segunda-feira, 30 de maio de 2016

Um pouquinho de...
























"Havia apenas o predador e sua vítima.
- Por favor... não... - implorou ela no português com gosto brasileiro, submissa entre as garras que a rasgariam por inteiro - ... não me mate...
Matar?! Era o que mandava o instinto... Era a ordem imposta pela lua cheia. Ela mandava. Ela ordenava e ele obedecia.
Foi o vento que trouxe as nuvens negras. E foram elas que encontraram o brilho intenso do luar. A escuridão se tornou completa naquele trecho da praça. A vítima não se mexia, em pânico, caída de costas contra o chão imundo, seu atacante sobre ela. As garras, porém, não se decidiam a terminar o que deveriam começar. Ele aproximou o focinho assustador da vítima, os dentes perigosos próximos demais da pele morena, quase colados à fêmea que desejava com voracidade."

(capítulo 1, página 10)



Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

domingo, 29 de maio de 2016

Semana especial Sangue de Lobo

Olá leitores! Durante toda essa semana vamos falar muito por aqui sobre o livro Sangue de lobo, das autoras Rosana Rios e Helena Gomes. Essa estória vem me conquistando a cada página, e tenho certeza que vai ganhar vocês também.

E fiquem ligados ao longo da semana, pois vai rolar sorteio!























"Como analisar as inúmeras narrativas sobre lobisomens? Uma forma é vê-las pelos olhos das vítimas dessa fera; outra forma é tentar enxergar os fatos do ponto de vista do lobo.
Em algumas histórias do folclore mundial, a maior preocupação é de se matar os lobisomens: eles são vistos como feras antropófagas e malignas, que devem ser exterminadas. Daí a necessidade das balas de prata ou untadas com cera benta.
Em outros contos, a questão já não é essa. A licantropia é mostrada como uma desdita, uma maldição, um castigo que atormenta um homem. A ênfase nesse caso está na ambiguidade, na angústia daquele que é humano mas também é fera, e está sujeito às imposições do instinto animal, quando se transforma: mata, dilacera, não reconhece nem mesmo seus entes queridos. No momento em que se retoma sua primeira natureza (a forma humana), o sofrimento do homem-lobo é intenso, pois o humano sabe o que pode fazer quando a segunda natureza se sobrepõe à sua humanidade - e embora em algumas histórias ele se lembre do que fez, horrorizando-se, em outras ele tem ao menos a benção (embora ambígua) do completo esquecimento.
Tais narrativas propõem, então, maneiras de dar fim à sina dos lobisomens. O folclore brasileiro é incisivo nesses casos: diz que basta que se faça seu sangue correr. E o sangramento do lobisomem não implica a sua morte, ele apenas deve ser feito para que o sangue corra.
Essa crença tem muita relevância, pois indica que o Fator Lobisomem - o que quer que sejo o que o faz virar lobo - corre em seu sangue. Por mais que as histórias e depoimentos variem, está aí uma coisa de que não se pode duvidar."

(Introdução do capítulo 5, página 229)



Esse livro é cheio de ação, mortes e muita mitologia, que dão a base para as autoras construírem a estória do personagem Daniel Lucas, o lobisomem de 120 anos que, ao longo de sua existência, se viu envolvido numa série de assassinatos macabros, que afetaram diretamente sua vida. Mas também há espaço para o romance, e apesar de se transformar em lobo a cada lua cheia, Daniel é capaz de amar, e muito.

Acompanhem essa semana especial e participem do sorteio, um leitor vai levar pra casa o incrível livro Sangue de lobo.


