quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Enclausurado [Resenha]


"O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante - que também é o tio do bebê -, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro é uma joia do humor e da narrativa fantástica. Em sua aparente simplicidade, ele é uma amostra sintética e divertida do impressionante domínio narrativo de McEwan, um dos maiores escritores da atualidade."

Sou fã do autor desde que li Reparação (adaptado para os cinemas como Desejo e Reparação), e, quando soube do lançamento de Enclausurado, já fiquei interessada. O interesse aumentou quando soube que seu argumento era inspirado em Hamlet, de Shakespeare, obra da qual também sou grande admiradora. Eis que, ao começar a leitura, já ficou bem clara essa inspiração, começando pelos nomes dos personagens principais: a mãe é Trudy, como Gertrude e o padrasto do bebê é Claude, enquanto em Hamlet ele é Claudius.

"Era eu? Autoadmiração excessiva. Era agora? Dramática demais. Ou algo que antecedia ambas, continha ambas, uma só palavra acompanhada de um suspiro ou de um apagão mental de aceitação, de puramente ser, algo como - isto? Muito pedante. Por isso, chegando mais perto, minha ideia foi Ser. Ou, se não isso, sua variante gramatical, é. Esse foi meu conceito original, que tem na essência é." 
(página 11 - clara inspiração em ser ou não ser, drama hamletiano).

O livro todo é narrado pelo feto, ainda na barriga da mãe, mas ele tem uma perspectiva muito própria do mundo em que ele futuramente viverá: o autor fez questão de dar a ele o poder de explicar as coisas pela impressão que ele tem delas, ainda que não veja nada. Há momentos em que o bebê é capaz de dizer que cor de roupa a mãe está usando, mesmo sem conhecer realmente as cores, ou até refletir sobre economia, política, geopolítica e poesia, tudo através do que ele ouve, ou do que a mãe ouve e chega até ele. O brilhantismo do autor está na capacidade de criar esse narrador onisciente, mas que ainda não nasceu, e é grande conhecedor de vinhos, por ter provado aqueles que a progenitora bebeu, e por ter absorvido inúmeras informações dos podcasts que ela gosta de ouvir. É por meio desses podcasts que o bebê forma boa parte de sua opinião sobre tudo.

"Como é que eu, nem mesmo jovem, nem mesmo nascido ontem, posso saber tanto ou saber o suficiente para estar errado sobre tantas coisas? Tenho minhas fontes, eu escuto."

"No meio da noite longa e serena, posso sapecar um bom pontapé em minha mãe. Ela acorda, perde o sono, liga o rádio. Uma maldade, eu sei, mas estamos os dois bem informados de manhã."
(página 12)

Mas o principal acontecimento e que dá ao narrador o ponto de partida para a história é que ele  ouve sua mãe planejando com o amante o assassinato de seu pai. Assim como em Hamlet, Trudy está de caso com o irmão da vítima, e eles querem ver John morto apenas para ficarem com a casa dele, que, parece valer muito dinheiro. Para conseguir isso, eles querem envenenar o pai da criança e fazer com que a morte pareça suicídio, resultado de uma possível depressão. No decorrer da leitura, dá para sentir uma certa pena de John, que é um humilde poeta sendo enganado pela esposa grávida de nove meses e seu irmão, um idiota que mal sabe formular uma frase, mas que gosta muito de dinheiro.

A narrativa transita entre as reflexões do bebê sobre a possível morte de seu pai, a sua desconfiança de que a mãe o dará para doação logo depois do nascimento, e a vontade de agir, tentando evitar a tragédia iminente. Além disso, temos vários momentos em que dá para notar que o autor incluiu alguns trechos para expressar sua própria opinião sobre coisas que ele não concorda, usando o olhar do narrador. Isso é muito bem inserido na história e não atrapalha em nada o desenvolvimento da trama.

"O pessimismo é fácil demais, até mesmo delicioso, o emblema e enfeite dos intelectuais em toda parte. Exime as classes pensantes de buscar soluções." (página 34)

O que mais chama a atenção são as descrições pormenorizadas de diversos momentos de sua vida na barriga da mãe: ele é capaz de reconhecer a maioria dos sentimentos dela, através de batimentos cardíacos, pulsação ou até mesmo a respiração. Também consegue imaginar o humor do pai, enquanto ele lê poesias para a mãe, ou até julgar a índole do tio/padrasto, enquanto ele tenta convencer Trudy de que o golpe que estão prestes a aplicar é infalível. A narração de uma cena de sexo entre Trudy e Claude é algo sensacional, que só comprova a habilidade do autor em criar histórias marcantes: o feto conta exatamente o que acontece no ato sexual de maneira detalhada, porém, simples, e nos mostra exatamente qual é o nível de envolvimento da mãe com o tio.

