quinta-feira, 21 de abril de 2016

Clímax [Resenha]

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"Penny Harrigan é uma jovem recém-formada em Direito, que trabalha no maior escritório de advocacia de Manhattan. Vinda do meio-oeste, ela mora em um apartamento no Queens com duas colegas, e há tempos não tem sinal de vida amorosa. Por isso, imagine o choque que leva quando C. Linus Maxwell - ou ClíMax, o megabilionário famoso por casos com as mulheres mais lindas e cobiçadas do planeta - a convida para jantar? Pois ele não só a leva ao restaurante mais badalado de Nova Iorque, como também a uma cobertura de Paris, onde, caderneta à mão, começa a conduzi-la por dias e dias de ápices insonháveis de prazer orgásmico, Vai reclamar? Sim: Penny descobre que é a cobaia na etapa final de pesquisa e desenvolvimento da Beautiful You, uma linha de apetrechos sexuais que serão vendidos às mulheres do mundo todo, numa cadeia multinacional de lojas."

Nunca tinha lido nada do Chuck, e sempre ouvi ótimas opiniões sobre seus livros, então resolvi começar por esse, e não por Clube da luta, e não me decepcionei: ele realmente escreve muito bem, e sua narrativa é fluida e inteligente.

Com uma protagonista que não tem nada de boba e inocente, mas está um tanto quanto decepcionada com o rumo que sua vida está levando, Chuck satiriza as personagens insossas dos chick-lits que dominam o mercado desde o surgimento de Christian Grey. Peny é uma advogada que não consegue passar no exame da Ordem, por isso não é respeitada no escritório onde trabalha, sendo, na maioria das vezes, vista como a garota responsável pelo café.

Seus sonhos são ambiciosos: ela quer se realizar profissionalmente e segui o exemplo das mulheres que sãos seus ídolos, fazendo algo importante para as outras mulheres do mundo. Mas isso se mostra mais difícil do que ela imagina. No âmbito pessoal, ela quer achar um amor sim, mas há muito tempo não tem um relacionamento.

Então ela é abordada por C. Linus Maxwell, um milionário poderoso que a chama para sair, contrariando todas as suas expectativas. Após o primeiro encontro, todos os jornais e revistas já estão falando deles, e ela acha que vai ser o fim. Mas Max volta a convidá-la com frequência, e eles ficam cada vez mais juntos. Depois de transarem pela primeira vez, Penny percebe algo estranho: ele não faz sexo, ele estuda e analisa o corpo dela, como se fosse uma experiência. O que, mais tarde, ela descobre ser verdade.

Max está criando uma linha de produtos eróticos nunca antes vista, que vai levar as mulheres a orgasmos super intensos, como elas jamais poderiam sonhar. E Penny nada mais é do que uma cobaia, com quem Max faz seus testes e aperfeiçoa seus produtos. Após 136 dias, ela a dispensa, e lhe dá uma grande soma em dinheiro para que ela nunca fale com ninguém sobre o que fizeram juntos.

A linha de produtos Beautiful You cai como uma bomba no mercado: as mulheres ficam totalmente dependentes dos brinquedos, abandonam trabalho, família e toda a sua vida pregressa para ficaram trancadas nos quartos usando as criações de Max. O mundo real vira um caos, já que os homens se desesperam e não sabem mais o que fazer para trazer de volta suas mulheres.

O cenário passa a ser quase pós-apocalíptico: com mulheres viciadas nos orgasmos proporcionados pelos brinquedos de Max, caminhando pelas ruas como zumbis, enquanto outras se exaurem sozinhas em seus quartos, sem comer ou dormir.

Penny se sente responsável pela situação e tenta resgatar as mulheres desse transe, mas não consegue fazer nada; as dependentes do prazer se voltam contra ela, enquanto os homens querem atacá-la, já que ela parece ser a única que não está viciada nos brinquedinhos. As ruas ficam perigosas para Penny, e isso a impede de seguir seu plano.

Para piorar, ela descobre que através desses apetrechos, Max está implantando nas mulheres nanorrobôs, que viajam por sua corrente sanguínea e dão a ele total controle sobre o que elas pensam. Apavorada com a situação, já que ela mesma foi uma vítima do plano malígno de Max, ela vai atrás da mentora sexual dele para tentar aprender algo que o impeça de dominar o mundo.

A narrativa de Chuck é brilhante, e ele tem o dom de descrever lugares e situações com poucas palavras, mas que criam uma imagem na cabeça do leitor. Seus personagens são muito bem construídos, e todos têm a personalidade bem definida. Além disso, a estória é atemporal, mas ao mesmo tempo faz referências à fatos contemporâneos, como a recente febre causada pela saga Crepúsculo. Aliás, o autor deve detestar os livros de Meyer, pois fala sobre eles diversas vezes num tom totalmente irônico.

Eu estava achando o livro perfeito, até o seu desfecho, quando ele deixou de fazer sentido. Achei o final, e os acontecimentos que levaram a ele, bem fraco. Depois de ler quase 200 páginas de uma estória empolgante e inovadora, esperava que o autor fosse dar a sua protagonista um final mais digno. Talvez esse seja o estilo do Chuck, ou talvez minha expectativa fosse alta demais, mas o fato é que não gostei conclusão.

O livro é divertido, inteligente, intrigante e gostoso de ler. Recomendo para todos que procuram uma leitura ágil e fluida, e que gostam de um estilo narrativo moderno, sem floreios e com personagens marcantes.

Clímax
Chuck Palahniuk
editora Leya
224 páginas
nota do Skoob: 3.5
nota do blog: 3.5



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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

5 comentários:

  1. Eu adoro esse autor.
    Mesmo você dizendo que não gostou muito do final, ele já está na minha lista. Talvez o final realmente não seja muito bom, mas pelo que você falou sobre o resto, talvez valha a pena. rs
    Beijo

    Canastra Literária | Facebook | Twitter

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  2. Oi Jo,
    Achei sinistro esses nanorrobôs O.o
    Não pretendo lê-lo mesmo sendo uma leitura ágil.
    Beijocas ^^

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  3. Poxa, fiquei muito decepcionada quando você falou do final auehaueha Sempre tive curiosidade pra ler os livros do autor e ela não diminuiu depois que você falou sobre a narrativa ágil. Quero ler, acho que vou assumir o risco do final auehauehuaeh
    Beijos

    http://notasmentaisparaumdiaqualquer.blogspot.com/

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  4. Oi! Comprei mes passado o clube da luta, to bem ansiosa pra ler. Dizem que é muito bom, uma pessoa me disse que o livro é confuso mas depois no final entende tudo, nao sei como é a escrita dele, mas vamos ver. Nao sabia desse outro lviro dele, se eu gostar de o clube da luta vou procurar clima. Eu gosto de livros ageis e a narrativa fluida entao acho que vou ler sim!

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  5. Sinceramente? Não é pra mim!!!
    Gosto mesmo é de um bom romance romântico, ou livros fantásticos.
    Nada contra, mas achei meio sem noção, sei lá, não gostei.
    bjs

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