segunda-feira, 30 de março de 2015

Um pouquinho de...

"A ideia é boa, experimentemos, e todos estiveram de acordo, que sim, que era uma boa ideia, só a rapariga dos óculos escuros não pronunciou palavra sobre esta questão de enxada ou pá, todo o seu falar, por enquanto, eram lágrimas e lamentos, A culpa foi minha, chorava ela, e era verdade, não se podia negar, mas também é certo, se isso lhe serve de consolação, que se antes de cada acto nosso nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar  nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a nos mover de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar."


(páginas 83/84)








Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

sábado, 28 de março de 2015

Momento HQ - Astronauta, Magnetar

Mais uma semana regada a Graphic Novels Turma da Mônica. Hoje é dia de viajar pela estratosfera, romper a barreira magnética da lua e conferir o que há de novo no plano astral do Astronauta.




Talvez essa seja a mais aclamada saga dos personagens de Maurício de Souza, onde o nosso velho amigo Astronauta percorre galáxia após galáxia deixando sua marca, que foi entregue a Danilo Beyruth para moldar a vida no espaço de acordo com sua visão.

A estória começa com uma lembrança dos tempos de garoto do personagem, quando passava as férias na fazenda de seu avô, um lugar humilde onde o contato com a natureza era revigorante. Astronauta percebe que, apesar de ter uma vida confortável na fazenda, o avô tinha uma grande curiosidade para saber o que havia além daquilo, e ensinou seu neto a se arriscar.

Nos dias de hoje, Astronauta está a procura de um efeito chamado Magnetar, que, em uma super síntese, ocorre no estágio final de uma estrela de nêutrons. É como uma massa de energia comprimida capaz de causar um terremoto estelar. Faz a bomba Tsar parecer uma bombinha que crianças compram em quermesses.


Estrela de Neutrons em formação. O Magnetar é a explosão dessa estrela, que contém energia de milhões de supernovas. O poder destrutivo dos magnetares é incalculável.

Nosso herói encontra esse fenômeno e pousa num dos asteroides que formam o anel magnético em torno do Magnetar. Acontece uma interferência em seu computador devido ao magnetismo, então, depois de plantar todo seu equipamento de estudo e conseguir estabelecer contato, o computador avisa que esse local está prestes a sofrer uma descarga mortal. O tempo passa a correr contra o Astronauta, que precisa salvar a si e a sua nave, único meio de sair dali. Porém, os segundos passam rápido demais e um dos destroços lançado pela fúria do magnetar atinge uma parte da nave.

Agora a missão é descobrir uma maneira de sair dali, e também como sobreviver enquanto estiver preso no asteroide. Então, como um naufrago, ele sai em busca de água, comida, ferramentas, e descobre uma maneira de seguir uma rotina. Mas como o passar dos dias, essa rotina se torna desgastante, e seu psicológico passa a ser um inimigo a ser enfrentado.

Astronauta lembra de sua infância, dos motivos pela qual escolheu essa profissão, começa a ouvir vozes e a procurar intrusos que supostamente estão acabando com a sua comida. Com a saúde mental afetada, nosso heroi intergaláctico precisará de mais que sorte para sair dessa enrascada.

Sinceramente, eu não consigo escolher minha MSP preferida, mas em inúmeros lugares eu li que essa estória é, sem sobra de dúvidas, a melhor Graphic Novel da Turma da Mônica. Danilo Beyruth surpreendeu com os traços, cores e com o roteiro dos quadrinhos. Confesso que vi aqui uma incrível semelhança com o Tintim.





































A forma intensa com que a estória prende o leitor é incrível. O momento em que o personagem entra numa prática diária constante, faz o leitor entender exatamente o porquê dele perder a razão. Então você se vê naquele mesmo lugar, com os mesmos problemas e tenta arrumar a sua própria saída. Imagina se o mesmo poderia acontecer com você e passa a pensar se realmente isso já não está acontecendo.

Esta pode não ser a melhor HQ dentre as Graphic MSP, mas com certeza é a que você vai ler com mais ferocidade, e ela vai fazer cada leitor pensar em sua rotina, refletir sobre sua vida. Poderíamos até chamá-la de HQ terapêutico.

Então, saia da rotina, pegue um ônibus espacial, quebre a atmosfera, aterrisse no asteroide mais longe possível de seus problemas e ajude o Astronauta a recuperar sua sanidade.

















João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sexta-feira, 27 de março de 2015

Cheiro de livro novo #23

Parece que faz séculos que não venho mostrar minhas novidades aqui para vocês. E na verdade, faz mesmo! A última postagem com livros novos foi em outubro!!! E de lá para cá, tanta coisa boa ganhou espaço na minha estante que fica até difícil colocar tudo nesse post.




quinta-feira, 26 de março de 2015

Sem esperança [Resenha]


onde comprar: Saraiva//Americanas 


ATENÇÃO: Se você ainda não leu "Um caso perdido", pode ser que essa resenha seja um grande spoiler de toda a estória, então tome cuidado, leia por sua conta e risco. 