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

terça-feira, 24 de maio de 2016

No buraco [Resenha]



"Teo Zanquis está na praia, em Ipanema, falando consigo mesmo. E a história que ele conta é a sua própria, a de um guitarrista de uma banda de rock de um único sucesso nos anos 80, cujos discos só podem ser encontrados em sebos musicais do centro de São Paulo. A vida profissional e artística de Zanquis atingiu muito rápido seu apogeu para, em seguida, com a mesma rapidez, mergulhar no mais retumbante esquecimento. A história de Teo, narrada num tom confessional que praticamente embute o leitor na pele do personagem, acaba resvalando num curioso plot detetivesco de desfecho tão inesperado quanto brilhante, narrado com um humor ácido e contundente."

Mais uma estória fascinante de Tony Bellotto; aqui ele continua usando cenários do nosso dia a dia para criar uma narrativa leve e bastante divertida, carregada de ironias, reflexões e muito rock and roll. Ao retratar as desventuras de o guitarrista de uma banda que só teve um grande sucesso, ele quase cria seu alter-ego mal sucedido, que não conseguiu ser o rock star que queria ser.

Teo Zanquis começa a relembrar sua história, desde os primeiros momentos como guitarrista, até os piores fracassos alcançados por sua banda, e pior, as confusões em que ele se envolve pessoalmente, por se apaixonar por uma mulher misteriosa ou por participar de orgias sexuais regadas a muita droga e bebida. A narrativa intercala as lembranças de Teo com as coisas que ele vê (e ouve) na praia, onde ele está no momento presente. Ali, com a cabeça dentro de um buraco na areia (situação que dá nome ao livro), ele escuta pedaços de conversas de banhistas e reflete sobre o conteúdo delas, criando ganchos para que ele conte suas memórias.

O livro é cheio de passagens divertidas, com um humor ácido e inteligente, além de críticas a algumas convenções sociais que enfrentamos diariamente. Os personagens foram pensados e concebidos de forma brilhante, para que complementassem as histórias do protagonista, Teo. Além disso, o autor consegue criar cenários complexos e conturbados, mas que, ao ler, nos parecem bastante conhecidos, quase comuns. A trama principal, que é o envolvimento de Teo com a garota oriental que trabalha na loja de discos, tem o desfecho mais inesperado possível, e com certeza o leitor não conseguirá imaginar o plot final dessa estória.

A escrita do Tony é moderna, fluida e muito envolvente: enquanto faz um retrato irônico do cotidiano comum, ele aproveita para problematizar aquele sonho de ser uma grande estrela do rock, mostrando que essa vida não tem tanto glamour quanto imaginamos, e que o sucesso está próximo do fracasso. Muito mais do que podemos imaginar.


No buraco
Tony Bellotto
editora Cia. das Letras
256 páginas
nota no Skoob: 3.6
nota do blog: 4.0

Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Um pouquinho de...

"Alba sabia muito bem como se virar sozinha na floresta. O lobisomem perdeu seu rastro duas vezes. Ao final da perseguição, encontrou-a abrigada numa gruta de difícil acesso, praticamente invisível entre as folhagens, mesmo durante o dia. Sem ter por onde escapulir, a jovem fingiu que dormia para enganá-lo.
O lobisomem concordou com o truque. A lua cheia, em sua última noite de dominação, controlava-o com cada vez menos intensidade. No céu, ela se recolhia para reencontrar seu auge apenas no mês seguinte. Enfraquecido, o lobisomem se deitou ao lado de Alba e adormeceu. Antes mesmo que o primeiro raio de sol pintasse o horizonte, um muito humano Hector se esforçava para erguer as pálpebras pesadas de sono."

(página 163, capítulo 11)



Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Sexta de música #110 - Too late



Ontem postei a resenha (link aqui) de Too late, livro que a Colleen Hoover postou, capítulo a capítulo, todinho no Wattpad. Para nossa alegria, as meninas do Ugly love BR fizeram a tradução para o português, com anuência da autora, e nós podemos ler mais essa estória incrível da CoHo.

