domingo, 13 de março de 2016

Check in no afeto


De quantos olhares precisa para se apaixonar?

No meio da multidão a pressa é tanta que se torna impossível enxergar algum rumo, já é hora do embarque e eu adorei o seu casaco preto. Foi assim que nos conhecemos, e ainda não a conheço. O avião decola e nos corredores dele só consigo sentir o seu perfume. Dizem que é ficção sentir sem nunca ter tocado, mas só acredita nisso quem nunca foi amado, o amor transborda nos olhos, o amor é cinza como o cérebro (a respeito do meu daltonismo que me perdoem os doutores). O livro que você está lendo é o mesmo que li na semana passada, nele diz que o imprevisível é que dá sentido a vida, eu acreditei, quando terminei de ler olhei para os lados. Neste momento estará olhando ao seu redor, creio que já constou as páginas cheias. Seu próximo feito é sorrir. E sorriu. Que sorriso lindo. Não sou um maníaco mas foi assim que conheci a mãe dos meus filhos, sorrindo, porque é sorrindo que se termina e começa boas histórias.

Sr Comandante, não deixe o avião pousar ainda não conquistei o coração dela. Pensará eu.

Quanto tempo ainda falta para eu continuar nas nuvens? Pensará eu. Que belo tênis o daquele rapaz. Não é desperdício reparar nos pés, pois os pés é que são o nosso sustento, mas que se dane a sustentabilidade, que audácia é essa de reparar na poltrona ao lado? Foi assim que nos conhecemos, e ainda não o conheço.

Por causa dela, precisarei tomar um ar, acenderei um cigarro no banheiro que balança, só não mais que meus sentimentos com turbinas. A física diz que toda ação causa uma reação.

A minha foi quando a encarei.
A minha foi quando eu reparei que um dos meus assentos estava vazio.

<<A nossa reação foi essa>>

- Me permita a companhia cara tripulante? Só se for do meu lado pensará ela.
- Sim eu permito. Respondeu
E ocupei o espaço ao lado dela.

Toda proeza se inicia com o ‘’Sim eu permito’’ e todo avião pousa quando chega ao seu destino, mas ele não deixa nunca de fazer viagens.
- Quer me dar as mãos?
- Quero.

E estamos como passageiros de poltrona até hoje. Só que dessa vez, como companheiros no sofá da nossa casa.



Este post é válido para o Top Comentarista, participe!



Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

3 comentários:

  1. Oi Rafa!
    Nossa que lindo esse texto, adorei !!
    Parabéns, perfeito !!

    ResponderExcluir
  2. Aiii que fofuraaaa, Rafa!!
    Me lembrou de quando eu ficava de olhos nos gatos do colégio ou na rua (eu seguia eles por toda parte do colégio, com meus migos claro,mas... QUE VEERGONHAAAAA!!! kkkkkk).
    Amei seu texto, fofésimo como diria nossa diva Thalita!
    bjos

    ResponderExcluir
  3. Você escreve muito bem! Parabéns.
    Gostei muito da crônica. Ficou muito fofo *-*

    ResponderExcluir

Olá! Que bom ter você por aqui!
Fico feliz em receber seu comentário, crítica ou sugestão. Pode falar a vontade, esse espaço é seu. Acompanhe a resposta ao seu comentário clicando em "Notifique-me".
Obrigada pela visita!