"Assombrado pela culpa e pelo remorso por não conseguir salvar Hope nem Less, Holder desenvolveu uma personalidade agressiva. Mas, quando finalmente se depara com Hope depois de tantos anos, não poderia imaginar que o sofrimento seria ainda maior após esse reencontro. Em 'Sem esperança', Holder revela como os acontecimentos da infância de Hope, que agora se chama Sky, afetaram sua vida e sua família, fazendo-o buscar a própria redenção na possibilidade de salvá-la. Mas é apenas amando Sky que ele finalmente será capaz de começar a se reconciliar com si mesmo."

Depois de conhecermos os dramas de Sky em "Um caso perdido" (resenha aqui), agora podemos saber  exatamente a visão de Holder para tudo: como ele se sentiu quando a amiga Hope desapareceu, e as consequências que essa perda teve em todos os momentos de sua vida.

Holder conta alguns detalhes do relacionamento com sua irmã gêmea, Less, além de falar bastante sobre o suicídio dela, e como ele e a mãe tentam continuar vivendo depois dessa tragédia. Como gêmeos, eles eram muito ligados, e Holder sente demais a ausência da irmã: ele teve a infelicidade de encontrá-la morta, e talvez por isso ele sofra ainda mais com a morte dela. Para tentar aplacar um pouco a saudade e até colocar pra fora todos os sentimentos que tomaram conta dele, Holder passa a escrever num diário algumas cartas para Less, narrando os acontecimentos do seu dia a dia, e até questionando as razões que levaram a garota a tirar a própria vida.

Em meio a todos esses problemas, Holder acaba perdendo a cabeça no colégio, e bate num garoto que falou mal de sua irmã. Ele exagera um pouco na surra e acaba sendo preso por agressão. Holder é solto rapidamente, e decide ir morar por um tempo com seu pai, longe de tudo aquilo que o tem feito sofrer. Quando ele retorna para tentar retomar sua vida com mais tranquilidade, acaba dando de cara com uma pessoa idêntica a Hope.

O choque de ver na sua frente a amiga que ele vinha procurando por toda a vida deixa Holder sem saber como agir, e pior: todos os caminhos parecem levar a ela. Eles voltam a se encontrar casualmente e nasce uma atração entre eles que fica difícil de conter.

Depois disso, o livro praticamente repete a estória de "Um caso perdido", apenas acrescentando a visão de Holder para os momentos em que ele está sozinho com Sky, e essas são as melhores partes: é muito interessante conhecer o outro lado da estória, entender porque ele agia de determinada maneira antes de ficarem juntos de verdade, e como o amor foi tomando conta do coração dele, se sobrepondo ao sofrimento.

Talvez não fosse necessário escrever essa estória, mas já que Colleen Hoover o fez, todos nós ficamos muito gratos por poder ver os conflitos e as soluções por outra perspectiva, e saber que todos os sentimentos envolvidos na relação Holder-Sky eram mútuos: ambos amaram, sofreram, amadureceram e se encontraram como indivíduo. A partir da resolução do grande mistério do desaparecimento de Hope e da compreensão dos motivos que levaram a irmã a se matar, Holder pode viver plenamente sua vida, e ser feliz ao lado daquela que parece ter nascido para ele.

Esse é mais um xodó para os fãs da escrita de Hoover, e com certeza está entre os preferidos de quem gosta de um bom romance com uma pitada grande de sofrimento. Além do mais, Sky e Holder protagonizam a cena de beijo mais bonita de todos os tempos!

Não leu o primeiro livro? Não tem problema; dá para compreender bem a estória apenas com essa leitura. Claro que a experiência será mais prazerosa se você já tiver lido "Um caso perdido", mas isso não impede que você conheça esse bonito caso de amor a partir daqui.


Sem esperança
Colleen Hoover
editora Galera Record
320 páginas
nota do Skoob: 4.6
nota do blog: 4.7



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 25 de março de 2015

segunda-feira, 23 de março de 2015

Um pouquinho de...

"- Tem mesmo que ser do Radiohead?
- Qual é o probelma com o Radiohead? - perguntou Hayden, mas eu sabia o que ele iria dizer. Já havíamos tido essa mesma discussão milhões de vezes.
- Algumas músicas deles são boas - eu disse. - Mas, sério, o que os diferencia do Coldplay? Caras brancos e ingleses que frequentaram universidades caras e que provavelmente são inteligentes demais para o seu próprio bem. Só que as garotas acham o Chris Martin gato e o Thom Yorke esquisito, por isso o Coldplay vende zilhões de álbuns e o Radiohead atinge geeks como a gente. Alguma coisa nessa história não me soa bem."

(página 15, capítulo 1)




nota pessoal: eu não gosto do Radiohead e adoro o Coldplay, e não tem nada a ver com aparência dos vocalistas (apesar do Thom Yorke ser mesmo esquisito, rsrs), mas sim, com o estilo das músicas de cada banda. Prefiro o romance do Coldplay à melancolia do Radiohead, por isso, achei o quote interessante.



