quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O garoto do cachecol vermelho [Resenha]


"Melissa é uma garota linda, rica e mimada, que sempre consegue o que quer e tem todos na palma da mão. Ela acredita que a carreira de bailarina é a única coisa que realmente importa, porém, suas certezas são abaladas quando faz uma aposta com um garoto misterioso, que parece ter como objetivo virar sua vida de cabeça para baixo. De repente, Melissa se vê dividida entre dois caminhos: realizar seu maior sonho, pelo qual batalhou a vida inteira, ou viver um grande amor. Mas, não importa aonde ela vá, todas as direções apontam para o garoto do cachecol vermelho..."

Esse é um livro que desperta diversas emoções diferentes: com uma protagonista irritante, pedante e muito, mas muito mimada, e um personagem fofo, humano e paciente de outro lado, podemos amar e odiar facilmente, de uma página para a outra.

A jovem Melissa é sim muito chata e trata todo mundo mal, até a melhor amiga, mas tudo isso é compreensível, já que ela não tem pai e a mãe nunca está presente - ela é médica e está sempre viajando para atender seus pacientes. Assim, Mel fica o tempo todo sozinha em casa, supervisionada apenas pela governanta, que faz um pouquinho do papel de mãe e é a única pessoa que ela respeita.

Seu grande sonho e único objetivo na vida é ser a primeira bailarina negra do American Ballet Theatre, e por isso, ela treina incessantemente, e só se sente completa quando está dançando. Aliás, ela é uma bailarina excelente. Mas, quando não está no estúdio nem na faculdade, ela está em baladas com os amigos e, na maioria das vezes, muito bêbada para fazer algo de bom.

Melissa também tem um relacionamento com um menino de sua turma, que acha que são namorados, mas que ela não quer assumir oficialmente. Como seu objetivo é mudar para New York e estudar balé na Juilliard, ela não quer se apegar a nenhum garoto.

Por mais que eu tente expressar o quanto Melissa é chata e mimada, você não vão conseguir sentir a irritação que ela causa enquanto lemos a estória. Ela trata todo mundo como se fosse lixo, inclusive o Pedro, com quem ela tem a "amizade colorida" e sua melhor amiga Fernanda. Mel acha que só ela é importante, e só o que ela quer é realizar seu sonho. Até que ela conhece Daniel, e tudo começa a mudar.

Numa situação bem inusitada, Mel vê Dani pela primeira vez, e já o insulta muito, mesmo sem conhecê-lo. Na verdade, Melissa não aprendeu a respeitar os outros, a entender as diferenças entre as pessoas e aceitar que ninguém tem culpa por sua solidão. E como Daniel é uma pessoa de coração imenso, se propõe a ajudar Mel a sair desse mundinho que ela vive, ficando ao lado dela por 3 meses. Se no final desse prazo, Melissa não tiver aprendido nada sobre a vida, ele simplesmente a deixa ir e agir como quiser.

Claro que a convivência  com uma pessoa tão doce quanto Daniel iria despertar em Melissa (e nas leitoras), uma paixãozinha fofa, que pode ou não ser correspondida por ele. Mel, em muitos momentos, mostra a Dani seu pior lado: egoísta, indiferente e mimada, enquanto ele tenta abrir seus olhos para o lado mais humano das pessoas, ainda que elas sejam bastante diferentes dela.

Daniel é uma graça; além de ser lindo e estar sempre sorrindo, ele toca violão e canta muito bem. Ele está sempre usando um cachecol vermelho no pescoço, e a explicação para isso é bem fofa. Com muita doçura e dedicação, ele vai aos pouco conquistando Melissa e levando-a para seu mundo, onde ela pode ver que, no fundo, todas as pessoas são iguais, e devem ser respeitadas.

O romance entre eles é inevitável, mas as confusões continuam, e, às vezes, Melissa tem uma queda e volta a mostrar seu lado mais infantil e mimado. Mas eles vão se acertando e conseguem viver uma linda história de amor.

A estória é bem estruturada, bem ambientada e os personagens são bem desenvolvidos. O problema para mim foram os clichês. Isso é ruim? De jeito nenhum. A autora usou de clichês demais na construção de sua narrativa, mas eles encaixaram bem na proposta do livro. Temos abuso sexual, violência, bebedeira, roubo, muito sofrimento e morte, na caminhada até o final feliz. Ou nem tão feliz assim. Mas apesar de tantos lugares comuns, a leitura é agradável.

Levando em consideração que o livro foi escrito por uma autora muito jovem, e é voltado para o público da mesma faixa etária, ele cumpre o que promete. É encantador e arrebatador, faz sorrir e chorar, e ainda ensina algumas coisinhas. Da defesa aos direitos da mulher até o respeito pelo próximo, o leitor vai se sentir numa montanha-russa em vários momentos, mas vai conseguir se divertir enquanto lê.

Infelizmente, eu acabei tomando um spoiler da própria autora numa comunidade de escritores no Facebook, e o descobri plot principal da narrativa antes da hora, o que estragou um pouquinho a minha experiência de leitura. Além disso, algumas coisas que ela postou em seu próprio perfil me fizeram desconfiar de algo que iria acontecer a um dos personagens, e isso também me deixou chateada. Não a culpo, ela estava apenas fazendo seu marketing. Isso não me fez gostar menos do  livro, apenas tirou algumas surpresas que eu poderia ter enquanto lia.

Apesar dos clichês e da raiva que Melissa desperta no leitor, vocês devem ler sim, pois O garoto do cachecol vermelho é fofo, e Daniel é quase um príncipe de contos de fadas. Tenho certeza que as leitoras vão amá-lo, e vão aprender a gostar da Mel também, depois de entender suas razões para ser como é.

O garoto do cachecol vermelho
Ana Beatriz Brandão
Editora Verus
294 páginas
nota no Skoob: 4.6
nota do blog:


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

6 comentários:

  1. Vejo muita (e não estou brincando quando digo MUITA) gente falando sobre este livro. Eu nunca parei para ler uma resenha...só passava por cima. E só agora entendo o pq que ainda não o li kkk.
    Parece ser tão fofo. Gosto de clichê na medida do possível.
    Pq todo menino fofo e lindo tem o nome Daniel nos livros? Kkkk
    Sua resenha está incrível.

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    1. Obrigada Halana! Leia, é mesmo bem fofo *___*

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  2. joana!
    Já me abusei da Mel só em ler sua resenha, que menina abusada e irreverente, cheia de si e sem pensar nos outros....
    Por outro lado, já me apaixonei por Daniel e espero que ele tenha conseguido mudar um pouco a Mel e a tenha tornado mais humana. Nem sei se ela merece o amor dele, mas fico na torcida.
    “Prefiro os erros do entusiasmo à indiferença da sabedoria.” (Anatole France)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP Comentarista de OUTUBRO com 3 livros + BRINDES e 3 ganhadores, participem!

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    1. Rudy, ela é muito irritante, mas td mundo merece uma segunda chance, e é isso que o Daniel mostra pra ela e pra nós ;)

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  3. Quero muitooo mesmo lê-lo!
    Já tenho no kindle, comprei no lançamento.
    Mas agora to com medo, o Dani morre?
    ODEIO MORTES DE PERSONAGENS QUERIDOS!!!
    Deu medo de ler, acho que vou dar uma boa postergada na leitura kkkk
    Parece ser uma linda e rica história, de verdade.
    bjs

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    1. Ai Ana, não vou responder, rsrsr.
      Qdo vc ler volta aqui pra me contar o q achou.
      Bjos!

      16

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