sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Caixa de pássaros [Resenha]


"Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de Pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Uma história que vai deixar o leitor completamente sem fôlego, mesmo depois de terminar de ler. Basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune e ninguém sabe o que provoca essa reação nas pessoas. Cinco anos depois do surto ter começado, restaram poucos sobreviventes, entre eles, Malorie e seus dois filhos pequenos. Ela sonha em fugir para um local onde a família possa ficar em segurança, mas a viagem que tem pela frente é assustadora: uma decisão errada e eles morrerão."

Um mundo onde não se pode abrir os olhos ou você morre. Esse é o mote do livro. Mas durante a leitura percebe-se que ele vai muito além disso: o enredo fala de sobrevivência e de como os humanos agem perante um grande perigo.

Sem nenhuma explicação, pessoas começam a morrer de forma cruel após visualizar uma coisa que não é definida, já que quem a viu não ficou vivo para descrever como era. Então não fica claro se se trata de uma criatura, um monstro, um alien ou uma situação que leva quem a vê à loucura total. Algumas pessoas que viram a coisa se auto mutilaram cruelmente até a morte, outras ficaram completamente loucas e morreram. O clima de suspense está criado, e a leitura toda vai ser embalada por ele.

Depois da morte de sua irmã, Malorie, que está grávida, sai de casa para tentar encontrar algum lugar que esteja habitado, para que ela possa conviver com mais sobreviventes. Para sair à rua, é necessário vendar os olhos, assim a coisa não vai atacá-la. Sem saber para onde vai, Malorie segue até uma vila de casas e acaba encontrando uma onde está um grupo de pessoas que se uniu para sobreviver. Ela se junta e eles e por algum tempo tudo corre bem.

Todos eles trabalham em conjunto para manter o ambiente habitável: buscam água no poço, cuidam da sujeira do banheiro improvisado e até saem em busca de mantimentos, comida e remédios, sempre com os olhos cobertos. A organização funciona em harmonia até que um homem estranho e misterioso, Gary, se junta a eles, dizendo que o grupo de pessoas com quem estava antes foi vitima da criatura.

O lider do grupo Tom, confia em Gary, mas Malorie não. Ela acredita que Gary está louco, que já viu a criatura, e que está ali apenas para conduzi-los ao caos. E a partir dessa desconfiança, cria-se um conflito, que vai mudar a forma como eles viveram na casa até então. Além do medo do que está lá fora, agora Malorie também teme o desconhecido que está debaixo do mesmo teto que ela, e isso torna a convivência insuportável.

Por todo o livro alguns personagens saem de casa, vendados, e passam por momentos de terror psicológico digno de Stephen King, e, se estivessem num filme, fariam o espectador pular da cadeira. Os personagens nunca sabem o que os cercam, já que não podem olhar, mas eles sempre podem sentir, e ouvir sons estranhos a cada passo que dão fora da casa. Viver na expectativa de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento acaba com os nervos da pessoa.

E além de todas as dificuldades de se viver preso dentro de uma casa, com estranhos, sem saber como será o dia seguinte, Malorie ainda está para ter o bebê, e sofre pensando em como vai criá-lo num mundo desconhecido, onde não se pode abrir os olhos. Para piorar a situação ainda mais, no ápice da estória acontece uma reviravolta incrível, que pode deixar a protagonista em uma dificuldade muito maior do que se imaginava.

O fio condutor da narrativa é a dúvida, o medo do que está lá fora e das consequências de se olhar para o desconhecido. Todo esse suspense mantém a leitura num ritmo frenético, é quase impossível largar o livro antes do fim. O autor conseguiu criar um cenário de terror perfeito, que faz o leitor imaginar o que faria se não pudesse usar seus olhos para sobreviver. Tudo é muito bem ambientado, os personagens têm sentimentos latentes, e são bastante intensos. Até o título do livro foi tirado de uma situação limite vivida durante a estória, e só descobrimos isso durante a leitura.

A estória toda remete a um apocalipse zumbi elevado à décima potência, onde as pessoas, privadas da visão, precisam enfrentar um terror desconhecido lá fora, ao mesmo tempo que encaram seus maiores medos dentro da casa. Além disso, a narrativa em terceira pessoa mais as diferentes linhas temporais permitiram ao autor transitar entre a consciência dos personagens e narrar alguns acontecimentos sob diferentes pontos de vista, aumentando ainda mais a sensação de terror que atinge a protagonista a cada capítulo. Enquanto em alguns momentos estamos acompanhando o que aconteceu há algum tempo, através das memórias de Malorie, em outros seguimos no presente, junto com ela e as crianças em sua viagem suicida, em busca de um lugar para viver em paz.

O objetivo de Malorie é salvar as crianças e levá-las para um abrigo que ela acredita existir, e para isso, precisam sair de casa, vendados como sempre, e seguir de canoa por um rio até o ponto onde ouvirão uma voz por um alto falante. Todo esse trajeto é permeado de horror e momentos de extrema tensão, nos quais o Garoto e a Menina (não, eles não têm nome, são chamados assim pela mãe), são obrigados a usar seus outros sentidos para tentar se salvar.

A leitura toda é uma viagem louca pelo medo e o horror, desde a primeira morte pela criatura desconhecida até os momentos em que Malorie treina os recém-nascidos para não abrir os olhos e apurar sua audição e seu tato para se defender.

Infelizmente, o final é bem simples, e não condiz com toda a emoção proporcionada pelo restante da leitura, apesar de não ser previsível. Mas, particularmente, eu tinha medo de que isso acontecesse, pois é comum um escritor criar um super drama, cheio de tensão e não conseguir dar a ele um final tão empolgante. Mas ainda assim, é um livro que precisa ser lido, precisa ser sentido.


Caixa de pássaros
Josh Malerman
editora Intrínseca
272 páginas
nota no Skoob: 4.2
nota do blog: 4.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

9 comentários:

  1. Oi Joana.
    Estou doida para ler esse livro.
    Deve ser angustiante não poder ver o que está ao seu redor, para não ficar louco e morrer. Deve ser uma adaptação bem difícil para aqueles que já estavam acostumados ao sentido da visão.
    Achei interessante a história ser narrada em dois tempos diferentes, entre a Malorie grávida e depois de ter seus filhos. Acho que é um paralelo interessante.
    Espero ler esse livro em breve. Parece que a tensão de não saber o que vai acontecer não acaba nunca.
    Uma pena o final ter sido tão simples =/

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  2. Eu estava louca para lê-lo quando foi lançado, mas vi umas resenhas bem negativas, que diziam ter um final bem aberto e até ser enrolado.
    Agora, amei sua resenha, me deu um gás, uma vontade de ler agora! rsrs
    Mas é muito tenso, e to achando que o final será triste pra Malorie e as crianças.
    Vou querer conferir sim, quem sabe não gosto? Ainda este ano kkkk
    bjss

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  3. Oi!
    Gosto muito de distopias e diante de tantas que temos esse livro me interessou logo de cara por ter uma historia bem diferente, achei esse mundo criado pelo autor fascinante me deixando interessada, mas acabou que não li e ao ler a resenha vi que não é o tipo de livro que irei gostar !!

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  4. Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas me pareceu bem interessante. Não sou muito fã de livros de suspense, porém sua resenha despertou muito a minha curiosidade. Vou ter que procurar!

    www.diariodeumajujuba.com.br

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  5. Eu li esse livro há um tempinho e foi uma decepção para mim, não fiquei tensa, não senti agonia, não me apeguei aos personagens, nada. Esperava bastante coisa e acabei não curtindo nada :/

    ourbravenewblog.weebly.com

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