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

domingo, 22 de março de 2015

O que eu achei de: A playlist de Hayden

Mais uma vez a Novo Conceito nos enviou a degustação de um lançamento próximo, o intrigante livro A playlist de Hayden, de Michelle Falkoff, que será lançado em abril.




De cara já posso dizer que esse é o tipo de estória que eu sempre quis escrever. Cada capítulo tem uma música no título que combina com o conteúdo dessa parte da narrativa. Achei a ideia brilhante.

Além da parte musical, a trama em si é muito envolvente: eu estou morrendo de curiosidade para saber o que a playlist vai revelar a Sam, e mais, qual o mistério por trás do enigmático jogador de Mage Warfare, o Arquimago_Ged.

A estória gira basicamente em torno do suicídio de Hayden, que era o único amigo de Sam: ambos tinham dificuldade em se relacionar com outros adolescentes, não tinham outros amigos na escola, e sofriam bullying. Talvez esse tenha sido o motivo maior para que Hayden se matasse, mas pelos 8 capítulos lidos, ainda não dá para ter certeza.

Ambos os personagens são nerds típicos, e isso fica bem claro logo no início, quando Sam comenta sobre o lençol de Star Wars do amigo. Eles vivem numa loja no shopping que só pelo nome já mostra que é dedicada aos assuntos preferidos dos nerds: Companhia de Comércio Intergaláctica. Ali era praticamente o refúdio dos meninos, já que nenhum valentão da escolha requentava aquele lugar.

Quando Sam encontrou o corpo de Hayden, também descobriu que o amigo tinha lhe deixado um pendrive com músicas, e um bilhete que dizia simplesmente: Para Sam. Ouça. Você vai entender. Bastante perturbador e ao mesmo tempo curioso. Se não bastasse todo o sofrimento de perder o melhor amigo, Sam ainda passa dias e dias ouvindo aquelas músicas e tentando decifrar a mensagem que Hayden tentava lhe passar.




Se isso ainda não deixou a narrativa interessante para você, some a toda essa confusão a aparição de uma garota bastante singular, que diz também ser amiga de Hayden, mas cuja a existência ele nunca tinha citado. E pior, Sam parece gostar dela.

O livro tem todos os elementos necessários para prender o leitor e se tornar a leitura da vida de muita gente. Na contracapa existe uma informação de que o livro contém mistério, drama e amor. Na minha opinião, essas palavras deveriam vir em forma de alerta em letras imensas nas primeiras páginas. Só assim seria possível se preparar para o que pode acontecer com Sam ao longo de sua busca por respostas.



Esse é mais um daqueles livros que vai furar a fila de leitura assim que possível, pois eu não vejo a hora de descobrir quais as outras músicas que vão revelar a Sam as os motivos para o suicídio de Hayden e se seu amigo era realmente quem ele pensava que era. Pois como diz o subtítulo do livro, você nunca conhece uma pessoa até ouvir o que ela gosta.



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sábado, 21 de março de 2015

Momento HQ - Piteco, Ingá

Seguindo com a série de Graphic Novels Turma da Mônica, hoje vamos falar da história do pré-histórico Piteco.



O responsável por dar uma vida nova ao personagem de Maurício de Souza foi o talentoso Shiko, que teve a brilhante ideia de misturar sua origem nordestina dentro do contexto dessa estória em quadrinhos.



O título “Ingá” se refere a uma grande pedra que existe na cidade de Ingá, interior da Paraíba, que foi esculpida há aproximadamente seis mil anos, um dos maiores monumentos arqueológicos do mundo. Usando esse toque de história e cultura nacional, Shiko mostrou nos quadrinhos os mesmos desenhos rupestres que podemos encontrar na pedra real. Existem milhares de controvérsias e teorias sobre os autores das inscrições, mas esse é um assunto para outro post. Vamos a mais sensacional estória da coleção Graphic MSP.

O quadrinho começa com Thuga como narradora. Ela conta como os antepassados viviam em comunhão com os três povos – Homens-Tigre; vivem da caça nas matas, Povo de Ur; vivem nas árvores e Povo de Lem; vivem do plantio – e como foram separados e passaram a viver cada qual em uma parte da terra.
























Mas o rio que banha e rega o povo de Lem está secando. Os anciões do povo de Piteco decidem migrar para o outro lado da terra, em busca de um lugar prometido pelos antepassados, mas Thuga vê que é necessário um sacrifício e, no silêncio da madrugada, ela se entrega como oferenda para que os bons tempos voltem ao seu povoado.

Ao saber disso, Piteco, Beleléu e a guerreira Ogra saem em busca de Thuga, passando por lugares místicos e perigosos. O futuro do Povo de Lem está em risco e o sacrifício de Thuga pode não ser o suficiente.

Ao contrario de Turma da Mônica – Laços, essa estória não remete em nada ao original de Maurício de Souza. Shiko adicionou magias, encantos e misticismo sem nenhuma dosagem controlada, direcionando a HQ para o público jovem-adulto. Inclusive, os traços remetem a um Piteco caçador, que não teme nada em um mundo de monstros a serem enfrentados.




















Peçam uma porção de brontossauro à passarinho e comecem a ler essa estória antes que a seca chegue. Ops... não, espera...



