sábado, 23 de julho de 2016

Momento HQ: Maus

Olá, ávidos leitores. Deixaremos de lado por um instante os heróis que nos inspiram por décadas, e vamos falar sobre uma HQ diferente. A realidade do mundo também pode ser contada em quadrinhos, aliás, é muito mais divertida e interessante quando contada em quadrinhos. Hoje nós voltaremos 80 anos para contar a história de um homem sobrevivente ao holocausto. Hoje vamos fala de Maus.

A mistura entre não-ficção e HQ sempre nos proporciona histórias fantásticas, falaremos de muitas aqui em nosso momento, mas hoje quero chamar a atenção para o relato sobre Vladek, polonês, judeu e sobrevivente da segunda guerra mundial. Seu filho, Art Spigelman, cartunista norte americano, descreveu a vida de seus pais em uma emocionante história em quadrinhos.

Existem milhões de relatos de sobreviventes do holocausto, portanto, essa ideia pode não ter sido a mais original dos últimos anos. Porém a maneira como Art descreve cada capítulo e os diálogos são tão inspiradores que esse trabalho lhe rendeu o mais importante prêmio do jornalismo: Maus é a primeira graphic novel a ganhar um prêmio Pulitzer.





O relato começa com nosso protagonista, Vladek Spiegelman morando de New York com sua segunda esposa, Mala. Vladek recebe a visita de seu filho, Art, que diz estar escrevendo um relato sobre a história de sua família a partir do início dos anos 30, quando moravam ainda na Polônia. É então que Vladek passa a contar, com detalhes, como foram os anos até a guerra chegar e passar por eles, por meio de um surpreendente depoimento.


A arte é toda monocromática, dando um aspecto arcaico às páginas, e criando um efeito de um documentário gravado em preto e branco. Como o roteiro gira em torno de uma entrevista entre pai e filho, duas linhas temporais são apresentadas e estão bem estabelecidas. Porém, a veracidade do conto se encontra nos detalhes que Spiegelman teve o esmero de trazer. Primeiro, a representação de animais no lugar dos humanos é um toque sutil e de muita audácia. Os judeus são ratos – daí vem o nome, "maus" significa ratos em alemão –, os alemães são representados por gatos, e os outros poloneses em geral são porcos.

Além disso, Art mostra o diálogo como um não-nativo americano deveria falar. Existem erros no vocabulário de Vladek que passam uma veracidade inacreditável àquela conversa. Juntamente com episódios que vão além da entrevista em si. O relato humaniza os personagens mostrando também um pouco da vida pessoal de cada um naquele momento.

Para aqueles que são apaixonados por história, Maus é um prato cheio para enxergar a segunda guerra sob um outro prisma. O avanço das tropas alemãs, a polícia nazista e como os poloneses viam o terceiro Reich é uma experiência incrível. Os diálogos são bem simples e detalhados, portanto a leitura é prazerosa e contínua, quase que ininterrupta. Definitivamente, esse livro está entre os mais interessantes sobre a segunda guerra mundial e deve fazer parte da coleção de todos que apreciam uma boa aula de história.




































Portanto, procurem um anexo escondido em seus vizinhos, nunca confiem num homem usando casaco Hugo Boss e reveja quais marcas o seu próprio passado guarda em segredo.


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João Oliveira, jornalista, aficionado por quadrinhos, livros e cinema. Mochileiro em busca de sua próxima aventura.

@oliveira_jh

2 comentários:

  1. João, eu não sou muito de HQ, mas amoooooo ler tudo sobre a segunda guerra ( e outras guerras também), e fiquei encantada com essa HQ, preciso ler urgente, e compreender mais essa nova perspectiva da história e fatos verídicos.
    bjs

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