terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Jogos mentais [Resenha]


"Em um mundo futuro, viver entre o universo real e o virtual é cotidiano. Todos os dias, as pessoas se plugam a uma realidade virtual, criada por uma poderosa empresa do governo, onde podem fazer tudo: se divertir, ir às compras ou estudar. Tudo sempre perigosamente controlado. Luna, diferentemente de seus amigos e de sua família, não consegue se conectar por inteiro a essa dimensão, por isso, permanece ao mesmo tempo nos dois mundos, real e virtual. Ser diferente nesse sentido, no entanto, acaba levando-a a fazer descobertas surpreendentes e assustadoras sobre essas realidades, que mudarão por completo os rumos de sua vida."

Mais uma distopia? Sim, porém, com um diferencial muito importante: aqui não temos apenas um novo mundo, com pessoas divididas em grupos e controladas por um grande irmão, mas sim, todo um universo com tecnologia avançada, que faz o leitor querer viver sempre conectado, como os personagens do livro.

Luna vive nessa época em que todo mundo tem como única diversão - e até forma de vida - se plugar a um mundo virtual, onde pode jogar, estudar, criar novos cenários, enfim, fazer tudo o que quiser. Mas ela não é como todo mundo, ela é uma Recusadora, ou seja, não quer viver plugada, quer continuar no mundo real. Diferente das outras pessoas, não ela não tem um implante, que além de monitorar o que todos fazem, ajudam a acessar os mundos virtuais mais modernos. Por isso, ela é considerada estranha.

A empresa que toma conta de tudo isso é a PareCo, criadora dos mundos virtuais, responsáveis pelos implantes e gerenciadora das pessoas. Eles criaram um sistema em que o povo acredita que estar plugado é muito mais seguro e divertido do que viver no mundo real, e todo mundo acredita cada vez mais nisso. Mas, como em toda boa trama, aquele que tem muito poder vai querer conquistar cada vez mas, e é ai que os problemas começam.

A PareCo não é 100% honesta, mas como já tem todos na mão, não precisam se justificar e podem manipular as pessoas como bem entender. Por isso Luna acaba se tornando uma ameaça para eles. Enquanto ela for uma recusadora e não admitir viver virtualmente como os outros, ela pode ver e descobrir coisas que as outras pessoas não conseguem. Ou seja, ela pensa por si própria.

Se isso não bastasse, Luna também é filha da hacker mais famosa do mundo, Astra, que, dizem, morreu durante um jogo virtual. Luna não sabia que sua mãe também foi parte da resistência, e que, por isso, seu legado é seguir seus passos, ainda que ela demore a perceber. Acontecimentos estranhos e a descoberta de um grupo que quer lutar contra o domínio da PareCo, fazem Luna questionar suas ações até então.

Quando Luna é chamada para um teste, conhece Genko, uma hacker bonito e inteligente, por quem ela logo se encanta. Genko é um tipo especial de hacker, chamado de Phacker, que pode manipular o vácuo, uma parte do mundo virtual onde as pessoas normais não vão. Depois de conhecê-lo, Luna começa a se plugar com mais frequência e está sempre no mundo virtual, onde passa momentos incríveis com Genko.

Seu teste revelou que ela iria trabalhar na PareCo, numa divisão chamada Tanque de Pensamento, que ela acaba descobrindo, com a ajuda de Genko, se tratar de um centro de controle onde a PareCo faz diversas experiências para novos jogos. A coisa se complica, e Luna tem que lutar contra o comando da empresa para tentar libertar o mundo da opressão da PareCo.

Não é possível falar mais sem dar spoiler da estória, mas posso garantir que o livro tem ação do começo ao fim. O universo criado por Terri Tery é eletrizante, e desafio vocês a lerem e não imaginarem como seria poder viver num mundo virtual, onde tudo é possível. Todos os elementos de uma boa distopia estão presentes aqui, mas nada daquilo que já conhecemos se repete. Apesar de ser possível identificar alguns elementos de Divergente e 1984, a autora soube trabalhar essas influências e desenvolver algo totalmente original, que não vai decepcionar os fãs do gênero.

Aconselho que todos leiam Jogos Mentais, e embarquem nesse universo incrível, onde tudo é possível, e lutar pela própria vida e pela manutenção da humanidade é um desafio. Os leitores não vão conseguir se desplugar enquanto não chegarem à última página.


Jogos mentais
Teri Terry
480 páginas
editora Farol Literário (Facebook: FarolLiterario)
nota do Skoob: 4.1
nota do blog: 4.2
(livro cedido pela editora em parceria)


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

3 comentários:

  1. Oi Joe
    eu vou confessar que eu ando um pouco enjoada de distopias, mas fala sério! não tem como não se interessar com uma história assim né?
    quando vc voltar quero saber mais detalhes pois acho q vou curtir ler esse.
    um beijo!

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  2. Poooxa, que diferente!!
    Nunca tinha lido nada sobre esse livro também, mas gostei muito, pois é bem diferente do que estou acostumada.
    E ao contrário das distopias mais conhecidas, não fica preso "ao fim do mundo", e sim numa era modernizada e tal, que me chamou muito a atenção.
    Anotado aqui, vou querer conferir, com certeza!
    bjo

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  3. Gostei da ideia criada nesse livro, nao consigo me imaginar no lugar de Luna de maneira alguma, com ceretza ja esta na minha lista!

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