João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

sexta-feira, 20 de março de 2015

A música do silêncio [Resenha]

onde comprar: Submarino//Fnac//Americanas 

"Debaixo da Universidade, bem lá no fundo, há um lugar escuro. Poucas pessoas sabem de sua existência, uma rede descontínua de antigas passagens e cômodos abandonados. Ali, bem no meio desse local esquecido, situado no coração dos Subterrâneos, vive uma jovem. Seu nome é Auri, e ela é cheia de mistérios. Esse livro é um recorte breve e agridoce de sua vida, uma pequena aventura só dela. Ao mesmo tempo alegre e inquietante, esta estória nos oferece a oportunidade de enxergar o mundo pelos olhos de Auri. E nos dá a chance de conhecer algumas coisas que só ela sabe..."


Tive problemas com esse livro. Só 140 páginas, ele me consumiu mais de uma semana. O começo foi estranho, a leitura não engrenava, e muitas vezes tive vontade de desistir. Mas por se tratar da estória de um dos personagens mais intrigantes de "As cronicas do matador do rei", de Patrick Rothfuss - autor no qual eu confio plenamente para construir uma trama intrigante - eu insisti, e o final foi feliz.

Auri é uma personagem que na verdade não me chamou muito a atenção no primeiro livro da trilogia de Kvothe, mas que de repente ganhou uma grandeza e um lirismo interessante, que me fizeram gostar mais dela. Aqui o autor se dedicou a nos contar com mais detalhes como é o mundo sob a sua perspectiva, cheia de inocência e bondade, o que a tornou quase uma poesia, ou, como o próprio título do livro diz, uma música - mas que soa em silêncio.

Ela vive nos subterrâneos da Universidade, e só se mostra para Kvothe, com quem ela acaba por firmar uma bonita amizade. Nesse livro ele não aparece realmente, mas sua essência está presente em diversos momentos da narrativa, quando Auri menciona delicadamente sua proximidade.

Com seu jeito lúdico de ver as coisas, Auri vai levando uma vida solitária, e isso talvez seja uma das coisas que não ajudam a engrenar a leitura: não há diálogos ao longo da narrativa, ou interação com outro personagem (leia-se pessoa, já que Auri interage com coisas), tampouco momentos de grande ação e reviravoltas. Depois de mais da metade do livro, a estória começa a encantar, e dá vontade de voltar a ler de novo desde o inicio para entender como ela não nos agarra já no primeiro parágrafo.

Enquanto Auri narra os acontecimentos de sua vida ao longo de 7 dias, percebemos que aquele universo, que lá fora é tão cheio de maldade, disputas desleais e trapaças, não tem espaço ali em seu cantinho, e ela não se deixa abalar pelas mazelas vividas pelas pessoas comuns. Auri vê beleza em pequenas coisas, se atenta a detalhes mínimos, e é isso que a faz feliz.

O que mais me chamou a atenção na estória é a capacidade que Auri tem de dar vida a objetos inanimados, conferir-lhes sentimentos e vontades, e satisfazê-los, para sua satisfação pessoal. Talvez seja um pouco complicado explicar, mas ela se sente feliz ao final do dia quando revê tudo o que fez e sente que cada coisa está em seu lugar. O uso da prosopopeia em grande parte das ações de Auri confere a ela um ar totalmente poético, capaz de encantar o leitor mais distante e que, como eu, pode ter dificuldades para entrar no clima da estória.

"Em seguida, buscou o grande pilão de pedra lá onde ele se acocorava, todo furtivo e espreitante, na Casa da Trevas."

"A umidade estava em toda parte. O cheiro de podre. A areia grossa sob seus pés. O jeito de as paredes lançarem olhares mal-intencionados."

No final do livro e já apaixonada por Auri percebi a delicadeza na escrita de Rothfuss e o carinho com que ele tratou essa personagem singular. Apesar de ser difícil a ambientação no início da leitura, a estória conquista lentamente, página após página, transportando o leitor para o universo de Auri, nos permitindo entender sua gentileza para com tudo ao seu redor e a sutileza com que resolve seus problemas.

Se durante boa parte do livro a narrativa me causou certa estranheza, ao final ela me arrebatou, e eu não queria me separar de Auri; queria protegê-la, ampará-la, confortá-la. Não que ela precise de tudo isso, já que ela é bem forte dentro de seu corpinho minúsculo, mas dá vontade de ficar ao lado dela para que ela não se sinta sozinha.

No final existe uma nota do autor explicando como nasceu a ideia de escrever sobre Auri e se desculpando por ter criado uma estória tão singular. Foi só ali, depois de ler seus argumentos, que percebi porque o início da leitura me incomodava tanto: ele revela que tinha medo que o livro não vendesse exatamente pela falta de diálogos e de ação. Então, ciente de que até o próprio Rothfuss sentia que essa ausência poderia dificultar a vida do leitor, me senti mais a vontade com a estória, e passei a entender melhor o desenrolar da trama toda.

