sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cinquenta tons de cinza [Releitura]


"Quando a estudante de literatura Anastasia Steele entrevista o jovem bilionário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que o deseja e que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Christian admite que também a deseja - mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso - os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família, ele é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Ao embracar num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, mas também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos."

Então, antes de assistir ao filme, resolvi reler o livro, e tive a mesma sensação que na primeira leitura: a essência de Cinquenta tons de cinza é o romance entre Grey e Ana. Apesar de a maioria das pessoas só falarem sobre as cenas de sexo e as práticas estranha do bilionário bonitão, não é só isso que rege a narrativa.

Ainda acho que Anastasia é muito sonsa, consegue até superar Bella Swan, e que a linguagem usada no livro é bem simples - além das intermináveis repetições de frases e expressões (vide o post "Cinquenta tons de repetição") - mas que tudo isso contribui para a construção do personagem Christian Grey, que não passa de um homem que teve uma infãncia prejudicada pelo abuso da mãe, uma adolescência conturbada, sendo dominado pela amiga da mãe adotiva, que conseguiu se dar muito bem no mundo dos negócios, mas ainda não conseguiu se encontrar como pessoa. Para começar a se conhecer de verdade e se abrir para outra pessoa, foi necessário encontrar a inocência exagerada de Ana.

Enquanto Anastasia tenta se aproximar de Grey e quebrar essa barreira que ele mesmo se impôs, ela própria vai se descobrindo, conhecendo sensações e desejos que ela ainda não tinha experimentado. Claro que, se formos comparar com a vida real, nenhuma menina virgem aceita com tanta facilidade ser submissa a alguém e se submeter às práticas BDSM do dominador, mas aqui é ficção, então, aceitem. O universo Star Wars também não existe, e ninguém fica comparando com a realidade. Me odeiem.

Christian Grey é muito controlador, e isso é bastante difícil de aceitar, mas a personagem Ana foi criada como uma menina tão fora da realidade, tão inexperiente em relacionamento humano, que sua inocência a ajuda a compreender por quê ele age assim, tornando mais fácil a convivência dos dois. Ainda assim, ela deixa claro em alguns momentos que as atitudes dele não são normais, e que ela precisa de espaço e privacidade às vezes. Essa é uma das causas de conflitos entre eles.

Além do problema com controle, Ana não consegue entender os motivos de Christian para gostar de lhe aplicar castigos físicos quando considera que ela fez algo que ele desaprova, como o simples ato de revirar os olhos quando ele fala alguma coisa. É bem idiota a reação dele, mas foi a forma que a autora achou de mostrar que, dentro da relação maluca do casal, umas palmadas na bunda podem levá-los a sentir algum prazer. Mas quando Ana desafia o limite de Christian é pede para ver até onde ele iria para machucá-la, e ele mostra, ela se revolta e vai embora, deixando-o desolado, pois ele já estava apaixonado por ela, só não sabia ainda.

No próximo livro veremos o desenrolar desse afastamento e a solução que eles encontram para balancear o romance e o sexo ao estilo Grey. As resenhas de Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade podem ser lidas clicando aqui e aqui. E a minha primeira resenha de Cinquenta tons de cinza pode ser acessada por aqui.

O livro continua sendo encantador para mim, que sou louca por romance, a única diferença é que aqui existe a pegada sexual para apimentar a estória. Mesmo gostando das cenas mais quentes, eu ainda prefiro manter meu foco no relacionamento entre Christian e Ana, e desfrutar dos momentos divertidos e românticos que eles vivem. Talvez algumas pessoas não entendam isso, ou não conheçam esse lado da estória, por isso ouvimos tantas críticas ao livro. Mas eu adoro e não tenho vergonha de admitir. No fim das contas, Christian Grey não passa de um príncipe encantado super moderno e rico, que tem gostos peculiares - que a maioria não entenderia.


Cinquenta tons de cinza
E. L. James
editora Intrínseca
480 páginas
nota do Skoob: 3,6
nota do blog: 4,6



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sexta de música #84 - Tons de cinza, dourado e azul










Aproveitando o gancho do vestido que abalou o psicológico de pessoas no mundo todo e o filme que vem sendo muito comentado nas últimas semanas, a playlist de hoje  é composta por músicas que têm nomes de cores no título.

Se o cinza vem sendo a cor preferida de 9 entre 10 mulheres há alguns dias, essa soberania foi ameaçada pelo branco (ou azul) do vestido do mal que dominou a internet de ontem para hoje. No cenário musical, as cores são sempre uma boa opção para nomear canções, ou até mesmo escrever uma boa letra. 