"Nem todo mundo sabe o que é ter o pênis do rival do seu pai a centímetros do seu nariz. (...) Fecho os olhos, aperto as gengivas, me apoio nas paredes uterinas. Essa turbulência sacudiria as asas de Boeing. (...) Toda vez, a cada movimento do pistão, temo que ele rompa a barreira, perfure os ossos ainda moles do meu crânio e irrigue meus pensamentos com a essência dele." (página 28)

"Com polegares ágeis ela se livra da calcinha. Entra Claude. Ás vezes ela a chama de minha ratinha, o que parece agradar Trudy, mas não há beijos, nada é tocado nem acariciado, murmurado ou prometido, nenhuma lambida generosa, nenhum devaneio brincalhão." (página 30)

Quando li o final, achei um pouco decepcionante, mas depois refleti sobre ele, e voltei a lê-lo, e acabei entendendo que aquele era o único desfecho possível, levando em conta a forma como o autor conduziu toda a trama. Em alguns momentos senti raiva da mãe, exatamente como o bebê, em outros é fácil entender sua motivação - não que isso a torne aceitável -, da mesma forma que dá para sentir o medo do feto em ficar sozinho no mundo enquanto ele testemunha as atitudes impensadas da mãe. É um livro de fácil leitura, mas que faz pensar a cada página, no que é certo e no que é errado. Acima de tudo, é uma história sobre o caráter das pessoas, e sobre como algumas delas podem ser tão egoístas a ponto de perderem a razão. Um livro lindamente escritor por Ian, sem enrolação e que leva o leitor direto ao ponto, conduzido pelo bebê que ainda não nasceu. Leiam.


Enclausurado
Ian McEwan
editora Cia. das Letras
200 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 4.2

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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Um pouquinho de...

"Uma delas era um fotógrafo de uma revista feminina chique. Tirava fotos em dose de minha fuça. Diante da minha entediante inexpressividade, ele pediu 'atitude no olhar'. Continuou fotografando e eu me perguntando o que é um olhar com atitude.
É um olhar bravinho? É um olhar sensual? É um olhar demente, destemido, desinteressado. ditador, corrupto, carente, crítico, confuso, criminoso, cético, babaca, bacana, baitola, bastardo, ateu, apaixonado, apimentado ou aprisionado? Ou com tudo isso junto e mais um pouco, tal qual um suflê de olhares?
Fiz bravinho. Ele: 'Ótimo.' Fiz demente. Ele: 'Ótimo.' Fiz desinteressado, corrupto, confuso, bastardo, ateu e aprisionado. Ele: 'Ótimo, ótimo, ótimo, ótimo, ótimo e ótimo.' Na verdade, qualquer coisa que eu fizesse seria um olhar com atitude. Na verdade, atitude não significava nada."

(página 119)


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domingo, 22 de janeiro de 2017

Nude


- Para, para.
- Parar o quê?
- Isso.
- Mas é pra você.
- Tira o relógio.
- Pronto, o tempo é todo nosso agora.
- As meias, não ficaram boas nessa parte.
- Posso tirar?
- Tira também.
- Coloca tamb...
- Shiu! Não posso colocar nada agora, só tirar.
- Então chega mais perto.
- Tá enxergando?
- Essas reticências no seu olhar?
- Não seu bobo
- essa interrogação no seu texto
- Ah, você que faz a exclamação.
- Me ama?
- Te amo!
- Perfeito.
- Agora sim.
- Ficou como?
- Ainda não arrumei o que você escreveu.
- Pera, como está?
- Está assim:
"O relógio da rotina dura menos que as meias brancas de nossas crianças. Mesmo assim, será que te amo?"
- Amor, deixa assim.
- Eu que escrevi.
- Mas tá quase nada.
- Tá um nude.
- É essa a ideia?
- Sim, aí está a gente, o nude de nós.
- Transparentes.
- Parentes.
- Gostei da explicação.
- Agora faz um favor?
- Já escreveu na sua agenda?
- Sim.
- No bloco de notas do seu celular?
- Sim.
- Falta em um lugar.
- Qual?
- Na minha boca.
- Oh.
- Ah.
- Você quer nude?
- Da sua alma sim.
- Então feche os olhos.
- Fechei.
- Pode ser em shot?
- Só se for.
- Agora!

