quinta-feira, 4 de junho de 2015

A menina submersa [Resenha]

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"Um conto de fadas, uma estória de fantasmas habitada por sereias e licantropos, mas, antes de tudo, uma grande estória de amor construída como um quebra-cabeças pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Considerado uma obra-prima do terror da nova geração, esse romance é repleto de elemntos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica. sendo o vencedor do Bram Stoker Awards 2013."

Pela sinopse não fica muito claro sobre o que fala esse livro. Bem, ele se vende como uma estória de fantasmas, um terror que deixará o leitor com os cabelos em pé, mas isso não aconteceu comigo.

A protagonista, India Morgan Phelps, ao apenas Imp, é herdeira de uma doença mental que matou sua mãe e avó, e ela tem que viver sob efeitos de remédios o tempo todo para conseguir viver normalmente. Ela trabalha e como hobby pinta alguns quadros. E também está escrevendo essa estória de fantasmas.

Imp a princípio é uma personagem fascinante; consciente de seus problemas mentais, porém, muito tranquila e inteligente. Ela tem uma forte ligação com um quadro chamado 'A menina submersa', que vira certa vez num museu, e é poro causa dessa obra que sua vida começa a mudar.

Certo dia Imp está andando pela rua e encontra mobília e alguns objetos empilhados na calçada, e começa a mexer nesles para tentar aproveitar alguma coisa. É nesse momento que a dona daquelas coisas aparece e fica brava com Imp. Essa mulher acaba revelando que não tem para onde ir e que está sendo despejada pela antiga namorada. Imp a convida para ficar em sua casa, e assim nasce o relacionamento dela com Abalyn.

As duas vivem uma bela estória de amor, que só é perturbada pela loucura de Imp. Numa noite ela sai para andar um pouco e encontra na beira de um rio uma mulher toda molhada, com um vestido vermelho, que a encanta. Ela se apresenta como Eva Canning, e Imp a leva para casa para tomar um banho e vestir roupas secas.

Essa mulher é muito misteriosa, e mexe com o imaginário de Imp, que acaba ficando obcecada por ela. É nesse momento que a estória de fantasma começa, mas ela não fica assustadora. Eu esperava aparições, criaturas apavorantes, situações bizarras, mas nada disso aconteceu. Apesar de Imp contar sua estória como se ela estivesse sendo perseguida por Eva, ou pelo fantasma de Eva, nada daquilo me impressionou, tampouco me deixou com medo.

O livro é escrito como um fluxo de pensamento, assim como fazia Virgínia Woolf, e no começo essa profusão de ideias é muito interessante. O problema é que, lá pela página 100, tudo para: a narrativa fica lenta, o mistério sobre Eva Canning fica sem graça e a leitura fica cansativa demais. Por mais de uma vez pensei em desistir, mas queria saber como ia terminar o drama de Imp, então continuei.

Se no meio o livro fica chato e desinteressante, o final compensa. Só nas últimas 30 ou 40 páginas eu voltei a me sentir instigada pela leitura. Imp entra num estado de depressão, e seu sofrimento proporciona as melhores cenas da estória, e até algumas em que fiquei um pouco impressionada, quase com medo do que poderia acontecer à protagonista. Nada que tenha feito eu perder o sono.

Acredito que esse livro venha sendo bastante elogiado pela capacidade da autora em incorporar à narrativa inúmeras referências da cultura pop, desde músicas a obras de arte. Ela cita muitos autores renomados, como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, além de se inspirar em Lewis Carrol e Shakespeare. Muitas dessas referências enriquecem a estória, mas na parte em que a leitura pesou, elas deixavam tudo ainda mais enfadonho.

Pontos positivos da obra: tanto Imp quanto Abalyn são personagens bem construídas, e a relação das duas é bastante intensa. O começo e o final da narrativa são muito interessantes, e valem a tortura de passar pela parte mais lenta. Pontos negativos: as citações e referências podem ficar exageradas, e a enrolação durante mais de 100 páginas é decepcionante.

Eu tinha muita expectativa com esse livro desde o seu lançamento, quando a editora enviou um email impressionante, com a imagem submersa em água, que se movia de verdade. Todos os comentários que li, a sinopse e as resenhas aumentaram ainda mais essas expectativas, mas, infelizmente, elas não foram alcançadas por completo.

No quesito terror, o livro deixou a desejar. Não senti medo, e fiquei me perguntando onde estavam todos os fantasmas e seres assustadores que a sinopse prometia. O que mais gostei foi o estilo da narrativa, o fluxo de pensamento, a loucura colocada para fora, exatamente como as ideias estavam dentro da cabeça da personagem, tudo muito rápido, confuso, misturado, sem saber o que era verdade e o que era imaginação de Imp. Eu realmente queria ter ficado mais impressionada com a estória como um todo, mas isso não aconteceu. O começo é ótimo, o final é inteligente, mas o meio do livro não funcionou para mim.


A menina submersa: memórias
Caitlín R. Kierman
editora Darkside Books
320 páginas
nota do Skoob: 3.9
nota do blog: 3.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

3 comentários:

  1. Oii,
    Gostei da resenha apesar de não ter interesse no livro rs
    Acho essa capa linda e achava que era assustador... mas prometer algumas coisas que são importantes no gênero e não ter é bem chato.
    Beijos

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  2. Oie!
    Sua resenha tá muito bem escrita, parabéns! Acho que já vi resenha desse livro por aí, mas não tenho certeza. Eu o leria, mas acho que não compraria, por ter outros livros como prioridades e a parte enfadonha desse que vc cita me desanima.
    Bjs
    sete-viidas.blogspot.com

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  3. Ahhh...eu nao quero ler esse livro, sou a medrosa em pessoa!!!
    Sério, tenho medo de dormir sozinha! Sempre tenhos as minhas dogs comigo no quarto..hahaha.
    Mesmo vc falando que nao sentiu medo, acho que não vou arriscar.
    Pena que o livro desandou no meio e quase fez vc desistir... a gente luta tanto para continuar a ler q perde aquela empolgação ne? Ficamos lendo por obrigação, sei la...
    Mas eu só nao leio o livro por causa do medo mesmo.
    Bjus

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