quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Carrie, a estranha [Resenha]


"O livro narra a atormentada adolescência de uma jovem problemática, perseguida pelos colegas, professores e impedida pela mãe de levar a vida como as garotas de sua idade. Só que Carrie guarda um segredo: quando ela está por perto, objetos voam, portas são trancadas ao sabor do nada, velas se apagam e voltam a iluminar misteriosamente. Escrito por Stephen King em 1972, a a estória foi descartada pelo próprio autor, que não via valor algum nela, e só foi publicada pois sua esposa resgatou as páginas do lixo e insistiu para que King a terminasse. O livro rapidamente se transformou num grande sucesso e foi transportado para as telas do cinema em 1976, com a atriz Sissy Spacek e John Travolta nos papéis principais."

Venho me acostumando a ler livros do King, e não poderia ter deixado um dos mais importantes trabalhos do autor de fora, Aproveitei a Maratona Literária de Primavera, que exigia uma leitura do gênero terror, e li, finalmente, Carrie a estranha. Como já tinha assistido às duas versões do filme, tinha uma boa ideia do enredo, e por isso, a leitura não foi tão assustadora como deveria ter sido.

A pobre Carrie é uma jovem atormentada pela loucura de sua mãe, que é uma extremista religiosa e não permite que a filha leve uma vida normal como todas as meninas de sua idade. A repressão é tão forte que Carrie menstrua durante um banho no colégio e não em ideia do que está acontecendo com ela, enquanto as outras estudantes riem da situação e a humilham jogando absorventes nela.

Carrie sempre fora hostilizada na escola, por causa de seus modos estranhos e suas roupas totalmente fora de moda. Ela nunca teve amigos e por isso se surpreendeu bastante quando Tommy, um dos garotos mais populares do colégio, a convida para ir ao baile de formatura. A princípio ela pensa que é mais uma brincadeira das meninas para fazê-la passar vergonha, mas aos poucos Carrie vai se empolgando com a ideia, a ponto de costurar um vestido de baile para usar na noite da festa.

Na verdade, Tommy só convida Carrie por atendendo a um pedido de sua namorada, Sue, que estava no banheiro durante o episódio dos absorventes, e está arrependida de ter agido tão mal contra uma pessoa que ela nem conhecia. Tommy concorda, mas vai aos poucos percebendo que Carrie é uma garota como outra qualquer, e acaba até gostando de ir com ela ao baile.

Enquanto Sue quer se redimir de seu erro, do outro lado temos Chris, a garota mais mimada do planeta, que quer acabar com a noite de Carrie, e arma com seu atual namorado, Billy, um plano maligno: eles enchem dois baldes com sangue de porco e jogam na cabeça de Carrie durante o baile. É a partir desse incidente que o horror começa: Carrie usa seus poderes telecinéticos para atacar as pessoas que estão no salão, depois sai para a rua praticamente destroi a cidade. Sua mãe também sente o peso da fúria de Carrie, e esse é uma das cenas mais empolgantes do livro.

Depois de todo o sofrimento que vemos Carrie passar, acabamos torcendo para que aconteça algo em sua vida que a faça perceber que o mundo não é tão ruim quanto sua mãe dissera. Infelizmente, isso não acontece, e ela sofre até o último parágrafo. Também fiquei com muita pena de Sue, que só queria proporcionar a Carrie alguns momentos de alegria e normalidade, e para isso abdicou de sua participação no baile de formatura, mas foi uma das pessoas que mais sofreu com toda a tragédia.

O que mais gostei no livro foi a chance de conhecer o pensamento dos personagens, coisa que é impossível nos filmes: é muito interessante ver como pensam Chris e Billy, durante e depois da emboscada a Carrie, e as percepções do próprio Tommy sobre os momentos que passou ao lado da menina no baile. Além disso, podemos odiar com mais força a mãe de Carrie ao ouvir seus pensamentos estúpidos.

Outro detalhe do livro é que, já nas primeiras páginas, fica claro que houve uma tragédia onde muitas pessoas morreram, e que estamos entrando na investigação da polícia para descobrir o que realmente aconteceu naquela noite. O autor intercala depoimentos de sobreviventes com trechos de teses e estudos realizados sobre a telecinesia, por isso o leitor já sabe desde o começo que o que vai encontrar durante a narrativa. Essa é uma técnica que só pode ser usada por um escritor muito bom, pois ele praticamente revela o do livro no começo, e precisa prender o leitor de alguma forma durante todo o desenrolar da trama para que ele chegue até o final ainda interessado na estória.