O romance é cheio de tiro, porrada e... muito amor! Impossível não se apaixonar por Luke/Carter e Sloan. Impossível ficar indiferente a toda a maldade e loucura de Asa, personagem maligno, daqueles que odiaremos para sempre. Impossível também não rir da autora quando posta o prólogo da obra no final, para que o leitor entenda tudo o que aconteceu, e consiga entrar no psicológico dos personagens, ouvir seus pensamentos e sentir tudo aquilo que eles sentem.

Como já é costume aqui no blog, vou compartilhar com vocês a playlist que foi surgindo durante a leitura. Se vocês já leram Too late, podem concordar ou não com as músicas escolhidas. Se vocês não leram, estão esperando o que? O livro ainda está disponível on-line (a autora disse que não vai ter versão física). Corram e leiam agora mesmo mais esse drama cheio de sofrimento, redenção e amor, ao melhor estilo Colleen Hoover dc escrever.

Curtam a playlist!





1. Lost Stars - Adam Levine
2. Single - New kids on the block
3. Playing God - Paramore
4. Madness - Muse
5. Rather die young - Beyoncé
6. Love, hope and misery - Jake Bugg
7. I don't trusty myself (loving you) - John Mayer
8. Lettera - Renato Russo
9. Vamos fugir - Skank
10. Love is easy - McFly





Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Too late [Resenha]



"Sloan iria ao inferno e voltaria por seu irmão caçula. E ela vai todos os dias. Forçada a continuar um relacionamento com o perigoso e moralmente corrupto Asa Jackson, Sloan fará o que for preciso para que as necessidades de seu irmão sejam atendidas. Nada entrará em seu caminho. Nada exceto Carter. Sloan é a melhor coisa que já aconteceu para Asa. E se você perguntá-lo, ele diria que ele é a melhor coisa que já aconteceu para Sloan. E ele nunca planejou deixá-la ir embora; mesmo quando ela não aprova seu estilo de vida sinistro. Mas apesar da desaprovação de Sloan, Asa sabe o que é necessário para ter o que quer, e ele o fará. Ele sabe o que precisa fazer para continuar no topo, e ele o faz. Nada entrará em seu caminho. Nada, exceto Carter."

Esse é o livro com temática mais adulta até agora. Com cenas de violência, drogas, polícia, bandido, abusos em geral. Mas com o toque da autora, tudo isso se transforma num romance gostoso de ler.

Nossa protagonista, a doce Sloan, teve uma vida muito sofrida desde sempre, com uma mãe relapsa e um irmão que necessita de cuidados especiais, ela sempre se viu no olho do furacão, tendo que equilibrar estudos com a dedicação ao irmão caçula. Quando conseguiu entrar para a faculdade, arrumou um abrigo que cuidasse dele e partiu, deixando a mãe cuidar da própria vida.

Assim, sem ter onde morar e como se sustentar, ela acaba conhecendo o cara de seus sonhos numa de suas aulas, e, por mais incrível que lhe parecesse no momento, ele se aproxima dela e convida para sair. A partir daí ela se torna o centro do universo de Asa Jackson, e o alvo de suas maiores crueldades. Sem ter para onde ir, ela se muda para a casa dele, enquanto ele paga os custos do tratamento de seu irmão. A princípio, Sloan se apaixona por Asa, mas aos poucos ela vai percebendo que a relação lhe trás mais sofrimento do que prazer.

Asa é um traficante de drogas que, como não poderia deixar de ser, ganha muito dinheiro, está sempre cercado dos amigos mais estranhos e vive dando festas em sua casa/comércio. E Sloan fica no meio de tudo isso, aguentando pessoas bêbadas e drogadas, longas noites com a casa cheia e um Asa explosivo e muito ciumento.

Até que de repente ela conhece um cara muito simpático na aula de espanhol, e eles acabam se aproximando um pouco. Mais tarde, para desgosto de Sloan, esse mesmo carinha aparece na casa de Asa, como se fossem muito amigos. Isso é uma decepção para a garota, que passa a achar que Carter não passa de mais um bandido, quando, na verdade, ele é um policial disfarçado, tentando obter provas contra o esquema de Asa e mandá-lo para a cadeia.

