quinta-feira, 16 de junho de 2016

A caçadora - Sorriso de vampiro [Resenha]


"Quem nunca se apaixonou por um vampiro, que atire a primeira estaca. Jéssica levava uma vida simples, até descobrir que seus pacatos pais - um dentista e uma professora - eram, na verdade, caçadores de vampiros. Pressionada para seguir a tradição da família, parte em uma viagem  para provar de uma vez por todas que vampiros não existem e que seus pais precisam de terapia. Ao frequentar a universidade onde um suposto vampiro atua, ela faz amigos estranhos, uns tais otakus, e é perseguida por líderes de torcida e outros tipos populares. E antes que perceba, acaba se interessando por um rapaz que só pode ser vampiro - pálido, lindo, só sai à noite e tem cara de que usa muito delineador. Com o tempo, Jéssica perceberá que a verdade vai bem além dos livros, e acabará pondo em risco muito mais que o pescoço: seu próprio coração."

Um livro divertido, uma estória descontraída, com vampiros, líderes de torcida e um pouquinho de romance, como poderia ser ruim? O primeiro volume da trilogia A Caçadora me fez rir e ver o universo vampiresco por um ângulo bem diferente. Adoro vampiros, desde os mais clássicos até os mais populares, e nesse livro pude conhecer o lado mais cômico deles.

Jéssica, um jovem de 29 anos, que faz questão de frisar que é ruiva e magra, tem uma vida bem simples, trabalhando como secretária de um contador, até que descobre que sua família não era tão comum quanto ela acreditava: seus pais são caçadores de vampiros, que trabalham para um tal Conselho, e que agora quer que ela seja uma caçadora também. Ela nunca tinha pensado na existência de vampiros até então, e, cedendo à pressão feita pela mãe, acaba aceitando a missão de matar um vampiro chamado Erick, que está causando o terror na Universidade da Pensilvânia.

Ao chegar, ela faz amizade com umas garotas otaku, que curtem RPG, cosplay e anime, e que ajudam Jessica a se localizar na universidade. É através delas que ela descobre que não existe nenhum Erick ali, mas um tal de Zack, que é o cara mais lindo da faculdade, e tem hábitos estranhos. Jessi não tem dúvidas de que o Conselho se enganou com os nomes, e que Zack é seu alvo. Ela dá um jeito de se aproximar dele, para começar a pensar em como vai matá-lo, e é a partir daí que tudo começa a dar errado.

Jéssica não imaginava que ia se apaixonar por ele logo de cara, e que não conseguiria acabar com a vida do vampiro, apesar de saber que está ali exatamente para isso. Zack é sexy, tem cabelos pretos e olhos azuis ao melhor estilo Damon Salvatore, e vive dando indiretas e provocando Jessi o tempo todo. As coisas vão se complicando, eles vão ficando cada vez mais próximos, enquanto a caçadora começa a sentir que algo está errado: ela está sendo perseguida por algo que ela chama de "presença", e que parece ser bem maligna. Ao mesmo tempo, Jessi tem que enfrentar o desdém da líder de torcida Linda, que vive fazendo bullying com ela, e as ameaças anônimas que aparecem em sua porta de tempos em tempos.

Entre o dilema de matar Zack e a vontade de ficar com ele para sempre, Jéssica vai aos poucos conhecendo o universo sobrenatural, descobrindo que tem poderes especiais e que, apesar de já ter passado da adolescência há algum tempo, ainda pode agir como uma.

Os pontos fortes desse livro são: a linguagem coloquial, muito simples e direta, com diálogos tão bem escritos que parecem reais; a fluidez da narrativa, que facilita demais a leitura; e, principalmente, o bom humor. O foco aqui não era criar uma mitologia, um universo em que os vampiros parecessem mais sombrios ou uma caçadora forte e determinada, que não desiste de sua missão por nada. A graça está realmente na falta desses elementos, e essa é a proposta da estória: divertir, entreter, e a autora conseguiu fazer isso com perfeição.

Os protagonistas são engraçados, cheios de dúvidas, como pessoas reais, e os personagens secundários também são sólidos e têm participações determinantes na estória. As meninas otaku são super divertidas, e apesar do livro todo ter uma pegada divertida, elas acabam sendo o alivio cômico da narrativa. Mesmo nos momentos mais tensos, em que Jéssica está em perigo, encontramos algumas passagens engraçadas e tiradas inteligentes, que não quebram o ritmo narrativo e deixa bem claro que tudo não passa de uma grande sátira/homenagem às estórias clássicas de vampiro.

A autora se mostra grande conhecedora do universo vampiresco ao citar várias obras do gênero, como Entrevista com vampiro, Buffy a caça vampiros, Blade, Vampire Diaries e até Crepúsculo. Além disso, ela cita muitos ícones da cultura pop contemporânea, como Madonna, Star Wars, A família Adams, O senhor dos anéís e Harry Potter. Tudo isso envolve o leitor faz com que ele continue preso à estória até o final.

Apesar de alguns sustos que a protagonista leva, tudo acaba bem (ou nem tanto), e ela percebe que, apesar de não ser fácil caçar vampiros, ela leva jeito para a coisa - apesar de ter se apaixonado pelo primeiro que viu. O romance vai surgindo aos poucos, e é bem discreto dentro da estória, ainda que Jessi deseje ficar com Zack assim que o conhece.

Como o livro é curtinho, da pra ler rapidinho, e passar momentos divertidos ao lado desses personagens encantadores. Leitura super recomendada para quem já gosta do gênero vampiresco e tem a mente aberta para todos os tipos de criaturas sobrenaturais, quer elas brilhem ou durmam em caixões.

A caçadora - sorriso de vampiro
Vivianne Fair
Editora Draco (Facebook da Editora aqui)
196 páginas
nota no Skoob: 4.3
nota do blog: 4.6
livro cedido pela editora em parceria


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

2 comentários:

  1. Oi Joana,
    Super normal você acordar um dia e seus pais falarem que são caçadores de vampiros né? Acontece todo dia kk.
    Já estou bem apaixonadinha pelo Zack só pelas descrições. Nunca li nada com vampiros mas como esse livro é pequeno e parece ser bem levinho acho que eu encararia.
    Parabéns pela resenha, bem completa.
    Beijos

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  2. Oi Jo,
    Apesar de não gostar tanto de vampiros (acho que já saturou pra mim sabe?), achei interessante envolver lideres de torcidas, ainda bem que o romance vai surgindo aos poucos. Como o livro é curtinho, dá pra intercalar com uma leitura e outra.
    Beijocas ^^

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