quinta-feira, 6 de março de 2014

Carnaval literário: A marca de uma lágrima - resenha



"Isabel, secretamente apaixonada por seu primo Cristiano, acaba vendo sua melhor amiga, Rosana, se envolver com ele e, para ajudar no relacionamento, escreve lindos versos de amor que um manda para outro como se fossem deles. Mas a morte da diretora da escola altera a vida de Isabel, que foi testemunha de uma cena suspeita e se sente ameaçada. A ideia da morte começa a tomar conta de seus pensamentos, enquanto seu coração se despedaça de amor por Cristiano."

Esse livro pode ser considerado como a porta de entrada das adolescentes da época para os livros de romance. Quando eu o li na escola, todas as meninas da minha faixa etária o liam e se apaixonavam pelos lindos poemas que a protagonista Isabel escrevia para seu amado Cristiano.

Numa festinha de aniversário Isabel reencontra o primo, depois de muito tempo, e se impressiona com a mudança do menino, que agora é quase um homem, e está muito bonito. Ela logo se encanta com ele e acredita que ele também está nutrindo sentimentos por ela. Um dos detalhes que chama a atenção de Isabel é a correntinha que Cristiano usa no pescoço e que na opinião dela o deixa ainda mais charmoso.

Para não ir sozinha à festa, ela convida sua melhora amiga, Rosana, que aceita lhe fazer companhia. Mas para tristeza de Isabel, Cristiano acaba se interessando por sua amiga, e dias depois, os dois começam a namorar.

Ainda na festa, Isabel está muito triste por perceber a aproximação de Rosana e Cristiano quando conhece um outro menino, Fernando, que é muio gentil com ela, mas por quem ela não tem a menor curiosidade. A menina está um pouco tonta por causa da bebida e acaba desmaiando no jardim, longe de todas as pessoas que estão dançando na festa. Em meio a seu entorpecimento ela vê o vulto de seu salvador e de uma correntinha pendurada em seu pescoço, o que lhe enche de alegria por pensar que seu amado Cristiano veio em seu socorro.

Enquanto os dias vão passando Isabel vai nutrindo seu amor por Cristiano e um sentimento de depressão que a acompanha o tempo todo. Os momentos em que isso fica mais claro é quando ela está em frente ao espelho e tem alguns diálogos com ele, imaginando que o espelho a chama de feia, gorda e a menospreza, afirmando que ninguém jamais poderia se interessar por ela.

A única forma que Isabel encontra para extravasar todos esses sentimentos confusos é escrevendo, e ela consegue passar para o papel suas dúvidas e seus medos em forma de poesia. E é esse seu dom que a coloca numa situação complicada.

Rosana está namorando Cristiano, mas não consegue mostrar que gosta mesmo dele. Então Isabel escreve um lindo poema, imitando a letra da amiga, e entrega ao primo, que lê e adora as palavras que supostamente vieram de sua namorada. Isso vai ficando cada vez mais frequente, já que Rosana sempre pede que a amiga lhe escreva novas cartas para Cristiano. Ao mesmo tempo em que Isabel coloca seus próprios sentimentos nas cartas, ela vai ficando cada vez mais deprimida por ajudar os dois a se aproximarem cada vez mais, com base nas palavras que ela queria dizer para o menino.

Algum tempo depois, Isabel é surpreendida por um pedido de Cristiano: ele sabe que ela escreve bem e quer que ela faça alguns versos para ele entregar a Rosana, já que a namorada sempre lhe escreve coisas tão lindas. Incapaz de negar um pedido do menino, Isabel passa a escrever as respostas das cartas de Rosana, como se fosse o próprio Cristiano quem as escrevesse. E essa confusão só faz com que a pobre Isabel fique cada vez mais triste.

Em meio a esse drama adolescente, ainda acontece a morte da diretora da escola, e Isabel, sem querer, se transforma na principal testemunha do crime: ela vê no laboratório uma pessoa com uma atitude suspeita, e que pode ter envenenado o bombom que matou a diretora. 

Essas situações vão martirizando Isabel. Ela não aguenta tanta depressão e decide que não quer mais viver: se ingerir comprimidos em excesso certamente vai morrer, e é isso que ela faz. Isabel toma diversos comprimidos e fica deitada na sala esperando a morte.

O final do livro é emocionante, e o autor consegue resolver tanto a desilusão amorosa de Isabel quanto o assassinato da diretora de forma surpreendente. 

Claro que é impossível ficar alheio aos poemas de Isabel, que são carregados de emoção e que refletem os sentimentos de muitas meninas nessa fase da vida: tímidas, não se acham bonitas o suficiente para serem amadas e inseguras quanto a sua capacidade de conquistar o menino que gostam.

Tenho certeza que todas as meninas que leem esse livro se enxergam, pelo menos um pouquinho, nos dramas vividos por Isabel. A menina também tem seu lado divertido, apesar de sentir tanta vontade de deixar de viver.

A marca de uma lágrima
Pedro Bandeira
editora Moderna
128 páginas
nota do blog: 3.8
nota do Skoob: 3.9
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