imagem: tomge



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Rafa Peres, crônista e futura jornalista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Grey - Cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian [Resenha]

onde comprar: Submarino//Extra//Amazon

"Na voz de Christian, e através de seus pensamentos, reflexões e sonhos, E. L. James oferece uma nova perspectiva da história de amor que dominou milhares de leitores ao redor do mundo. Christian Grey controla tudo e todos ao seu redor: seu mundo é organizado, disciplinado e terrivelmente vazio - até o dia em que Anastasia Steele surge em seu escritório, uma armadilha de pernas torneadas e longos cabelos castanhos. Christian tenta esquecê-la, mas em vez disso, acaba envolvido num turbilhão de emoções que não compreende e às quais não consegue resistir. Diferentemente de qualquer mulher que ele já conheceu, a tímida e quieta Ana parece enxergar através de Christian - além do empresário extremamente bem-sucedido, de estilo de vida sofisticado, até o homem de coração frio e ferido. Será que, com Ana, Christian conseguirá dissipar os horrores de sua infância que o assombram todas as noites? Ou seus desejos sexuais obscuros, sua compulsão por controle e a profunda aversão que  sente por si mesmo vão afastar a garota e destruir a frágil esperança que ela lhe oferece?"

Toda a história do primeiro livro da trilogia Cinquenta tons de cinza está novamente aqui, porém, agora quem conta os fatos é o próprio Christian. No começo pode ser meio cansativo ler tudo novamente, os diálogos, a troca de e-mails, mas conforme a leitura vai se desenvolvendo, a coisa fica até interessante.

Desconsiderando a repetição, o principal trunfo desse novo trabalho de James é desmistificar o protagonista, revelando aos leitores que ele pode sim ter um lado bem humano, e não ser aquele dominador sem sentimentos que todos veem o tempo todo. É muito interessante conhecer os pensamentos de Christian quando ele vê Ana pela primeira vez, e entender por quê afinal ele achou que ela seria uma boa submissa, quando, na verdade, todos sabemos que ela não se encaixa nesse estilo de vida.

Em alguns momentos dá para sentir o sofrimento de Christian, e foi com  descobrir a real causa de seus pesadelos, entrando em sua mente e acompanhando os sonhos que o atormentam muitas noites. Também podemos concluir que, além de ganhar mais milhões de dólares, a intenção da autora aqui foi meio que redimir Christian; em alguns momentos, suas reflexões soam quase como um pedido de desculpa àqueles que criticaram negativamente a trilogia, mostrando que ele não é um homem que maltrata mulheres, nem que bate nelas por maldade e outras tantas coisas que foram ditas sobre a conduta sexual do personagem. Grey gosta de relações dominador/submissa, e toda e qualquer mulher que se submeteu às suas surras foi totalmente consciente e com permissão das mesmas.

"Nunca corri atrás de uma mulher. As mulheres que tive entendiam exatamente o que eu queria delas. Meu medo é que a Srta. Steele seja muito jovem e não esteja interessada no que tenho a oferecer. Será? Será que ela daria uma boa submissa?" (página 22)

A melhor parte do livro, para mim, é o final, que vai um pouco além de onde termina o primeiro livro na versão da Ana. Vemos como Christian reagiu à sua partida, e como ele tomou a decisão de finalmente voltar a procurá-la. E também as lembranças de quando ele era criança e perdeu a mãe. Vemos várias vezes um flashback do pequeno Christian na casa dos pais adotivos, sem falar com ninguém e cheio de medos, antes de conhecer a terrível Ms. Robinson.

