sexta-feira, 30 de maio de 2014

Sexta de música: Titãs - Nheengatu #67


No último dia 12 a minha banda preferida de todos os tempos, Titãs, lançou seu mais recente trabalho, batizado de "Nheengatu", onde é possível perceber uma volta da banda às suas origens mais rock'n'roll, com guitarras pesadas e letras de protesto e que criticam o modelo de sociedade, remetendo ao seu álbum clássico, "Cabeça Dinossauro", de 1986, e se distanciando bastante de "Sacos Plásticos", de 2009, muito criticado por mostrar um lado dos Titãs mais pop do que verdadeiramente rock.

Segundo explicação do próprio quarteto, a palavra Nheengatu que dá nome ao álbum "significa Língua Geral, compilação que os jesuítas fizeram no século XVII dos diferentes dialetos indígenas brasileiros para que os índios e portugueses se entendessem". Ao ouvir o CD fica claro o motivo de terem escolhido esse termo: as faixas também são como um mix de linguagens distintas, mas que juntas formam um retrato da sociedade em que vivemos, falando sobre assuntos que podem causar em alguns momentos espanto ou revolta, passando desde a homofobia, a pedofilia até os diálogos vazio praticados diariamente nas redes sociais. Não poderia ser mais atual.


Com esse trabalho fica claro que os tiozões ainda têm muita lenha para queimar, e que jamais abandonaram sua essência rock, ainda que por vezes tenham se distanciado um pouco do gênero. A guitarra de Tony Bellotto continua afinada e a bateria de Mario Fabre dá o tom rebelde às canções. Se revezando nos vocais e nas composições, Tony, Brito, Branco e Paulo Miklos dão conta do recado e conseguem presentear seus fãs com um álbum crítico e inovador.

Destaco três faixas que me chamaram bastante a atenção e que, acredito, estarão entre as mais comentadas desse CD:

Ouvindo "Fardado" é impossível não lembrar de "Polícia", talvez por terem o mesmo vocalista ou talvez por abordarem um mesmo assunto, ainda que a primeira seja quase uma antítese da segunda, onde, lá na distante década de 80, Sérgio Brito gritava "polícia pra quem precisa", e agora, depois de tanto tempo, ele pede que o policial use a farda para servir e proteger.

O tom sombrio da faixa "Pedofilia" é de dar arrepios: com uma voz gutural, Brito canta "ele disse eu tenho um brinquedo, vem aqui vou mostrar pra você", e a canção toda segue nesse ritmo agoniante, como se uma criança estivesse contando sobre o abuso sexual que sofreu, e agora só conseguisse sentir nojo de si mesma. É a realidade nua e crua sendo exposta, chocando os ouvintes, com a intenção de alertar e proteger contra esse crime imbecil.

De cara a minha preferida foi "Fala Renata", com seu riff de guitarra marcante e, mais uma vez a voz singular de Brito, a música tem refrão fácil de cantar e que com certeza vai fazer sucesso nos shows, além de ser uma crítica inteligente e divertida às conversas sem conteúdo que atualmente pontuam as redes sociais.

Além de todas as faixas impactantes, os Titãs incluíram no repertório um cover de Walter Franco, cantor famoso na década de 70, "Canalha", que casou perfeitamente com a proposta do álbum.

Ouçam agora todas as faixas do CD "Nheengatu":


1. Fardado
2. Mensageiro da desgraça
3. República dos bananas
4. Fala, Renata
5. Cadáver sobre cadáver
6. Canalha
7. Pedofilia
8. Chegada ao Brasil (Terra à vista)
9. Eu me sinto bem
10.  Flores pra ela
11. Não pode
12. Senhor
13. Baião de dois
14. Quem são os animais?

No canal oficial do Titãs no Youtube tem uma entrevista bacana com eles, explicando faixa a faixa o CD e também falando um pouco sobre a criação das músicas. Passem por lá ;)

Não se esqueçam de comentar e deixar suas opiniões sobre as músicas. Quero saber o que vocês acharam.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Stephen King, a biografia: Coração assombrado [Resenha]


"A biografia de um dos autores mais populares no mundo contemporâneo. Stephen King tornou-se parte da história da cultura pop, com mais de 300 milhões de livros vendidos e mais de 50 prêmios por suas obras. Seus romance best-sellers têm capturado a imaginação de milhões de leitores mundo afora. Mas quem é o homem por trás dessas histórias de horror e tristeza e do sobrenatural? De onde nascem suas ideias? E o que o leva a continuar a escrever em um ritmo alucinante, após uma carreira de quase quatro décadas?"

