terça-feira, 28 de abril de 2015

Afinal, o que é literatura?



O que dizer sobre a entrevista que a escritora Ruth Rocha deu essa semana para o portal Ig, falando sobre os seus 50 anos de carreira? Em primeiro lugar, gosto muito da Ruth Rocha; li alguns de seus livros na escola, e respeito o trabalho dela. Mas, talvez por uma escolha infeliz de palavras ou até por uma edição equivocada da entrevista, ela pareceu não respeitar o trabalho alheio.

De acordo com a entrevista, ela teria dito que "os atuais best-sellers infanto-juvenis não são literatura, é tudo besteira", e que "não acha errado Harry Potter fazer sucesso, mas não acha que seja literatura". Alto lá amiga, mexer com Harry Potter é quase heresia hoje em dia. 

Torcendo para que ela não tenha querido dizer o que disse, vale falar um pouquinho sobre o que é literatura. Será que é possível definir de verdade? Ou a literatura é algo diferente para cada um de nós?

Pois bem, técnicamente falando, literatura é a arte de criar e compor textos, em diversas vertentes de produções literárias, como poesia, prosa, literatura de ficção, literatura de romance, literatura médica, literatura técnica, literatura de cordel, entre outras. A literatura apresenta diversos gêneros, que atingem diversos públicos diferentes, como a literatura infantil, por exemplo, ou a erótica.




Dentro desse conceito, podemos assumir que livros, independente do gênero, são literatura, certo? E se a série Harry Potter é um conjunto de livros, é totalmente aceitável dizer que eles são literatura. Ou não? Até onde pude entender da definição de LITERATURA, a criação de J. K. Rowling se encaixa perfeitamente no termo, e ainda pode ser inserida nos gêneros infanto-juvenil ou fantasia.

Claro que cada pessoa tem o direito de gostar ou não gostar de Harry Potter, e até de concordar com o que a Ruth Rocha disse, mas achei um pouco de exagero, principalmente sendo ela uma colega de profissão de Rowling. Eu acho um pouco radical um escritor taxar o trabalho de outro de "besteira". Argumentar, explicar, expor as razões que nos levam a gostar (ou desgostar) desse ou daquele livro é a forma correta de se expressar, principalmente se você é uma pessoa pública, um representante expressivo da literatura brasileira, formador de opinião. 

Tia Ruth deveria ter pensado mais um pouquinho antes de fazer a declaração polêmica, desmerecendo o trabalho da Tia Jo né. Apesar disso, devemos reconhecer a importância da obra de Ruth Rocha na literatura nacional, e aproveitar a parte boa da entrevista dela, onde ela fala sobre um problema real, e que todos nós trabalhamos para mudar: a latente falta de incentivo da maioria dos pais para que seus filhos aprendam a amar a literatura. Ela disse "vejo pais gastando R$ 1.000 em um celular, mas não gastam R$ 1 em livros para seus filhos".





Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

15 comentários:

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    1. kkkkkkk, acho que ela só queria um pouco de atenção.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Olá Joana! Concordo plenamente contigo! e se não se importar peço licença para esticar esta conversa lá no meu blog. Fiquei muito triste com esta declaração. Penso que uma das principais características de um escritor deva ser a sensibilidade. Quando não há sensibilidade, não há respeito, nem consideração. E é por isso que a literatura ao invés de unir tem separado grandes autores e por que não dizer leitores!?

    Um abraço pra ti!
    Belo post!

    www.pensamentosvalemouro.com.br

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    1. Concordo com vc tbm Vanessa. Acho que ela foi infeliz na declaração, mas conseguiu o que queria: atenção. Depois quero ler seu post.
      Bjos!

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    2. Olá Joana! Estiquei a conversa lá no blog! Se quiseres conferir!
      Um abraço!
      http://goo.gl/QUcLpC

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    3. Li seu post Vanessa, muito bem construído, e complementa exatamente o que eu disse aqui. Parabéns =)

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  4. Amei sua posição e compartilhei no meu blog. Antes de mais nada Respeito ao próximo e profissionalismo. Ética profissional é importantíssimo. E respeito literário anda juntos. Tenho horror de pessoas assim, que fala mal do trabalho dos outros. Ela não precisava disso. Parabéns pela matéria. Paty (leiturasplus.blogspot.com)

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    1. Tbm acho que ela não precisava disso Pati, já q é uma escritora consagrada e com carreira sólida no mercado editorial. Vou já ler seu post ;)
      Bjos!

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  5. Como eu disse no Twitter, alguns (muitos) comentários poderiam ter sido evitados, tando a Ruth que foi muito infeliz ao dizer aquilo quanto às pessoas que julgaram-na por dizer. Sei que ela é alguém com certo prestígio, mas nunca ouvi falar dela, ela poderia ter usado a influência para algo mais produtivo e não para julgar ou criticar o trabalho dos outros.

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    1. Exatamente, ela deveria usar sua influência na divulgação da literatura, e não julgar isso ou aquilo como bom ou ruim. Perdeu a chance de ganhar a admiração de leitores que não a conheciam até então.

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  6. Oi Jo,
    Sinceramente, não gosto de alguns livros apesar de afirmarem que eles são "literatura", achei muito radical, ao invés de estimular a leitura e aos poucos introduzir novos gêneros, não, houve crítica, isso desanima muita gente que está começando a descobrir o prazer da leitura.
    É incrível como os pais não incentivam a leitura.
    Beijocas ^^

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    1. Lari, todos nós temos aqueles livros que não gostamos, mas nem por isso o rebaixamos a "besteira". Em um país que é tão difícil conquistar leitores, acho que ela deveria aproveitar a oportunidade para ganhar admiração de quem ainda não conhece seu trabalho, mas a declaração teve o efeito contrário.
      Bjos!

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  7. Eu não sabia dessa entrevista da Ruth, mas acho que cada um tem seu ponto de vista. Assim como uns acreditam em Deus e outros não. Cada um pode muito bem considerar o que quiser como literatura. Só acho. Eu por exemplo não acho HP grande coisa. Pra mim é só mais uma história como qualquer outra.

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    1. Liih, vc pode até não gostar de HP ou qualquer outro livro, mas tem q entender seu papel dentro da literatura e da formação de leitores. Eu, por exemplo, não gosto de auto ajuda, mas acredito que esse gênero é a porta de entrada para muitos leitores, e que alguns deles acabarão se interessando por outros tipos de livros ao longo da vida. Todo livro tem seu valor, basta que cada um encontre aquele que mais lhe agrada.
      Bjos!

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