"Tive uma noite divertida, repleta de música, uma inspeção nostálgica pelo meu iTunes, criando uma lista para Anastasia. Lembro-me dela  dançando na cozinha. Gostaria de saber o que estava ouvindo. Ela ficou totalmente ridícula e absolutamente adorável. Isso foi depois que trepei com ela pela primeira vez.
Não. Depois que fiz amor com ela pela primeira vez.
Nenhum dos dois me parece correto." (página 520)

Parece também que a escrita de James evoluiu, apesar de ser a mesma história, dá para ver que ela melhorou bastante. A trilogia Cinquenta Tons é uma obra que divide opiniões desde que ficou mundialmente famosa: ou amam ou odeiam. No meu caso, eu gosto muito, e não consigo olhar a história pela perspectiva de quem acha que é uma apologia à violência contra a mulher, esse tipo de coisa. Na verdade, não existe nada disso aqui, e mesmo os livros não explorando tão profundamente as relações BDSM, é disso que eles tratam. Uma mulher que aceita o estilo de vida do homem por quem está apaixonada, mas não aceita ser humilhada nem maltratada gratuitamente. Tanto que, como todos já devem saber, depois de levar uma surra de Christian, totalmente consensual, ela percebe que aquilo não é para ela, e vai embora. Ana não aceita apanhar, ainda que seja como uma forma de explorar e proporcionar prazer.

Ninguém é obrigado a ler o que não gosta, mas não sejam aquele tipo de pessoa que não conhece, mas repete uma crítica ruim só porque ouviu alguém dizer que é ruim.


Grey - cinquenta tons de cinza pelos olhos de Christian
E. L. James
editora Intrínseca
528 páginas
nota no Skoob: 4.0
nota do blog: 4.0


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A garota do calendário - janeiro [Resenha]

onde comprar: Submarino//Extra//Fnac

"Ela precisava de dinheiro. E nem sabia que gostava tanto de sexo. O fenômeno editorial do ano e best-seller do New York Times, USA Today e Wall Street Journal. Mia Saunders precisa de dinheiro. Muito dinheiro. Ela tem um ano para pagar o agiota que está ameaçando a vida de seu pai por causa de uma dívida de jogo. Um milhão de dólares, para ser mais exato. A missão de Mia é simples: trabalhar como acompanhante de luxo na empresa de sua tia e pagar mensalmente a dívida. Um mês em uma nova cidade com um homem rico, com quem ela não precisa transar se não quiser? Dinheiro fácil. Parte do plano é manter o seu coração selado e os olhos na recompensa. Ao menos era assim que deveria ser... Em janeiro, Mia vai conhecer Wes, um roteirista de Malibu que vai deixá-la em êxtase. Com seus olhos verdes e físico de sufista, Wes promete a ela noites de sexo inesquecível - desde que ela não se apaixone por ele."

Eu já tinha lido o mês de fevereiro, e voltei para janeiro apenas para saber quem era o tal Wes de quem Mia tanto falava. E descobri: ele foi seu primeiro cliente, e é o sonho de consumo de muitas mulheres. Lindo, sarado, bronzeado, inteligente, rico e bom de cama. Como ela não se apaixonaria por ele?

Mia está trabalhando como acompanhante na agência de sua tia, a Sra. Milan, que lhe dá o emprego para que ela consiga dinheiro para pagar o agiota que deixou seu pai em coma no hospital. O pai deve um milhão para esse bandido, que ameaçou matar Mia, seu pai e sua irmã, Madison, caso a dívida não seja paga.

Trabalhando como acompanhante, Mia ficará um mês com cada cliente, e assim, conseguirá dinheiro suficiente para salvar a todos. Ela fara companhia para os homens mais ricos dos Estados Unidos, e não necessariamente fará sexo com eles. Caso isso aconteça, ela receberá um adicional de 25 mil dólares.

Assim, Mia vai para a casa do seu primeiro cliente, Wes, um roteirista de cinema que só quer afastar as mulheres interesseiras que se aproximam dele nos eventos. Com Mia a seu lado, elas não chegariam tão perto. Então, morando na casa de Wes em janeiro, ela descobre que não conseguirá resistir aos encantos do milionário por muito tempo, e eles acabam transando. Muitas vezes.

As cenas de sexo são muito bem detalhadas, e estão por todo o livro. Ele é curtinho, dá para ser lido em poucas horas, e pode ser uma leitura bem agradável para passar o tempo. Não é um erótico sem coerência, como alguns por ai, e tem um enredo bem construído. Os personagens são clichês de romance: a mulher que quer se firmar como independente, que já se deu mal em alguns namoros, mas que no fundo sonha em se apaixonar, e o galã maravilhoso, cobiçado por todas as mulheres, e que acaba abrindo seu coração para um grande amor.