A vida toda do mestre do terror condensada em uma biografia. Para quem é fã, esse livro é imperdível, pois mostra todos os detalhes da personalidade de Stephen, que, logo no início, descobrimos que prefere ser chamado de Steve, e para quem não é fã é uma leitura obrigatória, pois é impossível não se apaixonar pela pessoa do escritor e não querer sair lendo todas as suas obras sem parar.

A autora da biografia conta um pouco da infância de Steve, desde o dia em que seu pai saiu para comprar cigarros e nunca mais voltou, deixando a mãe com dois filhos para criar, até os primeiros passos de King na literatura. Quando ia para a escola, Steve estava sempre lendo, inclusive enquanto andava, e isso o impedia de fazer amigos, já que era considerado estranho. Suas leituras eram sempre de livros de terror popular.

Sua mãe foi sua primeira incentivadora, pagando 0,25 centavos a cada estória que ele escrevia. E desde então, Steve escreve compulsivamente. Seus primeiros contos eram publicados em revistas masculinas, até que, depois de muitas negativas de diversas editoras, ele recebeu uma carta dizendo que seu livro seria publicado, e esse livro era "Carrie, a estranha". A partir daí seus livros começaram a ganhar espaço no meio literário.

A vida de Steve sempre foi muito difícil financeiramente, e, quando ele se casou com a primeira e única namorada Tabhy, isso não mudou. Mesmo depois que tiveram seus filhos eles continuavam enfrentando dificuldades, inclusive, para comprar remédios para as crianças, mas sua esposa nunca deixou de apoiar Steve e juntos, eles comemoraram o primeiro grande pagamento que receberam: os direitos pela filmagem de "Carrie".

Mesmo depois de ganhar dinheiro suficiente para viver bem a vida toda, Steve continuou humilde e generoso, além de ser bem comedido em seus gastos, por não ter aprendido a esbanjar dinheiro e também por ter receio de deixar de vender livros e voltar a viver na pobreza. Steve sempre fez muitas doações para todo tipo de instituição, escolas e até para amigos e amigos de amigos que o procuravam. Isso mostra o caráter do escritor, que, apesar de se tornar uma pessoa pública famosa, nunca deixou suas origens humildes.

O mais interessante da biografia é saber como nascem as ideias para os livros de Steve: ele pega situações estranhas ou curiosas do dia a dia, seja algo que tenha acontecido com ele ou simplesmente um fato que ele presenciou e transforma numa estória poderosa, cheia de terror e suspense, que prende leitores há décadas. Esse é o seu dom, contar estórias que cativem as pessoas, e ele o exerce de maneira extraordinária.

Um ponto fraco do livro é a ocorrência de algumas repetições do mesmo assunto em diversas partes diferentes: depois de já ter falado sobre o pai e a ausência dele na vida de Steve, a autora retorna a esse tópico em alguns momentos que não têm nada a ver com o tema. Ou quando, no meio de um capítulo que fala sobre os fãs mais ardorosos que vivem a buscar alguma coisa do escritor para recordação, ela fala de uma doação que ele fez ou do acidente que ele sofreu nos anos 90. Uma biografia pode facilmente ser dividida por determinadas épocas da vida do biografado, e não é necessário voltar e se repetir no meio da narrativa. Isso deixou alguns momentos do livro cansativos e menos interessantes.

A edição da Darkside é perfeita. O livro tem capa dura, um acabamento impecável,  páginas amarelas e papel de ótima qualidade que facilitam a leitura, e com arte gráfica de encher os olhos, como mostram as imagens do próprio site da Editora:



Mesmo não sendo muito fã de biografias e não tendo o hábito de lê-las, gostei muito desse livro. Ele me aproximou mais do universo de King e só fez aumentar a minha vontade de ter todos os seus livros.

Coração Assombrado
Lisa Rogak
editora Darkside Books
320 páginas
nota do blog: 3.5
nota do Skoob: 4.6

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Um pouquinho de...

"Ainda que a maioria dos fãs se contente em ler sobre sua vida e desfrutar de seus livros, Steve estava começando a ver que alguns poderiam ser tão obsessivos sobre ele quanto ele era obsessivo sobre beisebol e, em alguns casos, mais ainda.
'Ás vezes eu olho em seus olhos, e é como olhar dentro de casas vazias', disse o escritor. 'Eles  não sabem por que querem um autógrafo, apenas querem. Aí percebo que a casa não está somente vazia, está mal-assombrada'."