É impossível não se apaixonar por Auri, por sua inocência, sua pureza, sua doação. Patrick Rothfuss conseguiu novamente arrebatar meu coração. Se já é complicado ler "A música do silêncio" conhecendo os livros anteriores, acredito que seja ainda mais difícil para quem não os leu. Por isso, meu conselho é: leiam "O nome do vento" e "O temor do sábio" imediatamente. A leitura desses livros é uma experiência incrível e necessária.


A música do silêncio
Patrick Rothfuss
editora Arqueiro
144 páginas
nota do Skoob: 4.2
nota do blog: 4.7

quinta-feira, 19 de março de 2015

Lançamentos Darkside Books [Divulgação]

Mais um lançamento da Darkside Books para esse semestre:


"A noiva fantasma"

1893. Li Lan é uma jovem que recebeu educação e cultura, mas que vive sem grandes perspectivas depois da falência de seus pais. Até surgir uma proposta capaz de mudar sua vida para sempre: casar-se com o herdeiro de uma família rica e poderosa. Há apenas um detalhe: seu noivo está morto. A Noiva Fantasma, que a DarkSide® Books publica no Brasil em 2015, é o surpreendente romance de estreia de Yangsze Choo, a escritora de ascendência oriental que está encantando fãs por todo o mundo. Por mais fantásticas que pareçam, as noivas fantasmas ainda resistem até hoje em parte da cultura asiática. A prática, que chegou a ser banida por Mao Tsé-Tung durante a Revolução Cultural, foi muito frequente na China e na Malaia (hoje Malásia) no final do século xix. O casamento era usado para tranquilizar um espírito inquieto, e garantir um lar e estabilidade para as mulheres que diziam sim a maridos já falecidos. É claro que elas tinham um preço alto a pagar, e com Li Lan não seria diferente. Evocando obras como Lugar Nenhum, de Neil Gaiman, A Noiva Fantasma é uma história impressionante sobre o amor sobrenatural e o amadurecimento, escrita por uma extraordinária nova voz da ficção contemporânea. Eleito o Livro da Semana pela Oprah. com, entrou em diversas listas de melhores livros do ano, como Indie Next List’s Pick, Glamour Magazine Beach Read, The Bookseller Editor’s Pick e Library Journal Barbara’s Pick.


"A Noiva Fantasma, um impressionante romance de estreia, conduz os leitores através de um dos passeios mais selvagens desde que Alice caiu na toca do coelho."
San Jose Mercury News

"A odisseia de Li Lan a mantém à beira da morte terrena e prende o leitor às páginas."
New York Journal of Books

Lançamento: abril de 2015


Sobre a autora:

YANGSZE CHOO é descendente de malaios. Formou-se na Universidade de Harvard e ocupou vários cargos corporativos antes de escrever seu primeiro romance, A Noiva Fantasma. Yangsze adora comer e ler, e faz as duas coisas ao mesmo tempo com frequência. Ela mora na Califórnia com seu marido e filhos, além de um coelho. Saiba mais em yschoo.com.






Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

Sei Que Eu Sei News #24 - Cidades de Papel














Segurem seus forninhos galera! Saiu o trailer da adaptação de Cidades de papel para os cinemas:






 John Green esteve no Today Show, programa matinal americano, para divulgar o filme, que também teve algumas fotos publicadas ontem:




Paper Towns, quarto romance de John Green, conta a estória de Quentin e Margo Roth Spiegelman, vizinhos que foram muito amigos durante a infância, mas se distanciaram na adolescência, e que voltam a ficar envolvidos depois do sumiço misterioso da menina. Quentin encontra diversas pistas deixadas por Margo e sai à procura da amiga, mas, quanto mais ele se aproxima do paradeiro de Margot, mais ele descobre que a imagem que tinha dela não corresponde com sua verdadeira personalidade.

No filme Nat Wolff fará o papel de Q e Cara Delevingne será Margo Roth. Nat já deu vida a outro personagem criado por Green em A culpa é das estrelas: ele interpretou Isaac, o amigo de Gus que fica cego devido a um câncer na retina.

O filme estreia em junho desse ano.






Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

terça-feira, 17 de março de 2015

Meme escrito [TAG]

Olá leitores! Tenho até vergonha de admitir que fui indicada para responder a essa TAG em novembro passado!!!! Só agora, com #aletradaspessoas rolando no Instagram foi que me dei conta do quanto estou atrasada! Aproveito para pedir desculpas a minha parceira Lerissa, do blog No Matter What, que foi quem me indicou.




Mas antes tarde do que nunca, então, vamos a TAG: a brincadeira consiste em responder uma série de perguntas escrevendo à mão, para que os leitores conheçam a minha letra. Eu achei a ideia muito legal, até porque, hoje em dia, escrevo muito pouco à mão e às vezes acho que minha letra está ficando feia.

E as perguntas são essas:

1. Qual o seu nome completo;
2. URL do seu blog;
3. Escreva: "A raposa rápida marrom pula sobre o cão preguiçoso";
4. Citação favorita;
5. Música favorita no momento;
6. Cantor/banda favorita no momento;
7. Diga o que quiser;
8. Indique 3 ou 5 blogs.