Talvez essa não seja a melhor série de romance hot atualmente, mas ela pode facilmente prender as leitoras, já que tem todos os elementos para fazê-las se encantar pelo homem dos sonhos e pela protagonista bastante humana. Além disso, fica a dúvida para saber como será a continuação da história de Mia, com que outros tipos de homens ela vai se envolver ao londo de seus doze meses de trabalho, e se, no final, ela conseguirá reencontrar Wes. Eu realmente quero essas respostas, e vou continuar lendo os demais volumes da série.

Recomendo a leitura para mulheres que gostam de romance, e para quem curte uma história cheia de sexo, com cenas minuciosamente descritas. A leitura é rápida e o final deixa um gostinho de quero mais.


A garota do calendário - janeiro
Audrey Carlan
editora Verus
144 páginas
nota no Skoob: 3.8
nota do blog: 3.5


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
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domingo, 15 de janeiro de 2017

Fala, Rafa! - E viveram felizes para sempre


- Boa noite filha, tenha bons sonhos.
- Princesa.
- Príncipe.
- Acredita em fadas?
- Acredito em tudo que tem asas.
- O que te leva a isso?
- Você.
- Por causa de você não aguento as borboletas, principalmente as do estômago.
- Linda!
- Lindo!
- Você promete estar comigo na saúde e na doença?
- Até que a morte nos separe.
- Só consigo lembrar disso.
Éramos nós
Agora só
Eu 
e
Você
Se
Parados
Estou na janela te esperando
Ando
Andei
E você?
Por onde está?
Estou
Estou te ligando.
Enquanto isso
Ando
Ando
Ah, cansei
Já ouvi dizer que o que é de verdade
não nos força para um 
Esforço.
Torci sozinha
Agora vou seguir.
Príncipe
Princesa
A parte que ninguém conta
Uma coisa é certa:
Felizes para sempre
Só são
Antes da história acabar.
O final é um ponto.
Se eu ainda acredito em fadas?
Claro, alguém já me mostrou que elas existem.
Quem?
Ponto.
Vou pintar alguma história de amor para você ler,
Porque a minha já está pronta
Pronto não se desfaz
Só faz
E fez 
Eu fiz
Você se
Foi
Ponto.

imagem: Lillucyka


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Rafa Peres, cronista e futura jornalista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
Twitter: @Raafaperes

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Monalisa desenhando a morte [Resenha]

onde comprar: Arwen

"Após viver em vários lugares do mundo e fixar raízes em Chicago, nos Estados Unidos, a jovem Monalisa, funcionária de uma galeria de artes e aspirante a artista, pretende ingressar na Universidade de Califórnia para se livrar de sua mãe, com quem tem um relacionamento bastante conturbado. Porém, nem tudo acontece como ela planeja. Na noite tempestuosa de seu décimo oitavo aniversário, o destino resolve testar todos os seus limites, direcionando-a a um caminho completamente aterrorizante, que coloca sua vida e a de quem ama em perigo."

Nesse livro encontramos uma adolescente meio rebelde, que, do dia para a noite, se vê portadora de um dom muito peculiar: os desenhos que faz na parede de seu quarto ganham vida. Na noite do seu aniversário de 18 anos, Monalisa, ou simplesmente Lisa, como a mãe gosta de chamar, vê seu namorado beijando outra garota, sai correndo para a rua e acaba sofrendo um acidente: um raio a atinge e ela passa muito tempo no hospital, desacordada. Quando se recupera e vai para casa, percebe que quando desenha qualquer paisagem na parede, o desenho se torna um portal para aquele lugar.

Lisa acha estranho, mas, como é muito curiosa, acaba testando diversos lugares diferentes, desenhando-os na parede e indo para eles ao entrar no desenho. Nesses lugares ela tem muito poder, e consegue realizar alguns de seus desejos. E é assim que seus problemas começam.

Pelo título do livro pensei que a história seria sobre uma menina que prevê mortes através de seus desenhos, mas não é exatamente isso que acontece: algumas pessoas morrem porque Lisa deseja, outras acabam simplesmente acontecendo por causa da presença dela, que, depois do acidente, parece estar sendo um catalisador para tragédias e desastres. Os desenhos apenas têm o poder de transportá-la para o lugar que ela retrata.

Monalisa mora com a mãe e a irmã mais velha em Chicago, e tem um namorado. Todos eles acabam sofrendo as consequências do novo poder de Lisa, e até seu pai, que ela não vê desde pequena e que mora na Itália, acaba sofrendo com a maldição.

