sábado, 28 de fevereiro de 2015

Cinquenta tons de cinza [Releitura]


"Quando a estudante de literatura Anastasia Steele entrevista o jovem bilionário Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingênua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que o deseja e que, a despeito da enigmática reserva de Grey, está desesperadamente atraída por ele. Incapaz de resistir à beleza discreta, à timidez e ao espírito independente de Ana, Christian admite que também a deseja - mas em seus próprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferências de Grey, Ana hesita. Por trás da fachada de sucesso - os negócios multinacionais, a vasta fortuna, a amada família, ele é um homem atormentado por demônios do passado e consumido pela necessidade de controle. Ao embracar num apaixonado e sensual caso de amor, Ana não só descobre mais sobre seus próprios desejos, mas também sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos."

Então, antes de assistir ao filme, resolvi reler o livro, e tive a mesma sensação que na primeira leitura: a essência de Cinquenta tons de cinza é o romance entre Grey e Ana. Apesar de a maioria das pessoas só falarem sobre as cenas de sexo e as práticas estranha do bilionário bonitão, não é só isso que rege a narrativa.

Ainda acho que Anastasia é muito sonsa, consegue até superar Bella Swan, e que a linguagem usada no livro é bem simples - além das intermináveis repetições de frases e expressões (vide o post "Cinquenta tons de repetição") - mas que tudo isso contribui para a construção do personagem Christian Grey, que não passa de um homem que teve uma infãncia prejudicada pelo abuso da mãe, uma adolescência conturbada, sendo dominado pela amiga da mãe adotiva, que conseguiu se dar muito bem no mundo dos negócios, mas ainda não conseguiu se encontrar como pessoa. Para começar a se conhecer de verdade e se abrir para outra pessoa, foi necessário encontrar a inocência exagerada de Ana.

Enquanto Anastasia tenta se aproximar de Grey e quebrar essa barreira que ele mesmo se impôs, ela própria vai se descobrindo, conhecendo sensações e desejos que ela ainda não tinha experimentado. Claro que, se formos comparar com a vida real, nenhuma menina virgem aceita com tanta facilidade ser submissa a alguém e se submeter às práticas BDSM do dominador, mas aqui é ficção, então, aceitem. O universo Star Wars também não existe, e ninguém fica comparando com a realidade. Me odeiem.

Christian Grey é muito controlador, e isso é bastante difícil de aceitar, mas a personagem Ana foi criada como uma menina tão fora da realidade, tão inexperiente em relacionamento humano, que sua inocência a ajuda a compreender por quê ele age assim, tornando mais fácil a convivência dos dois. Ainda assim, ela deixa claro em alguns momentos que as atitudes dele não são normais, e que ela precisa de espaço e privacidade às vezes. Essa é uma das causas de conflitos entre eles.

Além do problema com controle, Ana não consegue entender os motivos de Christian para gostar de lhe aplicar castigos físicos quando considera que ela fez algo que ele desaprova, como o simples ato de revirar os olhos quando ele fala alguma coisa. É bem idiota a reação dele, mas foi a forma que a autora achou de mostrar que, dentro da relação maluca do casal, umas palmadas na bunda podem levá-los a sentir algum prazer. Mas quando Ana desafia o limite de Christian é pede para ver até onde ele iria para machucá-la, e ele mostra, ela se revolta e vai embora, deixando-o desolado, pois ele já estava apaixonado por ela, só não sabia ainda.

No próximo livro veremos o desenrolar desse afastamento e a solução que eles encontram para balancear o romance e o sexo ao estilo Grey. As resenhas de Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade podem ser lidas clicando aqui e aqui. E a minha primeira resenha de Cinquenta tons de cinza pode ser acessada por aqui.

O livro continua sendo encantador para mim, que sou louca por romance, a única diferença é que aqui existe a pegada sexual para apimentar a estória. Mesmo gostando das cenas mais quentes, eu ainda prefiro manter meu foco no relacionamento entre Christian e Ana, e desfrutar dos momentos divertidos e românticos que eles vivem. Talvez algumas pessoas não entendam isso, ou não conheçam esse lado da estória, por isso ouvimos tantas críticas ao livro. Mas eu adoro e não tenho vergonha de admitir. No fim das contas, Christian Grey não passa de um príncipe encantado super moderno e rico, que tem gostos peculiares - que a maioria não entenderia.


Cinquenta tons de cinza
E. L. James
editora Intrínseca
480 páginas
nota do Skoob: 3,6
nota do blog: 4,6



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

16 comentários:

  1. Concordo inteiramente com vc!
    Na verdade, a pegada hot que o povo tanto crítica, é a coisa mais normal, já que hoje em dia, as pessoas mal se conhecem e já estão se pegando. kkkkkkk
    eu gostei mto do livro, mas acho que não relerei, por isso dei o meu pra uma amiga. De qualquer forma, se um dia querer mesmo reler, daí eu compro outro, aqui perto da minha city tem sempre em promo kkkkkkkkkkkk
    Eu amei o romance dele, mas confesso que as cenas hots são pesadas mesmo. É difícil entender como alguém consegue apanhar sem reclamar, agora bater para sentir-se bem, como ele faz, até entendo, porque ele já passou por muitos traumas, acho que é uma forma de ele se livrar de todo aquele pesadelo do passado! Beijos, Ana.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É vdd Ana, se a gente sair na noite consegue encontrar coisas mais 'cabeludas' do que as descritas pela autora nesse livro. O problema é que se falou demais sobre ele, e criou-se essa grande expectativa sobre as cenas de sexo, mas tudo não passou de propaganda exagerada.
      Bjos!

      Excluir
  2. Joana!
    O livro realmente é um romance, porém com um hot mais pesado BDSM, o que para quem leu o livro, entende as razões da dominação de Grey e acredito que pelo mesmo fato, Ana tem que ser inocente, embora ela seja um tanto sonsa mesmo, porque se permite participar das necessidades de seu amado e no final, de santinha ela nada tem.
    E tem outra... no primeiro livro até podemos nos 'chocar1 um pouco, entretanto no decorrer da série, a percepção do quanto Grey tenta mudar é linda, tudo pelo amo que sente por Ana e se isso não for romance, nem sei mais o que pode ser...
    E o final de semana chegou , desejo muita luz e paz!
    Cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É isso mesmo Rudynalva, tem que ler para entender os motivos de cada personagem agir como age. Mas, como se trata de um grande sucesso, muita gente fala apenas por falar. Eu gosto do romance, tenho consciência de que existem outros tantos livros melhores no mercado, mas não sou obrigada a ler só o que as pessoas dizem que é bom. Nem ligo para as críticas, rsrsrs.
      Bjos!

      Excluir
  3. Ainda não li o livro, mas já vi algumas resenhas e acompanhei a treta toda no facebook rs então o que acho é o seguinte: o livro não é tão bem construído quanto deveria ser. Posso estar enganada, mas acho que se houvesse uma maior pesquisa e melhor construção dos personagens, o livro seria melhor e também o filme. Mas enfim, adorei saber a sua opinião sobre a obra!
    Beijos!

    www.resenhandoaarte.blogspot.com/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aliscia, meu conselho é: se quiser realmente saber como o livro é construído, seria legal lê-lo. Mesmo que muita gente fale mal, e outras elogiem, é sempre bom ter a nossa própria visão da estória. E se vc gosta de romance, é tranquilo ultrapassar essa barreira criada pelas críticas que dizem que o livro não é bom. Tem uma história de amor muito bonita por trás das das cenas de sexo.
      Bjos!

      Excluir
  4. Oi Jo,
    Não sei se pelo sucesso que fez quando lançou, mas não me empolguei para ler. De qualquer forma, gostei da sua "definição" do Grey.
    Beijocas ^^

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Larissa!
      Isso acontece comigo às vezes: se todo mundo tá falando sobre algo, eu prefiro esperar a poeira baixar para conhecer.
      Obrigada pela visita.
      Bjos!

      Excluir
  5. Li esse livro pela primeira vez mês passado (não quis ler qdo todo mundo só falava dele, esperei deixar passar e não me envolver com todo falatório) e não entendi o porquê de tanto alarde. Achei até fraca as passagens de sado que o livro trás. Pelo rebuliço que foi feito achei que essas cenas seriam mais fortes. Também achei que o principal do livro é o romance entre as personagens, fiquei focada em descobrir o porquê do Christian ser do jeito que é.
    Gostei muito do livro, mas não achei que é digno de tanto alarde.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é Amália, é muito alarde para pouco escândalo no livro, rsrsrs. Tem livro do Sidney Sheldon bem mais picante que esse, mas a galera gosta de criticar né, fazer o que, rsrs.
      Bjos!

      Excluir
  6. Não li essa história, mas exalto a ousadia e a audácia da autora em tratar de um tema polêmico e ousado, diria até que incomum na literatura em geral. Diz o escritor Vitor Hugo que o poeta deve saber pintar o grotesco e o sublime e me incomoda a opinião de pessoas que ainda tem aversão a temas polêmicos e ousados como os desse livro - talvez esse seja o motivo de tantas críticas a essa obra tão lida e apreciada.
    Beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Adorei a citação de Vitor Hugo!
      As pessoas têm a tendência de criticar o q não conhecem, e isso sempre gera polêmica. Ainda mais qdo se trata de sexo. Mas eu não ligo para as criticas, rsrs.
      Bjos!

      Excluir
  7. Joe, eu até tentei, mas vc me conhece... não deu.
    não tenho mais nada a declarar.
    um beijo! hahaha

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sei Carol, cada um tem um gosto né, ninguém é obrigado a gostar de alguma coisa só pq tá na moda, rsrsrs.
      Bjos!

      Excluir
  8. Jo, confesso que tinha uma visão totalmente diferente e um certo preconceito em relação a este livro. Mas resolvi ler cinquenta tons pq estava cansada de ouvir críticas e diferentes pessoas que só assistiram o filme e mal conhecem a história. Adorei o livro e concordo com muita coisa que disse, principalmente sobre Anastacia Steele, tão ingenua mas ao mesmo tempo tão burra. Houve partes do livro que fiquei com muita raiva dela, mas enfim.... estou ansiosa para ler os outros livros da trilogia, e vamos ver o desenrolar do romance :))

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Day, vc tem a opinião parecida com a minha, e o legal foi vc querer conhecer a estória para depois criticar. Sei como vc se sentiu durante a leitura, e me lembrei de como eu mesma fiquei na época q li. Se pudéssemos tirar a Ana e deixar só o Grey, td seria perfeito. O Sr. Maníaco por Controle, CEO com a mão coçando é inesquecível.
      #imaginaamanhã

      Excluir

Olá! Que bom ter você por aqui!
Fico feliz em receber seu comentário, crítica ou sugestão. Pode falar a vontade, esse espaço é seu. Acompanhe a resposta ao seu comentário clicando em "Notifique-me".
Obrigada pela visita!