A playlist ficou bem colorida, mas cada pessoa pode enxergá-la de uma cor diferente, rsrs. Confiram:




1. Black - Pearl Jam
2. Pink - Aerosmith
3. White as snow - U2
4. Stop when the red lights flash - Green Day
5. Yellow - Coldplay
6. Back to black - Amy Winehouse
7. Black red yellow - Pearl Jam
8. Green eyes - Coldplay
9. Red morning lights - Kings of Leon
10. Grey blue eyes - Dave Matthews Band
11. Blue ocean floor - Justin Timberlake


E como já é de costume, uma faixa bônus para encerrar o post. Não tem cor no título, mas me lembra muito "Cinquenta tons de cinza", já que na letra fala: "Yeah, well, you know gray is my favorite color" (sabe, o cinza é minha cor favorita):






Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Momento HQ - Constantine, volumes 1 ao 10





















Uma rápida pincelada sobre a origem de Constantine: criado por Alan Moore, teve suas primeiras aparições nas histórias do Monstro do Pântano na década de 80. Pouco depois passou a aparecer no selo Vertigo com frequência até ter sua carreira solo em Hellblazer e, mais tarde, fazer parte da Liga da Justiça Dark.

Publicada pela DC, a série de Hellblazer chegou ao número 300 e foi cancelada para dar origem ao Constantine nos Novos 52. Para alívio dos fãs,  Hellblazer volta a ser produzido pela Vertigo. Aqui não faremos uma comparação entre as duas vertentes.

Os Novos 52 - Toda magia tem um preço, muitas vezes alto demais.

Já nas primeiras páginas, o bruxo londrino mostra que não é confiável e deixa um menino morrer para descobrir sobre a Bússola de Croydon. Um artefato que pode mostrar qualquer recurso místico no planeta, quem a possuir estará sempre um passo a frente na busca pelo poder. Porém, o equipamento está desmontado e cada parte se encontra em um lugar do mundo. Constantine tem que encontrá-los antes que o Culto da Chama Fria chegue primeiro.




Sinceramente esse desenrolar da bússola não motiva o leitor. A história começa a ficar boa a partir do terceiro volume, quando é iniciada a Guerra da Trindade: a Caixa de Pandora foi aberta por uma mulher por volta do ano 8000 a.C. e desde então todo o mal foi libertado. Pandora, como a mulher passou a ser conhecida, foi amaldiçoada com a vida eterna; viu toda a sua aldeia morrer, e presencia o sofrimento de toda a humanidade como a mãe de todo o mal na terra. O único desejo de Pandora é descobrir uma forma de se matar para acabar com o infinito pesar de ser a mãe de todos os males.

Vale destacar que a história de Pandora é contada apenas na terceira edição. Mesmo sem ter os quadrinhos da personagem publicados no Brasil, a saga é explicada de forma excelente.

Chegando aos dias de hoje, a Caixa de Pandora foi encontrada pela Liga da Justiça Americana (LJA), que viu o Superman matar o Dr. Luz sob o efeito do artefato. Agora a LJA está dividida sobre o que fazer com o objeto. Uma parte do grupo, liderados pela Mulher Maravilha, vai atrás da Liga da Justiça Dark (LJD) para descobrir como lidar com o misticismo presente na caixa, enquanto a outra parte, comandada pelo Batman, tenta impedir que a caixa seja usada novamente, pois isso só causaria mais terror no mundo.




O Universo DC entra em uma briga interna para saber o que fazer com a Caixa de Todos os Males, enquanto isso, Constantine e Shazan saem em busca do Papa Midnight: uma magia foi erroneamente conjurada fazendo com que todos os heróis desaparecerem da dimensão natural da Terra, sobrando apenas o feiticeiro.

À procura de ajuda, Constantine se alia a Enfermeira Pesadelo e ao Monstro do Pântano para encontrar os amigos das Ligas da Justiça, Americana e Dark. Na verdade, a única motivação de Constantine é encontrar Zatanna, seu antigo e eterno amor, então o trapaceiro usa a ajuda que consegue para chegar aonde quer.

Sem muito sucesso, o feiticeiro apela para a Trindade do Pecado: Pandora – responsável por liberar todo o mal do mundo; Vingador Fantasma – acusado de trair o grande salvador ele vaga entre mundos balanceando o mal e o bem; e o Questão – acusado de libertar os sete pecados capitais que estavam presos em uma ânfora no tempo de Cristo.

Enquanto cada segundo se passa, o mundo está sendo tomado pelos pecados de cada ser humano. Toda a maldade que habita o homem passa a alimentar uma entidade que Constantine batiza como Mosléstia (um dos vilões mais maneiros que já vi). E agora os novos heróis tentam achar um jeito de ferir uma entidade que aparentemente não pode ser tocada.




A nova série do Constantine é uma reformulação total, assim como aconteceu com toda a DC Comics e seus Novos 52, então o lado negativo, e talvez seja essa a reclamação geral dos fãs de Hellblazer, é que até agora o Constantine não trabalhou sozinho. Sempre tem alguém com ele e isso deixa visível a jogada de marketing da DC, ligando toda a sua série para puxar o leitor para as outras sagas.

Todavia, o roteiro de Ray Fawkes não deixou a desejar mesmo com um crossover a cada página. O sarcasmo, os inseparáveis cigarros e a deslealdade fazem de John Constantine um personagem emblemático, então não importa a situação, ele sempre faz o que tem que fazer, usando a boa vontade dos outros para seu próprio bem.




Reforço que não fiquei impressionado com os dois primeiros volumes, mas depois a história passa a ter um contexto mais profundo e intenso. Os problemas que enfrentam são muito curiosos e os vilões são indecifráveis. Enfim, quando menos esperar, você estará conjurando feitiços em sotaque britânico.