O livro é bem ambientado, e a relação entre as personagens é bem estruturada. Mas o começo da narrativa é meio lento, e a construção da trama demora um pouco para se desenvolver. Depois, tudo vai acontecendo rapidamente, morte em cima de morte, até que chegamos ao final surpreendente. A leitura é fluída e, como os capítulos são bem curtos, é fácil avançar e passar pela parte mais lenta da história. Assim que os acontecimentos vão evoluindo, a narrativa envolve o leitor, e dá até uma angústia ao esperar o final para descobrir o que vai acontecer com a pobre Monalisa, depois de tantas mortes ao seu redor.

O projeto gráfico da Arwen é ponto de destaque nesse livro: entre cada capítulo há uma página desenha, em branco e preto, replicando a arte da capa, e ficou lindo. A diagramação está boa e isso ajuda na leitura. Além disso, a própria capa chama a atenção por mostrar uma imagem urbana em tons escuros, sendo desenhada pela protagonista.

Mesmo parecendo um pouquinho truncada no início, essa é uma leitura que vale muito a pena, principalmente, pelo seu desfecho. Além disso, o tom angustiante deixa o leitor sempre tenso com o que poderá acontecer na página seguinte. Muitas mortes acontecem, e algumas são bem chocantes, mas depois de tudo, o leitor vai gostar da história.


Monalisa desenhando a morte
Dany Belo
editora Arwen
216 páginas
nota no Skoob: 4.7
nota do blog: 4.0
(livro cedido pela editora em parceria)

domingo, 8 de janeiro de 2017

Fala, Rafa! - O lago passageiro


Hoje sou eu que estou mergulhando, e não é em uma piscina rasa como as que já existem, nem em um mar de água salgada, como nas praias, hoje estou mergulhando em um lago que se renova a cada estação. Não sei o nome do lago só o que ele carrega em sua profundidade, nas entranhas de cada gotícula de água. Sua superfície e profundidade é como uma metáfora, aqui dentro consigo ouvir vozes, ver cores, cheirar aromas, e sentir gostos. O mais impressionante é que estou nesse lugar pela primeira vez, antes vivia dentro de uma bolsa com um líquido amarelo. Acabei de lembrar que antes eu não tinha nascido.
Mas que se dane o antes, só o agora importa, seja lá o que passei, daqui pra frente posso escolher o que quero passar, posso sentir - que emoção! - tenho todos os átomos a meu favor. Hoje é o meu dia e estou com disposição para inventar o que já existe e reparar no que ninguém repara, só para dar sentido nesse lago que acabei de entrar.
A mágica aqui é gritar "Hoje será melhor do que ontem", e pular. Nosso maior segredo é apenas um: aprender a viver no lago da via láctea, ele fica na travessia do mundo, dentro do planeta Terra e só entra quem tem vida.
Eu tenho!
Entrei.
Sou alguém extremamente humano, sou alguém que nasce e se decide a cada manhã e, mais importante ainda, acredite se quiser, eu sou você.
Por favor, represente a si mesmo, é só mergulhar, na piscina rasa, no mar conhecido ou no lago do recomeço. Você só deve escolher e

mergulhar!

imagem: SublimeBudd


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Rafa Peres, resenhista e crônista, mantém o blog Minha Versão das Coisas, onde publica todos os seus textos.
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sábado, 7 de janeiro de 2017

Momento HQ: Bidu: juntos

Olá leitores! Eis-me aqui novamente para ocupar esse espaço carente de atenção. Dessa vez, quero comentar com vocês a minha experiência de leitura da Graphic Novel MSP Bidu: juntos, a mais nova aventura do cãozinho fofo dos quadrinhos de Maurício de Souza.

Diferente do que acontece em Bidu: caminhos, aqui não vemos uma grande interação entre cachorros, mas sim, entre Bidu e Franjinha, em seus primeiros dias como companheiros. A história mostra as dificuldades iniciais de se ter um cachorrinho, e o leitor que tem um bicho de estimação vai se identificar com várias passagens, com certeza.

A princípio, Franjinha acredita que ter um cachorro é só alegria, e que pode deixar o amigo livre para agir como quiser. Porém, depois de alguns probleminhas dentro de casa, ele descobre que precisa ensinar o cão a se comportar, e ai começam os conflitos.