Blogs indicados: Penélope & Telemaco, Fofocas Literárias e Estante da Rob. Gostou da TAG? quer responder? Não passe vontade, rsrs, responda e deixe o link nos comentários para que possamos ver suas respostas e conhecer sua letra ;)



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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segunda-feira, 16 de março de 2015

Um pouquinho de...

"A engrenagem precisaria de observação. Dava quase a impressão de que seria apropriada para ele - mas isso podia esperar. A chave necessitava de cuidados urgentes. Era, com certeza, a mais inquieta do grupo. O que não trazia a menor surpresa. As chaves estavam longe de ser conhecidas por sua complacência, e aquela praticamente implorava por uma fechadura. Auri a apanhou e a rolou nas mãos. Uma chave de porta. E não era nada tímida quanto a isso."


(página 28)









Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

sábado, 14 de março de 2015

Momento HQ: Graphic Novels Turma da Mônica

Saudações Padawans! Hoje começaremos uma série de resenhas que nos remeterá às origens de cada um de nós. Voltaremos aos primeiros quadrihos e à uma infância que deixa saudade em todos os aspectos: vamos falar de Turma da Mônica.




Eu apostaria minha coleção de quadrinhos que 90% dos leitores brasileiros com menos de 40 anos tiveram a faísca inicial deo gosto pelos quadrinhos através dos planos infalíveis e coelhadas alheias. Então vale nossa homenagem às Graphic Novels da Maurício de Souza Produções.

Ao completar 50 anos de carreira, Maurício teve seus personagens desenhados por consagrados artistas. O pai da turma gostou tanto das novas edições que ofereceu a alguns desenhistas a oportunidade de criar uma estória com seus respectivos estilos de desenho, tirando o foco dos tradicionais quadrinhos mensais. Então teve início as Graphic MSP.

Como nosso primeiro post da série, vamos falar sobre a Turma da Mônica e:



Laços


O Floquinho sumiu. Agora a turma tem de enfrentar todos os perigos do bairro dos Limoreiros para encontrar o fiel amigo verde.

A estória começa contando, em poucas palavras, mas com muito sentimento, como o Cebolinha ganhou o Floquinho de presente. Depois disso a cena passa para os dias atuais com o Cascão e o Cebolinha fugindo de uma Mônica furiosa por mais um dos planos infalíveis de conquistar a rua. Quando Cebolinha volta para casa, descobre que o Floquinho sumiu e isso o deixa em profunda depressão enquanto o bairro está em alerta para encontrar o cãozinho. Mas a turma não pode ficar a mercê da sorte, então, com mais um plano do Cebola, a turma se reúne para sair em uma das maiores aventuras de suas vidas. Ou de nossas vidas.




Com cartazes e uns pastéis para a Magali, a turma entra em uma busca implacável pelo Floquinho. Eles têm que falar com todos que estão na rua, enfrentam valentões e passam o dia todo sem nenhuma notícia. A noite cai e eles entram em um bosque, onde encontram andarilhos, monstros e mais obstáculos que terão que enfrentar se quiserem encontrar o Floquinho. Será que conseguirão?

Eu juro que todo esse drama é altamente justificável no quadrinho. Os desenhos dos irmãos Vitor e Luciana Cafaggi são intensos e passam esse clima melancólico, dramático e, eu diria, que um tanto Tim Burton. Mas ao mesmo tempo, o roteiro do quadrinho remete à infância ingênua e imaculada que todos tivemos e isso deixa as cenas, em estilo quase gótico, muito divertidas. A visão de crianças de um mundo onde, sob as lentes de adultos, teríamos atitudes completamente diferentes.




Essa é uma estória da Turma da Mônica bastante incomum, porém sem deixar que a essência se perca.

Plepale seu plano infalível. Agale seu coelho azul. Tenha semple um gualda-chuva em mãos e nunca saia de casa sem uma cesta de comida. Nos vemos na próxima estólia!





João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.
@oliveira_jh

quinta-feira, 12 de março de 2015

Marina [Resenha]

onde comprar: Submarino//Americanas//Extra

"O estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, gosta de caminhar pelas ruas de Barcelona, apreciando a arquitetura de seus antigos casarões, e um deles acaba chamando a atenção do menino, que se aventura a entrar na casa. Lá de dentro vem uma bela voz, que o atrai, e ao entrar Óscar vê um relógio de bolso quebrado, que acaba levando consigo quando foge assustado da velha casa. Alguns dias depois ele retorna para devolver o relógio, e conhece Marina, uma menina de olhos cinzentos, com quem passará a viver aventuras perigosas, tentando, inclusive, desvendar o mistério de uma mulher que visita uma sepultura sem nome no cemitério, sempre na mesma data e na mesma hora."