Lembrem-se: Toda magia é corruptora e cobra um alto preço. Esteja disposto a pagar e seja bem vindo ao inferno!















João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Sorteio de Ano Novo


Calma caros leitores, ainda não ficamos loucos por aqui... mas não dizem que o ano só começa depois do Carnaval? Por isso estamos dando início hoje ao nosso Sorteio de Ano Novo!!!!!!!!!!!


E para começar muito bem 2015, o primeiro livro que um de nossos tão queridos leitores vai ganhar é...




Não olhe para trás, da autora Jennifer L. Armentrout. Em parceria com a Farol Literário o blog vai presentear um sortudo com esse thriller incrível. Para participar, basta seguir algumas regrinhas:

- ter endereço de entrega no Brasil;
- deixar um comentário VÁLIDO na resenha do livro clicando aqui (nada de participando, gostei ou coisas parecidas);
- seguir a fanpage do blog
- usar um perfil ativo nas redes sociais, que não seja exclusivo para participação de sorteios;
- para acumular mais chances de ganhar, algumas entradas do formulário serão opcionais.



a Rafflecopter giveaway


O envio do prêmio é de responsabilidade da editora, e será feito em até 45 dias úteis. O sorteio começa em 24/02/2015 e vai até 24/03/2015, e o resultado será divulgado tanto aqui no blog quanto nas redes sociais. A pessoa sorteada será avisada por email e terá 3 dias para respondê-lo com seus dados para envio do prêmio. Caso não haja retorno, outro sorteio será realizado.


Boa sorte e feliz ano novo!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Novidades da Farol Literário [Parceria]

Olá leitores! A editora Farol Literário divulgou a lista com seus lançamentos para o ano todo! E tem muita coisa boa vindo por aí, deem uma olhada:













Algumas tramas serão finalizadas, como Revenants, de Amy Plum e a série O Monstrologista, de Rick Yancey. Também teremos a continuação de um sucesso da literatura nacional, Sangue de Lobo, de Rosana Rios e Helena Gomes, e mais um volume da série Herdeiro, de Cinda Chima.




Dentre os lançamentos inéditos está Desenhos de um garoto solitário, direto do Facebook, onde o autor já tem mais de 600 mil seguidores: com apenas papel e caneta e reflexões divertidas com boas pitadas de ironia, o simpático personagem vai entrar de vez para nossa lista de favoritos.


No gênero romance, a Farol traz The name on your wrist, primeiro romance de Helen Hiorns, que lhe rendeu o prêmio Sony Young Movelist, que narra a estória de Corin em busca de sua alma gêmea: No mundo em vive, logo nos primeiros anos de vida o nome de sua alma gêmea é marcado para sempre em seu punho. A busca pela pela pessoa predestinada pode durar anos, até mesmo décadas. Mas, e se você nunca encontrar essa pessoa? Ou se encontrar e simplesmente não amá-la? E se, como Corin, a última coisa que você quiser é ser encontrado?




Para os fãs de estória de amor entre Vincent e Kate, chega o terceiro livro da série Revenants, Se eu morrer, escrito por Amy Plum. Depois de um longo tempo de espera para se encontrarem, Kate e Vincent veem desmoronar a perspectiva de enfim ficarem juntos. Ao serem traídos por alguém em quem achavam que podiam confiar, Kate perde Vincent. Agora o inimigo está determinado a controlar os imortais da França e até a iniciar uma guerra para conseguir o que quer. Mas Kate não desiste, ela sabe que Vincent está em algum lugar e fará qualquer coisa para salvá-lo.




Gostam de ficção científica? Então Elo, de Imogen Howson é uma excelente pedida. Elissa constumava ter tudo: a atenção de todos, popularidade e um futuro promissor. Mas os três últimos anos fizeram sua vida mudar radicalmente: ela vem lutando contra terríveis visões, dores-fantasma e misteriosos hematomas que aparecem do nada. Depois de muitas idas e vindas a especialistas, surge uma promessa de cura, uma cirurgia para apagar a parte superativa do seu cérebro, que provoca tais alucinações. Ás vésperas da operação, no entanto, Elissa faz uma descoberta chocante por trás daquelas visões: ela enxerga o mundo pelos olhos de outra garota.


Já para quem curte YA, a editora lança Dissonance, de Erica O'Rourke. No mundo de Del Sullivan, vários universos alternativos são criados e cada escolha - tomar ou não café da manhã? Sair ou continuar na cama? Romper ou continuar um grande amor? -, e um eco de nós mesmos segue pelos caminhos não percorridos. Os walkers são indivíduos que podem circular entre essas realidades paralelas, e Del é um deles. Ela treina para ajudar a manter as diferentes dimensões em harmonia, mas, quando começa a percorrer secretamente outros mundos, acaba se envolvendo com o eco de uma paixão antiga e descobre segredos do conselho dos walkers que podem ameaçar os múltiplos universos.