Bidu não entende por que está sendo punido, e seu dono não sabe como agir com o cãozinho para ensiná-lo a se comportar, e isso acaba afastando um pouco os dois. Mas, como é preciso ter um final feliz, eles acabam de entendendo, e dando início àquela relação linda que todos nós conhecemos dos quadrinhos da Turma da Mônica.


Gostei mais de Bidu: caminhos do que Bidu: juntos. Na primeira havia mais ação, uma história melhor construída, com enredo mais interessante. Aqui, apesar da linda arte e dos tons de rosa usados para colorir, não existe algo que prenda a atenção do  leitor. Claro que donos de pet vão se ver em algumas situações, mas a história em si não empolga. Vale a leitura por ser mais uma da coleção MSP, e para saber um pouco mais sobre como Franjinha conheceu Bidu.

Como já disse, os desenhos de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho são perfeitos, e dão o toque nostálgico que a leitura nos traz, e isso merece ser ressaltado. A qualidade das HQs MSP é indiscutível, e os profissionais selecionados para participar do projeto são os melhores. Não deixem de ler acreditando que a história não vale a pena: leiam e saibam como começou a amizade dos personagens, a partir de onde terminou a HQ anterior, assim, a aventura se completa e todos vão entender como Franjinha e Bidu se tornaram inseparáveis.

Afinal, quem nunca teve um cãozinho que destruiu seu brinquedo preferido, ou roeu aquela camiseta nova que você tanto gostava, e depois percebeu que o bichinho seria seu melhor amigo para a vida toda? É assim na vida real, e também na ficção.



Bidu: juntos
Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho
editora Panini Comics
80 páginas
nota no Skoob: 4.3
nota do blog: 4.0
onde comprar: Livraria Cultura//Amazon//Submarino 


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Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.

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quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O que eu li em novembro de dezembro


Olá leitores! Passei quase dois meses sem postar com frequência aqui no blog, por isso, o balanço das leituras mensais atrasou. Mas hoje vou compartilhar com vocês tudo o que li em novembro e dezembro:


Olhos de lobo já tem resenha aqui, e é a continuação de Sangue de lobo, que também tem resenha aqui. Horror na colina de Darrington foi minha última leitura do ano, que terminei na tarde do dia 31. É um livro de suspense muito legal, que em breve vai ser resenhado no blog, acompanhem. Já Ficção de polpa é uma coletânea de contos de horror/terror/ficção científica muito interessante, desde a capa, de estilo vintage com essa mulher sexy até a diagramação dos textos. Resenha nos próximos dias.


Num clima mais ameno, li a Graphic Novel MSP Bidu - juntos, que é a segunda história dedicada ao cachorro fofo dos quadrinhos de Maurício de Souza. Como vocês sabem, adoro romance, então não poderia faltar leitura desse gênero: Grey, a mesma história de Cinquenta tons de cinza, porém, narrada pela perspectiva de Christian, e A garota do calendário - janeiro, primeiro livro da série. Por fim, o último livro escrito pelo meu divo Ian McEwan, Enclausurado, que é muito inspirado em Hamlet, de Shakespeare, e conta a história de um bebê, ainda na barriga da mãe, que descobre que o pai está correndo risco de ser assassinado por ela e seu amante. 

Todos esses quatro livros terão suas resenhas postadas assim que possível por aqui, não deixem de acompanhar nossos posts.



E para finalizar o desafio Alfabeto Literário, vamos conferir as últimas atualizações. Não consegui preencher todas as letras em todos os tópicos, mas a maioria foi completada. Deem uma olhada:

Título
A- Amor vampiro
B- Beijos de vampiro
C- Clímax
D- Deixe-me entrar
E- Espadachim de carvão
F- Ficção de polpa
G- O garoto do cachecol vermelho
H- Horror na colina de Darrington
I- Inverso
J- Jogos mentais
K-
L- Loving the band
M- Mônica é daltônica
N- O nome do vento
O- Olhos de lobo
P- Pavor espaciar
Q- 
R- Reformed vampire
S- Se eu morrer
T- Too late
U-
V-
X-
Z-
W- Will & Will
Y-

