quinta-feira, 12 de março de 2015

Marina [Resenha]

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"O estudante de internato Óscar Drai, de 15 anos, gosta de caminhar pelas ruas de Barcelona, apreciando a arquitetura de seus antigos casarões, e um deles acaba chamando a atenção do menino, que se aventura a entrar na casa. Lá de dentro vem uma bela voz, que o atrai, e ao entrar Óscar vê um relógio de bolso quebrado, que acaba levando consigo quando foge assustado da velha casa. Alguns dias depois ele retorna para devolver o relógio, e conhece Marina, uma menina de olhos cinzentos, com quem passará a viver aventuras perigosas, tentando, inclusive, desvendar o mistério de uma mulher que visita uma sepultura sem nome no cemitério, sempre na mesma data e na mesma hora."

O autor Carlos Ruiz Zafón usa a cidade de Barcelona como cenário para seu romance, mas na verdade, ela é quase um personagem dentro da estória, já que ele explora algumas ruas, praças e pontos turísticos com a propriedade de quem conhece bem o local. É numa grande casa, com aparência abandonada, que começa toda a narrativa, quando Óscar, levado pela curiosidade, resolve entrar no velho casarão, de onde vem uma música muito bonita. Lá dentro ele vê um lindo relógio, e no momento em que está com ele em mãos, se assusta com uma presença inesperada na sala, e sai correndo, levando consigo o relógio. Por ser um menino muito honesto, alguns dias depois, ele decide voltar ao local para devolver o objeto.

Nesse retorno ao casarão ele conhece Marina, uma menina franzina e de olhos acinzentados, por quem se encanta imediatamente. A jovem tenta fazer amizade com Óscar, e o leva ao cemitério, onde uma mulher vestida num manto negro visita um túmulo misterioso, sem identificação. Marina diz que ela sempre vem no mesmo dia e horário, fica alguns minutos e vai embora, ninguém sabe para onde. A partir dai, eles começam a investigar para tentar descobrir quem é essa mulher de preto e quem estaria enterrado ali.

Mas o mistério é maior do que eles imaginam, e Óscar e Marina se veem envolvidos numa trama muito antiga e perigosa, de onde podem não sair vivos. Ao longo da investigação deles, acontecem algumas mortes, o que deixa tudo mais complicado.

Ao final, a dupla de jovens consegue encontrar aquilo que procuravam, e descobrem quem é o responsável pelas mortes. Mas em paralelo a todo esse mistério, existe o relacionamento de Óscar e Marina: nasce entre eles uma amizade muito forte, mas o garoto acaba se apaixonando por ela, e escondendo esse sentimento. Por mais que ele goste de Marina, ele não diz nada, pois ela está com o pai doente, e Óscar respeita seu espaço e suas necessidades.

As descrições que Zafón faz de Barcelona são bem detalhadas, e a cidade é parte da trama. Os personagens são bem construídos e o enredo é muito bem estruturado; não é fácil descobrir como tudo vai terminar, antes de chegar ao final do livro. O autor consegue manter o mistério até o fim, mesmo que em certos momentos ele deixe claro quem pode ser vilão e quem pode ser mocinho. Apesar disso tudo, não foi um livro que me empolgou completamente: no início, eu acreditava que a narrativa ia tomar um rumo muito diferente do que ela realmente tomou, e a certa altura eu me perdi um pouco no enredo, e tive que voltar algumas páginas para relembrar o que estava acontecendo.

Eu esperava que o foco se mantivesse na relação Óscar-Marina, com conflitos, desencontros e retornos apaixonados, talvez induzida pelo título do livro, ou pela sinopse na contracapa, e fiquei um pouco decepcionada com o desenvolvimento da trama para um enredo mais policial do que romântico. Não fui arrebatada pelo livro, e não é por ele ser ruim, mas sim, por culpa da minha própria expectativa, que era alta, depois de ler tantas resenhas e críticas à obra de Zafón. A impressão que eu tinha era que "Marina" se tratava de uma estória totalmente diferente do que ela é, e isso prejudicou a experiência da leitura. No final ficou a sensação de que o livro que comecei a ler não foi o mesmo que terminei, pois eu acreditava que o desenrolar da trama seria bem diferente.


Marina
Carlos Ruiz Zafón
editora Suma de Letras
192 páginas
nota do Skoob: 4,3
nota do blog: 3




Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
@joana_masen

3 comentários:

  1. Oi Jô,
    Como somos diferentes né?! Eu acho que se o livro tivesse ficado só na relação entre os protagonistas eu provavelmente teria detestado o livro, mas pela história de (usando suas palavras) terror mirabolante o livro me conquistou totalmente.
    Que pena que ele te desapontou um pouco :/
    Um grande abraço!!

    Leitor Antissocial

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  2. Poxa, eu gostei tanto do livro quando li, justamente por não esperar um romance. Esperava algo mais dark e de suspense que é mais ou menos o que o livro trás né. Pena saber que você não gostou tanto assim.
    Tudo que Motiva

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  3. Já faz mtoooooo tempo que quero ler esse!
    Desde que tava vendendo na revista da Avon kkkkkk eu sempre pensava em pedir ele, mas não pedi.
    As resenhas que li dele (TODAS), dizem que ele foi decepcionante, por não ter sido desenvolvido o romance. Porém, ainda quero fazer uma tentativa e lê-lo um dia kkkkkk porque ele não sai da minha cabeça kkkkk
    bjooos

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