A série gótica de Rick Yancey, que parecia ter acabado no terceiro livro lançado em 2013, tomou novo fôlego e terá mais um volume, The final descent. Will Henry já passou por coisas demais para um garoto de apenas 14 anos: já se viu à beira da morte mais de uma vez e já ficou até cara a cara com o inferno. Ainda assim, o Dr. Warthrop teme que a lealdade de Will esteja enfraquecida. Will terá agora de encarar uma das mais terríveis criaturas de sua carreira na monstrologia - e sozinho. Será que ele será capaz de enfrentar criaturas monstruosas sem o seu mentor?


E Olhos de Lobo vem ai: na aguardada continuação de Sangue de Lobo, um crime acontece no Rio Grande do Sul, e a agente especial da Polícia Federeal, Natália, vai investigar o caso. Ela se depara com descobertas inusitadas: outros assassinatos semelhantes e fatos suspeitos acontecidos antes e durante a Segunda Guerra Mundial, além da estranha aparição de lobos em Porto Alegre. Ela pede a ajuda do escritor Hector Wolfstein, mas ele está incomunicável. Enquanto tenta encontrar Hector, a agente precisará entender rapidamente como todos esses fatos insólitos estão relacionandos, para evitar que mais assassinatos aconteçam.




A competente escritora americana Cinda Williams Chima, adorada por leitores brasileiros pela história criada na coleção Herdeiro, apresenta o desfecho desta narrativa com The Enchanter Heir. Emma Claire nasceu e foi criada pelo avô, que lhe ensinou mais sobre música do que sobre mágica. Ao morrer, no entanto, ele a alerta sobre perigos e lhe dá pistas que a levam ao encontro de Jonah, um sobrevivente do massacre de Thorn Hill que se tornou o assassino mais mortífero em Nightshade. Juntos eles irão correr contra o tempo para descobrir a verdade sobre Thorn Hill e sobre quem planejou o grande massacre.


E da mesma autora da série Reiniciados, Teri Terry, vem aí Mind Games. Em um mundo futuro, viver entre o universo real e o virtual é cotidiano. Todos os dias, as pessoas se plugam a uma realidade virtual, criada por uma poderosa empresa do governo, onde podem fazer tudo: se divertir, ir às compras ou estudar. Tudo sempre rigorosamente controlado. Luna, diferentemente de seus amigos e sua família, não consegue se conectar por inteiro a essa dimensão, por isso, permanece ao mesmo tempo nos dois mundos, fazendo descobertas surpreendentes e assustadoras que mudarão por completo os rumos de sua vida.


Além de todas essas novidades, a Farol ainda vai engrossar nossas coleções de HQs com suas maravilhosas adaptações de clássicos como O Mágigo de Oz, de L. Frank Baum, O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, Raptado, de Robert Louis Stevenson e Macbeth, de William Shakespeare! <3<3<3<3<3<3<3

O ano vai ou não vai ser  explêndido? Com tantos lançamentos ótimos, nossa leitura está garantida! Não vejo a hora de ter esses livros. E vocês, gostaram das novidades? Quais os mais desejados?



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sexta de música #83 - Oscar 2015



Nesse final de semana teremos a cerimônia de entrega dos Oscar, e dentre as diversas categorias premiadas está a de Melhor Canção Original. Muitas músicas boas (outras nem tanto) já levaram a estatueta, dentre elas a inesquecível - entendam como quiserem - My heart will go on, de Celine Dion, trilha do filme Titanic, e Over the Rainbow, eternizada em O mágico de Oz, e interpretada por Judy Garland.

 Diferente do que aconteceu no ano passado, quando Happy, de Pharrel e a chata Let it go de Frozen tomaram conta da festa, dessa vez as concorrentes não são tão famosas ou marcantes, exceto por Lost Stars, tema de Se nada der certo, mas todas elas têm participação importante em seus filmes. Um exemplo disso é a parceria entre John Legend e o rapper Common, Glory, trilha sonora do filme homônimo, que fala sobre a luta pelos direitos civil dos negros, liderada por Martin Luther King Jr.

Na playlist de hoje vamos fazer um aquecimento para o Oscar e curtir as cinco indicadas de 2015, para escolhermos qual delas merece levar o título de Melhor Canção Original de 2015:




1. Lost stars - Adam Levine
2. Everything is awesome - Tegan and Sara feat. Lonely Island
3. Grateful - Rita Ora
4. Glory - Common feat. John Legend
5. I'm not gonna miss you - Glen Campbell

Como bônus, uma das melhores canções de todos os tempos, que foi trilha sonora de Dirty Dancing em 1988, com Patrick Swayze arrasando na pista de dança:




quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Garoto encontra garoto [Resenha]

onde comprar: Submarino//Fnac//Americanas 

"Paul estuda numa escola nada convencional. Líderes de torcida andam de moto, a rainha do baile é uma quarterback drag-queen, e a aliança entre gays e héteros ajudou os garotos héteros a aprenderem a dançar. Paul conhece Noah, o cara dos seus sonhos, mas estraga tudo de forma espetacular. E agora precisa vencer alguns desafios antes de reconquistá-lo: ajudar seu melhor amigo a lidar com os pais ultrarreligiosos que desaprovam sua orientação sexual, lidar com o fato de a sua melhor amiga estar namorando o maior babaca da escola... Enfim, acreditar no amor o bastante para recuperar a confiança e o amor de Noah."