Assim a trama está construída, e a princípio pode-se sentir um pouco de raiva de Sloan por ela não lutar contra sua situação, não tentar se afastar de Asa e conseguir uma vida digna, mas depois, conhecendo todos os detalhes de sua relação com o namorado e a preocupação que ela tem com o estado de seu irmão, vemos que ela tem muito pouco a fazer naquela momento.

Por outro lado, Asa Jackson é o personagem mais detestável que já vi, quase se comparando a Dolores Umbridge de Harry Potter. Ele mente, engana, manipula, trai, usa drogas e abusa de Sloan das mais variadas formas, tudo sob o pretexto de pagar o tratamento do irmão dela. Asa é cruel e a cada capítulo, a cada atitude idiota dele, o ódio do leitor só aumenta.

Com todo esse sofrimento, Sloan encontra em Carter uma válvula de escape, e não podemos culpá-la por se apaixonar pelo jeito protetor e carinhoso dele. Todas as vezes que ela se sente usada por Asa, lá está ele para lhe dar apoio. Com a delicadeza da autora, podemos vivenciar momentos lindos e singelos entre os dois, daqueles de arrancar suspiros das leitoras e fazê-las sonhar com um Carter de carne e osso. Mas como sabemos, os livros da Colleen trazem mesmo essa felicidade momentânea para depois mergulhar num sofrimento terrível. Too late não poderia ser diferente.

Há muita coisa em jogo: a carreira de Carter, a vida de Sloan, a saúde de seu irmão, e tudo isso está nas mãos de Asa, com toda a sua loucura e crueldade. Mesmo depois de conhecer a sua história de vida e entender (um pouco) como ele se tornou o que é, não é possível perdoar todas as maldades que ele fez com Sloan e Carter, e o leitor mais radical vai torcer para que ele se dê muito mal no final.

Todos os leitores do blog sabem o quanto eu admiro as obra das Colleen, e esse livro não mudou minha opinião. Aqui, apesar dela trabalhar temas mais pesados, ainda é possível identificar os elementos que me fizeram amar sua escrita: momentos extremamente românticos entre os protagonistas, cenas em que eles criam uma linguagem própria, e que conseguem envolver tanto o leitor, que ele sente falta daquelas pessoas quando a estória acaba. A autora sabe como trabalhar o sentimento e as características de cada um de seus personagens, e torná-los quase reais, o que faz dela uma das minhas autoras preferidas.

O livro só está disponível no Wattpad, onde a própria CoHo postou os capítulos diariamente, e as meninas abençoadas do site Ugly Love BR fizeram a tradução para o português. Acessem o link da plataforma clicando aqui e conheçam essa emocionante estória, tenho certeza que você vão adorar.

Too late
Colleen Hoover
disponível no Wattpad
300 páginas
nota no Skoob: 4.5
nota do blog: 4.8


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

terça-feira, 17 de maio de 2016

O vilarejo [Resenha]

onde comprar: Amazon//Fnac//Saraiva 


"Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas, É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome. As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão."

Sete contos curtos, que narram a história de um estranho vilarejo perdido em algum lugar não especificado, recebe a visita de uma entidade demoníaca, que faz com que uma maldição passe a vigorar no local. A partir daí, os sete pecados influenciam os acontecimentos, e cada conto do livro recebe o nome de um demônio ao qual o respectivo pecado é atribuído.

Segundo o prefácio do livro, os contos podem ser lidos em qualquer ordem, mas não é bem assim: por exemplo, se o leitor optar por ler o último capítulo antes dos outros, vai estragar totalmente a surpresa final, o momento mais assustador de toda a leitura. Os contos possuem uma ligação tênue entre si, e a cada estória o leitor vai sendo conduzido para o ápice da trama, na última página.