Esse é o grande diferencial do livro, e aconselho que todos o leiam, mesmo já tendo visto o filme. No livro existem muitas particularidades que a adaptação não mostra, e o final é bem mais trágico e triste que no cinema. Ainda assim, não esperem sentir medo ou vivenciar cenas de muito terror, pois isso não acontece: dá para perceber que King estava começando a trilhar seu caminho como mestre do horror, mas esse livro, atualmente, não consegue assustar o leitor.


Carrie, a estranha
Stephen King
editora Suma de Letras
200 páginas
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 4.0

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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

8 comentários:

  1. Eu fui lendo e lendo e lendo e gostei da resenha, mas não deveria ter lido. Você contou tudo :( Mas eu fiquei bastante empolgado. RsRs

    http://gabryelfellipeealgo.blogspot.com.br/

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  2. Oi, Joana. Eu assisti apenas partes do filme, deixando-o incompleto, mas por descuido e não por falta de vontade. Bem, o livro me interessa bastante e possui um toque poderoso e sombri, como algo imaculável. Gostei!

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  3. Joana!
    O livro é um dos meus favoritos do King, ao lado de
    O Iluminado.
    Mesmo assistindo o filme, o livro é muito mais completo, com os pensamentos das personagens paralelas a nosso dispor e todo entendimento do que aconteceu naquele dia.
    Livro mais que recomendado.
    “Só é lutador quem sabe lutar consigo mesmo.”(Carlos Drummond de Andrade)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    Participem do nosso Top Comentarista, serão 3 ganhadores!

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  4. Joana, eu ainda não li nenhum livro do autor, mas sempre ouço falar muito bem de suas obras. Assisti somente a primeira adaptação do filme e lembro-me que gostei muito, apesar de ser um pouco receosa quando o assunto é terror, mas acredito que o livro é mais impactante e vale a pena ser dado uma chance para leitura.
    Bjs!

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  5. Oiii,
    Infelizmente, ainda não li nenhum livro do Stephen King, porque não sou muito acostumada a ler livros de terror. Faz um tempo que eu já assisti a terceira adaptação (2013), e me interessei bastante pela história. Estava querendo comprar o livro há um tempo, pra tentar sair um pouco da minha "zona de conforto" e ler algo diferente. Já que você disse que é um terror "leve", acho que será uma boa ideia. Pretendo comprar na Black Friday, que já ta chegando (ufaa!!). Gostei da resenha, apesar de você ter contado bastante coisa da história, haha. Espero ler em breve e poder embarcar no mundo do horror!!

    Abraços,
    Yasmin- 365 Dias Literários

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  6. Também li ele para a Maratona. Uma coisa legal do livro é que ele vai falando aos poucos que aconteceu uma tragédia, mas nunca entrega totalmente o que foi, até que chega o dia dela.

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  7. Sua resenha ficou muito boa, mas acho que deveria tomar um pouco de cuidado com o que revela, quer dizer, mesmo que logo no inicio do livro já se revele grande parte do enredo, nem todos gostam de saber como a estória transcorre ><, mas, de modo geral, eu gostei da sua resenha ^^.
    Esse livro não está muito cotado por mim, eu já vi o filme e me decepcionei, o livro me parece mais rico, com diferentes pensamentos de diferentes personagens, mas mesmo assim tem seu cunho trágico e problemático.
    Não me oponho a Carrie se revoltar, muito pelo contrário, mas sua fúria deveria ter se voltado para as pessoas certas. Quando se procura redenção, é mais benéfico mostrar o sucesso disso, ainda mais em um livro, já que isso talvez faça com que mais pessoas se arrependam de um mal causado. Entretanto, se o fim vai ser trágico, independendo dos personagens serem bons ou maus, isso dá um pouco de descrença.
    Eu quero ler as obras do Stephen King, mesmo seu gênero não sendo o meu preferido, mas esse não está no topo da lista, não mesmo =/.

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  8. Oi Jo,
    Não curto muito nem toques de terror O.o e mesmo sabendo que o King estava apenas começando a trilhar seu caminho por esse gênero, sou medrosa e não cogito a ideia de ler esse livro O.o
    Beijocas ^^

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