domingo, 31 de janeiro de 2016

Fala, Rafa! - O apreço da rotina


Acenei e entrei no taxi branco, sentei no banco de couro e reparei que o motorista ouvia jazz e tinha no tapete do carro um ingresso de show - talvez algum outro passageiro tenha deixado por lá. 
Olhando na janela, começo a enxergar as pessoas como vultos, não sei se o gorro amarelo da menina loira foi comprado em uma loja barata ou ganhado de alguém especial, mas caiu super bem.
Recebo um sms no meu celular, era um "Boa noite" do meu atual pretendente, quem sabe aquilo foi da boca pra fora ou apenas do coração?
Levitei minha sobrancelha ao olhar uma criança no farol, me oferecendo uma rosa. O vidro estava fechado.
O barulho das buzinas estressadas incomodam minha mente, acho que os faróis altos impedem todos os juízos das pessoas.
Mais tarde, chegando em casa vejo que todos estão concentrados em smartphones, e então cumprimento o grupo da família.
Já deitada em minha cama, minha mãe pergunta como foi meu dia, e então eu conto que presenteei um motorista com um ingresso e não gastei um centavo, confessei que não deveria mesmo ter comprado o gorro amarelo porque a partir daquela promoção, muitas pessoas iriam o adquirir, ela sorriu e disse "Eu bem que avisei, os brincos de pétalas seriam melhor". Também disse que liguei para o Fred (meu namorado) três vezes e ele não atendeu, só não me ignorou mais que minha própria família que só me avistou depois de um "Olá" com voz ardida, assim que cheguei em casa. Mencionei que hoje consegui dizer a frase "Tome aqui um trocado garoto" a propósito mãe, coloque essa rosa na água por favor?! Ah, após essas desventuras liguei meus fones de ouvido, e me embalei em uma música gringa. Tudo que ela consegue me responder é um "Uau que dia intenso, chegou esse envelope pra você, tenha bons sonhos querida" nos despedimos com um beijo recíproco na testa.
Abri o envelope e era Fred dizendo "Amor, estou embarcando e provavelmente ficarei sem sinal, obrigada por abrir o vidro do táxi e receber a minha rosa, paguei aquele menino para fazer isso por mim, o observei do outro lado da calçada, e moça, obrigada por não mudar a sua rota, e parar sempre naquele semáforo, só pra constar você estava linda hoje. Te amo!"
Me senti uma tola por ter esquecido a data da ida dele até a cidade da avó, e uma traíra por duvidar de um simples "Boa Noite".
Fechei os olhos e sintonizei fortemente uma vontade de acordar amanhã, melhor do que hoje. E o melhor que eu digo, é o de saber declarar considerações.
O abajur desligou sozinho, após eu interligar meus pensamentos com meus sonhos.




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Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

3 comentários:

  1. Achei maravilhoso o texto, uma pérola, parabéns moça.

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  2. poxa, que crônica ótima!
    aconteça o que acontecer Rafa, não pare de escrever :)
    um beeeijo!

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  3. Aiiiin que lindoooo, Rafa!!!
    Ameeeei, a sincronia ficou ótima!!!!
    Demais mesmo! =D
    bjoos

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