Os contos são curtos, de leitura rápida e com uma linguagem simples, que facilita a compreensão. O autor consegue manter a atmosfera de mistério em cada estória, com personagens sinistros e muitas vezes até cruéis, mas na medida certa para sua construção. A narrativa é fluida e inteligente, e como o livro tem apenas noventa páginas pequenas estórias, o leitor se vê envolvido e curioso para descobrir o desfecho de todos os mistérios.

Essa foi a primeira vez que li Raphael Montes, e tinha altas expectativas, por causa das boas críticas que ele recebeu, e fiquei bastante satisfeita. Além da narrativa forte, a criação de personagens assustadores e os cenários dignos de um bom filme de terror, o projeto gráfico impressiona, por ser bastante diferente dos livros que estão sempre entre os mais vendidos, cheio de fotos com imagens macabras e páginas meio escurecidas, que ajudam a da o tom de horror à leitura.

Super recomendado para leitores que curtem suspense, e para aqueles que precisam dar uma chance para autores nacionais.


O vilarejo
Raphael Montes
editora Suma de Letras
96 páginas
nota no Skoob: 4.3
nota do blog: 4.0


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Tempestades de sangue [Resenha]



"Durante o último ataque de mitológicos à Fortaleza Negra, Sasha sofreu perdas irreparáveis. Agora, só o que ela quer é juntar os cacos e seguir em frente. Mas, quando menos espera, ela se depara com um esquema de tráfico de sangue dentro da Fortaleza e resolve usar essa informação para se aproximar de Klaus, o líder dos Mestres vampiros. Já Mikhail viaja na companhia dos irmãos, numa caçada aos mitológicos, e está concentrado em encontrar seus inimigos e dar fim ao grupo que atacou a Fortaleza. Mal sabe ele que, enquanto isso, Sasha está se arriscando para desvendar todo o mistério que envolve o tráfico de sangue, ao mesmo tempo que tenta se reaproximar de Blake, cientista que criou uma arma para exterminar mitológicos, mas que pode estar tramando contra os Mestres. Sem que imagine, as investigações de Sasha a levam a percorrer um caminho sem volta que acaba se tornando seu pior pesadelo."

A continuação de Fortaleza Negra volta ao ponto onde o primeiro terminou (relembrem com a resenha clicando aqui), e Sasha continua se sentindo abandonada por Mikhail. Muito por causa dessa sensação, ela acaba se envolvendo em outras confusões, inclusive com o superpoderoso Mestre Klaus, aquele irmão de Mikhail que nunca foi com a cara dela.

Depois de outras grandes tragédias acontecerem dentro da Fortaleza, Sasha fica ainda mais próxima de seus amigos, Kurt e Lara, mas, por outro lado, ela também volta a se relacionar com Blake, jovem cientista que trabalha com seu pai no desenvolvimento da super arma que irá dizimar os mitológicos, únicos inimigos dos vampiros e maior ameaça à vida dentro da Fortaleza.

Nessas suas conversas com Blake, Sasha ouve algumas coisas que a fazem desconfiar dele, e tudo leva a crer que o menino vai usar a arma secreta dos vampiros contra os próprios, favorecendo a entrada dos mitológicos na Fortaleza. A partir dessa descoberta, ela decide impedi-lo de fazer isso, sozinha e sem o conhecimento de ninguém.

Essa sua atitude a coloca no maior perigo que ela já viveu, presa nas garras dos maior inimigo de Mikhail e os outros Mestres, e que pretende matá-la apenas para fazer seu amado vampiro sofrer. Além disso, ele quer invadir a Fortaleza, matar os mestres e assumir o controle do lugar. Sasha não vê saída, e até que ela consiga sair dessa situação de vida ou morte, muita coisa acontece, e ela sofre como nunca.

Por outro lado, Mikhail está sofrendo com a distância, e quer logo voltar para casa, para sua Sasha. Apesar disso, com tudo o que está acontecendo, um romance com uma jovem humana não é prioridade para o Mestre, e o namoro dos dois não vai a lugar algum.