Esse livro é uma fofura só! Apesar de tratar de um tema delicado - homossexualismo -, ele consegue ser divertido e descomplicado. Paul é gay, já teve alguns relacionamentos, mas nenhum arrebatador, até que conhece Noah e se apaixona loucamente. Os dois vão se conhecendo aos poucos e construindo uma bonita relação, um romance digno de entrar para a história. O que facilita esse namoro é que, tanto a escola quanto a família de Paul têm a mente muito aberta e a sexualidade dos meninos é bem aceita e compreendida pela maioria das pessoas.

Paul tem um grupo de amigos muito singular, e cada um deles é importante num momento da estória: Infinite Darlene é uma transexual que joga no time de futebol americano, Tony, também é gay, mas ainda não se assumiu pois seus pais são muito religiosos e ele tem medo de não ser aceito pela família, Joni, a melhor amiga, está namorando um babaca chamado Chuck, e está deixando os amigos um pouco de lado, e Tony, ex namorado de Paul, que ainda não se decidiu se gosta de meninos ou meninas. Aliás, Tony é um dos responsáveis por separar Paul e Noah, numa tentativa desesperada de voltar com o ex.

Enquanto Paul tenta reconquistar Noah, ele tem que lidar com o afastamento de Joni, que agora só quer ficar com Chuck, os momentos de loucura de Infinite Darlene - que é um dos personagens mais marcantes que conheci recentemente - e apoiar o amigo Tony na decisão de assumir ou não sua homossexualidade para os pais. Além disso, ele é escalado para organizar um grande evento no colégio, que lhe consome o único tempo que ele teria para procurar Noah. Mas, numa jogada bastante inteligente ele envolve Noah nessa organização, e aproveita para ir se reaproximando do ex.

Tem muito romance nesse livro, mas não do tipo óbvio, que vemos em outras estórias; aqui é necessário que esse romance seja melhor trabalhado, para não afugentar os leitores despreparados, já que se trata de um relacionamento entre dois meninos. Algumas cenas entre Paul e Noah são de uma delicadeza tão grande que chega a emocionar. É um amor bonito e verdadeiro, que precisa ser respeitado.

O autor soube tratar muito bem nesse livro vários assuntos polêmicos, e integrá-los à estória naturalmente. David Levithan fala sobre preconceito, amor, família, aceitação, homossexualismo, violência, amizade, religião e tolerância, tudo junto, sem deixar a narrativa pesada. Há muitos momentos engraçados ao longo da estória, e o leitor vai rir muito com o humor inteligente de Paul. Mesmo com tantas sensações misturadas numa mesma trama, a leitura é descontraída e enriquecedora. É impossível terminar esse livro sem refletir sobre nossas próprias atitudes, como tratamos aqueles a nossa volta, e como nos relacionamos com família e amigos.

Em poucas páginas o autor conseguiu construir uma narrativa marcante, que diverte e faz pensar. Além de emocionar com tanto amor entre Paul e Noah. Livro mais que indicado para quem gosta de romance, daqueles que deixam um sorriso bobo no rosto do leitor.


Garoto encontra garoto
David Levithan
editora Galera Record
240 páginas
nota do Skoob: 4,1
nota do blog: 4,5


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Não li, mas ninguém precisa saber!







Queridos leitores, imaginem chegar numa roda de amigos e alguém começar a comentar sobre aquele livro que está na sua estante há tempos e vocês não conseguem ler. E pior, imaginem vocês fazerem a sua melhor cara de conteúdo e entrarem na discussão, como se fossem experts naquele livro. Isso é mais comum do que se imagina, e tenho que admitir que eu mesmo já fingi ter lido um clássico que não li.

Pensando nessa situação, analisei minhas atitudes, pesquisei e conversei com algumas pessoas que já passaram por algo parecido, e optaram por assumir conhecer um livro sem nunca tê-lo lido, e fiz uma pequena listinha com aqueles títulos que são comumente causadores dessa saia justa.



1. 1984, George Orwell: esse era a pedra no meu sapato! Durante muito tempo, inclusive na época da faculdade, ouvi comentários e fiquei à margem de discussões sobre o enredo, sem saber exatamente do que se tratava. Comecei a lê-lo uma vez, na época da primeira edição daquele reality show famoso do grande irmão, mas não consegui avançar, e por isso, toda vez que alguém falava dele comigo, eu fingia já ter lido. Recentemente isso foi corrigido e eu li o livro de verdade.







2. O apanhador no campo de centeio, J. D. Salinger: esse clássico da literatura mundial faz muita gente posar de intelectual,  e confesso que estou no grupo dos que ainda não o leram. Silvia, minha professora de literatura sempre elogiava essa obra, e até hoje estou procurando um tempo para conhecê-la.









3. Os sertões, Euclides da Cunha: acho que dá para contar nos dedos quem conseguiu chegar ao fim desse livro, mas tá cheio de gente por ai que não assume e jura que já leu. Talvez por querer garantir um certo status.










4. Crime e castigo, Fiódor Dostoiévski: admitam, só de saber pronunciar o nome do autor já dá uma alegria né, rs. Todo mundo gosta de dizer que já leu, mas a maioria só pegou um resumo ou uma resenha na internet para parecer mais inteligente. Eu tentei, mas a leitura não evoluiu, e desisti.










5. Orgulho e preconceito, Jane Austen: posso até não ter lido, mas vi o filme e é a mesma coisa, me dá bagagem para discutir a obra com qualquer pessoa. Ou não. Acho que muita gente tem esse mesmo pensamento, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, certo? O filme é bom, mas tenho certeza de que o livro é bem mais interessante. Estou lendo, depois conto para vocês o que achei.







Vejam bem, não quero criar polêmica com esse post, já que estou incluída na turma dos leitores fakes de obras clássicas, mas isso realmente acontece mais do que imaginamos. Não é vergonha pra ninguém não ter lido todos os livros do mundo, muito menos admitir que não o fez. Prometo que da próxima vez que alguém me perguntar, vou falar que não li e pronto. 




Quem sabe depois desse post eu não tente novamente encarar "Cem anos de solidão"?




Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Um pouquinho de...

"- Estou feliz de você ter me encontrado - diz Noah.
- Eu também.
Sinto vontade de flutuar, porque é simples assim. Ele está feliz que eu o encontrei. Eu estou feliz que o encontrei. Não temos medo de dizer isso. Estou tão acostumado com insinuações e mensagens contraditórias, com dizer coisas que podem significar mais ou menos o que querem dizer. Joguinhos e competições, papéis e rituais, falar em 12 línguas ao mesmo tempo para que as verdadeiras palavras não fiquem tão óbvias. Não estou acostumado com  a verdade direta e sincera.
Fico simplesmente impressionado.
Acho que Noah percebe isso. Ele está olhando para mim com um sorriso inteligente. As outras pessoas na fileira estão de pé e se acotovelando agora, esperando que nós dois saíamos para poderem chegar ao corredor e dar continuidade ao dia. Eu quero que o tempo pare."

(página 36)



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Lendo pela capa #1











Olá amigos! Vocês já analisaram um livro pela capa? Muita gente faz isso, e se apaixona ou pega ódio de determinado livro apenas vendo a composição da capa, a qualidade da ilustração, o tipo da fonte usada, o tamanho do título e por ai vai... Lá no Livrocast, os meninos têm um podcast chamado "Julgando pela capa", onde cada um deles escolhe um livro para ser analisado apenas pela capa, e dizem se vão ler ou não com base nas impressões que tiveram com esse julgamento.

Aqui quero fazer algo parecido, mas ao invés de julgar a capa do livro, vou falar daqueles que li só porque gostei da capa, aqueles que me conquistaram logo de cara, que me fisgaram apenas por terem um bom layout ou uma imagem bonita na capa. E também quero interagir com vocês e saber se já passaram por situação parecida.

Como isso vai ser Joana? Explico: se vocês já cairam de amores pela capa de um livro, mandem a foto pro meu Instagram, ou deixem o link nos comentários, e nos próximos posts eu vou incluir as histórias de vocês aqui.

Além das imagens enviadas por vocês leitores, também vou convidar alguns colegas e blogueiros para participar, assim, todo mundo vai ter a chance de indicar aquele livro com a capa linda, que nos conquistou à primeira vista.

Para começar, um livro que só li porque achei a capa uma fofura, e que tem sido bastante citado nos comentários aqui do blog:


"A probabilidade estatística do amor à primeira vista", de Jennifer E. Smith, tem essa capa linda, sugestiva, apaixonante, que me conquistou imediatamente (além do título, claro). Quando falamos de amor à primeira vista, nunca temos em mente um vestido de noiva, mas na imagem é isso que vemos, o que deixa a coisa um pouco intrigante. Se não bastasse isso, o possível noivo está bem informal, de tênis, e a composição toda da imagem nos faz pensar que os personagens são jovens. E para finalizar, tem esse avião voando entre nuvens e corações, que passam a ideia de uma viagem romântica e feliz. Será que é isso mesmo? Bom, eu já li, e não me decepcionei: o livro é tão apaixonante quanto a capa.

Agora é com vocês leitores, querem participar dessa coluna? Então enviem a foto das capas que chamaram a atenção de vocês assim, à primeira vista, mesmo que vocês ainda não tenham lido o livro. Cliquem aqui para acessar o Instagram e enviar suas imagens.

Espero vocês!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Projeto Leitura 2015

Olá leitores! Quem de vocês já participou de um Clube do Livro? Eu nunca, por isso eu e um grupo de blogueiros amigos nos juntamos e resolvemos criar um grupo de leitura, que vai rolar por todo o ano de 2015.


Para esse projeto, escolhemos quatro livros de um único autor, que serão lidos e resenhados por cada um dos blogueiros, e a cada 2 meses, vamos nos reunir e fazer um único post, com nossa opinião sobre a obra lida.

O autor escolhido foi ninguém menos que José Saramago, e os livros serão: Ensaio sobre a cegueira, As intermitências da morte, Caim e Ensaio sobre a lucidez, nessa ordem.