O autor Carlos Ruiz Zafón usa a cidade de Barcelona como cenário para seu romance, mas na verdade, ela é quase um personagem dentro da estória, já que ele explora algumas ruas, praças e pontos turísticos com a propriedade de quem conhece bem o local. É numa grande casa, com aparência abandonada, que começa toda a narrativa, quando Óscar, levado pela curiosidade, resolve entrar no velho casarão, de onde vem uma música muito bonita. Lá dentro ele vê um lindo relógio, e no momento em que está com ele em mãos, se assusta com uma presença inesperada na sala, e sai correndo, levando consigo o relógio. Por ser um menino muito honesto, alguns dias depois, ele decide voltar ao local para devolver o objeto.

Nesse retorno ao casarão ele conhece Marina, uma menina franzina e de olhos acinzentados, por quem se encanta imediatamente. A jovem tenta fazer amizade com Óscar, e o leva ao cemitério, onde uma mulher vestida num manto negro visita um túmulo misterioso, sem identificação. Marina diz que ela sempre vem no mesmo dia e horário, fica alguns minutos e vai embora, ninguém sabe para onde. A partir dai, eles começam a investigar para tentar descobrir quem é essa mulher de preto e quem estaria enterrado ali.

Mas o mistério é maior do que eles imaginam, e Óscar e Marina se veem envolvidos numa trama muito antiga e perigosa, de onde podem não sair vivos. Ao longo da investigação deles, acontecem algumas mortes, o que deixa tudo mais complicado.

Ao final, a dupla de jovens consegue encontrar aquilo que procuravam, e descobrem quem é o responsável pelas mortes. Mas em paralelo a todo esse mistério, existe o relacionamento de Óscar e Marina: nasce entre eles uma amizade muito forte, mas o garoto acaba se apaixonando por ela, e escondendo esse sentimento. Por mais que ele goste de Marina, ele não diz nada, pois ela está com o pai doente, e Óscar respeita seu espaço e suas necessidades.

As descrições que Zafón faz de Barcelona são bem detalhadas, e a cidade é parte da trama. Os personagens são bem construídos e o enredo é muito bem estruturado; não é fácil descobrir como tudo vai terminar, antes de chegar ao final do livro. O autor consegue manter o mistério até o fim, mesmo que em certos momentos ele deixe claro quem pode ser vilão e quem pode ser mocinho. Apesar disso tudo, não foi um livro que me empolgou completamente: no início, eu acreditava que a narrativa ia tomar um rumo muito diferente do que ela realmente tomou, e a certa altura eu me perdi um pouco no enredo, e tive que voltar algumas páginas para relembrar o que estava acontecendo.

Eu esperava que o foco se mantivesse na relação Óscar-Marina, com conflitos, desencontros e retornos apaixonados, talvez induzida pelo título do livro, ou pela sinopse na contracapa, e fiquei um pouco decepcionada com o desenvolvimento da trama para um enredo mais policial do que romântico. Não fui arrebatada pelo livro, e não é por ele ser ruim, mas sim, por culpa da minha própria expectativa, que era alta, depois de ler tantas resenhas e críticas à obra de Zafón. A impressão que eu tinha era que "Marina" se tratava de uma estória totalmente diferente do que ela é, e isso prejudicou a experiência da leitura. No final ficou a sensação de que o livro que comecei a ler não foi o mesmo que terminei, pois eu acreditava que o desenrolar da trama seria bem diferente.


Marina
Carlos Ruiz Zafón
editora Suma de Letras
192 páginas
nota do Skoob: 4,3
nota do blog: 3




Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

quarta-feira, 11 de março de 2015

Lançamentos Darkside Books [Divulgação]

Confiram os próximos lançamentos da Darkside Books e aposte no escuro você também!


"Golem e o gênio"

Uma fábula eterna. Realidade e magia neste aclamado livro de fantasia histórica. Os confrontos e as barreiras vividas por duas culturas tão próximas, ainda que aparentemente opostas. Em Golem e o Gênio, premiado romance fantástico que a DarkSide® Books traz ao Brasil em 2015, o leitor se transporta à Nova York da virada do século XX, em uma viagem fascinante através das culturas árabe e judaica. Seus guias serão poderosos seres mitológicos. Chava é uma golem, criatura feita de barro, trazida à vida por um estranho rabino envolvido com os estudos alquímicos da Cabala. Ahmad é um gênio, ser feito de fogo, nascido no deserto sírio, preso em uma antiga garrafa de cobre por um beduíno, séculos atrás. Atraídos pelo destino à parte mais pobre de uma Manhattan construída por imigrantes, Ahmad e Chava se tornam improváveis amigos e companheiros de alma, desafiando suas naturezas opostas. Até a noite em que um terrível incidente os separa. Mas uma poderosa ameaça vai reuni-los novamente, colocando em risco suas existências e obrigando-os a fazer uma escolha definitiva. O romance de estreia de Helene Wecker reúne mitologia popular, ficção histórica e fábula mágica, entrelaçando as culturas árabe e judaica com uma narrativa inventiva e inesquecível, escrita de maneira primorosa. Golem e o Gênio foi eleito uma das melhores fantasias históricas pelo Goodreads e ganhou o Prêmio da VCU Cabell de Melhor Romance de Estreia


“Um passeio místico e profundamente original pelas calçadas de Nova York.” 
Booklist

Lançamento: abril de 2015

Sobre a autora:

Helene Wecker cresceu em Libertyville, Illinois, uma pequena cidade ao norte de Chicago. Graduou-se em Inglês pela Carleton College, em Minnesota. Trabalhou com marketing e comunicação em Minneapolis e Seattle antes de se dedicar à ficção, sua primeira paixão. Em seguida, mudou-se para Nova York, onde cursou o mestrado em Ficção na Columbia University. Vive em São Francisco com o marido e a filha. Golem e o Gênio é o seu premiado romance de estreia. Saiba mais em helenewecker.com.