Nesse segundo livro há muito sofrimento, muito sangue e  fortalecimento de laços de amizade e familiares, além de um conhecimento maior dos outros Mestres, além de Mikhail. A autora nos mostra mais detalhes de seus pensamentos e do que eles acham da relação do Mestre com Sasha. De forma brilhante, a autora deixa o final em aberto para o próximo livro da trilogia, e isso ao mesmo tempo que nos deixa muito irritados, nos faz querer agradecer a Kel Costa  por ser tão competente na criação de suas estórias.

Tempestades de sangue talvez seja até melhor que seu predecessor, por manter a linha vampiros clássicos com um toque de modernidade na ambientação, e personagens muito bem construídos. O enredo é envolvente e dinâmico, não há enrolação, e a cada página um acontecimento que deixa o leitor apavorado e ao mesmo tempo apaixonado pela estória. O universo criado pela autora é capaz de agradar aos fãs mais radicais e também conquistar aquelas meninas órfãs de um certo vampiro brilhante.

Leiam e se encantem por Mikhail, assim como vocês se encantaram por Lestat ou Drácula. A estória de Kel Costa não deve em nada para os clássicos vampiros da literatura, e vai deixa-los ansiosos pelo próximo volume.



Tempestades de sangue - Fortaleza negra #2
Kel Costa
editora Jangada
304 páginas
nota no Skoob: 4.7
nota do blog: 4.8


Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Um pouquinho de...

"Toquei a última corda e também a afinei muito ligeiramente. Fiz um acorde simples e o dedilhei. O som produzido foi suave e afinado. Desloquei um dedo e o acorde tornou-se menor, de um jeito que sempre me soara como se o alaúde dissesse 'triste'. Tornei a mover as mãos e ele produziu dois acordes que segredavam um para o outro. E então, sem perceber o que fazia, comecei a tocar.
As cordas provocaram uma sensação estranha em meus dedos, como a de amigos que se reencontram depois de haverem esquecido o que tinham em comum. Toquei baixo e devagar, sem levar as notas além do círculo de luz de nossa fogueira. Dedos e cordas travaram uma conversa cuidadosa, como se sua dança descrevesse os versos de um enamoramento. 
E então senti alguma coisa romper-se dentro de mim e a música começou a se derramar em silêncio. Meus dedos dançaram; intrincados e velozes, teceram  algo diáfano e trêmulo no círculo da luz da fogueira. A música se moveu qual teia de aranha balançada por uma brisa suave, mudou como uma folha rodopiando ao cair e soou como três anos de Beira-Mar em Tarberan, com um vazio por dentro e mãos doendo de frio intenso."

(página 215, capítulo 34)



Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Top comentarista maio + resultado abril










Amiguinhos, fechamos mais um mês com muitas participações de leitores lindos desse blog, e vamos saber agora qual deles levou o prêmio de abril:



Dos participantes do top comentarista de abril, apenas duas leitoras foram elegíveis para o sorteio, com 14 comentários cada. Jogando seus respectivos números no site random.org, a ganhadora foi Ana Paula Lelis, que terá 72 horas para responder ao nosso e-mail com seus dados para envio do livro.

Mas se você não ganhou, que tal tentar novamente esse mês? Olha que prêmio lindo de bonito:




Bela Redenção, segundo liro da série Irmãos Maddox, que todas as leitoras amam! Para participar, sigam todas as regrinhas abaixo com atenção:


Comentar nesta postagem com nome de seguidor, e-mail válido e perfil no Facebook ou Twitter  para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato com o vencedor. 

Curtir a fanpage do blog no Facebook clicando aqui;

- E claro, comentar em todas as postagens do mês.

Lembrando que:
  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de participantes, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org ou no sorteador.com;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do e-mail, e o blog não se responsabiliza por atrasos ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.


Quero ver muitas leitoras (e leitores) comentando hein! Boa sorte a todos =)