sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Sexta de música #78 - As quatro estações

Um dos melhores álbuns da banda Legião Urbana é o "As quatro estações", que foi lançado em 26 de outubro de 1989, que fez 25 anos essa semana.


Me lembro da primeira vez que segurei esse disco nas mãos, abri o encarte, li as letras das músicas antes de colocá-lo para tocar, e a sensação de ouvir aqueles primeiros acordes de "Há tempos" é inesquecível. A cada faixa o álbum ia ficando mais denso e eu só queria continuar sentindo aquela energia, aquela vontade de sair de casa e viver. Parece exagero, mas era o início dos anos 90 e o mundo era bem diferente do que temos hoje, e uma música como "Eu era um lobisomem juvenil" era totalmente nova e transmitia tanta energia em seus versos, que era simplesmente impossível parar de ouvir:

"Se o mundo é mesmo
parecido com o que vejo
prefiro acreditar
no mundo do meu jeito
e você estava esperando
voar
mas como chegar
até as nuvens
com os  pés nos chão..."

Todas as faixas desse disco são incríveis, entre elas as minhas preferidas são a própria "Eu era um lobisomem juvenil", "Sete cidades" (que mais recentemente foi regravada de forma brilhante pelos Titãs), "1965 - duas tribos" e "Meninos e meninas". Essas músicas mostram como Renato Russo era capaz de dizer tanta coisa através de seus versos, usando poucas palavras.

"Quando querem transformar
dignidade em doença
quando querem transformar
inteligência em traição
quando querem transformar
estupidez em recompensa
quando querem transormar
esperança em maldição.
É o bem contra o mal
e você de que lado está?..."

(1965 - duas tribos)


E então, desde a primeira vez que essas canções ecoram no meu quarto e na minha mente, nunca mais saíram de minha vida, e me fizeram ser a fã que sou hoje, admiradora do trabalho da Legião e apaixonada por Renato Russo, sua personalidade forte e seus ataques de pelanca, que o faziam o artista excepcional que ele sempre foi.

Há apenas uma exceção nesse disco: não gosto de "Pais e filhos", e acho que muito desse meu desgostar vem da massiva execuçãon da música nas rádios, que, ao mesmo tempo em que conquistava mais fãs para a banda e apresentava suas músicas para as novas gerações, transformava essa construção poética de renato Russo numa modinha, e isso, para quem é fã de verdade, é um crime! A letra é linda, a mensagem que ela passa é vital, mas eu ainda prefiro as outras músicas do disco.

Enfim, esse álbum, há 25 anos, mudou minha vida e a forma como eu pensava minhas relações com as outras pessoas, e acredito que ele vem fazendo isso desde então, com todas as pessoas que param para ouvir de verdade suas canções.

Que tal curtir agora as 11 faixas de "As quatro estações" e deixar que a Legião conquiste você também?




Bendita hora em que minha amiga Roseli pegou escondido o disco do seu irmão mais velho e me emprestou para ouvir em casa. Não sei se em algum momento ele soube disso, mas foi esse disco que ajudou a salvar minha adolescência.


Conto Lobos [Divulgação]

Olá leitores! Hoje é Dia das Bruxas (parece que aqui no Brasil a data já é comum), e a Farol Literário divulgou o lançamento do conto "Lobos", que promete causar calafrios até nos amantes de estórias de suspense.


Ambientado no universo do livro "Sangue de lobo", de Rosana Rios e Helena Gomes, o conto retrata uma noite de lua cheia, no ano de 1924, durante a Revolta Paulista. A cidade de São Paulo, destruída como num pós-guerra, é o cenário. Um escritor cruza a Brigadeiro Luis Antônio, passa pela praça da Sé e...

"O mais incrível, meu amigo, não foi andar por uma São Paulo devastada feito uma cidade europeia depois da guerra. Foi o que eu vi... O que eu acho que vi. Acabava de escurecer e a lua cheia surgia no horizonte, por trás das obras da Sé..."