Nome de protagonista
A- Asa Jackson (Too late)
B- Bela (A punição da Bela)
C- Cláudia (Entrevista com vampiro)
D- Denna (O nome do vento)
E- Eva (Somente sua)
F- Frederik (Pílulas azuis)
G- Grey (Grey)
H-Hector (Sangue de lobo)
I-
J- Julianne (Deixe-me entrar)
K- Kate (Até que eu morra)
L- Luna (Jogos mentais)
M- Matias (Ele não é isso)
N- Nathan (A substituta)
O-
P-
Q-
R- Rebekah (The originals)
S- Silas (Nunca jamais)
T- Tiny (Will&Will)
U- 
V- Vincent (Se eu morrer)
X-
Z- Zack (A caçadora)
W- Will Grayson (Will & Will)
Y-

Autores
A- Anne Rice
B- Bel Rodrigues
C- Chuck Palaniuk
D- David Levithan
E- E. L. James
F- Frederik Peeters
G-
H-
I- Ian McEwan
J- Josh Malerman
K- Karen Alvares
L- Letícia Godoy
M- Marcelo Rubens Paiva
N-
O-
P- Paulo Henrique Bragança
Q-
R- Rodrigo Moreira
S- Sylvia Day
T- Terri Tery
U-
V- Vivianne Fair
X-
Z. Zé Wellington 
W-
Y-

Começando o ano com boas leituras, espero ver vocês por aqui o o tempo todo, combinado? Contem para mim como fecharam a meta de leitura de vocês em 2016, e continuem comentando e participando do Top Comentarista, que em janeiro vai presentar um leitor com O amor nos tempos de #likes

Este post é válido para o Top Comentarista, participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Top Comentarista janeiro + resultado dezembro










Happy new year everybody! Sim, estamos de volta! E já começamos o ano presenteando um dos nossos queridos leitores, que comentaram em novembro e dezembro, enquanto eu trabalhava no meu livro. Ele está em processo de revisão, mas estou postando alguns capítulos no Wattpad, caso alguém queira ler, basta clicar aqui.

Sem mais delongas, vamos ao nome do leitor que mais comentou nos posts dos dois últimos meses, e vai ganhar um livro a sua escolha, no valor de R$ 30,00. Foram 9 participantes, porém, cinco deles empataram com 11 comentários cada. Cada um deles recebeu um número, que foi inserido no random.org e o sorteio foi feito de forma automática. O resultado foi:




Rudynalva, parabéns! Você vai receber nosso e-mail de comunicação e terá 72 horas para respondê-lo com o nome do livro escolhido e seus dados para envio.

Obrigada a todos que participaram durante novembro e dezembro; vocês são muito importantes para nós, e o blog não teria razão de ser sem vocês.

E o prêmio para o maior comentarista de janeiro será um livro fofo: O amor nos tempos de likes, escrito pelos booktubers mais famosos do momento. Se você ainda não conhece, leia a resenha clicando aqui, e comece a comentar agora mesmo ;)




Vamos às nossas regrinhas? Não se esqueçam de cumpri-las corretamente, eu confiro tudo:

Comentar nesta postagem com nome de seguidor, e-mail válido e perfil no Facebook ou Twitter  para validar sua participação. É importante que esses dados estejam corretos, pois serão usados para contato com o vencedor. 

Curtir a fanpage do blog no Facebook clicando aqui;

- E claro, comentar em todas as postagens do mês.

Lembrando que:
  • Os posts de sorteios ou resultados de sorteios não valem para o TC;
  • Somente um comentário por post será validado, e ele precisa ser coerente com a postagem: não serão contabilizados comentários do tipo "gostei" ou "participando";
  • O ganhador deverá ter endereço de entrega no Brasil;
  • A promoção começa sempre no dia primeiro e vai até o último dia de cada mês. Mesmo que o post com o TC ainda não tenha sido publicado, valem comentários em postagens anteriores.
  • Se houver empate em número de participantes, o ganhador será definido por sorteio, realizado no site random.org ou no sorteador.com;
  • O ganhador será avisado por email e terá 72 horas para respondê-lo. O prazo para envio do prêmio é de 45 dias úteis, contados a partir da resposta do e-mail, e o blog não se responsabiliza por atrasos ou extravios por parte dos Correios;
  • O descumprimento de qualquer uma das regras resultará na eliminação do ganhador.

Então, caros leitores, comecem o ano com o pé direito, muitas leituras boas, e muitos comentários nos nossos posts, combinado? Espero poder contar com a presença de vocês por aqui por muito tempo!



Este post é válido para o Top Comentarista participe!


Joana Masen, quando não está resenhando, pintando e bordando por aqui, está escrevendo poesia no blog Milonga.
Twitter: @joana_masen