(pág. 123, capítulo 6)

domingo, 25 de maio de 2014

Dia da toalha 2014

imagem: Info Abril 

Desde 2001, no dia 25 de maio, os fãs de Douglas Adams, autor de "O guia do mochileiro das galáxias", comemoram O Dia da Toalha, saindo de casa usando a sua e fazendo muitas fotos legais com o artefato mais importante da trilogia de cinco livros tão querida pelos leitores.

imagem: Google

No livro é explicada a importância de se ter sempre uma toalha por perto:

"Segundo ele, a toalha é um dos objetos mais úteis para um mochileiro interestelar. Em parte devido a seu valor prático: você pode usar a toalha como agasalho quando atravessar as frias luas de Beta de Jagla; pode deitar-se sobre ela nas reluzentes praias de areia marmórea de Santragino V, respirando os inebriantes vapores marítimos; você pode dormir debaixo dela sob as estrelas que brilham avermelhadas no mundo desértico de Kakrafoon; pode usá-la como vela para descer numa minijangada as águas lentas e pesadas do rio Moth; pode umedecê-la e utilizá-la para lutar em um combate corpo a corpo; enrolá-la em torno da cabeça para proteger-se de emanações tóxicas ou para evitar o olhar da Terrível Besta Voraz de Traal (um animal estonteantemente burro, que acha que, se você não pode vê-lo, ele também não pode ver você - estúpido feito uma anta, mas muito, muito voraz); você pode agitar a toalha em situações de emergência para pedir socorro; e, naturalmente, pode usá-la para enxugar-se com ele se ainda estiver razoavelmente limpa."

imagem: acervo pessoal

Além disso, o dia 25 de maio também é chamado de Dia do Orgulho Nerd por ser a data do lançamento do primeiro filme Stars Wars, em 1977.

imagem: Google

Hoje, como não saímos de casa, ficamos aqui, cada qual com sua toalha, o dia todo, preparados para qualquer eventualidade:

imagem: acervo pessoal

sábado, 24 de maio de 2014

Li até a página 100 e... #23


*** lembrando que esse post foi inspirado na ideia original do blog Eu leio, eu conto




Primeira frase da página 100:

"Desde seu primeiro conto publicado na Cavalier, em outubro de 1970, Steve mandava histórias para seu editor, Nye Willden."

Do que se trata o livro?

É uma biografia não autorizada do autor Stephen King, famoso por seus livros de horror e suspense. Conta um pouco de sua vida, desde a infância, passando pelo início da carreira, as dificuldades financeiras até os dias de hoje, quando ele já é considerado um mestre do gênero.

O que você está achando até agora?

Muito bom.   

Melhor quote até aqui:

"Ele escreveu a maior parte de 'O iluminado' incrivelmente rápido, mas, ao chegar a uma determinada cena, empacou. Por mais que tentasse, ele estava apavorado demais para escrever uma cena na qual uma mulher que morrera há alguns anos em uma banheira subitamente se senta e olha para o garoto. 'Eu não queria ter de olhar aquela coisa indescritível na banheira tanto quanto o garoto', afirmou. Por muitas noites, antes de escrever a cena, ele teve pesadelos com uma explosão nuclear. 'A nuvem de cogumelo se transformava em um enorme pássaro vermelho que me perseguia, mas, quando terminei a cena, isso passou'."

Algum personagem merece destaque?

Sim, a esposa de Stephen, Taby. 

Vai continuar lendo?

Sim.

Última frase dessa página:

"O primeiro lote ficou abaixo daquele de 'A hora do vampiro'."

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Sexta de música #66 - Ghost Stories, Coldplay

Imagem de capa de Ghost Stories
Coldplay lançou seu mais novo trabalho de estúdio, "Ghost Stories", no último dia 19, e já entrou para os mais vendidos tanto na Inglaterra, onde vendeu 82 mil cópias nas primeiras 24 horas, quanto nos EUA. Imediatamente, o álbum entrou para o topo da lista do iTunes em 72 países. Entre os americanos, o CD vendeu na primeira semana 375 mil cópias, garantindo à banda a melhor primeira semana de um artista em 2014.

Apresentação da banda no Ellen Degeneres show dessa semana
Apesar do nome do álbum já introduzir o ouvinte a um clima mais denso que os trabalhos anteriores, e grande parte das letras das canções remetem imediatamente ao fim do casamento de Chris Martin e Gwyneth Paltrow, nem só de lamentações vive "Ghost Stories".

É possível perceber, lado a lado, as inovações que eles aplicaram nas canções e o jeitão clássico do Coldplay de falar sobre amor esperança. Da melancólica faixa "True Love" à balada "A sky full of stars", a banda nos mantém imersos numa viagem muito íntima e pessoal, mas que poderia estar contando um pedacinho da vida de qualquer pessoa.