Querem saber mais? Cliquem na capa para ler, e aguardem o lançamento do segundo volume do livro "Sangue de lobo" em 2015:



quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Cemitérios de dragões [Resenha]



"Em diferentes pontos do planeta Terra, cinco pessoas com histórias e origens completamente distintas desaparecem por motivos variados e acordam numa outra realidade. Em meio a guerras envolvendo demônios, dragões, homens-leão, seres fantásticos e metal vivo, os cinco precisam compreender os motivos de estarem ali e combater um mal que talvez não possa ser impedido. Em seu novo romance Draccon apresenta uma versão moderna e adulta de um universo inspirado por séries queridas por toda uma geração, como Jaspion, Changeman, Flashman, Black Kamen Rider e Power Rangers."

Essa é uma daquelas fantasias que prendem o leitor. E eu, que não sou uma consumidora voraz desse gênero, não conseguia largar o livro. É ação do começo ao fim, com um enredo fascinante.

Cinco pessoas, de partes distintas do mundo e que nunca se viram antes, acordam de repente num mundo estranho, sem saber onde estão e nem como foram parar ali. Só isso já daria uma estória incrível, mas Raphael Draccon enriquece ainda mais a trama concedendo a cada um desses personagens características únicas, que ajudam a construir uma trama sem igual.

Derek, um soldado americano de elite, Amber, uma jovem de Ruanda que cresceu oprimida pela guerrilha em seu país, Daniel, nerd brasileiro descendente de orientais, Romain, um dublê francês especialista em Parkour e Ashanti, a garçonete irlandesa que se mostra especialista em artes marciais, são os cinco elementos que vão compor esse grupo de heróis (e vítimas), onde um complementa o outro, e usam seus talentos em busca de um bem comum.

Num universo estranho, onde humanóides são governados por draconianos e demônios, e dragões são controlados por uma bruxa ambiciosa que quer dominar aquele mundo, o quinteto, a princípio, cada qual num lugar diferente, tem que sobreviver a inúmeras ameaças, enquanto tentam entender como foram parar num lugar tão insólito, buscando uma forma de voltar para casa.

Os perigos são muitos, e os personagens têm que enfrentar os mais impensáveis tipos de criaturas, lutando por suas vidas. Derek é muito determinado e se mostra logo um bom lider, enquanto Amber é mais forte psicologicamente. Daniel e Romain protagonizam as cenas mais divertidas do livro, com frases de efeito e algumas piadas que fornecem o alívio cômico necessário à estória, sem exageros. Ashanti, minha personagem preferida, é forte e determinada, e suas ações exalam essa força, até quando precisa demonstrar amor. É Ashanti quem forma com o rei Mihos o par romântico do livro.

O cenário onde se passa a estória é assustador, cheio de demônios, escravos que são ameaçados de morte constantemente e dragões. O metal vivo é quase um personagem da trama, e esse elemento é o responsável pela reviravolta na condição dos cinco humanos. Uma entidade muito avançada e conhecedora de tecnologias que estão muito à nossa frente mistura o metal com sangue de dragões e cria para eles um traje especial que os ajuda a lutar com os seres místicos que querem governar aquele universo. É aqui que o enredo deixa claro a influência do universo Tokusatsu, e séries como Jaspion, Changeman e Ultraman. Essa referência é usada de forma brilhante por Draccon, e, apesar de ser bem evidente, não é uma cópia.

O melhor do livro é a linguagem usada pelo autor, rápida, direta e que deixa a leitura muito fácil. Por se tratar de um universo totalmente novo, as explicações sobre ele poderiam carregar a narrativa, mas isso não acontece; Draccon consegue descrever tudo sem se prender demais a pequenos detalhes, e assim, aproxima da nossa realidade o cenário da sua fantasia. Não esperem descrições pormenorizadas de cada pedrinha como Tolkien (graças a Deus!), mas tenham certeza de que cada lugar ou criatura são bem apresentados, e isso conquista o leitor.

"Cemitérios de dragões" foi uma grata surpresa para mim, que não leio muita fantasia, e fiquei encantada por ele. Li rapidamente, adorei cada personagem, suas características diferentes, sua personalidade única, além de ter relembrado programas que eu via quando criança, como o Jaspion, do qual não falava há tempos. Foi uma das melhores leituras do ano e eu estou até agora apaixonada pela escrita de Draccon. Além disso, foi ótimo conhecê-lo pessoalmente, exatamente no dia em que terminei de ler o livro, e ouvi-lo falar sobre a criação da obra e suas inspirações.

Uma curiosidade sobre essa estória é que, durante a leitura, senti que algumas partes ficariam muito bem como história em quadrinhos, e tive a oportunidade de perguntar ao autor se isso está em seus planos. Ele revelou que algumas pessoas já tiveram essa mesma impressão, e que, futuramente, quem sabe, ele poderá enveredar por esse novo formato. Oremos!

Se não bastasse o enredo perfeito, o livro tem uma arte linda: a capa é maravilhosa, em tons de vermelho e azul, como se retratasse um pôr-do-sol muito bonito, em meio a um lugar abandonado, com alguns elementos da estória compondo o quadro. Ao abrir, a contracapa se destaca, em vermelho-vivo, e, depois de terminar de ler, é possível entender porque essa cor é predominante ali. Além disso, cada início de capítulo tem a figura de um dragão, reafirmando a participação deles na trama.

Não posso deixar de comentar sobre a forma como Draccon finaliza cada capítulo: há um quê de poesia em suas frases, um ar etéreo, com frases curtas, que fecham a cena acendendo no leitor a curiosidade para o próximo capítulo:

"Eram cento e cinquenta e oito pessoas.
Cento e trinta homens.
Vinte e oito mulheres.
Uma única regra."

(capítulo 2, página 18)

Sou toda elogios para esse livro, e confesso que a escrita de Raphael Draccon definitivamente me conquistou. Ao final de tudo, ficou a ansiedade pela continuação, já que "Cemitérios de dragões" se trata de uma trilogia. Super recomendo a leitura, para todas as pessoas.


"Cemitérios de dragões"
Raphael Draccon
editora Fantástica
352 páginas
nota do blog: 5
nota do Skoob: 4.3

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Dia Nacional do Livro


De novo? Mas não foi outro dia? Calma, existe uma explicação para essa data:

Lá nos primórdios de nosso país, quando ainda éramos governados por Portugal, os patrícios resolveram montar a primeira biblioteca no Brasil, enviando para cá um acervo bibliográfico riquíssimo, direto da Real Biblioteca Portuguesa, com mais de sessenta mil objetos, entre eles medalhas, moedas, livros manuscritos e mapas.

Inicialmente, essa biblioteca foi acomodada no Hospital da Ordem Terceira do Carmo, Rio de Janeiro, e, mais tarde, no dia 29 de outubro de 1810, foi transferida para o lugar que hoje é conhecido como Biblioteca Nacional. Em lembrança a fundação dessa entidade, comemoramos hoje o Dia Nacional do Livro.


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Um pouquinho de...

"Romain se manteve em silêncio. E se perdeu em seu silêncio.
- Talvez, talvez você tenha razão, sim - completou Daniel. - Talvez o meu tipo de pensamento não faça realmente de mim um herói. Mas eu sei que o seu tipo de pensamento faria eu me sentir um monstro.
Os dois continuaram a caminhar sem nenhum  orgulho, deixando suas sombras para trás. Deixando angústias juvenis e palavras atiradas, além de esperanças despedaçadas em seu rastro.
Rastros de pais desesperados.
Rastros de filhos em agonia.
Rastros de monstros.
E rastros de heróis."

(página 218, capítulo 25)

domingo, 26 de outubro de 2014

Cheiro de livro novo #22

Tem tanta coisa nova para mostrar para vocês que nem sei por onde começar!


Depois da Bienal fiz poucas compras, mas as novidades são boas: os primeiros livros de parceria do blog chegaram! A Editora Arwen enviou "Esmeralda" e "Caldeirão de Bruxa", ambos de Cida Santos. São livros de poesia - que eu adoro - e em breve estarão resenhados por aqui.


Também recebi a trilogia "Encantada" que ganhei num sorteio, mas infelizmente me esqueci de qual blog. Passei uma hora procurando o email para identificar o blog aqui, mas não encontrei, então, peço desculpas e, se você estiver lendo esse post e for a dona do blog que me presenteou com os livro, pro favor, deixe um puxão de orelha nos comentários, ok?


Dias antes da Bienal, combinei com a Lueme, autora do livro "Instituição para jovens prodígios", que iria adquirir lá seu novo trabalho, "Mudanças", mas por um vacilo meu, acabei chegando tarde demais ao stand da editora, e ela não estava mais lá. Então fomos nos falando depois e comprei o livro, que ela me enviou pelo Correio com inúmeros mimos, incluindo um bloquinho fofo e esse marcador de páginas de borboleta, que eu adorei!


Também comprei mais dois exemplares de Stephen King para a coleção. Quando vou ler? Não sei, rs.



Comprei também o último volume da trilogia de Cooleen Hoover, "Essa garota", e estou super ansiosa para ler a estória na visão do Will.


E para finalizar essa bateria de boas compras, aproveitei a promoção do Submarino e peguei o box "Dragões de éter", do Raphael Draccon, que estava só R$ 29,90, quase de graça! Também comprei o último livro dele, "Cemitérios de dragões", que vai ganhar resenha essa semana:



É isso leitores. Fiquem por aqui e não percam as resenhas de todos esse livros maravilhosos. Curtam, compartilhem e comentem, quero muito saber a opinião de vocês.

sábado, 25 de outubro de 2014

Brasil Game Show: eu fui!

Olá leitores! Duas semanas já se passaram e eu ainda não mostrei para vocês como foi a BGS! Para onde foi o tempo? Tanta correria, mal consegui postar resenhas esses dias! Sorry ;)


A Brasil Game Show é uma feira que reune os maiores fabricantes de games mundiais, onde eles apresentam suas novidades e demonstram seus lançamentos. Quase todo mundo estava lá, e dos grandes só faltou mesmo a Nintendo.

 Entrada do stand do Xbox, bem em frente ao...


stand com painel gigante da Playstation

E os famosos botões dos controles Playstation

Todas as empresas disponibilizam duiversos pontos onde podemos jogar seus games. Os mais disputados eram os da Playstation e do Xbox (nas imagens acima), onde as filas ficaram imensas.

Não sei  muita coisa sobre games, mas gostei demais de alguns stands:

Telão gigante onde eram mostradas as partidas de Street Fighter 

Painel do Mortal Kombat (com um menino que não conheço, rs)

 Stand da Ongame



 Tanki on line tinha um tanque de verdade!

Painel de The Witcher 

Götze no PES 2015 

Stand de Call of Duty 

Demonstração do Assassins Creed Unity

Muito legal o stand novo do Assassins Creed, com a réplica de uma guilhotina. Me senti em GoT!


Mas com certeza o lugar mais divertido da feira era o stand do Just Dance 2015: algumas pessoas dançavam, disputando de verdade, enquanto outras acompanhavam dançando no chão mesmo. Muito legal! Fiquei horas observando as coreografias, mas não tive coragem de participar de nenhuma:



Tentei ver os meninos do MRG no stand da Warner, mas foi impossível! Estava muito lotado e, enquanto eles demonstravam o Fifa 15, ninguém arredou pé de lá, e eu não consegui chegar perto deles =(



Mas em compensação, consegui tirar foto com o Batman, real e de mentirinha, além de outros dos meus heróis favoritos, como Thor e Hulk:









Para os saudosistas, tinha uma área reservada aos video games antigos, e eu revi muita coisa lá que eu já nem me lembrava de ter conhecido. A exposição mostrava consoles desde a primeira geração até hoje, todos do acervo de Marcelo Tavares, colecionador e organizador da BGS:











É muita foto, não dá pra postar tudo aqui, mas já deu pra vocês terem uma noção de quanta coisa legal tinha na exposição. Também dava para jogar games antigos:





Para quem não gosta de games, tinha stands de livros também! Saraiva, Americanas e Record nunca nos abandonam <3 (pena que os preços estavam altíssimos):


E se os livros não estavam acessíveis, era possível comprar jogos de cartas também:



A feira estava muito bem organizada, e tenho que admitir que foi melhor que a Bienal do livro, que superlotou. A BGS vende uma quantidade limitada de ingressos para cada dia, assim é possível caminhar tranquilamente por seus corredores, sem que tudo fique extremamente cheio. Além disso, é mais fácil conseguir mesa na praça de alimentação, usar o banheiro e até beber água, já que eles deixaram os bebedouros disponíveis por todos o pavilhão (fica a dica, Bienal).

Me diverti muito, apesar de não ter jogado nada, rs. Tive a oportunidade de conhecer pessoalmente a Domenica, colunista do Leitor Cabuloso, que é uma fofa! Apesar de termos nos encontrado rapidamente e não tirarmos nenhuma foto (porque mesmo Dô?), adorei conhecê-la.

Recomendo a visita para quem curte games, ano que vem tem mais.