A primeira resenha está prevista para ser postada até o final de março, e as próximas, a cada dois meses. Conheçam os blogs participantes: 

- Enjoy the little things, com Guilherme Dias
- Biblioteca colorida, com Ana Venturelli
- Estante jovem, com Paulo Henrique
- Leitor cabuloso, com sua colunista Domenica Mendes
- Mais um trecho, com Carol P.
- e eu! rsrs

Assim que terminarmos as leituras, vocês verão o post conjunto aqui, para saber o que achamos de cada um dos livros lidos. Não deixem de acompanhar e visitar os blogs que estão no Projeto. Boas leituras a todos!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O irmão alemão [Resenha]


"Na São Paulo dos anos 60, o adolescente Francisco de Hollander, encontra uma carta escrita em alemão dentro de um dos livros da vasta biblioteca paterna. Em meio a porres, roubos recreativos de carros a livros empoeirados, surgem pistas que denotam uma missão de vida inteira. Ao tentar traçar o destino de seu irmão alemão, parece também estar em jogo o narrador ganhar o respeito do pai, que, apesar dos arroubos intelectuais de Francisco, tem mais afinidade com Domingos, seu outro filho, galanteador contumaz, leitor da Playboy e da Luluzainha, e sempre a par das novas sobre Brigite Bardot. A despeito das tentativas de mediação da mãe, Assunta - italiana doce e enérgica, justa e compreensiva -, a relação dos irmãos é quase feita só de silêncio, competição e ressentimento. Num decurso temporal que chega à Berlim dos dias presentes, e que tem no horror da ditadura militar brasileira e nos ecos do Holocausto seus centros de força, esse livro conduz o leitor por caminhos vertiginosos através dessa busca pela verdade e pelos afetos."

O aguardado livro de Chico Buarque que conta a existência de um irmão alemão que ele nunca conheceu, me surpreendeu mais pelo estilo narrativo do autor do que pelo enredo em si. Tudo se desenrola a partir de um fato verídico - o pai de Chico realmente teve um filho na Alemanha, antes de se casar com sua mãe - explorado de maneira ficcional, alternando acontecimentos que poderiam ser reais com devaneios poéticos que vão desde a grande biblioteca do pai até a violência do Golpe Militar e do Holocausto.

Para os bookaholics, o que mais chama a atenção num primeiro momento é o enorme acervo de livros do pai de Ciccio, personagem principal e narrador da estória; o jornalista Sérgio de Hollander é muito bem conceituado em seu meio, e todos sabem que ele é um leitor voraz, por isso, as editoras, os escritores, as lojas, todos lhe enviam inúmeros livros, que se acumulam pela casa, já não tendo mais espaço no escritório, e tomam conta de todas as paredes, desde os quartos até a cozinha. A responsável pela organização de tantos volumes é Assunta, mãe de Ciccio, e ele faz questão de frisar que, sem ela, nem mesmo o pai encontraria nenhum livro naquelas prateleiras.

Ciccio é bastante reservado, tem apenas um amigo, com quem comete pequenos delitos durante a adolescência, quase não fala com o irmão, de quem herda só as ex-namoradas, e tem uma enorme vontade de se aproximar mais do pai, acreditando que se dariam bem por compartilharem o gosto pela literatura, mas o pai prefere se abrir com o irmão em longas conversas e não com ele.

Um dia Ciccio está mexendo em alguns livros do escritório quando encontra uma carta escrita em alemão, endereçada ao pai. Quando ele consegue traduzi-la, descobre que a carta fala sobre um filho que seu pai teria tido com uma jovem alemã no período em que morou naquele país. A partir daí começa a sua busca por informações a respeito desse meio irmão, e o seu desejo de conhecê-lo. Remexendo em mais livros ele acha uma foto da moça grávida, com seu pai bem mais jovem a seu lado, mas não se sente a vontade para perguntar a ele qualquer coisa sobre o assunto, muito menos para a mãe, com medo de fazê-la sofrer.

Ciccio faz algumas pesquisas e descobre um maestro que mora no Brasil e que poderia saber alguma coisa sobre o paradeiro do irmão alemão, mas o contato com ele é muito difícil, e a busca vai se complicando cada vez mais. O maior medo de Ciccio é que esse seu irmão tenha sido vítima do Holocausto e tenha morrido em algum campo de concentração, sem nunca ter sido identificado.

Enquanto isso, começa a ditadura no Brasil, e seu irmão, Mimmo, acaba desaparecendo, fato que cai como uma bomba na família, deixando seus pais numa tristeza profunda. Hora Ciccio consola a mãe, que está arrasada com a falta de notícias a respeito do irmão, hora ele busca por mais evidências da existência de Sérgio Ernst, o irmão alemão, mas em ambas as situações o que se depreende é que Ciccio não passa de um jovem inseguro e carente, que busca a todo custo ganhar mais carinho e atenção de seu pai, para que tenha mais confiança em si mesmo. Em alguns momentos o autor alterna o tempo presente da narrativa com uma imaginação do narrador, sonhando com como seria o desenrolar dos fatos se ele realmente ficasse frente a frente com o irmão, ou se tivesse oportunidade - ou talvez coragem - de quebrar a barreira que existe em seu relacionamento com o pai.