Não sou  critica musical, nem entendo dos detalhes técnicos que envolvem a produção de uma canção, mas vou falar um pouquinho sobre o que percebi ao ouvir "Ghost Stories":

O disco todo tem uma pegada eletrônica, que nos trabalhos anteriores, se existia, era bem sutil, e que aqui conseguiu equilibrar o estilo mais agitado com as características românticas da banda, tão presentes nos outros CDs, e tudo isso faz com que o ouvinte se sinta imerso em uma atmosfera diferente, quase sombria em alguns momentos, porém, carregada de emoção.

Várias letras de Chris parecem um lamento, nos lembrando o tempo todo de sua separação; na canção "Magic" isso fica quando ele diz que ainda acredita em magia ("... and if you were to ask me/after all that we've been through/still believe in magic?/oh yes I do...").

Cena do vídeo "Magic"

Os elementos comuns ao Coldplay estão presentes sim, ainda que de maneira diferenciada: o piano, a bateria e o baixo formam um conjunto linear que envolve o ouvinte, e a guitarra de Jhonny ainda é a mesma, ficando evidente que era exatamente essa a intenção da banda ao seguir uma linha tão diversificada neste álbum.

Essa diversidade pode ser encontrada na faixa "True love", que em certo momento tende para uma breguice inerente aos anos 80, com o uso de sintetizadores, mas logo essa ideia é apagada pelo som da guitarra rasgada que combina perfeitamente com o desfecho da música.

"Midnight" é quase uma viagem psicodélica: começa tímida e vai seguindo num crescente caleidoscópico, acompanhado pelo vocal suave de Martin.

Em "Another's arms" é possível perceber um vazio deixado por alguém que partiu. A música basicamente fala sobre ausência e mais uma vez é possível se sentir próximo do que sentiu o vocalista com o fim de seu casamento.

Imagem promocional de "A sky full of stars"

Já a faixa 8, "A sky full of stars" faz um contraponto a todo o clima triste do álbum, com um arranjo dançante e claramente eletrônico feito pelo DJ Avicii, e é a minha preferida. Ela lembra bastante a sensação de ouvir "Viva la vida": uma vontade de sair dançando e cantando por diversas vezes seguidas, e desde a primeira vez que a ouvi, pude imaginar Chris dançando nos palcos dos shows. O arranjo é tão perfeito que, a certa altura da música parece mesmo que estamos sob um céu cheio de estrelas cintilantes, e é até possível ouvi-las brilhar.

Instrumentalmente impecável, "O - Fly on" tem a letra que menos me agradou em todo o álbum: o piano é delicado, e se torna companhia perfeita para a voz sussurrada de Chris. Destaque para o final deprimente, com vozes que lembram um coral fantasmagórico, cumprindo o que promete o nome do CD e criando um clima de histórias de fantasmas.

Ouçam agora todas as músicas de "Ghost Stories":


O que acharam? Deixem suas opiniões nos comentários para me contar se gostaram ou não  ;)

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Profundamente sua [Resenha]


"Segundo volume da série Crossfire, publicada em 40 países e que já vendeu mais de doze milhões de exemplares em todo o mundo, 'Profundamente sua' dá continuidade à jornada que Eva e Gideon começaram em 'Toda sua'. Neste livro ainda mais ardente, detalhes perturbadores da história de Gideon são revelados, e Eva se defronta com a reaparição de um fantasma do passado, enquanto os dois lutam para construir um futuro juntos. Recheado de surpresas e cenas picantes, este romance é imperdível!"

Na resenha de "Toda sua" postada aqui, eu falei que o livro não me ganhou 100%. Aqui, na segunda parte da trilogia Crossfire, também não fiquei deslumbrada com a estória, mas achei que a continuação é levemente mais interessante que o primeiro livro.

Os problemas de relacionamento entre Eva e Gideon continuam, conforme aumenta a intimidade do casal, a insegurança e o medo da separação a qualquer momento. Como ambos têm um passado problemático, eles sofrem com seus fantasmas e não querem perder essa ligação forte que surgiu rapidamente entre eles. Eva ainda protagoniza grandes cenas de ciúmes que são alimentadas pela personalidade forte de Gideon; enquanto ele tem dificuldade para se abrir e expor seus verdadeiros sentimentos, ela depende de tudo isso para acreditar que a relação está dando certo, e essa contradição gera inúmeros conflitos entre o casal.

Apesar dos esforços de Gideon para convencer Eva de seu amor e sua devoção, ela continua pedindo que ele se abra mais e divida com ela seus mais terríveis pesadelos. Em alguns momentos pode parecer que ela é um pouco egocêntrica, mas, com o desenrolar da narrativa fica claro que ela tem certa razão em reclamar de Gideon.

O milionário é muito possessivo e, quando sente que Eva pode estar correndo perigo, se torna ainda mais controlador e quer saber de cada passo que a namorada dá. Sem nenhuma explicação plausível para esse tipo de atitude de Gideon, ela não aceita que ele controle tudo o que ela faz, com quem fala e onde vai, e isso se torna mais uma razão para brigas e discussões.

Os momentos íntimos do casal estão ainda mais tórridos e sensuais nesse segundo livro, e acabam sendo as únicas ocasiões em que eles se entendem perfeitamente. A autora consegue contar em detalhes cada relação sexual do casal, e ainda assim não se alongar demais na estória. Toda a narrativa é direta e sem enrolação: o livro começa exatamente onde o  primeiro terminou, desenvolve a estória, cria novas situações de tensão, inclusive introduzindo novos personagens, e monta o cenário ideal para o próximo livro, aguçando a curiosidade do leitor.

Mesmo sendo um pouco melhor que o primeiro, esse livro não conseguiu me deixar empolgada, mas ainda assim, quero terminar de ler a trilogia para saber o desfecho dessa trama. É uma leitura fácil, que deve ser encarada como entretenimento. E não estou dizendo que ela perde seu valor por ser assim, muito pelo contrário: a série Crossfire cumpre seu papel como uma estória que permite ao leitor se desligar um pouco do mundo e descansar a cabeça. O final com certeza merece destaque, já que deixa os personagens numa situação um tanto quanto instável, mas certos de que seu amor poderá vencer qualquer barreira.

Profundamente sua
Sylvia Day
editora Paralela
256 páginas
nota do blog: 3
nota do Skoob: 4.1

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Cheiro de livro novo #18

Olá leitores! Vim mostrar mais algumas comprinhas para vocês!


Além de muitos livros lindos, também comprei essa miniatura da Edwiges, uma réplica do Pomo de Ouro e um Viratempo =)

Para fazer companhia a esses artigos de Harry Potter, comprei numa promoção do Submarino toda a coleção, com capa branca, já que da edição original eu só tinha os 3 últimos:













Para meu filho comprei o último da trilogia Divergente, pois ele já tinha lidos os anteriores:


E para completar a minha trilogia, comprei o 2º e o 3º da série Crossfire, na promoção 3 por R$ 30,00 no Submarino:



E ai, o que vocês acharam das minhas últimas aquisições? Em breve retornarei com mais comprinhas de livros lindos de bonitos para compartilhar com vocês ;)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Um pouquinho de...

"Ele também estava começando a cristalizar outras ideias sobre o que a escrita deveria ou não fazer pelo leitor. 'A literatura deve ser algo tórrido e próximo', disse. 'Quero que ela alcance a pessoa, agarre-a e a prenda em um abraço ardente, sem deixá-la partir. Sempre busquei machucar o leitor e, ao mesmo tempo, diverti-lo. Acho que um livro deve ser uma coisa realmente viva e perigosa, em várias maneiras'."

(página 60, capítulo III) 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

TAG Feitiços de Harry Potter



Olá leitores! Vou responder a mais uma TAG hoje, que vi no blog "Vamos falar de livros?", da Rafaela. Essa TAG foi criada pela Turtle Sympathy e traduzida para o português pelo Leitora Voraz. A brincadeira consiste em encontrar livros com determinadas características de alguns dos feitiços de Harry Potter. Então, vamos lá, e prometo não fazer nada de bom:

1. Expecto Patronum - um livro relacionado a boas lembranças:


Esse livro me faz lembrar dos tempos de escola, quando comecei a frequentar a biblioteca, e, como não trabalhava, lia 1 livro por dia. "O mistério do cinco estrelas", de Marcos Rey, foi o primeiro livro da coleção Vaga-Lume que eu li, e que me deixou apaixonada por quase todos os outros da série.

2. Expelliarmus - um livro que te pegou de surpresa:


 Quando olhava essa capa e lia o título, imaginava que ele falaria de sobrenatural ou algo do tipo. E qual não foi a minha surpresa ao descobrir que "Espíritos de gelo" pouco tinha a ver com espíritos, e era mais focado no comportamento humano. Gostei muito da leitura e fiquei com muita vontade de ler os outros livros do Draccon.

3. Priore Incantatem - o último livro que você leu:


"A segunda vez que te conheci", de Marcelo Rubens Paiva: já postei a resenha aqui e falei muuuiito dele e do autor em outras postagens. Fica claro que eu adoro o Marcelo e seu estilo de escrever.

4. Alohomora - um livro que te apresentou um gênero que você não tinha considerado antes:


"O guia do mochileiro das galáxias", de Douglas Adams, me fez acreditar que ficção científica é legal <3
Eu nunca tinha lido nada do gênero, e nem me interessava tanto por essa série, mas, depois de começar a ouvir o Nerdcast, comecei a prestar mais atenção nesse livro. Depois influenciada por amigos, decidi que era a hora de dar uma chance para ele, e não me arrependi.

5. Riddikulus - um livro engraçado que você leu:


Dos últimos que li, esse com certeza foi o mais divertido: "Como quase namorei Robert Pattinson", da Carol Sabar me fez gargalhar em muito momentos. Acho que muitas pessoas devem ter me achado maluca, já que eu ria muito dentro do ônibus, rs.

6. Sonorus - um livro que você acha que todo mundo deveria conhecer:

"Reparação", de Ian McEwan, por que se todos soubessem que um simples ato impensado pode mudar radicalmente a vida alguém, muita coisa poderia ser evitada.

7. Obliviate - um livro ou spoiller que você gostaria de ter lido:

Todo mundo fala que esse livro é ótimo, e que as duas versões do filme também são muito boas, mas nunca tive a oportunidade de ler nem de assistir. "Os homens que não amavam as mulheres" está na minha lista de leitura.

8. Imperio - um livro que você teve que ler para a escola, faculdade etc:


Tive que ler, mas não li. Meu grupo de trabalho na faculdade teve que apresentar um seminário sobre "A revolução dos bichos", mas eu não tive tempo de lê-lo, então, fiz a apresentação apenas com base em resumos encontrados na internet e os relatos das minhas amigas que leram.

9. Crucio - um livro que foi doloroso para ler:


Esse livro pode ser muito doloroso, mas vale cada segundo de sofrimento: "Ensaio sobre a cegueira" narra tão minuciosamente alguns sentimentos que, por mais de uma vez, precisei parar a leitura e retomar depois de alguns minutos para digerir o sofrimento vivido pelos personagens.

10. Avada Kedavra - um livro que pode matar (interpretação livre):


Matar de cansaço. Mas só por que ele é muito pesado e fica difícil de segurar. "A tormenta das espadas" é o terceiro livro da série Guerra dos Tronos, e tem 884, tornando uma tarefa hercúlea levá-lo na bolsa ou tentar lê-lo no ônibus, por exemplo.

E então, gostaram da TAG? Quem quiser pode fazer, só não deixe de dar os devidos créditos aos criadores e me mandar o link para que eu possa ver suas escolhas. Só vou indicar a minha amiga Carol, do blog Dramin, mas sintam-se a vontade para responder também ;)

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Um pouquinho de...

"Trema não é mais obrigatório?
Tem jornais e revistas que aboliram há tempos.
Cada um segue um estilo próprio, não sabia?
Padrão é o nome.
Tem jornais e revistas que escrevem títulos de obras de arte entre aspas. Outros, em itálico. Certa vez, quando mudei de empresa, tive um pesadelo em itálico. Minha mãe apareceu inclinada e me ofereceu bananas retas. Tem obcecado e obsessão. Nem a palavra palíndromo é um palíndromo. Em algumas publicações, estresse é stress. Ou stresse. Extinguiram o hífen de fim-de-semana num fim de semana. O trema sumiu, voltou, depois de amargar um exílio por décadas, e agora o enterraram de vez. Foi um estresse nos adaptarmos ao novo fim de semana. Réveillon é réveillon ou Réveillon? É malformação ou má-formação? É pôr-do-sol ou pôr do sol, maquilagem ou maquiagem, assobiar ou assoviar. Antártica ou Antártida, mussarela ou muçarela? Depende.
A padronização do estilo de cada jornal e revista demandou tempo, energia e dinheiro. Participei dos projetos gráficos, da reformulação e da criação de normas e manuais.
É, sou daquela época.
Daquela era.
Era."

(página 15, capítulo 2)

sábado, 10 de maio de 2014

1, 2, 3... PIN!


Eu sou um viciado em livros e sem nenhum arrependimento. (Hannah Weibel)



Acumular livros não é um estilo de vida escolhido. Eu nasci desse jeito. (Amanda Patterson)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Sexta de música #65 - A segunda vez que te conheci


O personagem Raul de "A segunda vez que te conheci", que foi resenhado aqui no blog ontem, gosta de rock. Isso fica claro logo no início do livro, quando ele põe "All apologies" para tocar numa tentativa vã de convencer sua mulher a não terminar o casamento.

Com base nisso e em outros momentos do livro em que ele comenta gostar desse estilo de música, montei uma playlist que serviria facilmente como trilha sonora para toda a estória, indo desde a própria "All apologies", do Nirvana, até Bon Jovi em sua melhor fase.


1. Lugar nenhum - Titãs
2. Jeremy - Pearl Jam
3. All apologies - Nirvana
4. Bete balanço - Cazuza
5. Peace frog - The doors
6. Owner of a lonely heart - Yes
7. Is this love - Whitesnake
8. You give love a bad name - Bon Jovi
9. Isso - Titãs
10. Wish you were here - Pink Floyd

quinta-feira, 8 de maio de 2014

A segunda vez que te conheci [Resenha]


"Depois de ver seu segundo casamento ruir e perder o emprego, Raul vai morar num flat, e no prédio conhece uma prostituta. Quando percebe, está gerenciando uma dezena de garotas de programa. Esse novo homem, porém, é colocado em xeque com o reaparecimento da sua primeira mulher."

A estória começa quando Ariela comunica a Raul que está saindo de casa e terminando o casamento. Sem maiores explicações, ela simplesmente diz que a relação não está mais funcionando, e deixa Raul perturbado, ora pensando que sua dedicação ao trabalho de jornalista foi o que acabou com o casamento, ora imaginando que sua esposa está se envolvendo com outro homem. A verdade é que Ariela saiu do apartamento, deixando para trás apenas alguns de seus livros de filosofia.

Em meio ao desespero pelo fim do casamento, Raul passa a conversar bastante com uma amiga de sua ex-esposa, Fabi, que parece compreendê-lo perfeitamente e sempre tem tempo para ouvir suas lamentações. Dessa convivência surge um forte desejo, de ambas as partes, e eles acabam ficando juntos. A ligação se fortalece tanto que Fabi se muda para o apartamento de Raul e eles passam a viver como um casal.

No fundo Raul nunca esqueceu Ariela, apesar de gostar muito de Fabi. Quando ela disse que queria terminar a relação, assim como fez sua primeira esposa, foi Raul quem saiu do apartamento, deixando toda uma vida para trás, e foi morar num flat emprestado por um amigo.

É a partir desse momento que sua vida começa a mudar radicalmente: com dois casamentos falidos e morando sozinho, Raul ainda é demitido da revista em que trabalhava há anos, ficando meio sem rumo. Então, em seus dias de ócio, a única coisa que ele encontrou para fazer foi ficar à beira da piscina do flat, aproveitando o sol. 

Desde a primeira vez em que esteve na piscina Raul percebeu a presença de várias meninas lindas, que, aos poucos, ele foi descobrindo serem garotas de programa. Inesperadamente, ele faz amizade com uma delas e começa a ser seu motorista, levando-a de um programa para outro e recebendo parte de seu pagamento por isso. A notícia se espalha e outras garotas pedem que ele faça o mesmo com elas.

Raul acaba gostando desse novo ofício, e começa a ganhar uma boa grana também, mas isso não lhe traz felicidade e ele continua sempre pensando em Ariela, desejando que ela volte e eles reatem o casamento.

Entre uma corrida e outra, o personagem Raul vai se aprofundando em filosofia, fazendo algumas reflexões interessantes sobre o ser ou não ser, sobre o agora e o ontem e sobre sua própria existência. De tanto pensar sobre o fim de seus casamentos, ele tenta criar poemas que expressem seus sentimentos, e esses são os momentos mais legais do livro. As frases do personagem são profundas, e ao mesmo tempo hilárias, mostrando toda a versatilidade do autor. 

O estilo de narrativa de Marcelo Rubens Paiva é muito peculiar, dando uma velocidade boa à leitura e envolvendo o leitor com seu ritmo crescente. Os parágrafos são curtos e sem rodeios; mesmo nos momentos em que ele fala sobre filosofia, que é um assunto mais complexo, o ritmo da leitura é mantido e não diminui o interesse do leitor.

Apesar de envolver o dia a dia de garotas de programa, descrevendo minuciosamente algumas situações vividas por elas, o livro não foca apenas nesse assunto, e não é em nenhum momento vulgar ou apelativo. A narrativa nada mais é que um retrato da vida das profissionais do sexo, em paralelo aos dilemas de Raul, que começa como um homem comum, que trabalha e mantém em casamento feliz, mas que descobre que é possível ganhar dinheiro fácil explorando a satisfação alheia.

O final do livro é muito inteligente, misturando um momento trágico com uma solução feliz para o impasse sentimental de Raul, e confesso que fiquei satisfeita com o desfecho que o autor preparou para ele, principalmente com a maneira que Marcelo encontrou para revelar o final. Os últimos momentos da narrativa podem surpreender o leitor e ao mesmo tempo fazê-lo pensar que, na segunda vez, nada poderia ter sido diferente da primeira.

"A segunda vez que te conheci"
Marcelo Rubens Paiva
Editora Objetiva
192 páginas
Nota do blog: 4,7
Nota do Skoob: 3,8
Compre pelos links: Submarino, Saraiva ou Cultura.  

quarta-feira, 7 de maio de 2014

TAG Abrigo Nuclear

Olá leitores! Vi essa TAG super legal no blog Vamos falar de livros, da Rafaella, e que foi criada pela Taryne do canal Literatour, então resolvi reproduzi-la aqui.



A TAG consiste em indicar 10 livros que você levaria para um abrigo nuclear, de acordo com as regras:

"Imagine que uma grande catástrofe vai se abater em breve sobre o planeta Terra e você tem a oportunidade de se esconder em um abrigo nuclear! Cada pessoa que vai ficar nesse lugar tem direito a levar 10 livros para compor a biblioteca. Porém, seus escolhidos têm que estar de acordo com as seguintes características:"

1- Um clássico que precisa ser lido:

"O retrato de Dorian Gray" é um dos clássicos que mais gostei de ler. Já postei a resenha aqui, e acho que é uma leitura obrigatória por que mostra que a aparência não é tudo na vida e que podemos pagar um preço muito alto em nome da vaidade. E a minha edição é essa de tecido, da Abril, linda de bonita =)



2 - Um livro que está na sua lista de espera faz tempo:

São vários, mas acho que esse merece ser lido logo, por isso, o inclui no Desafio Literário 2014, realizado por um grupo do Skoob, assim, sou obrigada a tirá-lo da 'geladeira' rs. "As brumas de Avalon - A grande rainha".



3 - Um livro que tem um ótimo elenco de personagens:

"A menina que roubava livros", apesar de não ter um elenco muito grande, os personagens são todos marcantes, com personalidade forte.



4 - Um livro que não sai da sua mesa de cabeceira:

Difícil, por que, pra começar, não tenho cabeceira, rsrs. Mas se tivesse que deixar um livro junto comigo o tempo todo seria "A culpa é das estrelas", pela história linda de Hazel e Gus e por toda a emoção que ele me causou.



5 - Um livro que te provoca reações físicas:

Tive que pensar muito para escolher esse, já que não conseguia me decidir sobre qual a reação física que senti lendo determinados livros. Talvez o mais marcante deles seja "A mulher só" de Harold Robbins que, como já disse na resenha, eu o li pela primeira vez ainda criança, e já naquela época ele me causava náuseas. Em alguns momentos, além de conseguir sentir todo o tormento psicológico da personagem, também posso sentir as dores que ela sente, tal o meu envolvimento com a estória.



6 - Um livro que te ganhou pelo título:

Com certeza foi "Como quase namorei Robert Pattinson". Achei o título muito criativo e na hora imaginei uma estória descontraída e leve, e não me enganei. O livro é muito engraçado e ri muito em alguns trechos.



7 - Um livro que te fez pensar sobre ele durante vários dias:

"Métrica", com todo o clima poético e o sofrimento dos personagens me deixou inebriada por dias.



8 - Um livro que todo mundo ia gostar de ler:

"Blecaute", do Marcelo Rubens Paiva, pois, com certeza, todo mundo já imaginou pelo menos uma vez na vida como seria se tivesse a cidade somente para si mesmo.



9 - Um livro que você leu por obrigação (escola, faculdade) e ainda assim gostou:

Amei "Hamlet" que tive que ler para a faculdade, e hoje ele é um dos meus preferidos. Eu tinha um pouco de medo de ler Shakespeare e não entender ou não gostar, mas me surpreendi com o quanto me encantei com essa estória.



10 - Um livro que você amou ganhar de presente:

Ganhei há alguns anos "Filhos da terra" do meu marido e achei a estória incrível, tanto que já o reli 2 vezes. Postei a resenha aqui.



Espero que vocês tenham gostado das minhas escolhas, e deixem nos comentários quais vocês levariam (ou não) para um suposto abrigo nuclear.

E se algum blog quiser fazer a TAG também, fique à vontade, só não deixe de dar os devidos créditos ao blog criador, e deixar o link nos comentários para que eu possa visitar, ok?