"Onde cantam os pássaros"

Livro que vem conquistando prêmios literários tradicionais, como o Barnes & Noble Discover Award, oeferecido pela livraria aos novos autores de destaque, o britânico Jerwood Fiction Uncovered Prize, e o mais importante prêmio australiano, Miles Franklin Award, resenhas encantadoras e inúmeros dãs por onde é lançado. Com tramas paralelas, passadas em épocas e hemisférios diferentes, o leitor vai montando um intrigante quebra-cabeças com o que lhe é fornecido por essa autora criativa e, ao mesmo, rigorosamente precisa. 
No premiado romance de Evie Wyld, a fazendeira Jake White leva uma vida simples numa ilha inglesa. Suas únicas companhias são rochedos, a chuva incessante, suas ovelhas e um cachorro, que atende pelo nome de Cão. Tendo escolhido a solidão por vontade própria, Jake precisa lidar com acontecimentos recentes que põem em dúvida o quanto ela realmente está sozinha - e o quanto está segura. De tempos em tempos, uma de suas ovelhas aparece morta, o que pode ser muito bem obra das raposas que habitam a floresta próxima à sua fazenda. Ou de algo pior.Um menino perdido, um homem estranho, rumores sobre uma fera e fantasmas do seu próprio passado atormentam a vida de uma mulher que sonha com a redenção.
Aos poucos, vamos descobrindo mais sobre as suas habilidades em tosquiar e cuidar de ovelhas, aprendidas ainda quando jovem, em sua terra natal, na Austrália. E vamos aprendendo também o que aconteceu lá que acabou por conduzir White à uma vida de reclusão e isolamento. E sobre as contradições e diferenças entre um passado (sempre narrado no tempo verbal presente) cheio de vida e calor, e o presente (narrado, por sua vez, no passado) repleto de lama, frio e um ritmo mais desacelerado, paira uma atmosfera absolutamente brutal.
Com uma prosa verdadeiramente excepcional, o estilo da autora reúne tanto clareza como substância e apresenta uma personagem inesquecível, enigmática, trágica, assombrada por um passado inescapável. Uma mulher forte, ainda que tão passível de falhas, erros e equívocos como todos nós. É uma história de solidão e sobrevivência, culpa, perda e o poder do perdão. Uma escrita visceral onde sentimos a presença de tudo, os odores, o vento, o tempo. Nada passa desapercebido.
A prosa refinada da autora, com altas doses de terror psicológico, está muito bem representada na edição da Darkside Books. ela queria se isolar de tudo e de todos, mas agora está cercada pela crueldade do silêncio e a mais pura manifestação da natureza. O ciclo da vida é muito mais assustador quando o fim ecoa dentro de nós. Prepare-se para descobrir uma grande autora, e um livro à sua altura.



“Onde Cantam os Pássaros é um romance de beleza perturbadora.”
Boyd Tonkin, Independent Books of the Year

“Marcante [...] Tão bom quanto os primeiros romances de Ian McEwan.”
The Spectator

Lançamento: maio de 2015

Sobre a autora:

Evie Wyld é inglesa e, como sua personagem em Onde Cantam os Pássaros, viveu parte de sua
vida na Austrália. É autora do premiado After the Fire, a Still Small Voice e integrou a edição da
revista Granta com os melhores jovens escritores britânicos da década. Onde Cantam os Pássaros
é o seu premiado segundo romance, o primeiro lançado no Brasil. Saiba mais em eviewyld.com.




Então marquem em suas agendas as datas de lançamento e não percam esses grandes sucessos da Darkside =)



Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

terça-feira, 10 de março de 2015

O que eu li em fevereiro


Outro mês se passou, e esse parece que foi mais rápido que nunca! Mas até que as leituras renderam bem, olhem só:














HQ Hamlet (resenha aqui), O irmão alemão (resenha aqui), Cinquenta tons de cinza (resenha aqui);






















Mariposa - asas que mudaram a direção do vento (resenha aqui) e Contos de fadas sangrentos (resenha aqui).

E como está evoluindo o Reading Challenge? Com essas leituras consegui eliminar mais 5 itens da lista:

- uma peça: Hamlet
- um livro de contos: Contos de fadas sangrentos
- um livro que foi adaptado para o cinema: Cinquenta tons de cinza
- um livro ambientado no futuro: Mariposa
- um livro de memórias: O irmão alemão























Faltam só 40! rsrsrs. Até o final do ano eu completo esse desafio, rsrs.

É isso pessoal. Agora me contem como foram as leituras de vocês. Quero muitos comentários!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen