqueles dias.

Eis que a menina some da escola e não dá notícia durante dias, o que preocupa Fernanda, que descobre que a sessão de fotos da colega não terminou como ela imaginava. Surpreendentemente, as duas se tornam amigas e dessa mudança surge mais uma lição: a amizade supera qualquer barreira.

Aos poucos, Fernanda vai percebendo que sua amizade por Bruno se transformou em amor, mas ela sabe que é impossível que eles tenham qualquer tipo de relação, já que ele tem o dobro da idade dela. Ela também nota que o professor está agindo de forma estranha e parece estar tentando evitá-la. Os dois se veem numa situação complicada, já que Bruno se acha velho demais para Fernanda, e a menina acredita que exatamente pela diferença de idade, ele nunca pensaria em namorar com ela.

O momento decisivo da trama é quando Bruno passa para Fernanda um enigma matemático para que ela resolva: Tenho o dobro da idade que tu tinhas quando eu tinha a idade que tu tens. Quando tu tiveres a minha idade, ambos teremos noventa anos. Que idade eu tinha quando tu nasceste? - a partir desse problema de lógica é que ambos começam a por pra fora tudo o que sentem um pelo outro.

O livro tem uma linguagem muito simples, e, apesar de ser classificado como infanto-juvenil, em alguns momentos ele é bem infantil, mas isso não dita o tom da narrativa. A profundidade dos personagens e a capacidade que o autor tem de nos fazer sentir tudo o que eles estão sentindo deixa a estória bastante envolvente, e não tem como um adolescente lê-la e não se identificar com pelo menos um momento ou dois.

Claro que é necessário levar em conta que ele foi escrito há muitos anos e a realidade era outra: ninguém tinha celular ou internet, TV em casa era apenas uma, e os vizinhos ainda confiavam uns nos outros, mantendo uma bonita relação de amizade e companheirismo. Indicado para todas as idades, mas, especialmente para os jovens que, com certeza, vão levar a experiência dessa leitura para toda a vida.

Amor impossível, possível amor
Pedro Bandeira
editora Moderna
120 páginas
nota do blog: 3.7
nota do Skoob: 3.9
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