A narrativa pode ficar um pouco arrastada em alguns momentos, mas não entedia. Isso se dá pelo fato de os parágrafos serem muito extensos, e, para alguns leitores, pode haver uma perda no ritmo. O estilo de Chico aqui está mais para Saramago do que para Marcelo Rubens Paiva, com o emprego de palavras pouco usadas pelo grande público, e as frases têm uma construção mais formal, dando um ar mais intelectual à narrativa. Pode parecer que estou desmerecendo a obra, mas pelo contrário, estou elogiando: para quem reclama que alguns chick-lits da vida têm um vocabulário muito simples e pobre, essa é uma boa opção de leitura mais densa, que faz pensar.

Em resumo, se Ciccio encontra ou não o irmão alemão é mero detalhe, a estória toda é envolvente e tem inúmeros acontecimentos paralelos à essa busca muito interessantes, que vão nos dando uma ideia de como era viver na época da ditadura, e como seria interessante ter uma biblioteca tão bem servida quanto a de Sérgio Hollander.


O irmão alemão
Chico Buarque
editora Cia. das Letras
240 páginas
nota do Skoob: 3,9
nota do blog: 3,9



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Fala, Rafa! - Fluxo Criativo



- Ora, quero um talento.
- Então escreva.
- Vou procurar no pote de azeite, ou sera que está congelado no freezer?
- Deixe o gelo quente. Escreva!
- Ô subconsciente estou peguntando, chega de afirmações.
- Talvez alguém na rua poderia me ajudar a encontrá-lo.
- Busca o seu caminho, Escreva!
- Nem que o meu talento esteja destinado a tacar estrelas no mar, quero mesmo assim, me conte.
- Mergulhe de cabeça na imaginação. Escreva!
- Tentei calcular algumas teorias e não consegui. Será que é por que os números sabem aonde ele está escondido?
- Você pode criar um gênio. Escreva!
- Plantei árvores e elas não floresceram.
- Invente um jardim. Escreva!
- Poderia virar astronauta mas não quero só pisar na lua.
- Pegue a lua na mão. Escreva!
- Gostaria de fazer a diferença no mundo.
- Pense em vários outros mundos, cuide deles. Escreva!
- Querido subconsciente?
- Essscre...
- JÁ ESTOU ESCREVENDO!
- Agora lembre-se: não importa o que e nem como, desde que o seu feito traga o bem como efeito, continue, o resto é asneira.


                         
Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde posta todos os seus textos.
@Rafaela Peres

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O que eu li em janeiro


Ah janeiro! Mês tão aguardado, mas que passou tão rápido! Minhas leituras foram interessantes, e vou mudar um pouquinho a maneira de fazer esse resumo para vocês, só mostrando as capas dos livros e os links para as resenhas, quando houver, sem a sinopse do livro, que já está na resenha. Confiram:


Anexos, resenha aqui; Bela distração, resenha aqui; Kitty, resenha aqui.


Perdida, resenha em breve, e Não olhe para trás, resenha aqui.

E como já comentei com vocês num post anterior, estou participando do Reading Challenge 2015, criado pelo blog Mari The Reader (o banner está na lateral do blog), e esses livros já entraram em algumas categorias do desafio:

- um livro com uma única palavra no título: Anexos
- um livro com triângulo amoroso: Bela distração
- um livro com personagens não-humanos: Kitty
- o primeiro livro de um autor popular: Perdida
- um livro escrito por uma mulher: Não olhe para trás

Portanto, ainda faltam 45 livros para fechar esse desafio, que podem ser lidos e qualquer ordem. A lista ficou assim:


Conforme for avançando, vou atualizando a lista por aqui.

Agora me contem um pouco sobre a evolução da meta de leitura de vocês, ou sobre algum livro que vocês estejam lendo que se encaixe em alguma categoria do desafio. E o que acharam do novo formato desse post? Preferem com ou sem as sinopses dos livros?

Mês que vem eu volto com mais um resumo ;)


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Um pouquinho de...

"Não seria por mim que ele tomaria conhecimento do meu romance, muito menos com a trama que tenho em mente, ainda que as personagens reais figurem com nomes trocados ou referidos pelas iniciais. Só não posso impedir que um dia o receba como cortesia da editora, e o abra incrédulo, e o comece a ler de mau humor, e contra a vontade se deixe arrebatar pela narrativa que o remete a episódios perdidos na memória, quem sabe de um  livro vagamente alemão que Assunta não terá meios de encontrar nas estantes. E que ele se aflija sobremodo, porque sua memória literária sempre foi mais brilhante que a da própria existência, e talvez não tenha mais tempo de vida para reler sua biblioteca inteira. E que então me chame ao escritório e tussa duas vezes e indague em tom de voz ameaçador, entrecortado por falsetes suplicantes, o título do livro do qual copiei o meu. E que eu ria alto, aponte minha cabeça e diga: da minha Mangokopf, com base em fatos verídicos levantados à custa de anos de pesquisa."

(página 150, capítulo 13)




Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen